Caso Semasa

Pela crise gerada com a exoneração da cúpula do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) nos últimos dias, os depoimentos dessa semana na CPI devem ser decisivos para definir o resultado do relatório final, que tende a ser apresentado em 4 de junho. Os integrantes da comissão convocaram três pessoas para prestar esclarecimentos hoje: o ex-funcionário Ari Sarzedas, o assessor de gabinete da Prefeitura, Antônio Feijó, e o proprietário da construtora Estate Plan Empreendimentos, Valter Ricardo Afonso.
O trio já depôs na Polícia Civil. Apesar de negar conhecimento de suposto esquema de venda de licenças ambientais praticado na autarquia, Sarzedas relatou estranheza com a demora, segundo ele, sem motivo para dar sequência ao processo ao qual ele representava à época. Ele, inclusive, apresentou ao delegado Gilmar Camargo Bessa, que preside o inquérito criminal, cópia de e-mail, avisando Ângelo Pavin e Dovilio Ferrari Filho, ex-superintendente e ex-adjunto, sobre o entrave enfrentado.
Feijó negou, em oitiva à polícia, que tenha feito ligação para o então diretor financeiro, Nelson de Freitas, para determinar a atuação do advogado Calixto Antônio Júnior no Semasa, por ordem do petebista. Nelson elaborou documento oficializando o pedido.
Por Feijó usar dessa linha de posicionamento, contrariando outros quatro depoimentos que confirmavam que Calixto foi para autarquia a mando do prefeito, o delegado adiantou que utilizará a acareação para constatar quem está mentindo. "São versões muito antagônicas sobre o mesmo caso. No momento oportuno, nós faremos a acareação", analisou Bessa.
Valter afirmou à polícia que, ao comparecer à autarquia para retirar o documento para dar sequência a um empreendimento, foi avisado pelo então diretor de Gestão Ambiental Roberto Tokuzumi que teria de pagar "pedágio" para emissão da licença. O empresário negou ter efetuado pagamento da propina cobrada, mas reconheceu a admissão de representantes para analisar o processo. Foi a primeira vez que a confirmação do possível esquema partiu de um empresário, o que fecha o ciclo denunciado pelo ex-diretor de Gestão Ambiental Roberto Tokuzumi.
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