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'Há sinais de mudança para um Estado mais condutor da economia'



17/01/2021 | 07:22


Apesar de ter se doutorado em Chicago, Ricardo Ffrench-Davis sempre foi contra os princípios do liberalismo e, agora, comemora o que vê como "sinais de mudanças em direção a um Estado com um papel mais condutor da economia, regulador dos mercados e promotor de desenvolvimentos produtivos que gerem mais empregos". Opositor de privatizações por acreditar que elas não promovem investimento produtivo, o ex-economista-chefe do Banco Central chileno e hoje professor da Universidade do Chile afirma que as estatais precisam se desburocratizar e investir em inovação.

No mundo todo, os governos estão mais ativos na economia. Essa tendência continuará?

Em meio à incerteza atual, há sinais no mundo de mudanças em direção a um Estado com um papel mais condutor da economia, regulador dos mercados e promotor de desenvolvimentos produtivos que gerem mais empregos. A redução da desigualdade também se alcança com estruturas produtivas inclusivas. Isso foi o que fez a Europa Ocidental no pós-guerra e também Coreia do Sul e Taiwan. Vejo uma consciência crescente em relação à gravidade da volatilidade excessiva dos capitais financeiros, seu papel especulativo e daninho para os investimentos produtivos e para a inovação. Essa volatilidade cria booms, seguidos por recessões. E isso hoje é criticado até mesmo pelo FMI e por prêmios Nobel de Economia. A América Latina deveria observar mais isso.

Os chilenos aprovaram a elaboração de uma nova Constituição. É provável que, com essa Constituição, o Estado cresça. Como avalia a decisão dos chilenos?

O resultado foi promissor. Espero que o Estado recupere as funções essenciais que a ditadura lhe tirou e cuja ausência é a causa da situação crítica que o Chile vive hoje. A nova Constituição não resolve os problemas, mas pode nos libertar de amarras regressivas, apagar os resíduos ditatoriais e a sombra de Pinochet. Pode dar espaço para as forças democráticas iniciarem uma nova etapa de desenvolvimento, que requer um crescimento vigoroso, inovador e inclusivo. É fácil destruir devido ao mal-estar com o declínio econômico, social e político dos últimos anos. É difícil construir e ser persistente ao longo do tempo. O debate começou. O Chile tem uma nova oportunidade de retomar o caminho de desenvolvimento que escolheu em 1990.

Como vê as medidas econômicas dos primeiros anos do governo Bolsonaro?

Elas incluem uma cópia lamentável dos erros da ditadura no Chile. Vocês fizeram uma reforma da Previdência. Nós estamos agora corrigindo a reforma da ditadura (que criou o sistema de capitalização). Entendo que Bolsonaro pretende fazer privatizações. Há algumas empresas estratégicas que acho lamentável privatizar, como de energia elétrica e água. Mas há coisas que penso que o Estado não precisa fazer, como produzir macarrão ou estar em pequenas e médias empresas. Isso distrai as autoridades das prioridades. O problema é que, em vez de os recursos privados serem destinados a novas empresas ou à expansão das atuais, eles acabam indo para comprar o que já existe, através das privatizações. A mensagem é que não vai haver incentivo ao investimento produtivo. É preciso incentivar a produção e a criação de novas empresas privadas. Além disso, as empresas nas mãos do Estado têm de fazer um esforço de inovação e de desburocratização, ao invés de apenas vendê-las massivamente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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'Há sinais de mudança para um Estado mais condutor da economia'


17/01/2021 | 07:22


Apesar de ter se doutorado em Chicago, Ricardo Ffrench-Davis sempre foi contra os princípios do liberalismo e, agora, comemora o que vê como "sinais de mudanças em direção a um Estado com um papel mais condutor da economia, regulador dos mercados e promotor de desenvolvimentos produtivos que gerem mais empregos". Opositor de privatizações por acreditar que elas não promovem investimento produtivo, o ex-economista-chefe do Banco Central chileno e hoje professor da Universidade do Chile afirma que as estatais precisam se desburocratizar e investir em inovação.

No mundo todo, os governos estão mais ativos na economia. Essa tendência continuará?

Em meio à incerteza atual, há sinais no mundo de mudanças em direção a um Estado com um papel mais condutor da economia, regulador dos mercados e promotor de desenvolvimentos produtivos que gerem mais empregos. A redução da desigualdade também se alcança com estruturas produtivas inclusivas. Isso foi o que fez a Europa Ocidental no pós-guerra e também Coreia do Sul e Taiwan. Vejo uma consciência crescente em relação à gravidade da volatilidade excessiva dos capitais financeiros, seu papel especulativo e daninho para os investimentos produtivos e para a inovação. Essa volatilidade cria booms, seguidos por recessões. E isso hoje é criticado até mesmo pelo FMI e por prêmios Nobel de Economia. A América Latina deveria observar mais isso.

Os chilenos aprovaram a elaboração de uma nova Constituição. É provável que, com essa Constituição, o Estado cresça. Como avalia a decisão dos chilenos?

O resultado foi promissor. Espero que o Estado recupere as funções essenciais que a ditadura lhe tirou e cuja ausência é a causa da situação crítica que o Chile vive hoje. A nova Constituição não resolve os problemas, mas pode nos libertar de amarras regressivas, apagar os resíduos ditatoriais e a sombra de Pinochet. Pode dar espaço para as forças democráticas iniciarem uma nova etapa de desenvolvimento, que requer um crescimento vigoroso, inovador e inclusivo. É fácil destruir devido ao mal-estar com o declínio econômico, social e político dos últimos anos. É difícil construir e ser persistente ao longo do tempo. O debate começou. O Chile tem uma nova oportunidade de retomar o caminho de desenvolvimento que escolheu em 1990.

Como vê as medidas econômicas dos primeiros anos do governo Bolsonaro?

Elas incluem uma cópia lamentável dos erros da ditadura no Chile. Vocês fizeram uma reforma da Previdência. Nós estamos agora corrigindo a reforma da ditadura (que criou o sistema de capitalização). Entendo que Bolsonaro pretende fazer privatizações. Há algumas empresas estratégicas que acho lamentável privatizar, como de energia elétrica e água. Mas há coisas que penso que o Estado não precisa fazer, como produzir macarrão ou estar em pequenas e médias empresas. Isso distrai as autoridades das prioridades. O problema é que, em vez de os recursos privados serem destinados a novas empresas ou à expansão das atuais, eles acabam indo para comprar o que já existe, através das privatizações. A mensagem é que não vai haver incentivo ao investimento produtivo. É preciso incentivar a produção e a criação de novas empresas privadas. Além disso, as empresas nas mãos do Estado têm de fazer um esforço de inovação e de desburocratização, ao invés de apenas vendê-las massivamente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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