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Em dez anos, região perde 22% de participação no PIB nacional

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para especialistas, retração no setor da indústria, além da falta de investimentos e projetos futuros, prejudicam os resultados do Grande ABC


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/12/2020 | 00:07


 Em dez anos, o Grande ABC vem perdendo participação na geração de riquezas do País. Em 2018, a região foi responsável por R$ 105,7 bilhões, considerando o desconto da inflação do período. Isso representa 1,81% de tudo o que foi produzido no Brasil. Na comparação com 2008, quando esse peso era de 2,32%, existe retração de 22%. 

Os números do PIB foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última semana, sendo que os dados separados por cidade são publicados após dois anos do ano de vigência.

Em termos brutos, a região foi responsável por gerar R$ 126,5 bilhões, o que representa alta de 6,6% em relação a 2017, que registrou R$ 118,6 bilhões (veja mais na arte ao lado). Porém, considerando o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,75% para o período, o valor cai para R$ 105,7 bilhões, e a alta, para 2,2%. Caso as sete cidades fossem consideradas um município, estariam em quarto lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (leia mais abaixo).

A queda na representatividade da região no PIB do País (de R$ 6,8 trilhões em 2018, crescimento de 1,3%) ao longo de dez anos é explicada principalmente pela perda de presença da indústria, com evasão de empresas e fechamento de fábricas. E em 2018, apesar da reação do setor automotivo, especialmente dos pesados, teve o baque da greve dos caminhoneiros, movimento que paralisou toda a economia nacional.

“A conclusão é a de que esta é uma década relativamente perdida para a região e o País. O que crescemos no início, perdemos violentamente na segunda metade. Na região, a indústria sofre bastante, especialmente a partir de 2014, quando tivemos interrupção do consumo e dos investimentos públicos, e as exportações não tiveram espaço para crescer. Foi um impacto muito forte, situação que só se agravou com a saída de empresas”, analisou o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. Ele também citou a reforma trabalhista, que entrou em vigor em 2017, e “interferiu na renda e na precarização dos contratos de trabalho”.

Em valores brutos, a indústria ainda é a segunda maior geradora de riquezas da região, com R$ 31,1 bilhões, embora tenha reduzido sua participação no PIB nacional nesses dez anos de 35% para 24,6%. Em primeiro lugar está o setor de serviços, com R$ 63,8 bilhões, ou seja, praticamente o dobro, que passou de 46% para 50,5% do total de riquezas geradas.

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, cenário mostra o desafio de pensar a região daqui a 20 anos. “Infelizmente, por parte das gestões públicas há pensamento no curto prazo somente, não no longo, o que também é justificado pela situação fiscal bem difícil dos municípios, junto com a crise dos últimos cinco anos”, disse. “A região foi palco de transformações importantes na indústria nos anos 1970 e 1980, mas o que vemos hoje é situação de perda de participação no PIB do País. Claro que passa pela inexistência da política econômica do Brasil. Mas, também temos problemas regionais, entre os principais está o setor de logística, onde há vários gargalos. Por exemplo, a última grande obra de mobilidade anunciada pelo Estado foi o BRT, que ficou como mais uma promessa no vazio. Precisamos de articulação para pensar a região.”

Para Balistiero, os resultados também mostram a necessidade de reforma tributária. Segundo ele, é necessário equiparar impostos cobrados da indústria a outros setores, como o de serviços, por exemplo, para trazer mais equilíbrio e arrecadação, principalmente aos municípios.

Saída da Ford gera impacto de até 1,2%

Como os resultados do PIB (Produto Interno Bruto) são relacionados ao ano de 2018, na próxima divulgação do índice, a geração de riquezas do Grande ABC deve ser impactada pela saída da Ford. A montadora norte-americana anunciou em 2019 o fim da produção na fábrica do bairro Taboão, em São Bernardo, após 52 anos, o que representou demissão de pelo menos 2.800 trabalhadores diretos.

À época, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, estimou perda de 0,75% a 1,2% do PIB regional.

“Perder uma montadora, como aconteceu com a região, é péssimo. Mas, nós temos de nos lembrar do que foi construído em torno dessa indústria. Temos faculdades e universidades de ponta, que inclusive foram desenvolvidas para a capacitação de mão de obra dessas fábricas. Temos que agregar os serviços a toda essa estrutura e ter grupos trabalhando ativamente pensando no desenvolvimento da região”, avaliou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

 Conceição também pontuou que o poder público deve promover a integração entre pequenas empresas de tecnologias, como as startups, com as grandes indústrias localizadas na região. “É preciso quebrar esse gelo entre as empresas e também buscar conversar com as universidades. Nós não vamos retomar a participação do PIB nacional somente pelo livre mercado. É preciso estar conectado com as tendências no futuro, que não é só a indústria 4.0 (que engloba automação e tecnologia da informação), mas a inovação de produtos e serviços, ou seja, todo um ecossistema”, assinalou.



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Em dez anos, região perde 22% de participação no PIB nacional

Para especialistas, retração no setor da indústria, além da falta de investimentos e projetos futuros, prejudicam os resultados do Grande ABC

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/12/2020 | 00:07


 Em dez anos, o Grande ABC vem perdendo participação na geração de riquezas do País. Em 2018, a região foi responsável por R$ 105,7 bilhões, considerando o desconto da inflação do período. Isso representa 1,81% de tudo o que foi produzido no Brasil. Na comparação com 2008, quando esse peso era de 2,32%, existe retração de 22%. 

Os números do PIB foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última semana, sendo que os dados separados por cidade são publicados após dois anos do ano de vigência.

Em termos brutos, a região foi responsável por gerar R$ 126,5 bilhões, o que representa alta de 6,6% em relação a 2017, que registrou R$ 118,6 bilhões (veja mais na arte ao lado). Porém, considerando o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,75% para o período, o valor cai para R$ 105,7 bilhões, e a alta, para 2,2%. Caso as sete cidades fossem consideradas um município, estariam em quarto lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (leia mais abaixo).

A queda na representatividade da região no PIB do País (de R$ 6,8 trilhões em 2018, crescimento de 1,3%) ao longo de dez anos é explicada principalmente pela perda de presença da indústria, com evasão de empresas e fechamento de fábricas. E em 2018, apesar da reação do setor automotivo, especialmente dos pesados, teve o baque da greve dos caminhoneiros, movimento que paralisou toda a economia nacional.

“A conclusão é a de que esta é uma década relativamente perdida para a região e o País. O que crescemos no início, perdemos violentamente na segunda metade. Na região, a indústria sofre bastante, especialmente a partir de 2014, quando tivemos interrupção do consumo e dos investimentos públicos, e as exportações não tiveram espaço para crescer. Foi um impacto muito forte, situação que só se agravou com a saída de empresas”, analisou o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. Ele também citou a reforma trabalhista, que entrou em vigor em 2017, e “interferiu na renda e na precarização dos contratos de trabalho”.

Em valores brutos, a indústria ainda é a segunda maior geradora de riquezas da região, com R$ 31,1 bilhões, embora tenha reduzido sua participação no PIB nacional nesses dez anos de 35% para 24,6%. Em primeiro lugar está o setor de serviços, com R$ 63,8 bilhões, ou seja, praticamente o dobro, que passou de 46% para 50,5% do total de riquezas geradas.

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, cenário mostra o desafio de pensar a região daqui a 20 anos. “Infelizmente, por parte das gestões públicas há pensamento no curto prazo somente, não no longo, o que também é justificado pela situação fiscal bem difícil dos municípios, junto com a crise dos últimos cinco anos”, disse. “A região foi palco de transformações importantes na indústria nos anos 1970 e 1980, mas o que vemos hoje é situação de perda de participação no PIB do País. Claro que passa pela inexistência da política econômica do Brasil. Mas, também temos problemas regionais, entre os principais está o setor de logística, onde há vários gargalos. Por exemplo, a última grande obra de mobilidade anunciada pelo Estado foi o BRT, que ficou como mais uma promessa no vazio. Precisamos de articulação para pensar a região.”

Para Balistiero, os resultados também mostram a necessidade de reforma tributária. Segundo ele, é necessário equiparar impostos cobrados da indústria a outros setores, como o de serviços, por exemplo, para trazer mais equilíbrio e arrecadação, principalmente aos municípios.

Saída da Ford gera impacto de até 1,2%

Como os resultados do PIB (Produto Interno Bruto) são relacionados ao ano de 2018, na próxima divulgação do índice, a geração de riquezas do Grande ABC deve ser impactada pela saída da Ford. A montadora norte-americana anunciou em 2019 o fim da produção na fábrica do bairro Taboão, em São Bernardo, após 52 anos, o que representou demissão de pelo menos 2.800 trabalhadores diretos.

À época, o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, estimou perda de 0,75% a 1,2% do PIB regional.

“Perder uma montadora, como aconteceu com a região, é péssimo. Mas, nós temos de nos lembrar do que foi construído em torno dessa indústria. Temos faculdades e universidades de ponta, que inclusive foram desenvolvidas para a capacitação de mão de obra dessas fábricas. Temos que agregar os serviços a toda essa estrutura e ter grupos trabalhando ativamente pensando no desenvolvimento da região”, avaliou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

 Conceição também pontuou que o poder público deve promover a integração entre pequenas empresas de tecnologias, como as startups, com as grandes indústrias localizadas na região. “É preciso quebrar esse gelo entre as empresas e também buscar conversar com as universidades. Nós não vamos retomar a participação do PIB nacional somente pelo livre mercado. É preciso estar conectado com as tendências no futuro, que não é só a indústria 4.0 (que engloba automação e tecnologia da informação), mas a inovação de produtos e serviços, ou seja, todo um ecossistema”, assinalou.

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