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Pandemia derruba em 40,8% venda de 0km

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Home office e desemprego reduziram trocas de carros; queda percentual supera a do País


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/01/2021 | 00:05


As vendas de veículos novos despencaram no Grande ABC em 2020. Com o mercado consumidor totalmente impactado pela pandemia, que demandou menos deslocamentos e ocasionou redução salarial para grande parte dos trabalhadores, a queda foi de 40,8%, totalizando 30.075 emplacamentos. Percentualmente, a redução foi maior na região do que no País, que registrou a venda de 2 milhões de unidades, uma retração de 26,16% em relação a 2019.

Os dados, divulgados ontem, são da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores) e incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em dezembro, foram comercializadas 3.138 unidades na região, número que representou um acréscimo de 7,47% em relação a novembro. No total, foram vendidos no ano passado 25,7 mil automóveis, 2.698 comerciais leves, 1.282 caminhões e 332 ônibus.

Porém, no acumulado do ano todas as sete cidades registraram queda na comparação com 2019, com destaque para São Caetano que teve redução de 61,89% – de 11,5 mil para 4.300. São Bernardo se mantém na liderança com 10,8 mil emplacamentos, mas teve queda de mais de 7.000 unidades em relação ao período anterior, o que representa redução de 39,65%.

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, o distanciamento social e, consequentemente, a implantação do home office em diversas empresas, deve ter impactado no mercado consumidor da região. Além disso, o desemprego e a redução de salários, que conforme reportagem publicada pelo Diário atingiu 241,3 mil entre abril e outubro de 2020, um terço dos trabalhadores, também pesaram. “Muita gente teve redução de salário e até mesmo perdeu o emprego. Essas pessoas acabaram dependendo menos do carro, e muitas podem ter optado por não trocar e até ter vendido. Muita gente da região trabalha em São Paulo, e essas pessoas que anteriormente precisavam muito do veículo podem não ter visto a necessidade de fazer uma troca”, disse.

“Postos de emprego foram fechados e as pessoas estão ganhando menos. Então, o brasileiro de modo geral realmente foi um pouco mais racional e pensou se era o momento ideal para trocar de carro”, afirmou o consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante.

NACIONAL

No acumulado do ano, o País teve um recuo inferior às projeções iniciais divulgadas pela Fenabrave em julho, no início da pandemia, quando a expectativa era de que o mercado retrairia 35,8% em 2020. Em outubro, a previsão foi revisada para uma baixa de 25,3%, o que ficou em linha com a queda de 26,16% totalizando cerca de 2 milhões de unidades comercializadas.

“Os principais fatores que influenciaram nessa melhora, principalmente, a partir do segundo semestre, foram a manutenção da taxa de juros em patamar baixo e o auxílio emergencial, que colaboraram para o aquecimento do comércio e para a baixa inadimplência. Com isso, melhorou a oferta de crédito, favorecendo a tomada de decisão para a aquisição de veículos”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

Para ele, que manteve o tom otimista sobre o balanço de vendas do ano passado, “o mercado só não foi melhor em razão da crise enfrentada pelas montadoras, que tiveram problemas com falta de peças e componentes, além das regras para manter o distanciamento social nas unidades fabris”.

Onix segue como o mais vendido no Brasil

Pelo sexto ano consecutivo, o Onix, fabricado pela GM (General Motors), se manteve como o veículo mais vendido em todo o País. Porém, apesar de se manter na liderança com 135,3 mil unidades, houve queda de vendas de 43,89% em relação a 2019, quando foram comercializados 241,2 mil veículos.

No ranking, divulgado ontem pela Fenabrave, o HB20 da Hyundai aparece em segundo lugar, com 86,5 mil emplacamentos.

A liderança do Onix é relacionada ao modelo hatch, ou seja, o de entrada. “Apesar de ser um projeto de 2012, ele ainda é moderno e com diversas atualizações”, afirmou o gerente de desenvolvimento de negócios da Jato do Brasil, Milad Kalume Neto. “Além disso, é um carro que, se quebrar, tem assistência técnica em qualquer lugar. Tudo isso faz dele um produto atrativo.”

“É um carro que tem várias vantagens. Dentro do segmento tem excelente custo-benefício, além de possuir diversas versões, desde a básica até a mais completa”, disse o consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante. “Apesar disso, a queda em relação ao ano passado ocorreu porque ele é um dos carros preferidos de locadoras e terceirização de frota, além dos aplicativos de transporte. Houve uma queda nesta demanda”, assinalou.

A versão plus aparece em terceiro lugar com 83,3 mil unidades. Para Galante, ela acabou absorvendo os consumidores do Cobalt e do Prisma, que deixaram de ser fabricados, e também são do segmento sedã. “A GM equacionou a linha de produção e otimizou o processo”, disse. Na fábrica de São Caetano, são feitos o Joy e o Joy Plus, que estão incluídos dentro das vendas do Onix e do Onix Plus.

A GM comemorou os resultados, destacando que os investimentos planejados previamente à pandemia serão retomados. Os aportes são de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior, e foram anunciados em 2019, após tentativa de saída da marca do País – questionada, a GM não detalhou quanto da cifra vai para cada planta. Ela informou apenas que o montante é estratégicos ao desenvolvimento e à produção de veículos inéditos, além da ampliação da oferta de equipamentos.

Porém, a liderança de mercado da GM pode ser ameaçada nos próximos anos pela Stellantis, fusão entre Fiat Chrysler e Peugeot-Citroën, que passa a reunir 14 marcas.
 



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Pandemia derruba em 40,8% venda de 0km

Home office e desemprego reduziram trocas de carros; queda percentual supera a do País

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

06/01/2021 | 00:05


As vendas de veículos novos despencaram no Grande ABC em 2020. Com o mercado consumidor totalmente impactado pela pandemia, que demandou menos deslocamentos e ocasionou redução salarial para grande parte dos trabalhadores, a queda foi de 40,8%, totalizando 30.075 emplacamentos. Percentualmente, a redução foi maior na região do que no País, que registrou a venda de 2 milhões de unidades, uma retração de 26,16% em relação a 2019.

Os dados, divulgados ontem, são da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores) e incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em dezembro, foram comercializadas 3.138 unidades na região, número que representou um acréscimo de 7,47% em relação a novembro. No total, foram vendidos no ano passado 25,7 mil automóveis, 2.698 comerciais leves, 1.282 caminhões e 332 ônibus.

Porém, no acumulado do ano todas as sete cidades registraram queda na comparação com 2019, com destaque para São Caetano que teve redução de 61,89% – de 11,5 mil para 4.300. São Bernardo se mantém na liderança com 10,8 mil emplacamentos, mas teve queda de mais de 7.000 unidades em relação ao período anterior, o que representa redução de 39,65%.

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, o distanciamento social e, consequentemente, a implantação do home office em diversas empresas, deve ter impactado no mercado consumidor da região. Além disso, o desemprego e a redução de salários, que conforme reportagem publicada pelo Diário atingiu 241,3 mil entre abril e outubro de 2020, um terço dos trabalhadores, também pesaram. “Muita gente teve redução de salário e até mesmo perdeu o emprego. Essas pessoas acabaram dependendo menos do carro, e muitas podem ter optado por não trocar e até ter vendido. Muita gente da região trabalha em São Paulo, e essas pessoas que anteriormente precisavam muito do veículo podem não ter visto a necessidade de fazer uma troca”, disse.

“Postos de emprego foram fechados e as pessoas estão ganhando menos. Então, o brasileiro de modo geral realmente foi um pouco mais racional e pensou se era o momento ideal para trocar de carro”, afirmou o consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante.

NACIONAL

No acumulado do ano, o País teve um recuo inferior às projeções iniciais divulgadas pela Fenabrave em julho, no início da pandemia, quando a expectativa era de que o mercado retrairia 35,8% em 2020. Em outubro, a previsão foi revisada para uma baixa de 25,3%, o que ficou em linha com a queda de 26,16% totalizando cerca de 2 milhões de unidades comercializadas.

“Os principais fatores que influenciaram nessa melhora, principalmente, a partir do segundo semestre, foram a manutenção da taxa de juros em patamar baixo e o auxílio emergencial, que colaboraram para o aquecimento do comércio e para a baixa inadimplência. Com isso, melhorou a oferta de crédito, favorecendo a tomada de decisão para a aquisição de veículos”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

Para ele, que manteve o tom otimista sobre o balanço de vendas do ano passado, “o mercado só não foi melhor em razão da crise enfrentada pelas montadoras, que tiveram problemas com falta de peças e componentes, além das regras para manter o distanciamento social nas unidades fabris”.

Onix segue como o mais vendido no Brasil

Pelo sexto ano consecutivo, o Onix, fabricado pela GM (General Motors), se manteve como o veículo mais vendido em todo o País. Porém, apesar de se manter na liderança com 135,3 mil unidades, houve queda de vendas de 43,89% em relação a 2019, quando foram comercializados 241,2 mil veículos.

No ranking, divulgado ontem pela Fenabrave, o HB20 da Hyundai aparece em segundo lugar, com 86,5 mil emplacamentos.

A liderança do Onix é relacionada ao modelo hatch, ou seja, o de entrada. “Apesar de ser um projeto de 2012, ele ainda é moderno e com diversas atualizações”, afirmou o gerente de desenvolvimento de negócios da Jato do Brasil, Milad Kalume Neto. “Além disso, é um carro que, se quebrar, tem assistência técnica em qualquer lugar. Tudo isso faz dele um produto atrativo.”

“É um carro que tem várias vantagens. Dentro do segmento tem excelente custo-benefício, além de possuir diversas versões, desde a básica até a mais completa”, disse o consultor da Oikonomia Consultoria Automotiva, Raphael Galante. “Apesar disso, a queda em relação ao ano passado ocorreu porque ele é um dos carros preferidos de locadoras e terceirização de frota, além dos aplicativos de transporte. Houve uma queda nesta demanda”, assinalou.

A versão plus aparece em terceiro lugar com 83,3 mil unidades. Para Galante, ela acabou absorvendo os consumidores do Cobalt e do Prisma, que deixaram de ser fabricados, e também são do segmento sedã. “A GM equacionou a linha de produção e otimizou o processo”, disse. Na fábrica de São Caetano, são feitos o Joy e o Joy Plus, que estão incluídos dentro das vendas do Onix e do Onix Plus.

A GM comemorou os resultados, destacando que os investimentos planejados previamente à pandemia serão retomados. Os aportes são de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior, e foram anunciados em 2019, após tentativa de saída da marca do País – questionada, a GM não detalhou quanto da cifra vai para cada planta. Ela informou apenas que o montante é estratégicos ao desenvolvimento e à produção de veículos inéditos, além da ampliação da oferta de equipamentos.

Porém, a liderança de mercado da GM pode ser ameaçada nos próximos anos pela Stellantis, fusão entre Fiat Chrysler e Peugeot-Citroën, que passa a reunir 14 marcas.
 

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