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Câncer de pulmão mata uma pessoa ao dia no Grande ABC

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pandemia reduziu em 30% o início de tratamentos da doença e em 26% o número de biópsias


Aline Melo
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 15:55


O câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum no Brasil e um dos mais letais, sendo responsável por uma a cada cinco mortes ocasionadas por neoplasias malignas. Em 2019, no Grande ABC, 413 pacientes vieram a óbito em decorrência da doença, média de um por dia. Os dados são do DataSUS, banco de dados do Ministério da Saúde, e são os mais recentes disponíveis. Os números indicam uma queda de 4% nas vítimas fatais da doença em comparação com 2018, mas uma alta de 7% na comparação com 2017.

Levantamento com dados preliminares de 2020 da Oncoguia, instituição sem fins lucrativos que visa auxiliar pacientes de câncer e seus familiares, mostra que a pandemia fez com que o número de pacientes que iniciaram o tratamento caísse 30% em todo o País. Além da queda no número de pessoas que começaram a se tratar da doença, também houve recuo de 26% no número de biópsias de pulmão realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de março a agosto deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Esses e outros dados foram divulgados durante ao III Fórum Oncoguia do Câncer de Pulmão, realizado em 25 de novembro, e disponíveis para consulta na plataforma Radar do Câncer (www.radardocancer.org.br), iniciativa da Oncoguia que tem como objetivo difundir informações sobre os diferentes tipos da doença.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa é que ocorram 30,2 milhões de casos de câncer de pulmão em 2020 no Brasil. Ainda de acordo com o instituto, em 2018, a mortalidade pela doença chegou a 28,7 milhões. Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é fundamental no tratamento, mas os dados disponibilizados pelo Oncoguia mostram que 85,6% dos casos são diagnosticados já em estágios avançados.

A oncologista clínica e presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) Clarissa Mathias afirmou que tem se criado uma demanda reprimida de pessoas que, mesmo com algum tipo de sintoma, deixou de procurar assistência médica, por medo de contágio pelo novo coronavírus.

A pandemia também se reflete de outros formas sobre os pacientes com câncer de pulmão. De acordo com a presidente da SBOC, um estudo em andamento realizado pela sociedade mostra que pacientes com câncer de pulmão, quando infectados, têm risco aumentado em 52% para hospitalização, maior de 35% de transferência para UTI e um desfecho pior se além da neoplasia tiverem outros fatores de risco, como idade avançada e tabagismo.

Clarissa apontou que um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, o fumo, tem voltado a crescer especialmente entre os jovens, adeptos de cigarros eletrônicos e narguiles. “A pandemia também acabou afetando algumas pessoas que já haviam abandonado o hábito de fumar, mas que retomaram durante este período de isolamento”, pontuou. A proporção de pacientes diagnosticados com câncer de pulmão e que eram fumantes passou de 39,6% em 2018 para 49,4% em 2019. “Muitos pacientes fumantes demoram a receber o diagnóstico porque já sentem uma falta de ar habitual e acabam procurando atendimento médico com a doença já em estágio avançado”, concluiu a especialista.

Diagnóstico precoce é desafio para sucesso no combate à doença

Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é aliado no combate ao câncer de pulmão. Dados preliminares da Oncoguia, instituição que visa auxiliar pacientes de câncer e seus familiares, mostram que 85,6% dos pacientes diagnosticados em 2020 com a doença estavam em níveis avançados da enfermidade.

Para o oncologista clínico no Hospital Israelita Albert Einstein Fernando Moura, é preciso estabelecer programas de rastreamento para diagnósticos precoces com tomografias de baixa intensidade em tabagistas e ex-tabagistas e toda população de alto risco, o que, consequentemente, diminui a taxa de mortalidade pela doença.

O especialista citou como estratégia o uso de tomografias móveis, como o exemplo do Hospital de Barretos. “Garantir acesso significa ir além do tomógrafo, mas ter capacidade de controle, gestão e administração de um programa que atenda à população em geral”, afirmou.  



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Câncer de pulmão mata uma pessoa ao dia no Grande ABC

Pandemia reduziu em 30% o início de tratamentos da doença e em 26% o número de biópsias

Aline Melo
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 15:55


O câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum no Brasil e um dos mais letais, sendo responsável por uma a cada cinco mortes ocasionadas por neoplasias malignas. Em 2019, no Grande ABC, 413 pacientes vieram a óbito em decorrência da doença, média de um por dia. Os dados são do DataSUS, banco de dados do Ministério da Saúde, e são os mais recentes disponíveis. Os números indicam uma queda de 4% nas vítimas fatais da doença em comparação com 2018, mas uma alta de 7% na comparação com 2017.

Levantamento com dados preliminares de 2020 da Oncoguia, instituição sem fins lucrativos que visa auxiliar pacientes de câncer e seus familiares, mostra que a pandemia fez com que o número de pacientes que iniciaram o tratamento caísse 30% em todo o País. Além da queda no número de pessoas que começaram a se tratar da doença, também houve recuo de 26% no número de biópsias de pulmão realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de março a agosto deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Esses e outros dados foram divulgados durante ao III Fórum Oncoguia do Câncer de Pulmão, realizado em 25 de novembro, e disponíveis para consulta na plataforma Radar do Câncer (www.radardocancer.org.br), iniciativa da Oncoguia que tem como objetivo difundir informações sobre os diferentes tipos da doença.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa é que ocorram 30,2 milhões de casos de câncer de pulmão em 2020 no Brasil. Ainda de acordo com o instituto, em 2018, a mortalidade pela doença chegou a 28,7 milhões. Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é fundamental no tratamento, mas os dados disponibilizados pelo Oncoguia mostram que 85,6% dos casos são diagnosticados já em estágios avançados.

A oncologista clínica e presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) Clarissa Mathias afirmou que tem se criado uma demanda reprimida de pessoas que, mesmo com algum tipo de sintoma, deixou de procurar assistência médica, por medo de contágio pelo novo coronavírus.

A pandemia também se reflete de outros formas sobre os pacientes com câncer de pulmão. De acordo com a presidente da SBOC, um estudo em andamento realizado pela sociedade mostra que pacientes com câncer de pulmão, quando infectados, têm risco aumentado em 52% para hospitalização, maior de 35% de transferência para UTI e um desfecho pior se além da neoplasia tiverem outros fatores de risco, como idade avançada e tabagismo.

Clarissa apontou que um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, o fumo, tem voltado a crescer especialmente entre os jovens, adeptos de cigarros eletrônicos e narguiles. “A pandemia também acabou afetando algumas pessoas que já haviam abandonado o hábito de fumar, mas que retomaram durante este período de isolamento”, pontuou. A proporção de pacientes diagnosticados com câncer de pulmão e que eram fumantes passou de 39,6% em 2018 para 49,4% em 2019. “Muitos pacientes fumantes demoram a receber o diagnóstico porque já sentem uma falta de ar habitual e acabam procurando atendimento médico com a doença já em estágio avançado”, concluiu a especialista.

Diagnóstico precoce é desafio para sucesso no combate à doença

Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é aliado no combate ao câncer de pulmão. Dados preliminares da Oncoguia, instituição que visa auxiliar pacientes de câncer e seus familiares, mostram que 85,6% dos pacientes diagnosticados em 2020 com a doença estavam em níveis avançados da enfermidade.

Para o oncologista clínico no Hospital Israelita Albert Einstein Fernando Moura, é preciso estabelecer programas de rastreamento para diagnósticos precoces com tomografias de baixa intensidade em tabagistas e ex-tabagistas e toda população de alto risco, o que, consequentemente, diminui a taxa de mortalidade pela doença.

O especialista citou como estratégia o uso de tomografias móveis, como o exemplo do Hospital de Barretos. “Garantir acesso significa ir além do tomógrafo, mas ter capacidade de controle, gestão e administração de um programa que atenda à população em geral”, afirmou.  

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