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ONU firma acordo com Etiópia para permitir acesso humanitário ao Tigré



02/12/2020 | 15:15


A ONU firmou um acordo com o governo da Etiópia para permitir o acesso de ajuda humanitária à região do Tigré, impactada há um mês por um conflito armado, confirmaram fontes das Nações Unidas à Agência Efe nesta quarta-feira, 2.

O acordo garante que "as organizações humanitárias tenham acesso livre, sustentado e seguro para o pessoal humanitário e suprimentos a áreas sob controle do governo federal na região do Tigré", disse o porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) para a África Oriental, Saviano Abreu, em Nairóbi.

O acesso ao Tigré, onde centenas de pessoas morreram devido à guerra, mais de 45 mil fugiram da violência para o vizinho Sudão e 600 mil pessoas já dependiam de ajuda alimentar antes mesmo do início do conflito, será efetivado a partir desta quarta-feira com uma missão na vizinha região etíope de Afar.

A ONU estima que mais de um milhão de pessoas podem precisar de assistência como resultado da guerra no Tigré, uma região com pouco mais de cinco milhões de pessoas, 5% da população da Etiópia (cerca de 110 milhões de pessoas).

A comida está acabando para 96 mil refugiados eritreus em Tigré. E os médicos da capital local, Mekelle, estavam com falta de analgésicos, luvas e sacos de dormir, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no fim de semana.

Até agora, a Etiópia proibia a entrada de trabalhadores humanitários em Tigré, região que faz fronteira com Eritreia e Sudão, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na semana passada a garantia de acesso para as agências humanitárias.

A assistência à população afetada pelo conflito "será baseada estritamente nas necessidades das pessoas afetadas e será realizada de acordo com nossos princípios de humanidade, imparcialidade, independência e neutralidade", disse Abreu.

"Estamos trabalhando para garantir que as pessoas afetadas pelo conflito sejam assistidas sem distinção ou discriminação de qualquer tipo e que a assistência se baseie unicamente na urgência de suas necessidades", acrescentou o porta-voz da OCHA.O acordo foi anunciado depois que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, declarou no sábado que o governo central havia conseguido o "controle total" da capital regional, Mekele.

Telecomunicação reestabelecida

Neste conflito, é complicada a tarefa de verificar a versão de ambos os lados, pois tanto a comunicação via internet como a comunicação telefônica foram cortadas, e o governo etíope restringiu o acesso dos jornalistas ao Tigré.

Abiy, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, rejeitou os apelos internacionais para a cessação das hostilidades contra a Frente Popular de Libertação do Tigré (FPLT).

As telecomunicações em meia dúzia de cidades em Tigré foram parcialmente restauradas, disse a Ethio Telecom na quarta-feira. A estatal disse que está usando fontes alternativas de energia e consertando danos à rede.

Cidades reconectadas incluíram Dansha, Humera e Mai Kadra, todas controladas pelos militares.

Abiy Ahmed declarou vitória após a queda de Mekelle no fim de semana, enquanto os líderes da TPLF fugiam para as montanhas.

Na quarta-feira, ele mudou o foco para a eleição parlamentar do próximo ano, reunindo-se com partidos políticos e funcionários eleitorais sobre a votação de meados de 2021, disse seu gabinete.

Seu governo adiou as eleições neste ano por causa da pandemia de covid-19, mas Tigré foi em frente e reelegeu o TPLF, um movimento guerrilheiro que virou partido político. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)



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ONU firma acordo com Etiópia para permitir acesso humanitário ao Tigré


02/12/2020 | 15:15


A ONU firmou um acordo com o governo da Etiópia para permitir o acesso de ajuda humanitária à região do Tigré, impactada há um mês por um conflito armado, confirmaram fontes das Nações Unidas à Agência Efe nesta quarta-feira, 2.

O acordo garante que "as organizações humanitárias tenham acesso livre, sustentado e seguro para o pessoal humanitário e suprimentos a áreas sob controle do governo federal na região do Tigré", disse o porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) para a África Oriental, Saviano Abreu, em Nairóbi.

O acesso ao Tigré, onde centenas de pessoas morreram devido à guerra, mais de 45 mil fugiram da violência para o vizinho Sudão e 600 mil pessoas já dependiam de ajuda alimentar antes mesmo do início do conflito, será efetivado a partir desta quarta-feira com uma missão na vizinha região etíope de Afar.

A ONU estima que mais de um milhão de pessoas podem precisar de assistência como resultado da guerra no Tigré, uma região com pouco mais de cinco milhões de pessoas, 5% da população da Etiópia (cerca de 110 milhões de pessoas).

A comida está acabando para 96 mil refugiados eritreus em Tigré. E os médicos da capital local, Mekelle, estavam com falta de analgésicos, luvas e sacos de dormir, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no fim de semana.

Até agora, a Etiópia proibia a entrada de trabalhadores humanitários em Tigré, região que faz fronteira com Eritreia e Sudão, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na semana passada a garantia de acesso para as agências humanitárias.

A assistência à população afetada pelo conflito "será baseada estritamente nas necessidades das pessoas afetadas e será realizada de acordo com nossos princípios de humanidade, imparcialidade, independência e neutralidade", disse Abreu.

"Estamos trabalhando para garantir que as pessoas afetadas pelo conflito sejam assistidas sem distinção ou discriminação de qualquer tipo e que a assistência se baseie unicamente na urgência de suas necessidades", acrescentou o porta-voz da OCHA.O acordo foi anunciado depois que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, declarou no sábado que o governo central havia conseguido o "controle total" da capital regional, Mekele.

Telecomunicação reestabelecida

Neste conflito, é complicada a tarefa de verificar a versão de ambos os lados, pois tanto a comunicação via internet como a comunicação telefônica foram cortadas, e o governo etíope restringiu o acesso dos jornalistas ao Tigré.

Abiy, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, rejeitou os apelos internacionais para a cessação das hostilidades contra a Frente Popular de Libertação do Tigré (FPLT).

As telecomunicações em meia dúzia de cidades em Tigré foram parcialmente restauradas, disse a Ethio Telecom na quarta-feira. A estatal disse que está usando fontes alternativas de energia e consertando danos à rede.

Cidades reconectadas incluíram Dansha, Humera e Mai Kadra, todas controladas pelos militares.

Abiy Ahmed declarou vitória após a queda de Mekelle no fim de semana, enquanto os líderes da TPLF fugiam para as montanhas.

Na quarta-feira, ele mudou o foco para a eleição parlamentar do próximo ano, reunindo-se com partidos políticos e funcionários eleitorais sobre a votação de meados de 2021, disse seu gabinete.

Seu governo adiou as eleições neste ano por causa da pandemia de covid-19, mas Tigré foi em frente e reelegeu o TPLF, um movimento guerrilheiro que virou partido político. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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