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Lamentável, para dizer o mínimo


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

29/12/2020 | 00:01


Tomou conta dos noticiários de fofoca e também das redes sociais a festa que Neymar está promovendo em uma mansão em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, para comemorar a passagem do Ano-Novo. Inicialmente, especulava-se que os festejos seriam para 500 pessoas e durariam cinco dias. Entretanto, o alívio (entenda com ironia) veio quando a empresa responsável pela organização do evento explicou que serão apenas 150 os convidados e que haverá o cumprimento de todas as normas sanitárias para impedir qualquer tipo de problema e contaminação de todos os presentes pelo novo coronavírus. Ufa! Então tudo bem, né? Não! Muito pelo contrário. Essa reunião é extremamente perigosa, para não dizer irresponsável. Se esse controle à saúde dos presentes, com realização de testes da Covid-19 e outras exigências, fosse a solução, o mundo não estaria tão aflito por uma vacina. A festinha do camisa 10 terá apenas 15 vezes mais participantes do que o indica a OMS (Organização Mundial da Saúde) como aceitável para uma reunião.

Calado e até certo ponto acuado ao mais uma vez ver o mundo lhe apontar o dedo por um fato extracampo – um ano e meio após toda a polêmica envolvendo a modelo Najila Trindade, que o acusou de estupro em hotel de Paris, na França –, Neymar assumidamente gosta de uma extravagância. De estar entre os parças. Não será a primeira nem a última festa deste porte. Contará com celebridades, esportistas, cyber atletas, modelos e muitas pessoas mais – que estão proibidas de levar o celular. Não recrimino o fato de organizar um megaevento. Justamente o oposto. Ele ganha o dinheiro com seu dom e deve gastá-lo como achar que deve. Mas este não é o momento para isso, Ney. Pode ser uma maneira de esconder a frustração por não ter ficado sequer na seleção do ano dos melhores jogadores da temporada – fato que seria merecido, afinal, fez grandes campanhas pelo Paris Saint-Germain e quase levou ao título da Liga dos Campeões da Europa. Mas tal fato não justifica colocar vidas em risco. A sua, inclusive.

Citando novamente a repercussão internacional – que tende a aumentar, obviamente, quando imagens vazarem de dentro desta que será a casa mais vigiada do planeta antes do início do Big Brother Brasil, em janeiro – o jornal italiano La Gazzetta dello Sport, por exemplo, publicou reportagem de página inteira com o título “Alla faccia del Covid”, ou, traduzindo para o português, “Na cara da Covid”, trazendo foto aérea da mansão, um registro do Natal do jogador com familiares e uma grande foto do atacante com a camisa 10 da Seleção, imagine só, caído no chão. Em um ano que teve tudo para se levantar e erguer a cabeça pelo grande desempenho dentro das quatro linhas, por justamente ter vencido mais uma lesão e esquecido dos problemas do lado de fora do campo, essa é a imagem com a qual Neymar se despede de 2020: no solo.

BOLA DENTRO E BOLA FORA
Quando penso que a situação da Covid-19 não poderia ser pior, com o aumento do número de casos e a possibilidade de um verdadeiro boom daqui 15 dias, após passadas compras e festas de fim de ano, o nobre presidente da República, após participar de uma partida beneficente na Vila Belmiro, ontem – na qual foi o responsável pelo pontapé inicial e até conseguiu marcar um gol, num lance bizarro que terminou com o chefe da Nação indo de cara ao solo –, disse que há algum tempo já havia recomendado a volta parcial dos torcedores às arquibancadas nos jogos pelo País. “Conversei com o ministro (da Saúde, Eduardo) Pazuello, acho que há uns dois meses, e ele deu parecer favorável, àquela época, de 30% do estádio voltar a ser ocupado por torcedores. Não sei por que a CBF resolveu adiar essa decisão”, afirmou Jair Bolsonaro, quando questionado pelo Lance! a respeito do assunto. Sinceramente, acho que o presida não tem acompanhado os noticiários esportivos. Ou então está dando de ombros para a situação complicada que vem afetando todas as modalidades que estão em atividade, desde o futebol, com surtos em times das séries A, B, C e D, até o vôlei, com problemas envolvendo as equipes masculina e feminina da Superliga. E olha que CBF, CBV e demais entidades instauraram rigorosos protocolos sanitários para evitar a disseminação do vírus. Ainda assim, existem muitos locais comuns que estão sujeitos à contaminação. Imagine, então, um estádio? Como diz aquela velha frase: bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Melhor que as arenas esportivas sigam vazias até, no mínimo, que a maior parte da população esteja vacinada.

Aliás, é preciso destacar negativamente também a presença de diversos jogadores e dirigentes do Santos no evento, todos registrados sem máscara, casos do futuro presidente Orlando Rollo, do goleiro João Paulo, do meia Lucas Lourenço e do atacante Marinho. Isso às vésperas (oito dias antes) do jogo contra o Boca Juniors, em La Bombonera, pelas semifinais da Copa Libertadores. Assim como o caso de Neymar, é dar muita sopa para o azar. Nem parece que o Peixe foi justamente um dos clubes que tiveram o surto da Covid – a ponto do técnico Cuca ir parar na UTI!  



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