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Especialistas minimizam taxa de eficácia das vacinas

Divulgação/Governo do Estado Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Infectologistas dizem que o importante é o número de indivíduos que precisam ser imunizados


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

12/01/2021 | 00:01


O Instituto Butantan promete anunciar hoje a eficácia geral da Coronavac, vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. A taxa deve ficar abaixo dos 60%, mas acima dos 50% exigidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Na semana passada, o instituto divulgou que a taxa de eficácia clínica, ou seja, capacidade de prevenção da Covid em casos mais leves, é de 78% e de 100% nos casos mais graves.

Especialistas, no entanto, dizem que a eficácia não é o único critério que deve ser levado em consideração para conter a pandemia. Segundo Renato Grinbaum, infectologista e professor do curso de medicina da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), a avaliação sobre a eficácia de vacinas não tem relação só com a porcentagem, já que essa nomenclatura diz respeito somente à resposta individual da imunização. “Quando aplicamos vacina para uma população, não olhamos para o risco individual de uma forma tão intensa, pensamos muito mais na redução de casos em uma comunidade como um todo”, garantiu o especialista.

O professor explicou que a vacina tem efeito que vai além da pessoa imunizada e, mesmo que nem todos sejam vacinados, a contenção viral é positiva no resultado final. “Supondo que a vacina gere 80% de imunidade e 20% das pessoas não ganhem anticorpos, ainda assim elas podem estar protegidas”, explicou o professor, afirmando que as pessoas que se tornaram imunes servem de barreira contra a infecção, reduzindo a transmissão. “Se conseguirmos com essa vacina atingir redução da transmissão na comunidade já será ganho imenso, pois diminuiremos o número de internações e de mortes, podendo até retomar nossa vida ao normal, mas ainda mantendo o uso de máscaras e distanciamento”, disse Grinbaum.

O professor destacou que a diferença percentual entre as doses está na quantidade de pessoas que devem ser vacinadas. Quando o imunizante apresenta eficácia mais alta é possível vacinar menos pessoas para conter a pandemia. “(Em caso de alta eficácia) Aqueles que foram vacinados conseguem fazer barreira de forma mais rápida, o que permite que se vacine menos pessoas. Uma vacina que tem eficácia entre 60% e 70% ainda é muito útil, desde que se vacine um número maior de indivíduos”, afirmou.

Diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri compartilha da opinião e afirma que o resultado de eficácia é “pouco relevante” quando se vacina “muitas pessoas”, atingindo o objetivo geral. “Não se avalia percentual individualmente. Não é se a pessoa vacinada está protegida 80% ou 85%. Vamos vacinar todos e proteger os mais vulneráveis”, afirmou. “As vacinas têm excelente eficácia contra forma grave da doença e é o que interessa neste primeiro momento”, complementou Kfouri.  

Pessoas devem tomar doses do mesmo produtor

Com mais de 170 vacinas contra a Covid sendo estudadas no mundo todo e duas perto de aprovação na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobretudo para aplicação no Estado – a chinesa Coronavac e a da Universidade de Oxford –, a população vive momento de dúvida sobre a possibilidade de se imunizar com doses de laboratórios diferentes.

Chefe da infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e integrante titular da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Alexandre Naime afirma que não é recomendado tomar vacinas diferentes. “Não será possível tomar a primeira dose de um laboratório e a segunda de outro. Tem de ser o mesmo imunizante, até porque, dessa forma, se constrói a resposta de defesa”, explicou Naime.

Já o diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, disse que, embora a população tomará doses da mesma vacina, não podendo escolher o imunizante aplicado, existe a possibilidade de intercâmbio em casos extremos. “A pessoa que tomou a vacina de um produtor e não há mais disponível aquele produto para seguir o calendário na segunda dose, ou que perdeu seu registro sobre o produto que recebeu, nestes casos eu entendo que entre deixar desprotegido, tem se optado por fazer o intercâmbio de doses”, garantiu.

Kfouri disse ainda que não há estudo de intercâmbio entre as vacinas de diferentes produtores, mas afirma que essa possibilidade seria “bem-vinda”. “Primeiro sobre o aspecto de falta, já que estamos com várias vacinas e o mercado vai ser suprido com vacinas de diferentes produtores. Conhecer segurança e eficácia de intercâmbio entre a primeira e a segunda dose é muito desejado para ver se é seguro”, afirmou, reforçando que a segunda vantagem é que pode ser benéfico, já que as doses estimulam diferentes vias do sistema imunológico. “Eventualmente, uma combinação de vacinas pode até propiciar uma resposta melhor do que as duas do mesmo produto, mas isso é somente especulação e a regra será manter o mesmo produto”, confirmou.



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Especialistas minimizam taxa de eficácia das vacinas

Infectologistas dizem que o importante é o número de indivíduos que precisam ser imunizados

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

12/01/2021 | 00:01


O Instituto Butantan promete anunciar hoje a eficácia geral da Coronavac, vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. A taxa deve ficar abaixo dos 60%, mas acima dos 50% exigidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Na semana passada, o instituto divulgou que a taxa de eficácia clínica, ou seja, capacidade de prevenção da Covid em casos mais leves, é de 78% e de 100% nos casos mais graves.

Especialistas, no entanto, dizem que a eficácia não é o único critério que deve ser levado em consideração para conter a pandemia. Segundo Renato Grinbaum, infectologista e professor do curso de medicina da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), a avaliação sobre a eficácia de vacinas não tem relação só com a porcentagem, já que essa nomenclatura diz respeito somente à resposta individual da imunização. “Quando aplicamos vacina para uma população, não olhamos para o risco individual de uma forma tão intensa, pensamos muito mais na redução de casos em uma comunidade como um todo”, garantiu o especialista.

O professor explicou que a vacina tem efeito que vai além da pessoa imunizada e, mesmo que nem todos sejam vacinados, a contenção viral é positiva no resultado final. “Supondo que a vacina gere 80% de imunidade e 20% das pessoas não ganhem anticorpos, ainda assim elas podem estar protegidas”, explicou o professor, afirmando que as pessoas que se tornaram imunes servem de barreira contra a infecção, reduzindo a transmissão. “Se conseguirmos com essa vacina atingir redução da transmissão na comunidade já será ganho imenso, pois diminuiremos o número de internações e de mortes, podendo até retomar nossa vida ao normal, mas ainda mantendo o uso de máscaras e distanciamento”, disse Grinbaum.

O professor destacou que a diferença percentual entre as doses está na quantidade de pessoas que devem ser vacinadas. Quando o imunizante apresenta eficácia mais alta é possível vacinar menos pessoas para conter a pandemia. “(Em caso de alta eficácia) Aqueles que foram vacinados conseguem fazer barreira de forma mais rápida, o que permite que se vacine menos pessoas. Uma vacina que tem eficácia entre 60% e 70% ainda é muito útil, desde que se vacine um número maior de indivíduos”, afirmou.

Diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri compartilha da opinião e afirma que o resultado de eficácia é “pouco relevante” quando se vacina “muitas pessoas”, atingindo o objetivo geral. “Não se avalia percentual individualmente. Não é se a pessoa vacinada está protegida 80% ou 85%. Vamos vacinar todos e proteger os mais vulneráveis”, afirmou. “As vacinas têm excelente eficácia contra forma grave da doença e é o que interessa neste primeiro momento”, complementou Kfouri.  

Pessoas devem tomar doses do mesmo produtor

Com mais de 170 vacinas contra a Covid sendo estudadas no mundo todo e duas perto de aprovação na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobretudo para aplicação no Estado – a chinesa Coronavac e a da Universidade de Oxford –, a população vive momento de dúvida sobre a possibilidade de se imunizar com doses de laboratórios diferentes.

Chefe da infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e integrante titular da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Alexandre Naime afirma que não é recomendado tomar vacinas diferentes. “Não será possível tomar a primeira dose de um laboratório e a segunda de outro. Tem de ser o mesmo imunizante, até porque, dessa forma, se constrói a resposta de defesa”, explicou Naime.

Já o diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, disse que, embora a população tomará doses da mesma vacina, não podendo escolher o imunizante aplicado, existe a possibilidade de intercâmbio em casos extremos. “A pessoa que tomou a vacina de um produtor e não há mais disponível aquele produto para seguir o calendário na segunda dose, ou que perdeu seu registro sobre o produto que recebeu, nestes casos eu entendo que entre deixar desprotegido, tem se optado por fazer o intercâmbio de doses”, garantiu.

Kfouri disse ainda que não há estudo de intercâmbio entre as vacinas de diferentes produtores, mas afirma que essa possibilidade seria “bem-vinda”. “Primeiro sobre o aspecto de falta, já que estamos com várias vacinas e o mercado vai ser suprido com vacinas de diferentes produtores. Conhecer segurança e eficácia de intercâmbio entre a primeira e a segunda dose é muito desejado para ver se é seguro”, afirmou, reforçando que a segunda vantagem é que pode ser benéfico, já que as doses estimulam diferentes vias do sistema imunológico. “Eventualmente, uma combinação de vacinas pode até propiciar uma resposta melhor do que as duas do mesmo produto, mas isso é somente especulação e a regra será manter o mesmo produto”, confirmou.

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