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Médico vai à Justiça contra fim de serviço psiquiátrico em Diadema

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Funcionários receberam aviso no WhatsApp; Estado nega informação


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/01/2021 | 00:01


Profissionais que cuidam de pacientes que necessitam de atendimento na enfermaria psiquiátrica do Hospital Estadual de Diadema, no bairro Serraria, temem que o serviço seja descontinuado e que os pacientes fiquem desamparados. Para tentar impedir que isso aconteça, Edglay de Souza André, 43 anos, psicólogo clínico do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Ribeirão Pires, entrou na quinta-feira com ação na Justiça para tentar barrar o fechamento da ala.

Ele afirmou também que até o momento não houve movimentação no processo. “Tenho dois pacientes internados lá, inclusive, com risco de suicídio. Estamos tentando ajudar para não haver o fechamento”, explicou André.

“Esse serviço é fundamental para superar as crises dos pacientes e evitar tragédias”, afirmou o psicólogo. De acordo com um psiquiatra que trabalha no Hospital Estadual de Diadema e pediu para não ser identificado, o anúncio do encerramento dos serviços foi feito aos trabalhadores no último dia 30, por meio de mensagem de WhatsApp.

O espaço conta com dez leitos e recebe adolescentes a partir de 16 anos e adultos portadores de dependência química e doenças mentais, além de diversas comorbidades clínicas. No momento o local conta com nove pessoas internadas.

O psiquiatra conta que o aviso, enviado pela coordenadora da ala, dizia que o serviço de psiquiatria do Hospital Estadual de Diadema iria “encerrar totalmente as atividades e que os pacientes que estão internados teriam de obter alta hospitalar ou que fosse solicitada transferência via Cross (Central de Regulação de Oferta dos Serviços de Saúde), do governo do Estado”.

A ordem dada na semana passada, segundo o médico, era para que até ontem toda a enfermaria já estivesse vazia e que todos os profissionais médicos, demais de enfermagem e equipe multidisciplinar seriam demitidos. “Não houve comunicado oficial da diretoria clínica ou da Secretaria da Saúde do Estado que ratificasse essa determinação de fechamento”, afirmou.

O profissional explicou que toda a equipe ficou perplexa com a possibilidade de fechar a ala. “Teve paciente que havia sido internado um dia antes do comunicado, outro foi internado na própria quarta-feira (30). Nós nos recusamos a colocar o pedido de internação na regulação Cross para esses pacientes serem transferidos. Argumentamos que isso é antiético e fere o tratamento deles”, comentou o psiquiatra.

SUPRE DEMANDAS
Ele afirmou ainda que um hospital geral com enfermaria de psiquiatria é capaz de suprir as demandas de doenças psiquiátricas e tratar outras comorbidades. “Pacientes etilistas vão ter doença no fígado, podem ser mais hipertensos. Portadores de esquizofrenia podem ter mais diabete. Quem faz uso de cocaína e crack pode ter infarto, alterações no cérebro. Nós dispomos dessas especialidades e de aparelhos para diagnósticos. É uma conquista da sociedade ter uma enfermaria assim aberta para a população”.

Para André, a retaguarda que o Hospital de Diadema representa para os Caps das sete cidades da região é da maior importância. “Quando essas pessoas estão em crise, esse local é fundamental para poder ajudar a gente no restabelecimento desses pacientes”.

Questionada pela equipe de reportagem, a Secretaria da Saúde do governo do Estado de São Paulo afirmou que a informação de fechamento da enfermaria psiquiátrica não procede, e que os atendimentos seguem normalmente. 

 



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