Fechar
Publicidade

Sábado, 27 de Fevereiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Dólar cai para R$ 5,31 em dia de otimismo com políticas de Biden e Copom



20/01/2021 | 18:37


O dólar caiu nesta quarta-feira, 20, ante o real, em linha com os pares emergentes, à medida que o mercado cambial segue apostando em medidas fiscais a serem tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. No discurso de posse, o democrata reafirmou o compromisso com o combate aos efeitos econômicos da covid-19, o que reforça a visão de que mais estímulos estão a caminho - sem a oposição da Casa Branca e com maiorias na Câmara e no Senado.

O investidor segue de olho também na política monetária brasileira, à espera de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic a 2%, mas retire o forward guidance, que, no limite, abre espaço para um aumento de juros em breve.

O dólar à vista fechou em queda de 0,63%, aos R$ 5,3118. No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 1,28%, a R$ 5,2925.

O discurso de posse de Biden nesta quarta deu a tônica de como serão os próximos quatro anos da gestão democrata frente à Casa Branca. O novo presidente americano reforçou que o combate à pandemia de covid-19 não passa apenas pela questão sanitária, mas também pela união de toda a nação. Implicitamente, ele apoiou o tom usado na terça pela futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, que defendeu ao Senado que era necessário aprovar o novo pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão para "agir com grandeza" para superar a crise.

"Vimos desde cedo um movimento do mercado em torno da posse do Biden, na expectativa que se gerou em torno do governo dele com os estímulos fiscais", frisou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Em evento virtual do Centre for the Study of Financial Innovation, o economista Mohamed El-Erian, consultor-chefe do grupo Allianz e presidente do Queens College da Universidade de Cambridge, considerou apropriado o pacote fiscal trilionário proposto por Biden. "É uma resposta absolutamente certa", disse, ao reforçar que a liquidez que pode ser despejada na economia mundial este ano, em três frentes - fiscal, monetária e gastos das famílias - pode somar vários trilhões de dólares, entre 20% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Mas o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, ponderou que os países emergentes precisam fazer a "lição de casa" porque caso a economia americana ganhe muito impulso diante dos estímulos fiscais que estão sendo preparados, o dólar vai se fortalecer, afetando os fluxos.

"Isso não deve acontecer agora. Enquanto o mundo estiver em recuperação, o euro deve refletir melhor os fundamentos das economias dominantes na região e com espaço para apreciar ante o dólar. Mas a economia dos EUA pode ganhar tanta tração que passe a atrair mais recursos que a Europa, e podemos ver o euro novamente a US$ 1,15", comentou, em live promovida pelo jornal Valor Econômico. Mesmo em baixa nesta quarta, depois de indicadores fracos da zona do euro, a moeda comum operava a US$ 1,21.

Para Giacomelli, do Deutsche, a política monetária brasileira pode ter exagerado ao levar a Selic até 2%, mas que o Banco Central tem tempo para corrigir a rota. "Talvez devesse ter parado em 3%. Foi demais? Provavelmente, mas isso não tem gerado distorção séria na economia além da sobredesvalorização do real", opinou, ressaltando que atualmente a moeda brasileira é uma das mais depreciadas do mundo.

*Com Altamiro Silva e Denise Abarca



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Dólar cai para R$ 5,31 em dia de otimismo com políticas de Biden e Copom


20/01/2021 | 18:37


O dólar caiu nesta quarta-feira, 20, ante o real, em linha com os pares emergentes, à medida que o mercado cambial segue apostando em medidas fiscais a serem tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. No discurso de posse, o democrata reafirmou o compromisso com o combate aos efeitos econômicos da covid-19, o que reforça a visão de que mais estímulos estão a caminho - sem a oposição da Casa Branca e com maiorias na Câmara e no Senado.

O investidor segue de olho também na política monetária brasileira, à espera de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic a 2%, mas retire o forward guidance, que, no limite, abre espaço para um aumento de juros em breve.

O dólar à vista fechou em queda de 0,63%, aos R$ 5,3118. No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 1,28%, a R$ 5,2925.

O discurso de posse de Biden nesta quarta deu a tônica de como serão os próximos quatro anos da gestão democrata frente à Casa Branca. O novo presidente americano reforçou que o combate à pandemia de covid-19 não passa apenas pela questão sanitária, mas também pela união de toda a nação. Implicitamente, ele apoiou o tom usado na terça pela futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, que defendeu ao Senado que era necessário aprovar o novo pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão para "agir com grandeza" para superar a crise.

"Vimos desde cedo um movimento do mercado em torno da posse do Biden, na expectativa que se gerou em torno do governo dele com os estímulos fiscais", frisou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Em evento virtual do Centre for the Study of Financial Innovation, o economista Mohamed El-Erian, consultor-chefe do grupo Allianz e presidente do Queens College da Universidade de Cambridge, considerou apropriado o pacote fiscal trilionário proposto por Biden. "É uma resposta absolutamente certa", disse, ao reforçar que a liquidez que pode ser despejada na economia mundial este ano, em três frentes - fiscal, monetária e gastos das famílias - pode somar vários trilhões de dólares, entre 20% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Mas o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, ponderou que os países emergentes precisam fazer a "lição de casa" porque caso a economia americana ganhe muito impulso diante dos estímulos fiscais que estão sendo preparados, o dólar vai se fortalecer, afetando os fluxos.

"Isso não deve acontecer agora. Enquanto o mundo estiver em recuperação, o euro deve refletir melhor os fundamentos das economias dominantes na região e com espaço para apreciar ante o dólar. Mas a economia dos EUA pode ganhar tanta tração que passe a atrair mais recursos que a Europa, e podemos ver o euro novamente a US$ 1,15", comentou, em live promovida pelo jornal Valor Econômico. Mesmo em baixa nesta quarta, depois de indicadores fracos da zona do euro, a moeda comum operava a US$ 1,21.

Para Giacomelli, do Deutsche, a política monetária brasileira pode ter exagerado ao levar a Selic até 2%, mas que o Banco Central tem tempo para corrigir a rota. "Talvez devesse ter parado em 3%. Foi demais? Provavelmente, mas isso não tem gerado distorção séria na economia além da sobredesvalorização do real", opinou, ressaltando que atualmente a moeda brasileira é uma das mais depreciadas do mundo.

*Com Altamiro Silva e Denise Abarca

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;