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De volta, Ana do Carmo diz ver cenário diferente

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-deputada, eleita vereadora, vê desconexão entre PT e mais pobres: ‘Precisamos do povo’


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

25/12/2020 | 00:01


De volta à Câmara de São Bernardo depois de 18 anos, Ana do Carmo (PT) admite que encontrará cenário político completamente diferente. Não apenas sobre os colegas que dividirão com ela o plenário, mas nas relações políticas e, em especial, no diálogo entre a população mais pobre e as siglas no campo à esquerda.

Ana do Carmo foi vereadora por quatro mandatos, iniciando seu legado na casa em 1988. Em 2002, se elegeu deputada estadual. Ficou na Assembleia Legislativa até 2018, quando concorreu a uma vaga na Câmara Federal. Sem sucesso na empreitada nacional, regressou à disputa municipal com expectativa de ser puxadora de votos do petismo. Recebeu 4.049 adesões. Desempenho menor do que a cúpula do PT esperava nas urnas, mas que garantiu sua vitória.

“Vejo um cenário muito difícil”, diz Ana, ao avaliar como será o trabalho a partir de 1º de janeiro. “Ao mesmo tempo em que estou com expectativa e coragem para lutar, algo que nunca deixei de ter, vejo com tristeza porque a população mais humilde não tem entendido a força do voto”, emendou a petista. “Não é esperado que uma população tão sofredora e humilde vote em pessoas e candidatos que não têm muito a ver com sua história de luta e de vida. E nem falo da reeleição do Orlando (Morando, PSDB, prefeito de São Bernardo). Falo da composição da Câmara.”

A petista admite que o próprio partido tem tido dificuldades para dialogar com os mais pobres e que há erros dos altos dirigentes. Segundo ela, muitas figuras influentes da legenda ficaram “encasteladas”, conversando somente “para dentro do mandato”, sem dar voz aos mais humildes. O resultado foi distanciamento dessas classes com o petismo e, na avaliação de Ana, migração de votos para quadros sem entendimento do sofrimento de classes menos favorecidas.

“Estou propondo para a bancada e para o partido para fazer oposição construtiva e organizada, chamando a sociedade para participar. Não adianta ter um partido ou ter bancada sem ter a população se manifestando junto. Para mim, tudo está na mão do povo, ele tem poder forte e precisa exercitar esse poder que tem. E cabe a nós, representantes deles, seja vereadores, deputados, ministros, padres, presidentes de qualquer entidade, encorajar. Vocês topam lutar? Se sim, vamos partir para a luta. Não adianta só conversinha. É preciso lutar”, disparou. “O mandato é instrumento. Passou da hora de a gente olhar para o que foi o partido em 1979, em 1980, em 1981, com voz popular”, acrescentou.

Sobre a votação aquém da projetada inicialmente, Ana reconhece que o clima de já ganhou atrapalhou. Ela também relatou que contraiu Covid-19 durante a campanha e ficou acamada por 11 dias. “Sei que há um cansaço também porque fui candidata muitas vezes. Teve a pandemia, não tive tanto recurso. Para mim, é normal e compreensível. Nada que tire meu desejo de lutar. Isso será eterno.” 



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De volta, Ana do Carmo diz ver cenário diferente

Ex-deputada, eleita vereadora, vê desconexão entre PT e mais pobres: ‘Precisamos do povo’

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

25/12/2020 | 00:01


De volta à Câmara de São Bernardo depois de 18 anos, Ana do Carmo (PT) admite que encontrará cenário político completamente diferente. Não apenas sobre os colegas que dividirão com ela o plenário, mas nas relações políticas e, em especial, no diálogo entre a população mais pobre e as siglas no campo à esquerda.

Ana do Carmo foi vereadora por quatro mandatos, iniciando seu legado na casa em 1988. Em 2002, se elegeu deputada estadual. Ficou na Assembleia Legislativa até 2018, quando concorreu a uma vaga na Câmara Federal. Sem sucesso na empreitada nacional, regressou à disputa municipal com expectativa de ser puxadora de votos do petismo. Recebeu 4.049 adesões. Desempenho menor do que a cúpula do PT esperava nas urnas, mas que garantiu sua vitória.

“Vejo um cenário muito difícil”, diz Ana, ao avaliar como será o trabalho a partir de 1º de janeiro. “Ao mesmo tempo em que estou com expectativa e coragem para lutar, algo que nunca deixei de ter, vejo com tristeza porque a população mais humilde não tem entendido a força do voto”, emendou a petista. “Não é esperado que uma população tão sofredora e humilde vote em pessoas e candidatos que não têm muito a ver com sua história de luta e de vida. E nem falo da reeleição do Orlando (Morando, PSDB, prefeito de São Bernardo). Falo da composição da Câmara.”

A petista admite que o próprio partido tem tido dificuldades para dialogar com os mais pobres e que há erros dos altos dirigentes. Segundo ela, muitas figuras influentes da legenda ficaram “encasteladas”, conversando somente “para dentro do mandato”, sem dar voz aos mais humildes. O resultado foi distanciamento dessas classes com o petismo e, na avaliação de Ana, migração de votos para quadros sem entendimento do sofrimento de classes menos favorecidas.

“Estou propondo para a bancada e para o partido para fazer oposição construtiva e organizada, chamando a sociedade para participar. Não adianta ter um partido ou ter bancada sem ter a população se manifestando junto. Para mim, tudo está na mão do povo, ele tem poder forte e precisa exercitar esse poder que tem. E cabe a nós, representantes deles, seja vereadores, deputados, ministros, padres, presidentes de qualquer entidade, encorajar. Vocês topam lutar? Se sim, vamos partir para a luta. Não adianta só conversinha. É preciso lutar”, disparou. “O mandato é instrumento. Passou da hora de a gente olhar para o que foi o partido em 1979, em 1980, em 1981, com voz popular”, acrescentou.

Sobre a votação aquém da projetada inicialmente, Ana reconhece que o clima de já ganhou atrapalhou. Ela também relatou que contraiu Covid-19 durante a campanha e ficou acamada por 11 dias. “Sei que há um cansaço também porque fui candidata muitas vezes. Teve a pandemia, não tive tanto recurso. Para mim, é normal e compreensível. Nada que tire meu desejo de lutar. Isso será eterno.” 

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