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‘Sempre quis levar alegria às pessoas e acho que consegui’

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sambista Mimi Boêmio se despede aos 84 anos com muitas histórias na música; andreense de sorriso largo e contagiante morreu de Covid-19


Marcela Ibelli
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 08:59


Calmo, gentil, dono de voz aveludada e coração enorme, Clementino Raimundo, 84 anos, tinha fome de vida. Mimi Boêmio, como era conhecido, queria ter desfrutado muitas rodas de samba, gafieira e chorinho, o que fazia desde a juventude, mas o coronavírus interrompeu os planos. Foram dois anos e oito meses desde que disse, em entrevista ao Diário, que tinha vontade de cantar muito ainda.

“Gostaria de ser lembrado como o cantor simples, que sempre gostou de música, das boas, que faz questão de tratar todo mundo igual. Gostaria que Deus me desse mais alguns anos de vida para que continuasse na missão. Sinto que o samba sempre teve e terá lugar no coração do brasileiro, afinal, o samba faz bem.” O andreense, crescido no Rudge Ramos, em São Bernardo, morreu, na quinta-feira, menos de um mês após apresentar os primeiros sintomas da doença: febre, falta de ar e dor no corpo. Segundo a família, Mimi teve complicações como diabete, pressão alta e precisou fazer hemodiálise.

“Ele tinha muito medo da Covid. Tinha receio de contrair e passar para seus familiares. Não gostava nem que as pessoas viessem em casa. Porém, como sempre pensava na família, quando os bares abriram, voltou a se apresentar para ajudar no sustento da casa. Achamos que foi assim que ele contraiu o vírus, fazendo o que mais gostava na vida”, contou Thainá Galdino, 25 anos, nora de Mimi. Ela mandou um texto assinado por toda a família. O cantor deixa a mulher, filho, nora e netos.

Além da perda, outra grande tristeza para os familiares foi a despedida ontem pela manhã, no Cemitério Curuçá, em Santo André. Não houve velório, o caixão foi direto para o sepultamento e pouca gente compareceu. “Mimi só teve ao lado dele na sua partida sua família e poucos amigos. Em meio à pandemia, ele contraiu o vírus para levar música aos ouvidos das pessoas, mas elas não foram se despedir com medo da Covid”, desabafa. “Clementino foi ser humano com honestidade de dar inveja e de caráter inabalável. Só guardamos lembranças boas e felizes”, diz ainda o texto.

LEGADO
Mimi Boêmio entoou grandes sambas desde sempre. “O mundo conheceu minha voz foi no serviço de alto-falante de um vereador”, gostava de lembrar. Entre os feitos, ganhou competição no Calouros Glória, de rádio de Santo André. Participou do programa de televisão Almoço com As Estrelas, apresentado por Lolita e Airton Rodrigues. Um dos momentos inesquecíveis da vida foi ver Adoniran Barbosa (1910-1982), em show na Oliveira Lima, no Centro de Santo André, com o pai.

A Secretaria de Cultura de Santo André lamentou a morte do sambista e lembrou os eventos realizados na cidade em que Mimi participou, inclusive a homenagem no projeto Santo André é Você, realizado pelo museu andreense. “Ficamos com as saudades e seu grande legado para a música na região”, disse a secretaria, em nota.

Artistas da região, como Márcia Cherubin, ressaltam o feito de Mimi. “Ele preenchia e nos trazia a parte do samba da seresta, o samba lá de traz. O samba saudoso. O choro, a gafieira. Mimi invadiu os melhores botecos da região, resgatando o samba da saudade.” Patrícia Nabeiro conheceu o cantor durante live na pandemia. Tinha um brilho no olhar muito doce, sede de viver. Percebi desde o começo.”

Um dos locais em que Mimi mais gostava de tocar era o Boteco Adoniran, em São Bernardo. Fabio Gomes, dono do estabelecimento, guarda no coração o último momento em que estiveram juntos. “Nós gravamos uma música, mas infelizmente ele não chegou a ver ficar pronta. A canção chama Nada Acabou, letra de Dedé Paraíso, com a voz do Mimi. A música fala justamente que o samba vai continuar, amanhã e depois de amanhã, mesmo depois de tudo o que estamos passando. Vamos lançar neste mês, em homenagem a ele”, finaliza. 



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‘Sempre quis levar alegria às pessoas e acho que consegui’

Sambista Mimi Boêmio se despede aos 84 anos com muitas histórias na música; andreense de sorriso largo e contagiante morreu de Covid-19

Marcela Ibelli
Diário do Grande ABC

05/12/2020 | 08:59


Calmo, gentil, dono de voz aveludada e coração enorme, Clementino Raimundo, 84 anos, tinha fome de vida. Mimi Boêmio, como era conhecido, queria ter desfrutado muitas rodas de samba, gafieira e chorinho, o que fazia desde a juventude, mas o coronavírus interrompeu os planos. Foram dois anos e oito meses desde que disse, em entrevista ao Diário, que tinha vontade de cantar muito ainda.

“Gostaria de ser lembrado como o cantor simples, que sempre gostou de música, das boas, que faz questão de tratar todo mundo igual. Gostaria que Deus me desse mais alguns anos de vida para que continuasse na missão. Sinto que o samba sempre teve e terá lugar no coração do brasileiro, afinal, o samba faz bem.” O andreense, crescido no Rudge Ramos, em São Bernardo, morreu, na quinta-feira, menos de um mês após apresentar os primeiros sintomas da doença: febre, falta de ar e dor no corpo. Segundo a família, Mimi teve complicações como diabete, pressão alta e precisou fazer hemodiálise.

“Ele tinha muito medo da Covid. Tinha receio de contrair e passar para seus familiares. Não gostava nem que as pessoas viessem em casa. Porém, como sempre pensava na família, quando os bares abriram, voltou a se apresentar para ajudar no sustento da casa. Achamos que foi assim que ele contraiu o vírus, fazendo o que mais gostava na vida”, contou Thainá Galdino, 25 anos, nora de Mimi. Ela mandou um texto assinado por toda a família. O cantor deixa a mulher, filho, nora e netos.

Além da perda, outra grande tristeza para os familiares foi a despedida ontem pela manhã, no Cemitério Curuçá, em Santo André. Não houve velório, o caixão foi direto para o sepultamento e pouca gente compareceu. “Mimi só teve ao lado dele na sua partida sua família e poucos amigos. Em meio à pandemia, ele contraiu o vírus para levar música aos ouvidos das pessoas, mas elas não foram se despedir com medo da Covid”, desabafa. “Clementino foi ser humano com honestidade de dar inveja e de caráter inabalável. Só guardamos lembranças boas e felizes”, diz ainda o texto.

LEGADO
Mimi Boêmio entoou grandes sambas desde sempre. “O mundo conheceu minha voz foi no serviço de alto-falante de um vereador”, gostava de lembrar. Entre os feitos, ganhou competição no Calouros Glória, de rádio de Santo André. Participou do programa de televisão Almoço com As Estrelas, apresentado por Lolita e Airton Rodrigues. Um dos momentos inesquecíveis da vida foi ver Adoniran Barbosa (1910-1982), em show na Oliveira Lima, no Centro de Santo André, com o pai.

A Secretaria de Cultura de Santo André lamentou a morte do sambista e lembrou os eventos realizados na cidade em que Mimi participou, inclusive a homenagem no projeto Santo André é Você, realizado pelo museu andreense. “Ficamos com as saudades e seu grande legado para a música na região”, disse a secretaria, em nota.

Artistas da região, como Márcia Cherubin, ressaltam o feito de Mimi. “Ele preenchia e nos trazia a parte do samba da seresta, o samba lá de traz. O samba saudoso. O choro, a gafieira. Mimi invadiu os melhores botecos da região, resgatando o samba da saudade.” Patrícia Nabeiro conheceu o cantor durante live na pandemia. Tinha um brilho no olhar muito doce, sede de viver. Percebi desde o começo.”

Um dos locais em que Mimi mais gostava de tocar era o Boteco Adoniran, em São Bernardo. Fabio Gomes, dono do estabelecimento, guarda no coração o último momento em que estiveram juntos. “Nós gravamos uma música, mas infelizmente ele não chegou a ver ficar pronta. A canção chama Nada Acabou, letra de Dedé Paraíso, com a voz do Mimi. A música fala justamente que o samba vai continuar, amanhã e depois de amanhã, mesmo depois de tudo o que estamos passando. Vamos lançar neste mês, em homenagem a ele”, finaliza. 

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