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Na região, 30% das escolas de ensino infantil podem fechar as portas

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Unidades sofreram mais com a pandemia e aguardam liberação do retorno presencial


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

10/01/2021 | 07:00


 As escolas particulares, principalmente as de educação infantil, passam por sérias dificuldades financeiras desde o início da pandemia. Atualmente, ainda em cenário incerto com o recente aumento de casos de Covid-19, essas instituições dependem do ano letivo de 2021 para que consigam se manter. A estimativa é a de que, sem o retorno das aulas presenciais, mais de 30% destas instituições não reabram as portas, o que representa, ao menos, 150 instituições na região.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, Benjamin Ribeiro da Silva, o segmento infantil, principalmente os berçários, devem ser mais afetados. “Isso porque a matrícula não é obrigatória e esses alunos são justamente os que não conseguem interagir com as aulas on-line”, afirmou. “Na educação infantil, nós estimamos que se as aulas presenciais não voltarem, mais de 30% das escolas desta modalidade não reabrirão.”

Na região, há cerca de 700 instituições particulares, sendo que a maioria, são as de educação infantil – cerca de 500. “É extremamente importante, tanto para a educação quanto para a atividade econômica, que o retorno presencial seja liberado. Além das escolas, há uma movimentação de todo o entorno, como transportadores, malharias, papelarias. É um segmento todo comprometido, que está precisando urgentemente de socorro”, afirmou a presidente da Aesp (Associação das Escolas Particulares) ABC, Oswana Fameli.

Cilene Rocha é proprietária e diretora da Saber Educação Infantil, localizada em Santo André, há 25 anos, e vem sentindo na pele as dificuldades. No início do ano passado, a unidade mantinha 80 alunos entre as idades de 1 a 6 anos e, atualmente, registra 30 alunos matriculados.

Ela contou que, graças a um dinheiro que tinha guardado no caixa da escola, conseguiu se manter e investir nas adequações tecnológicas para aulas à distância e medidas de distanciamento e segurança, como instalação de tapetes sanitizantes. “Comecei com 16 alunos, então eu digo que agora estou praticamente recomeçando, mas com estrutura e experiência. Muitas escolas de educação infantil tiveram que fechar as portas. No início, todo mundo foi pego de surpresa, acreditávamos em uma normalização logo no segundo semestre”, disse.

Cilene viu o faturamento bruto cair na média dos 70% – de R$ 50 mil mensais para cerca de R$ 16 mil. E, com isso, precisou reduzir funcionários – de 16 para cinco pessoas – para continuar operando. “Esperamos o retorno para 2021. Estamos programando para receber as crianças, pelo menos, de maneira híbrida”, conta. Segundo ela, foi feita pesquisa entre os pais sobre esse retorno e, dos 24 que responderam, 17 mandariam as crianças.<EM>

Para o presidente da Fenap (Federação Nacional das Escolas Particulares), Ademar Batista Pereira, se nada for feito, haverá consequências para a formação de profissionais daqui a alguns anos. “O que pode ser prejudicial para a economia do Grande ABC e de todo o País a longo prazo. Desde crianças que estavam sendo alfabetizadas até jovens do ensino médio ficaram sem a presença da escola. Muitos permaneceram em casa sem nenhum estímulo e podem começar a esquecer os conteúdos.”

PREFEITURAS
O Diário questionou as prefeituras sobre o calendário escolar e as iniciativas para as instituições. Santo André informou que observa os índices da pandemia e fará avaliação na última semana de janeiro sobre o retorno. Há estudos para que o formato possa ser híbrido, vai depender do cenário. “A administração segue atenta e em constante diálogo com as escolas para que haja um planejamento consciente sob os aspectos de saúde e econômico”, informou.

A Prefeitura de São Bernardo disse que é responsável apenas pela autorização de funcionamento, regulacão e supervisão das escolas particulares. São Caetano afirmou que tem apoiado o setor empresarial oferecendo capacitação profissional e buscando facilitar o acesso a linhas de crédito e estudo, a renegociação de impostos não pagos durante o período de pandemia. “No que diz respeito diretamente ao setor educacional, a Prefeitura tem mantido o ISS (Imposto Sobre Serviços) de escolas em patamares mínimos”, assinalou.

Diadema explicou que está finalizando a criação do comitê de enfrentamento à Covid e, depois disso, vai organizar as próximas ações, entre eles, o retorno às aulas. Mauá informou que buscará soluções para minimizar os impactos na cidade. Ribeirão Pires descartou a volta às aulas presenciais neste bimestre. Rio Grande não se posicionou.



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Na região, 30% das escolas de ensino infantil podem fechar as portas

Unidades sofreram mais com a pandemia e aguardam liberação do retorno presencial

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

10/01/2021 | 07:00


 As escolas particulares, principalmente as de educação infantil, passam por sérias dificuldades financeiras desde o início da pandemia. Atualmente, ainda em cenário incerto com o recente aumento de casos de Covid-19, essas instituições dependem do ano letivo de 2021 para que consigam se manter. A estimativa é a de que, sem o retorno das aulas presenciais, mais de 30% destas instituições não reabram as portas, o que representa, ao menos, 150 instituições na região.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, Benjamin Ribeiro da Silva, o segmento infantil, principalmente os berçários, devem ser mais afetados. “Isso porque a matrícula não é obrigatória e esses alunos são justamente os que não conseguem interagir com as aulas on-line”, afirmou. “Na educação infantil, nós estimamos que se as aulas presenciais não voltarem, mais de 30% das escolas desta modalidade não reabrirão.”

Na região, há cerca de 700 instituições particulares, sendo que a maioria, são as de educação infantil – cerca de 500. “É extremamente importante, tanto para a educação quanto para a atividade econômica, que o retorno presencial seja liberado. Além das escolas, há uma movimentação de todo o entorno, como transportadores, malharias, papelarias. É um segmento todo comprometido, que está precisando urgentemente de socorro”, afirmou a presidente da Aesp (Associação das Escolas Particulares) ABC, Oswana Fameli.

Cilene Rocha é proprietária e diretora da Saber Educação Infantil, localizada em Santo André, há 25 anos, e vem sentindo na pele as dificuldades. No início do ano passado, a unidade mantinha 80 alunos entre as idades de 1 a 6 anos e, atualmente, registra 30 alunos matriculados.

Ela contou que, graças a um dinheiro que tinha guardado no caixa da escola, conseguiu se manter e investir nas adequações tecnológicas para aulas à distância e medidas de distanciamento e segurança, como instalação de tapetes sanitizantes. “Comecei com 16 alunos, então eu digo que agora estou praticamente recomeçando, mas com estrutura e experiência. Muitas escolas de educação infantil tiveram que fechar as portas. No início, todo mundo foi pego de surpresa, acreditávamos em uma normalização logo no segundo semestre”, disse.

Cilene viu o faturamento bruto cair na média dos 70% – de R$ 50 mil mensais para cerca de R$ 16 mil. E, com isso, precisou reduzir funcionários – de 16 para cinco pessoas – para continuar operando. “Esperamos o retorno para 2021. Estamos programando para receber as crianças, pelo menos, de maneira híbrida”, conta. Segundo ela, foi feita pesquisa entre os pais sobre esse retorno e, dos 24 que responderam, 17 mandariam as crianças.<EM>

Para o presidente da Fenap (Federação Nacional das Escolas Particulares), Ademar Batista Pereira, se nada for feito, haverá consequências para a formação de profissionais daqui a alguns anos. “O que pode ser prejudicial para a economia do Grande ABC e de todo o País a longo prazo. Desde crianças que estavam sendo alfabetizadas até jovens do ensino médio ficaram sem a presença da escola. Muitos permaneceram em casa sem nenhum estímulo e podem começar a esquecer os conteúdos.”

PREFEITURAS
O Diário questionou as prefeituras sobre o calendário escolar e as iniciativas para as instituições. Santo André informou que observa os índices da pandemia e fará avaliação na última semana de janeiro sobre o retorno. Há estudos para que o formato possa ser híbrido, vai depender do cenário. “A administração segue atenta e em constante diálogo com as escolas para que haja um planejamento consciente sob os aspectos de saúde e econômico”, informou.

A Prefeitura de São Bernardo disse que é responsável apenas pela autorização de funcionamento, regulacão e supervisão das escolas particulares. São Caetano afirmou que tem apoiado o setor empresarial oferecendo capacitação profissional e buscando facilitar o acesso a linhas de crédito e estudo, a renegociação de impostos não pagos durante o período de pandemia. “No que diz respeito diretamente ao setor educacional, a Prefeitura tem mantido o ISS (Imposto Sobre Serviços) de escolas em patamares mínimos”, assinalou.

Diadema explicou que está finalizando a criação do comitê de enfrentamento à Covid e, depois disso, vai organizar as próximas ações, entre eles, o retorno às aulas. Mauá informou que buscará soluções para minimizar os impactos na cidade. Ribeirão Pires descartou a volta às aulas presenciais neste bimestre. Rio Grande não se posicionou.

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