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Carrefour vai implementar práticas antirracistas e de cultura de respeito aos direitos humanos

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Medida é resposta ao assassinato de homem negro em Porto Alegre; processo começa no Rio Grande do Sul



04/12/2020 | 15:55


O Carrefour anunciou que, a partir do dia 14, vai iniciar, o que chamou, de internalização dos serviços de segurança em sua rede de supermercados. O processo terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos. A medida é uma resposta ao assassinato de um homem negro no estacionamento de um dos supermercados na rede, no último dia 19, em Porto Alegre. João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi espancado por dois seguranças.

Em comunicado divulgado à imprensa nesta sexta-feira (4), o Grupo Carrefour anunciou o fim da terceirização dos serviços de segurança nas unidades do conglomerado. A internalização dos serviços segue um plano gradual elaborado a partir das proposições apresentadas por um comitê externo e prevê a instituição de um projeto piloto em quatro unidades da capital gaúcha. Os profissionais contratados serão preparados por empreendedores negros e receberão um treinamento sobre práticas antirracistas e voltado ao desenvolvimento de uma cultura de respeito aos direitos humanos.

Enquanto tenta reformar a política interna contra a discriminação racial, o Grupo Carrefour é alvo de uma série de investigações e de uma ação judicial. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre abriu dois inquéritos civis para buscar reparação e investigar a política de direitos humanos no supermercado. Há ainda duas frentes de investigação criminais relacionadas ao episódio em curso no Ministério Público Federal.

Enquanto a Procuradoria do Rio Grande do Sul apura o funcionamento de mecanismos de fiscalização de empresas de segurança privada pela Polícia Federal, os procuradores do Rio de Janeiro investigam medidas adotadas pela PF e também por supermercados, shopping centers e bancos para enfrentamento do racismo estrutural nos serviços de vigilância.

Na Justiça, o grupo foi acionado pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, que entrou com uma ação civil pública cobrando da rede de supermercados uma indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos e sociais.

COM A PALAVRA, O CARREFOUR

"Após ouvir as proposições do Comitê Externo e Independente originadas de demandas históricas de organizações negras, o Carrefour, a partir do dia 14 de dezembro, inicia a internalização dos serviços de segurança. O processo de internalização começará pelos quatro hipermercados no Rio Grande do Sul, em um projeto piloto, incluindo a loja Passo DAreia, em Porto Alegre. O novo modelo é o ponto inicial para transformação do seu modelo de segurança e faz parte dos compromissos anunciados pela rede. O processo de recrutamento e o treinamento dos profissionais para as lojas contará com associação que reúne empreendedores negros da região de Porto Alegre. Todo o processo de internalização da segurança terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos, além de considerar a representatividade da população brasileira (50% de mulheres e 56% de negros) como um compromisso. A data de admissão dos novos colaboradores está prevista para o dia 14 de dezembro em todas as lojas Carrefour da região, seguindo as etapas de contratação."

 



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Carrefour vai implementar práticas antirracistas e de cultura de respeito aos direitos humanos

Medida é resposta ao assassinato de homem negro em Porto Alegre; processo começa no Rio Grande do Sul


04/12/2020 | 15:55


O Carrefour anunciou que, a partir do dia 14, vai iniciar, o que chamou, de internalização dos serviços de segurança em sua rede de supermercados. O processo terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos. A medida é uma resposta ao assassinato de um homem negro no estacionamento de um dos supermercados na rede, no último dia 19, em Porto Alegre. João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi espancado por dois seguranças.

Em comunicado divulgado à imprensa nesta sexta-feira (4), o Grupo Carrefour anunciou o fim da terceirização dos serviços de segurança nas unidades do conglomerado. A internalização dos serviços segue um plano gradual elaborado a partir das proposições apresentadas por um comitê externo e prevê a instituição de um projeto piloto em quatro unidades da capital gaúcha. Os profissionais contratados serão preparados por empreendedores negros e receberão um treinamento sobre práticas antirracistas e voltado ao desenvolvimento de uma cultura de respeito aos direitos humanos.

Enquanto tenta reformar a política interna contra a discriminação racial, o Grupo Carrefour é alvo de uma série de investigações e de uma ação judicial. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre abriu dois inquéritos civis para buscar reparação e investigar a política de direitos humanos no supermercado. Há ainda duas frentes de investigação criminais relacionadas ao episódio em curso no Ministério Público Federal.

Enquanto a Procuradoria do Rio Grande do Sul apura o funcionamento de mecanismos de fiscalização de empresas de segurança privada pela Polícia Federal, os procuradores do Rio de Janeiro investigam medidas adotadas pela PF e também por supermercados, shopping centers e bancos para enfrentamento do racismo estrutural nos serviços de vigilância.

Na Justiça, o grupo foi acionado pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, que entrou com uma ação civil pública cobrando da rede de supermercados uma indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos e sociais.

COM A PALAVRA, O CARREFOUR

"Após ouvir as proposições do Comitê Externo e Independente originadas de demandas históricas de organizações negras, o Carrefour, a partir do dia 14 de dezembro, inicia a internalização dos serviços de segurança. O processo de internalização começará pelos quatro hipermercados no Rio Grande do Sul, em um projeto piloto, incluindo a loja Passo DAreia, em Porto Alegre. O novo modelo é o ponto inicial para transformação do seu modelo de segurança e faz parte dos compromissos anunciados pela rede. O processo de recrutamento e o treinamento dos profissionais para as lojas contará com associação que reúne empreendedores negros da região de Porto Alegre. Todo o processo de internalização da segurança terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos, além de considerar a representatividade da população brasileira (50% de mulheres e 56% de negros) como um compromisso. A data de admissão dos novos colaboradores está prevista para o dia 14 de dezembro em todas as lojas Carrefour da região, seguindo as etapas de contratação."

 

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