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Menotti: 'depois de Telê, o Brasil nunca mais foi o mesmo'


Eduardo Merli
Enviado do Diário a Mendoza

05/09/2001 | 00:21


"O Brasil pode até ganhar nesta quarta, mas com certeza jogará muito mal. O Brasil não é mais o Brasil”. Foi com estas frases que César Luiz Menotti, técnico da primeira seleção argentina campeã do mundo (em 1978), definiu nesta terça na cidade de Mendoza o confronto entre Brasil e Argentina, nesta quarta, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002.

Menotti, que atualmente é assessor esportivo do Barcelona para a América do Sul, acredita que no clássico desta quarta o equilíbrio irá reinar. Mas a Argentina não passa pela mesma crise de identidade do Brasil. “Desde 1986 não vejo o Brasil jogar bem. Depois que Telê Santana perdeu duas Copas do Mundo com times maravilhosos, os brasileiros passaram a procurar respostas. Querem mudar seu futebol, ser mais práticos, mais defensivos, quando na realidade eles só perderam duas partidas nestas Copas, uma nos pênaltis”.

Aos 62 anos, Flaco – como também é conhecido pelos argentinos – terá de assistir ao jogo pela TV em um dos hotéis de Mendoza, pois realiza um tratamento nos olhos na cidade, o que lhe deixa agoniado. “Minha vida é nos campos”, afirma o ex-técnico, que jogou no futebol brasileiro como volante, no Juventus da Mooca e no Santos, ao lado de Pelé, entre 1968 e 1970.

Para Menotti, um dos erros na Seleção Brasileira é a mudança repentina de técnicos. “Trocam de técnico a toda hora. Não é possível haver trabalho assim. Na Argentina isso não acontece”. Outra questão abordada por ele é a utilização de vários jogadores nas convocações. “Na época do Pelé era muito difícil ser convocado para a seleção. Hoje são convocados novos atletas a todo instante”. O ex-técnico critica a falta de Romário na seleção. “Romário é o melhor jogador brasileiro dos últimos 30 anos. Para mim, dentro da grande área, ele é melhor do que Pelé”.

Menotti, que nega o interesse de voltar a dirigir a seleção do seu país, não gosta da atual Argentina. “Esse time não me agrada. É muito compacto. Não me divirto com ele nem me emociono”. O ex-técnico também não critica o treinador Marcelo Bielsa, por não chamar o atacante Batistuta, o que foi muito comentado na imprensa argentina nos últimos dias. “O Batistuta não está muito bem fisicamente. É uma opção não chamá-lo, e o Crespo está numa fase excelente”, disse Menotti, que em 1978 também teve de barrar outro craque na seleção: Maradona, que na época tinha 17 anos. “Até hoje ele me critica por isso, mas se a Argentina não fosse campeã naquele ano, a história seria diferente”.

Apesar de ter uma excelente safra de jogadores, como Claudio Lopes, Sorin, Verón e Ayala, Flaco prefere eleger as equipes da Argentina da Copa de 1978 e 1986 como superiores.

Um dos pontos que Menotti vê na Seleção Brasileira que é muito habitual para ele em outras seleções é a falta de motivação dos atletas. “A única equipe em que os atletas estão sempre dispostos para defender o seu país hoje, no mundo, é a Argentina. O Brasil tem muita preocupação com o adversário. Antes, ele se impunha. Nas demais, eles estão mais interessados nos negócios”. Menotti acredita que a França é hoje a maior seleção de futebol do mundo. “Quando jogam por nada, jogam para ser campeões”.

Menotti lamenta também que a Holanda possa estar fora do Mundial, no ano que vem. “Seria ruim para o futebol. A Holanda abandonou o futebol que a distinguia na década de 1970. Seu novo técnico Van Gaal não é Rinus Mitchels. Essa diferença se nota no jogo muito esquematizado”.



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