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Casas de apostas podem salvar os clubes brasileiros da falência

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Da Redação
Do Garagem360

12/01/2021 | 16:18


Quando a Caixa Econômica Federal afirmou, no início de 2019, que não mais patrocinaria as equipes brasileiras, muita gente achou que o futebol nacional iria entrar em processo de falência. Esta medida de corte de gastos, arquitetada pelo ministro da economia Paulo Guedes, fez com que os clubes brasileiros perdessem mais de R$ 190 milhões em cotas de patrocínio e abriu um “rombo” nos balanços patrimoniais e nas demonstrações de resultado das equipes – para desespero dos departamentos financeiros.

Uma das principais preocupações por parte da mídia e dos torcedores era identificar quem iria investir dinheiro no futebol brasileiro para evitar a falência dos clubes. Para responder esta pergunta é preciso relembrar a última partida do Campeonato Brasileiro Série A ou Série B. No uniforme de pelo menos uma das equipes envolvidas na peleja, havia um patrocínio de casas de apostas estrangeiras, ou até mesmo nacional.

Na ausência da Caixa Econômica Federal, são justamente as casas de apostas, junto aos bancos digitais, as instituições responsáveis por manter as altas cotas de patrocínio no futebol brasileiro. E isto só foi possível porque, em 12 de dezembro de 2018, foi promulgada uma lei (13.756/18), decorrente da MP (Medida Provisória) 846/2018, que legalizava o patrocínio de sites de apostas esportivas nas camisas e calções dos clubes do futebol brasileiro.

A lei e a medida provisória vieram como alívio financeiro para os departamentos de futebol das equipes, que poderiam negociar bons valores de contratos. Isso porque o mercado das apostas esportivas é extremamente lucrativo para as casas de apostas. Com a informação, divulgada pelo Ibope Repucom, de que só no ano de 2019 foram movimentados mais de R$ 4 bilhões em apostas somente no Brasil, os clubes passaram a ter o “poder de barganha” para negociar contratos lucrativos.

Este movimento, que está praticamente engatinhando no Brasil, já é uma realidade no futebol europeu há bastante tempo. Na Premier League, por exemplo, mais da metade dos clubes têm sua camisa estampada por casas de apostas como principais patrocinadores. Na La Liga, apenas a Real Sociedad não tem parceria com casas de apostas esportivas. Em Portugal, os patrocínios também são bastante recorrentes nos uniformes dos clubes.

Um exemplo prático de como um patrocínio de casa de aposta pode salvar uma tradicional equipe da iminente falência é o exemplo do Bolton Wanderers, tradicional equipe do Reino Unido, que atualmente disputa a League One, terceira divisão nacional. Em 2016, o clube entrou em profunda crise financeira e foi a William Hill, tradicional bookie britânica, que salvou (por meio de uma injeção de valores de patrocínio) a equipe da falência.

Vendo a importância de assinar lucrativos contratos com casas de apostas, as equipes das três principais divisões do Campeonato Brasileiro (Série A, Série B e Série C) começaram a fazer parcerias com várias bookies. Na Série A de 2020/21, por exemplo, 14 times estamparam marcas de sites de apostas esportivas em seus uniformes. Na Série B, este número foi de 11. E na Série C, competição não tão rentável quanto às anteriores, quatro equipes tinham contrato de patrocínio com sites de apostas esportivas.

A título de curiosidade, as equipes da Série A que foram ou são patrocinadas por casas de apostas são as seguintes: Atlético Mineiro, Coritiba, Grêmio e São Paulo (todas pela Betsul); Bahia, Botafogo e Santos (todas pela Casa de Apostas); Atlético Goianiense e Ceará (ambas pela Estadium); e Red Bull Bragantino e Vasco da Gama (ambas pela NetBet).

Na Série B, a Estadium patrocina as equipes do Náutico, do Avaí, do CRB e do Paraná Clube. A Betsul, por outro lado, tem parceria com a Ponte Preta e a Chapecoense. A Casa de Apostas patrocina o Vitória, enquanto as equipes do Confiança, Cruzeiro, Sampaio Corrêa e Guarani são patrocinadas por Esporte Net, Galera Group, Bets1 e LeoVegas, respectivamente.

Por fim, na Série C, as equipes apoiadas pelas casas de apostas são as mais tradicionais do campeonato. Os eternos rivais Remo e Paysandu são patrocinados pela BetWarrior, enquanto os centenários Santa Cruz e Vila Nova estampam a marca da Estadium em seus respectivos uniformes.

Com esses números, o setor de apostas esportivas é o sexto maior em termos de presença nos grandes clubes brasileiros no que diz respeito a patrocínio. Fica atrás apenas dos ramos de saúde, alimentação, construtoras, instituições financeiras e marcas de material esportivo.

Não são apenas os clubes que são vistos com bons olhos pelas empresas do setor. A Betfair, por exemplo, é patrocinadora do maior campeonato de clubes da América do Sul, a Copa Libertadores, tendo sua marca estampada em placas de publicidade de todos os jogos da competição. Já outras empresas, como a Betano, Bet365, 1xbet e Betcris aparecem com frequência em comerciais de TV.

Embora tenha sido considerada um ponto de inflexão positivo para a regularização das apostas esportivas no Brasil, o processo de regulamentação ainda segue em andamento. As perspectivas dos principais envolvidos no mercado dão conta de que essa regulamentação será finalizada até dezembro de 2021, o que geraria um impulsionamento ainda maior no mercado brasileiro. Nomes importantes da política brasileira, como o ministro da economia Paulo Guedes e o presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia, já se mostraram a favor da regulamentação.

Por ser um país com mais de 200 milhões de habitantes e que possui uma inestimável paixão pelo futebol, o Brasil é a “bola da vez” para as casas de apostas em 2021. Atualmente, aproximadamente 500 plataformas do exterior operam em território nacional, com potencial de crescimento muito maior. Quem tem a ganhar com isso certamente são os clubes do nosso País, que contarão com uma maior concorrência para estampar marcas em seus respectivos uniformes e terão o poder de barganha por contratos de patrocínio cada vez mais lucrativos.



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Casas de apostas podem salvar os clubes brasileiros da falência

Da Redação
Do Garagem360

12/01/2021 | 16:18


Quando a Caixa Econômica Federal afirmou, no início de 2019, que não mais patrocinaria as equipes brasileiras, muita gente achou que o futebol nacional iria entrar em processo de falência. Esta medida de corte de gastos, arquitetada pelo ministro da economia Paulo Guedes, fez com que os clubes brasileiros perdessem mais de R$ 190 milhões em cotas de patrocínio e abriu um “rombo” nos balanços patrimoniais e nas demonstrações de resultado das equipes – para desespero dos departamentos financeiros.

Uma das principais preocupações por parte da mídia e dos torcedores era identificar quem iria investir dinheiro no futebol brasileiro para evitar a falência dos clubes. Para responder esta pergunta é preciso relembrar a última partida do Campeonato Brasileiro Série A ou Série B. No uniforme de pelo menos uma das equipes envolvidas na peleja, havia um patrocínio de casas de apostas estrangeiras, ou até mesmo nacional.

Na ausência da Caixa Econômica Federal, são justamente as casas de apostas, junto aos bancos digitais, as instituições responsáveis por manter as altas cotas de patrocínio no futebol brasileiro. E isto só foi possível porque, em 12 de dezembro de 2018, foi promulgada uma lei (13.756/18), decorrente da MP (Medida Provisória) 846/2018, que legalizava o patrocínio de sites de apostas esportivas nas camisas e calções dos clubes do futebol brasileiro.

A lei e a medida provisória vieram como alívio financeiro para os departamentos de futebol das equipes, que poderiam negociar bons valores de contratos. Isso porque o mercado das apostas esportivas é extremamente lucrativo para as casas de apostas. Com a informação, divulgada pelo Ibope Repucom, de que só no ano de 2019 foram movimentados mais de R$ 4 bilhões em apostas somente no Brasil, os clubes passaram a ter o “poder de barganha” para negociar contratos lucrativos.

Este movimento, que está praticamente engatinhando no Brasil, já é uma realidade no futebol europeu há bastante tempo. Na Premier League, por exemplo, mais da metade dos clubes têm sua camisa estampada por casas de apostas como principais patrocinadores. Na La Liga, apenas a Real Sociedad não tem parceria com casas de apostas esportivas. Em Portugal, os patrocínios também são bastante recorrentes nos uniformes dos clubes.

Um exemplo prático de como um patrocínio de casa de aposta pode salvar uma tradicional equipe da iminente falência é o exemplo do Bolton Wanderers, tradicional equipe do Reino Unido, que atualmente disputa a League One, terceira divisão nacional. Em 2016, o clube entrou em profunda crise financeira e foi a William Hill, tradicional bookie britânica, que salvou (por meio de uma injeção de valores de patrocínio) a equipe da falência.

Vendo a importância de assinar lucrativos contratos com casas de apostas, as equipes das três principais divisões do Campeonato Brasileiro (Série A, Série B e Série C) começaram a fazer parcerias com várias bookies. Na Série A de 2020/21, por exemplo, 14 times estamparam marcas de sites de apostas esportivas em seus uniformes. Na Série B, este número foi de 11. E na Série C, competição não tão rentável quanto às anteriores, quatro equipes tinham contrato de patrocínio com sites de apostas esportivas.

A título de curiosidade, as equipes da Série A que foram ou são patrocinadas por casas de apostas são as seguintes: Atlético Mineiro, Coritiba, Grêmio e São Paulo (todas pela Betsul); Bahia, Botafogo e Santos (todas pela Casa de Apostas); Atlético Goianiense e Ceará (ambas pela Estadium); e Red Bull Bragantino e Vasco da Gama (ambas pela NetBet).

Na Série B, a Estadium patrocina as equipes do Náutico, do Avaí, do CRB e do Paraná Clube. A Betsul, por outro lado, tem parceria com a Ponte Preta e a Chapecoense. A Casa de Apostas patrocina o Vitória, enquanto as equipes do Confiança, Cruzeiro, Sampaio Corrêa e Guarani são patrocinadas por Esporte Net, Galera Group, Bets1 e LeoVegas, respectivamente.

Por fim, na Série C, as equipes apoiadas pelas casas de apostas são as mais tradicionais do campeonato. Os eternos rivais Remo e Paysandu são patrocinados pela BetWarrior, enquanto os centenários Santa Cruz e Vila Nova estampam a marca da Estadium em seus respectivos uniformes.

Com esses números, o setor de apostas esportivas é o sexto maior em termos de presença nos grandes clubes brasileiros no que diz respeito a patrocínio. Fica atrás apenas dos ramos de saúde, alimentação, construtoras, instituições financeiras e marcas de material esportivo.

Não são apenas os clubes que são vistos com bons olhos pelas empresas do setor. A Betfair, por exemplo, é patrocinadora do maior campeonato de clubes da América do Sul, a Copa Libertadores, tendo sua marca estampada em placas de publicidade de todos os jogos da competição. Já outras empresas, como a Betano, Bet365, 1xbet e Betcris aparecem com frequência em comerciais de TV.

Embora tenha sido considerada um ponto de inflexão positivo para a regularização das apostas esportivas no Brasil, o processo de regulamentação ainda segue em andamento. As perspectivas dos principais envolvidos no mercado dão conta de que essa regulamentação será finalizada até dezembro de 2021, o que geraria um impulsionamento ainda maior no mercado brasileiro. Nomes importantes da política brasileira, como o ministro da economia Paulo Guedes e o presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia, já se mostraram a favor da regulamentação.

Por ser um país com mais de 200 milhões de habitantes e que possui uma inestimável paixão pelo futebol, o Brasil é a “bola da vez” para as casas de apostas em 2021. Atualmente, aproximadamente 500 plataformas do exterior operam em território nacional, com potencial de crescimento muito maior. Quem tem a ganhar com isso certamente são os clubes do nosso País, que contarão com uma maior concorrência para estampar marcas em seus respectivos uniformes e terão o poder de barganha por contratos de patrocínio cada vez mais lucrativos.

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