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Com Biden, dólar recua

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Porém, para especialistas, desvalorização do real só avança com aprovações de reformas e estabilidade política


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/01/2021 | 00:05


A posse do novo presidente norte-americano, Joe Biden, ontem, trouxe otimismo ao mercado financeiro internacional, já que o democrata defende uma agenda pautada em estímulos econômicos para o enfrentamento à pandemia. Tanto que a cotação do dólar fechou em queda de 0,63%, em R$ 5,31, porém, na contramão das bolsas de valores mundo afora, a Bovespa retraiu 0,82%, aos 119.646,40. Apesar do bom humor dos investidores, a preocupação com o cumprimento do cronograma de vacinação contra o novo coronavírus, que sofre com a falta de insumos para ampliar a produção, também pesou negativamente. Para especialistas, apesar da expectativa de maior liquidez, os efeitos não devem ser tão expressivos na economia brasileira, que ainda enfrenta um forte cenário de incertezas.

O real é uma das moedas que mais sofreram desvalorização em relação ao dólar no ano passado. Em ranking divulgado pela Austin Rating, em lista com 121 países, o Brasil ocupa a sexta posição entre as maiores perdas de valores frente à divisa norte-americana. Com desvalorização anual de 22,4%, a moeda brasileira fica atrás apenas de Angola, Argentina, Zambia, Seychelles e Venezuela.

Um dos principais impactos deste cenário foi a alta dos preços ao consumidor, principalmente nos alimentos que são commodities (bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacional). Como resultado, itens essenciais como o arroz, carnes e óleo de soja encareceram. No Grande ABC, o preço da cesta básica chegou a R$ 869,55 em dezembro do ano passado, o que significou uma alta de 30,46% em 12 meses.

“Sem ter a economia brasileira com estabilidades institucional e política, mesmo com abundância de liquidez internacional, só atraímos este capital se realmente houver, no mercado doméstico, juros muito altos ou credibilidade. Por isso, eu diria que os fatores internos importam mais do que os externos do ponto de vista cambial”, analisou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Para o professor do MBA Finanças e Valor da Fipecafi Marcio Shimada, a questão política nacional também interfere bastante na economia, já que no atual período são necessários reformas e ajustes fiscais. “No ano passado, mesmo com a pandemia, houve estímulos fiscais no mundo inteiro e não houve mudanças na situação do Brasil”, afirmou ele, ao chamar a atenção ao fato de que reformas, principalmente a tributária, precisavam ser aprovadas “para ontem”, já que no ano que vem acontece a eleição presidencial. “Além disso, estamos num momento de troca de comando na Câmara dos Deputados e no Senado, que demandam articulação política e influenciam na tomada de decisões desse porte”, disse.


Banco Central mantém Selic em 2% ao ano pela terceira vez seguida

O BC (Banco Central) manteve, pela terceira vez seguida, a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. Em decisão anunciada ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária), a justificativa foi a incerteza no ritmo de crescimento na economia no primeiro trimestre, com o fim do pagamento do auxílio emergencial e o aumento do número de casos de Covid-19. Porém, nos próximos meses, reajuste pode acontecer.

Isso porque o BC optou por excluir o forward guidance (orientação futura, na tradução ao português), mecanismo que garantia que o Copom não reduziria o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas. “Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas, já que as expectativas de inflação estão suficientemente próximas da meta para o horizonte relevante de política monetária”, informou a nota do BC.

“Essa retirada traz mensagem de que a situação inflacionária não é mais confortável. Então, ela está na direção de aumento de juros. Apesar de o BC reiterar que isso não implica alta imediata dos juros, traz a dúvida de quando isso deve acontecer, e aí realmente a incerteza é gigantesca”, afirmou Marcio Shimada.

Com expectativa de aumento futuro, o consumidor é quem vai acabar pagando o preço, avaliou Ricardo Balistiero. “Quando os juros sobem, vem para o País capital de curto prazo. Isso pode ser importante para fechar o balanço de pagamentos, mas não é o capital que o Brasil precisa, que é de investimentos, por exemplo, quando vêm novas empresas ou investimentos em obras. Mas, a Selic subir, isso pode aliviar o câmbio. Por outro lado, é ruim porque encarece o crédito.” 



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Com Biden, dólar recua

Porém, para especialistas, desvalorização do real só avança com aprovações de reformas e estabilidade política

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/01/2021 | 00:05


A posse do novo presidente norte-americano, Joe Biden, ontem, trouxe otimismo ao mercado financeiro internacional, já que o democrata defende uma agenda pautada em estímulos econômicos para o enfrentamento à pandemia. Tanto que a cotação do dólar fechou em queda de 0,63%, em R$ 5,31, porém, na contramão das bolsas de valores mundo afora, a Bovespa retraiu 0,82%, aos 119.646,40. Apesar do bom humor dos investidores, a preocupação com o cumprimento do cronograma de vacinação contra o novo coronavírus, que sofre com a falta de insumos para ampliar a produção, também pesou negativamente. Para especialistas, apesar da expectativa de maior liquidez, os efeitos não devem ser tão expressivos na economia brasileira, que ainda enfrenta um forte cenário de incertezas.

O real é uma das moedas que mais sofreram desvalorização em relação ao dólar no ano passado. Em ranking divulgado pela Austin Rating, em lista com 121 países, o Brasil ocupa a sexta posição entre as maiores perdas de valores frente à divisa norte-americana. Com desvalorização anual de 22,4%, a moeda brasileira fica atrás apenas de Angola, Argentina, Zambia, Seychelles e Venezuela.

Um dos principais impactos deste cenário foi a alta dos preços ao consumidor, principalmente nos alimentos que são commodities (bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacional). Como resultado, itens essenciais como o arroz, carnes e óleo de soja encareceram. No Grande ABC, o preço da cesta básica chegou a R$ 869,55 em dezembro do ano passado, o que significou uma alta de 30,46% em 12 meses.

“Sem ter a economia brasileira com estabilidades institucional e política, mesmo com abundância de liquidez internacional, só atraímos este capital se realmente houver, no mercado doméstico, juros muito altos ou credibilidade. Por isso, eu diria que os fatores internos importam mais do que os externos do ponto de vista cambial”, analisou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Para o professor do MBA Finanças e Valor da Fipecafi Marcio Shimada, a questão política nacional também interfere bastante na economia, já que no atual período são necessários reformas e ajustes fiscais. “No ano passado, mesmo com a pandemia, houve estímulos fiscais no mundo inteiro e não houve mudanças na situação do Brasil”, afirmou ele, ao chamar a atenção ao fato de que reformas, principalmente a tributária, precisavam ser aprovadas “para ontem”, já que no ano que vem acontece a eleição presidencial. “Além disso, estamos num momento de troca de comando na Câmara dos Deputados e no Senado, que demandam articulação política e influenciam na tomada de decisões desse porte”, disse.


Banco Central mantém Selic em 2% ao ano pela terceira vez seguida

O BC (Banco Central) manteve, pela terceira vez seguida, a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. Em decisão anunciada ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária), a justificativa foi a incerteza no ritmo de crescimento na economia no primeiro trimestre, com o fim do pagamento do auxílio emergencial e o aumento do número de casos de Covid-19. Porém, nos próximos meses, reajuste pode acontecer.

Isso porque o BC optou por excluir o forward guidance (orientação futura, na tradução ao português), mecanismo que garantia que o Copom não reduziria o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas. “Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas, já que as expectativas de inflação estão suficientemente próximas da meta para o horizonte relevante de política monetária”, informou a nota do BC.

“Essa retirada traz mensagem de que a situação inflacionária não é mais confortável. Então, ela está na direção de aumento de juros. Apesar de o BC reiterar que isso não implica alta imediata dos juros, traz a dúvida de quando isso deve acontecer, e aí realmente a incerteza é gigantesca”, afirmou Marcio Shimada.

Com expectativa de aumento futuro, o consumidor é quem vai acabar pagando o preço, avaliou Ricardo Balistiero. “Quando os juros sobem, vem para o País capital de curto prazo. Isso pode ser importante para fechar o balanço de pagamentos, mas não é o capital que o Brasil precisa, que é de investimentos, por exemplo, quando vêm novas empresas ou investimentos em obras. Mas, a Selic subir, isso pode aliviar o câmbio. Por outro lado, é ruim porque encarece o crédito.” 

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