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Cetesb apura mortes de peixes no Rio Grande

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Animais foram encontrados na superfície do braço da Billings, em Rio Grande da Serra; especialistas acreditam que resíduos industriais sejam a causa


Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

15/01/2021 | 00:01


A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) investiga mortes de peixes – da espécie lambari (astyanax) – e de garças encontrados, na terça-feira, na superfície e beira do Rio Grande, braço da Billings, localizado em Rio Grande da Serra, próximo a estação de trem da cidade. A análise não foi concluída, mas, segundo especialistas, é grande a possibilidade de que tenha acontecido contaminação da água por meio de resíduos industriais.

A bióloga e coordenadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, analisa que as garças são “extremamente resistentes” e não morrem com facilidade. Para a especialista, as mortes foram decorrentes de possíveis picos de produtos lançados, poluentes acumulativos em regiões do rio ou por micro algas, que são esgoto doméstico não tratado. 

“Se analisarmos os peixes, eles morrem com mais facilidade e isso presenciamos muitas vezes pela Billings. Agora, as garças, não. As garças, provavelmente, ingeriram os peixes que já estavam contaminados, além disso, elas também se alimentam de parte da vegetação do entorno do rio, que também pode estar contaminada”, avalia a especialista. 

Para que desastres como esse não aconteça, Marta cobra mais fiscalização durante todo ano. “Há anos, através de relatórios, nós informamos sobre esses problemas que temos e nada foi feito. Este é um caso bem atípico e só vão analisar agora? Ou seja, precisa acontecer algo pior para fiscalizarem?”, questiona. 

Para o especialista em direito ambiental e assessor jurídico do MDV (Movimento em Defesa da Vida) do Grande ABC, Virgílio Alcides de Farias, a ação descumpre toda lei direcionada à Billings (13.579, de 13 de julho de 2009). “A lei corresponde a adequação e recuperação de toda a Billings e, claramente, isso não está acontecendo. Toda área deve ser preservada, conservada e não piorar do jeito que está acontecendo.”, comenta. 

Virgílio acredita que seja alguma contaminação relacionada a resíduos industriais, como mercúrio ou chumbo. “São materiais pesados, tanto para a vida de animais quanto a humana. Além de infinitos produtos químicos que são lançados pelo braço (da Billings) e não sabemos”, finaliza. 

POSIÇÃO

Em resposta ao Diário, a Cetesb informou que técnicos coletaram água e espécies do local e a análise segue em andamento. “O objetivo é estabelecer as prováveis causas da mortandade”, destaca a companhia, em nota. “As equipes também fizeram vistorias em empresas localizadas próximas à represa para verificar possíveis descartes de efluentes irregulares. Até o momento não foi confirmado nenhum lançamento irregular no manancial”, confirma a Cetesb. 

A Prefeitura de Rio Grande da Serra informou que as ações para descobrir o que causou as mortes dos animais seguem em andamento e que as empresas, como Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Transpetro e Braskem, já foram notificadas sobre o caso.



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Cetesb apura mortes de peixes no Rio Grande

Animais foram encontrados na superfície do braço da Billings, em Rio Grande da Serra; especialistas acreditam que resíduos industriais sejam a causa

Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

15/01/2021 | 00:01


A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) investiga mortes de peixes – da espécie lambari (astyanax) – e de garças encontrados, na terça-feira, na superfície e beira do Rio Grande, braço da Billings, localizado em Rio Grande da Serra, próximo a estação de trem da cidade. A análise não foi concluída, mas, segundo especialistas, é grande a possibilidade de que tenha acontecido contaminação da água por meio de resíduos industriais.

A bióloga e coordenadora do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, analisa que as garças são “extremamente resistentes” e não morrem com facilidade. Para a especialista, as mortes foram decorrentes de possíveis picos de produtos lançados, poluentes acumulativos em regiões do rio ou por micro algas, que são esgoto doméstico não tratado. 

“Se analisarmos os peixes, eles morrem com mais facilidade e isso presenciamos muitas vezes pela Billings. Agora, as garças, não. As garças, provavelmente, ingeriram os peixes que já estavam contaminados, além disso, elas também se alimentam de parte da vegetação do entorno do rio, que também pode estar contaminada”, avalia a especialista. 

Para que desastres como esse não aconteça, Marta cobra mais fiscalização durante todo ano. “Há anos, através de relatórios, nós informamos sobre esses problemas que temos e nada foi feito. Este é um caso bem atípico e só vão analisar agora? Ou seja, precisa acontecer algo pior para fiscalizarem?”, questiona. 

Para o especialista em direito ambiental e assessor jurídico do MDV (Movimento em Defesa da Vida) do Grande ABC, Virgílio Alcides de Farias, a ação descumpre toda lei direcionada à Billings (13.579, de 13 de julho de 2009). “A lei corresponde a adequação e recuperação de toda a Billings e, claramente, isso não está acontecendo. Toda área deve ser preservada, conservada e não piorar do jeito que está acontecendo.”, comenta. 

Virgílio acredita que seja alguma contaminação relacionada a resíduos industriais, como mercúrio ou chumbo. “São materiais pesados, tanto para a vida de animais quanto a humana. Além de infinitos produtos químicos que são lançados pelo braço (da Billings) e não sabemos”, finaliza. 

POSIÇÃO

Em resposta ao Diário, a Cetesb informou que técnicos coletaram água e espécies do local e a análise segue em andamento. “O objetivo é estabelecer as prováveis causas da mortandade”, destaca a companhia, em nota. “As equipes também fizeram vistorias em empresas localizadas próximas à represa para verificar possíveis descartes de efluentes irregulares. Até o momento não foi confirmado nenhum lançamento irregular no manancial”, confirma a Cetesb. 

A Prefeitura de Rio Grande da Serra informou que as ações para descobrir o que causou as mortes dos animais seguem em andamento e que as empresas, como Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Transpetro e Braskem, já foram notificadas sobre o caso.

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