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Delegacia da mulher é alvo de reclamação em S.Bernardo

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Moradora relata demora no atendimento e falta de privacidade para quem busca ajuda


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

23/12/2020 | 00:01


Porta de entrada para a rede de acolhimento em muitos casos de violência doméstica, as DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) têm papel fundamental na proteção das vítimas. O Diário mostrou ontem que, de acordo com dados do Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, dos 2.446 chamados originados de cidades do Grande ABC entre janeiro e junho deste ano para o Disque 100 e Ligue 180, 42% delas denunciavam violências e/ou violações de direitos ocorridos em ambiente doméstico. Em São Bernardo, no entanto, a unidade inaugurada em junho deste ano para funcionar 24 horas, na Rua Tasman, 540, é alvo de reclamações.

Uma mulher de 34 anos, que não quer se identificar, relatou que esteve na delegacia na semana passada em busca de orientações, pois vem sendo vítima de violência psicológica praticada pelo ex-marido. Além de muito tempo de espera, ela precisou insistir para falar com uma mulher e presenciou outras mulheres adentrarem o equipamento e serem atendidas em pé, na frente de todos os presentes.

A moradora chegou na DDM por volta das 16h e notou que o prédio, apesar de recém-inaugurado, já apresenta diversas goteiras. Sem ninguém na recepção ou uma placa que indicasse onde era o atendimento, abordou um homem que estava sentado e que se identificou como escrivão. “Nitidamente, ele ficou olhando as minhas tatuagens, me senti julgada. Ele disse que eu devia falar com ele, mas pedi para ser atendida por uma mulher. Ele alegou que a equipe está reduzida, mas que ia verificar se a escrivã poderia me atender e pediu que eu esperasse pela resposta ali”, relatou.

A munícipe ponderou que se estivesse sob ameaça iminente de morte, com certeza não ficaria no local esperando pelo atendimento. “Uma mulher que chega com medo, assustada, acuada e na dúvida se deve estar ali, se deve fazer a denúncia, certamente vai desistir”, afirmou. 

Enquanto aguardava, duas outras mulheres chegaram e foram atendidas na recepção, relatando na frente de todos os presentes as suas queixas. “Quando finalmente falei com a escrivã, fui muito bem atendida, mas acho que é um lugar que a partir do momento que a gente chega, achando que ali é nossa única chance de segurança, a gente deveria ser melhor acolhida”, concluiu.

Integrante da Frente Regional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres no Grande ABC, Cristina Pechtoll destacou que são muitos os relatos de mau atendimento nas DDMs, e que isso se deve à falta de capacitação contínua dos funcionários sobre questões de gênero e ciclo de violência. “Os estudos mostram que o melhor momento para intervir é quando a mulher finalmente procura ajuda. Se ela não for bem acolhida, vai desistir e retornar para o ambiente de violência”, pontuou.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que investe continuamente para ampliar as ações de combate à violência contra a mulher e aumentar o número de notificações desses crimes, incluindo a criação da DDM on-line, que permite às vítimas o registro de casos de violência doméstica pela internet (https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br) e a inauguração de novas unidades territoriais. 

Em relação ao caso citado, a pasta esclareceu que todos os policiais da unidade são qualificados e treinados para acolher as vítimas e que é realizada uma triagem na recepção para obter as primeiras informações. “De qualquer forma, a Corregedoria da Polícia Civil está à disposição para registrar e apurar toda e qualquer denúncia relacionada aos seus agentes”, completou o comunicado. Quanto às goteiras, foi informado que o reparo já foi realizado.



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Delegacia da mulher é alvo de reclamação em S.Bernardo

Moradora relata demora no atendimento e falta de privacidade para quem busca ajuda

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

23/12/2020 | 00:01


Porta de entrada para a rede de acolhimento em muitos casos de violência doméstica, as DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) têm papel fundamental na proteção das vítimas. O Diário mostrou ontem que, de acordo com dados do Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, dos 2.446 chamados originados de cidades do Grande ABC entre janeiro e junho deste ano para o Disque 100 e Ligue 180, 42% delas denunciavam violências e/ou violações de direitos ocorridos em ambiente doméstico. Em São Bernardo, no entanto, a unidade inaugurada em junho deste ano para funcionar 24 horas, na Rua Tasman, 540, é alvo de reclamações.

Uma mulher de 34 anos, que não quer se identificar, relatou que esteve na delegacia na semana passada em busca de orientações, pois vem sendo vítima de violência psicológica praticada pelo ex-marido. Além de muito tempo de espera, ela precisou insistir para falar com uma mulher e presenciou outras mulheres adentrarem o equipamento e serem atendidas em pé, na frente de todos os presentes.

A moradora chegou na DDM por volta das 16h e notou que o prédio, apesar de recém-inaugurado, já apresenta diversas goteiras. Sem ninguém na recepção ou uma placa que indicasse onde era o atendimento, abordou um homem que estava sentado e que se identificou como escrivão. “Nitidamente, ele ficou olhando as minhas tatuagens, me senti julgada. Ele disse que eu devia falar com ele, mas pedi para ser atendida por uma mulher. Ele alegou que a equipe está reduzida, mas que ia verificar se a escrivã poderia me atender e pediu que eu esperasse pela resposta ali”, relatou.

A munícipe ponderou que se estivesse sob ameaça iminente de morte, com certeza não ficaria no local esperando pelo atendimento. “Uma mulher que chega com medo, assustada, acuada e na dúvida se deve estar ali, se deve fazer a denúncia, certamente vai desistir”, afirmou. 

Enquanto aguardava, duas outras mulheres chegaram e foram atendidas na recepção, relatando na frente de todos os presentes as suas queixas. “Quando finalmente falei com a escrivã, fui muito bem atendida, mas acho que é um lugar que a partir do momento que a gente chega, achando que ali é nossa única chance de segurança, a gente deveria ser melhor acolhida”, concluiu.

Integrante da Frente Regional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres no Grande ABC, Cristina Pechtoll destacou que são muitos os relatos de mau atendimento nas DDMs, e que isso se deve à falta de capacitação contínua dos funcionários sobre questões de gênero e ciclo de violência. “Os estudos mostram que o melhor momento para intervir é quando a mulher finalmente procura ajuda. Se ela não for bem acolhida, vai desistir e retornar para o ambiente de violência”, pontuou.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que investe continuamente para ampliar as ações de combate à violência contra a mulher e aumentar o número de notificações desses crimes, incluindo a criação da DDM on-line, que permite às vítimas o registro de casos de violência doméstica pela internet (https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br) e a inauguração de novas unidades territoriais. 

Em relação ao caso citado, a pasta esclareceu que todos os policiais da unidade são qualificados e treinados para acolher as vítimas e que é realizada uma triagem na recepção para obter as primeiras informações. “De qualquer forma, a Corregedoria da Polícia Civil está à disposição para registrar e apurar toda e qualquer denúncia relacionada aos seus agentes”, completou o comunicado. Quanto às goteiras, foi informado que o reparo já foi realizado.

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