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A gestão em que Santo André teve sete prefeitos


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

19/01/2021 | 00:01


Pela ordem:

1 – Oswaldo Gimenez

2 – José Silveira Sampaio

3 – Antonio Ferreira dos Santos

4 – Sérgio Cyrino

5 – José Benedito de Castro

6 – Clovis Sidney Thon

7 – João Cara Valentim

QUE FASE!

A gestão municipal andreense de 1960 a 1963 foi empolgante. Começou e terminou com prefeitos forasteiros, que não é, absolutamente, o caso de João Cara Valentim, hoje residindo no Rio de Janeiro e que é o ex-prefeito mais antigo vivo de Santo André, o segundo do Grande ABC – o primeiro da região é Adaquir Prisco, de Ribeirão Pires.

Uma charada: o oitavo ‘prefeito’ foi o que provocou a posse do sétimo, como se verá.

O emaranhado político daqueles quatro anos é tanto que quando, décadas depois, o prefeito João Avamileno inaugurou uma galeria com os retratos dos prefeitos da cidade, no Paço Municipal, o levantamento não citou todos os nomes agora alinhavados por Memória.

Nenhuma crítica, apenas uma constatação. Tanto que o Almanaque de Vereadores, nas suas duas edições (1996 e 2008), nascido aqui em Memória, também não traz a lista hoje apresentada nesta série sobre as eleições municipais da região.

O levantamento só foi possível depois da leitura atenta, linha a linha, da cobertura feita pelo semanário News Seller, origem do Diário do Grande ABC. Fiel aos fatos, News Seller chegou a ser partícipe diretamente dos acontecimentos de então, com seus repórteres sendo ameaçados e perseguidos, simplesmente por fazer jornalismo de verdade, corajoso – tradição herdada pelo Diário até os dias presentes.

Três blocos na Câmara. 17 vereadores assinam um acordo. ‘Sampaiada’. O oitavo ‘prefeito’.

371 – A eleição do prefeito Oswaldo Gimenez, no domingo, 4 de outubro de 1959, e sua posse em 1º de janeiro de 1960, já foram lembradas nesta série. Gimenez acabou cassado pela Câmara Municipal de Santo André em 5 de janeiro de 1962, assumindo o vice-prefeito em seu lugar.

372 – José Silveira Sampaio estava como prefeito interino desde 12 de outubro de 1961, quando a Câmara Municipal aprovou o afastamento de Gimenez até o seu impeachment.

373 – Silveira Sampaio permaneceu prefeito por cerca de dez meses. Candidatando-se a deputado estadual, solicitou um período de licença durante a campanha. Foi substituído no cargo pelo presidente da Câmara Municipal, Antonio Ferreira dos Santos, o Ferreirinha, que ficou à frente do Executivo andreense entre 31 de agosto e 7 de outubro de 1962.

374 – Sampaio se elege deputado estadual. Reassume o cargo de prefeito em 8 de outubro de 1962 e fica no cargo até 15 de janeiro de 1963. Quando da renúncia, caberia à Câmara Municipal promover eleição indireta para escolha dos prefeito e vice que completariam a gestão.

375 – Uma nova disputa se estabelece, com três blocos formados no Legislativo: o de Clovis Thon, o de Bruno Daniel e o de Hercílio Bueno da Silveira.

376 – Uma verdadeira guerra de bastidores se estabelece em Santo André, com dois cenários principais: o gabinete do prefeito, na Praça do Carmo, e a Câmara Municipal, na Rua Coronel Oliveira Lima, sem contar pontos extras, como o bar Quitandinha, a meio caminho da Câmara e da Prefeitura.

377 – O martelo é batido em 11 de dezembro de 1962 no gabinete do prefeito Sampaio. Em reunião com a presença de 17 vereadores, a fórmula encontrada e aprovada se transforma em documento assinado:

1 – Sampaio anteciparia a renúncia para 15 de janeiro de 1963.

2 – Os vereadores signatários do documento votariam em Thon para prefeito e João Cara Valentim para vice-prefeito. José Benedito de Castro seria o presidente da Câmara em 1963 e Luiz Olivieri, o vice-presidente.

378 – Tudo certo? Não. Surge o episódio batizado pelo articulista Acylino Bellisomi, do News Seller, como “Sampaiada”: o prefeito ameaçou não renunciar, caso três assessores não fossem aquinhoados com bons cargos na gestão Clovis Thon. 

“É simplesmente vergonhoso o que se passa na política de Santo André”, cf. Editorial do News Seller em 23 de dezembro de 1962: ‘Máscara caída’.

379 – Enfim, Sampaio renuncia na data estabelecida – 15 de janeiro de 1963. O diretor jurídico, Sérgio Cirino, assume a Prefeitura por um dia. José Benedito de Castro, na qualidade de presidente da Câmara, toma posse como prefeito. Permanece durante duas semanas no cargo, convocando eleição entre os vereadores para a oficialização de Thon como próximo prefeito: foram 21 votos a dois dados a Oliver Tognato.

Neste meio-tempo, uma dúvida tomou conta da classe política: e se Benedito de Castro rompesse o acordo e não renunciasse? Completaria o mandato de prefeito até o fim daquela tumultuada gestão, tendo Luiz Olivieri como vice-prefeito.

PIADA VERDADEIRA

Pergunta de um jornalista após a sessão da Câmara Municipal em que foi lida a renúncia do prefeito Sampaio:

– O Benedito de Castro foi para casa e o Sampaio renunciou. Quer dizer que Santo André está hoje sem prefeito.

Com muito espírito e fazendo blague, (o vereador) Affonso Zanei respondeu:

– Santo André está sem prefeito há muitos anos...

Cf. News Seller, 20-1-1963.

380 – Acordo obedecido, Clovis Thon assumiu em 31 de janeiro de 1963. Realiza um governo de linha-dura. Vê Lauro Gomes ganhar as eleições para prefeito de Santo André, na sua sucessão. E não engole o gesto autoritário do prefeito eleito, que antes da posse toma assento no gabinete da Praça do Carmo e começa a distribuir ordens.

Thon não aceita. Renuncia. E na última semana assume o sétimo prefeito do período, João Cara Valentim, que transmitirá o cargo a Lauro Gomes já em 1964.

A Charada – Na gestão 1960-1963 de Santo André, Lauro Gomes de Almeida torna-se extraoficialmente o oitavo ‘prefeito’ antes de assumir de fato. O episódio permanece obscuro nos anais históricos da política andreense e só o ex-prefeito</CS><CS10.3> João Cara Valentim, diretamente de Jacarepaguá, poderia elucidar. Aguardemos.

Diário há meio século

Terça-feira, 19 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1438

Futebol – Supercampeonato da Divisão Principal de Santo André é conquistado pelo Sete de Setembro com a goleada de domingo frente ao Alvinegro: 4 a 0, com gols de Pérsio, Stefano (2) e Juba. Festa na Vila Valparaíso.

Os campeões: Mauro, Gera, Rodolfo, Rudinho, Alencar, Cláudio, Alemão, Juba, Edélcio, Pérsio (Modesto) e Stefano, Técnico: José Valero.

Em 19 de janeiro de...

1951 – Decreto número 20.233 dá o nome de Professor Otílio de Oliveira ao Grupo Escolar dos Meninos, em Rudge Ramos, São Bernardo.

Hoje

Dia Nacional do Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador (cf. lei de 18 de janeiro de 2012)

Santos do Dia

Odilo (França 962-1049). Arcebispo de Lion.

Canuto

Mário

Mauro

Município Paulista

Hoje é o aniversário de Praia Grande. Do tupi-guarani, Peabuçu. Separa-se de São Vicente e é instalado em 19 de janeiro de 1967



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A gestão em que Santo André teve sete prefeitos

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

19/01/2021 | 00:01


Pela ordem:

1 – Oswaldo Gimenez

2 – José Silveira Sampaio

3 – Antonio Ferreira dos Santos

4 – Sérgio Cyrino

5 – José Benedito de Castro

6 – Clovis Sidney Thon

7 – João Cara Valentim

QUE FASE!

A gestão municipal andreense de 1960 a 1963 foi empolgante. Começou e terminou com prefeitos forasteiros, que não é, absolutamente, o caso de João Cara Valentim, hoje residindo no Rio de Janeiro e que é o ex-prefeito mais antigo vivo de Santo André, o segundo do Grande ABC – o primeiro da região é Adaquir Prisco, de Ribeirão Pires.

Uma charada: o oitavo ‘prefeito’ foi o que provocou a posse do sétimo, como se verá.

O emaranhado político daqueles quatro anos é tanto que quando, décadas depois, o prefeito João Avamileno inaugurou uma galeria com os retratos dos prefeitos da cidade, no Paço Municipal, o levantamento não citou todos os nomes agora alinhavados por Memória.

Nenhuma crítica, apenas uma constatação. Tanto que o Almanaque de Vereadores, nas suas duas edições (1996 e 2008), nascido aqui em Memória, também não traz a lista hoje apresentada nesta série sobre as eleições municipais da região.

O levantamento só foi possível depois da leitura atenta, linha a linha, da cobertura feita pelo semanário News Seller, origem do Diário do Grande ABC. Fiel aos fatos, News Seller chegou a ser partícipe diretamente dos acontecimentos de então, com seus repórteres sendo ameaçados e perseguidos, simplesmente por fazer jornalismo de verdade, corajoso – tradição herdada pelo Diário até os dias presentes.

Três blocos na Câmara. 17 vereadores assinam um acordo. ‘Sampaiada’. O oitavo ‘prefeito’.

371 – A eleição do prefeito Oswaldo Gimenez, no domingo, 4 de outubro de 1959, e sua posse em 1º de janeiro de 1960, já foram lembradas nesta série. Gimenez acabou cassado pela Câmara Municipal de Santo André em 5 de janeiro de 1962, assumindo o vice-prefeito em seu lugar.

372 – José Silveira Sampaio estava como prefeito interino desde 12 de outubro de 1961, quando a Câmara Municipal aprovou o afastamento de Gimenez até o seu impeachment.

373 – Silveira Sampaio permaneceu prefeito por cerca de dez meses. Candidatando-se a deputado estadual, solicitou um período de licença durante a campanha. Foi substituído no cargo pelo presidente da Câmara Municipal, Antonio Ferreira dos Santos, o Ferreirinha, que ficou à frente do Executivo andreense entre 31 de agosto e 7 de outubro de 1962.

374 – Sampaio se elege deputado estadual. Reassume o cargo de prefeito em 8 de outubro de 1962 e fica no cargo até 15 de janeiro de 1963. Quando da renúncia, caberia à Câmara Municipal promover eleição indireta para escolha dos prefeito e vice que completariam a gestão.

375 – Uma nova disputa se estabelece, com três blocos formados no Legislativo: o de Clovis Thon, o de Bruno Daniel e o de Hercílio Bueno da Silveira.

376 – Uma verdadeira guerra de bastidores se estabelece em Santo André, com dois cenários principais: o gabinete do prefeito, na Praça do Carmo, e a Câmara Municipal, na Rua Coronel Oliveira Lima, sem contar pontos extras, como o bar Quitandinha, a meio caminho da Câmara e da Prefeitura.

377 – O martelo é batido em 11 de dezembro de 1962 no gabinete do prefeito Sampaio. Em reunião com a presença de 17 vereadores, a fórmula encontrada e aprovada se transforma em documento assinado:

1 – Sampaio anteciparia a renúncia para 15 de janeiro de 1963.

2 – Os vereadores signatários do documento votariam em Thon para prefeito e João Cara Valentim para vice-prefeito. José Benedito de Castro seria o presidente da Câmara em 1963 e Luiz Olivieri, o vice-presidente.

378 – Tudo certo? Não. Surge o episódio batizado pelo articulista Acylino Bellisomi, do News Seller, como “Sampaiada”: o prefeito ameaçou não renunciar, caso três assessores não fossem aquinhoados com bons cargos na gestão Clovis Thon. 

“É simplesmente vergonhoso o que se passa na política de Santo André”, cf. Editorial do News Seller em 23 de dezembro de 1962: ‘Máscara caída’.

379 – Enfim, Sampaio renuncia na data estabelecida – 15 de janeiro de 1963. O diretor jurídico, Sérgio Cirino, assume a Prefeitura por um dia. José Benedito de Castro, na qualidade de presidente da Câmara, toma posse como prefeito. Permanece durante duas semanas no cargo, convocando eleição entre os vereadores para a oficialização de Thon como próximo prefeito: foram 21 votos a dois dados a Oliver Tognato.

Neste meio-tempo, uma dúvida tomou conta da classe política: e se Benedito de Castro rompesse o acordo e não renunciasse? Completaria o mandato de prefeito até o fim daquela tumultuada gestão, tendo Luiz Olivieri como vice-prefeito.

PIADA VERDADEIRA

Pergunta de um jornalista após a sessão da Câmara Municipal em que foi lida a renúncia do prefeito Sampaio:

– O Benedito de Castro foi para casa e o Sampaio renunciou. Quer dizer que Santo André está hoje sem prefeito.

Com muito espírito e fazendo blague, (o vereador) Affonso Zanei respondeu:

– Santo André está sem prefeito há muitos anos...

Cf. News Seller, 20-1-1963.

380 – Acordo obedecido, Clovis Thon assumiu em 31 de janeiro de 1963. Realiza um governo de linha-dura. Vê Lauro Gomes ganhar as eleições para prefeito de Santo André, na sua sucessão. E não engole o gesto autoritário do prefeito eleito, que antes da posse toma assento no gabinete da Praça do Carmo e começa a distribuir ordens.

Thon não aceita. Renuncia. E na última semana assume o sétimo prefeito do período, João Cara Valentim, que transmitirá o cargo a Lauro Gomes já em 1964.

A Charada – Na gestão 1960-1963 de Santo André, Lauro Gomes de Almeida torna-se extraoficialmente o oitavo ‘prefeito’ antes de assumir de fato. O episódio permanece obscuro nos anais históricos da política andreense e só o ex-prefeito</CS><CS10.3> João Cara Valentim, diretamente de Jacarepaguá, poderia elucidar. Aguardemos.

Diário há meio século

Terça-feira, 19 de janeiro de 1971 – ano 13, edição 1438

Futebol – Supercampeonato da Divisão Principal de Santo André é conquistado pelo Sete de Setembro com a goleada de domingo frente ao Alvinegro: 4 a 0, com gols de Pérsio, Stefano (2) e Juba. Festa na Vila Valparaíso.

Os campeões: Mauro, Gera, Rodolfo, Rudinho, Alencar, Cláudio, Alemão, Juba, Edélcio, Pérsio (Modesto) e Stefano, Técnico: José Valero.

Em 19 de janeiro de...

1951 – Decreto número 20.233 dá o nome de Professor Otílio de Oliveira ao Grupo Escolar dos Meninos, em Rudge Ramos, São Bernardo.

Hoje

Dia Nacional do Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador (cf. lei de 18 de janeiro de 2012)

Santos do Dia

Odilo (França 962-1049). Arcebispo de Lion.

Canuto

Mário

Mauro

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Hoje é o aniversário de Praia Grande. Do tupi-guarani, Peabuçu. Separa-se de São Vicente e é instalado em 19 de janeiro de 1967

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