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Saúde e política


Do Diário do Grande ABC

01/12/2020 | 23:59


Se havia alguma dúvida de que o Estado estava, perigosamente, submetendo as medidas de controle da pandemia às circunstâncias político-eleitorais, ela se dissipou na segunda-feira. Um dia após o prefeito Bruno Covas (PSDB) assegurar o segundo mandato consecutivo nas urnas, o governador e correligionário João Doria anunciou um passo atrás no Plano São Paulo de combate ao novo coronavírus, colocando todo o Estado na fase amarela. Na prática, o recuo impõe mais restrições ao funcionamento de comércios e serviços em território bandeirante.

Não há nenhuma dúvida de que a determinação do governador foi acertada. Aumento do número de contaminados, lotação dos leitos de UTI nos hospitais públicos e privados e escalada de mortes decorrentes da Covid-19 justificam regras mais rigorosas. O que se questiona, e se condena, são o oportunismo político e a irresponsabilidade administrativa de Doria, que, mesmo diante de sinais claros do descontrole da pandemia, esperou a conclusão do segundo turno para tomar decisão impopular. Na segunda-feira, nem parecia o gestor que, dias antes, havia ido a seus canais de comunicação para classificar de fake news dados que davam conta da necessidade de dar marcha à ré na flexibilização.

Empresário bem-sucedido na iniciativa privada, nos ramos de comunicação e marketing, Doria acumula atitudes controversas na vida pública. Em busca do sonho de se tornar presidente da República, atropela aliados, como quando tentou adiantar-se ao padrinho político Geraldo Alckmin na fila tucana de candidatos ao Planalto, ignora a vontade dos eleitores, como quando abandonou a prefeitura da Capital dois anos depois de ser eleito, e, conforme se viu agora, coloca os interesses políticos à frente dos de saúde.

A sanha política geralmente não é boa conselheira. Doria vem frustrando reiteradamente os paulistas. Antes de tentar a Presidência, algo legítimo, diga-se, o governador deveria se esforçar para dignificar o cargo que ocupa. Respeitar a doença que aflige milhões de pessoas mundo afora seria excelente começo. 



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Do Diário do Grande ABC

01/12/2020 | 23:59


Se havia alguma dúvida de que o Estado estava, perigosamente, submetendo as medidas de controle da pandemia às circunstâncias político-eleitorais, ela se dissipou na segunda-feira. Um dia após o prefeito Bruno Covas (PSDB) assegurar o segundo mandato consecutivo nas urnas, o governador e correligionário João Doria anunciou um passo atrás no Plano São Paulo de combate ao novo coronavírus, colocando todo o Estado na fase amarela. Na prática, o recuo impõe mais restrições ao funcionamento de comércios e serviços em território bandeirante.

Não há nenhuma dúvida de que a determinação do governador foi acertada. Aumento do número de contaminados, lotação dos leitos de UTI nos hospitais públicos e privados e escalada de mortes decorrentes da Covid-19 justificam regras mais rigorosas. O que se questiona, e se condena, são o oportunismo político e a irresponsabilidade administrativa de Doria, que, mesmo diante de sinais claros do descontrole da pandemia, esperou a conclusão do segundo turno para tomar decisão impopular. Na segunda-feira, nem parecia o gestor que, dias antes, havia ido a seus canais de comunicação para classificar de fake news dados que davam conta da necessidade de dar marcha à ré na flexibilização.

Empresário bem-sucedido na iniciativa privada, nos ramos de comunicação e marketing, Doria acumula atitudes controversas na vida pública. Em busca do sonho de se tornar presidente da República, atropela aliados, como quando tentou adiantar-se ao padrinho político Geraldo Alckmin na fila tucana de candidatos ao Planalto, ignora a vontade dos eleitores, como quando abandonou a prefeitura da Capital dois anos depois de ser eleito, e, conforme se viu agora, coloca os interesses políticos à frente dos de saúde.

A sanha política geralmente não é boa conselheira. Doria vem frustrando reiteradamente os paulistas. Antes de tentar a Presidência, algo legítimo, diga-se, o governador deveria se esforçar para dignificar o cargo que ocupa. Respeitar a doença que aflige milhões de pessoas mundo afora seria excelente começo. 

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