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Ele é o pai do Museu de Rua

Júlio Abe Wakahara (São Paulo, SP, 15-1-1941 – 21-11-2020)


Ademir Medici

24/11/2020 | 07:00


Fotógrafo, arquiteto, museólogo, o professor Júlio Abe Wakahara foi o iniciador do projeto ‘Museu na Rua’, uma forma de levar as instituições voltadas à construção da memória diretamente à população, com exposições em estações de ônibus e de trens, em praças públicas, nas ruas propriamente ditas. Este projeto o trouxe várias vezes ao Grande ABC, a partir dos anos 1970.

Júlio Abe dizia: “Podem usar o meu projeto, de graça. Nem é preciso citar o meu nome. O importante é motivar as pessoas a irem aos museus”.

Com esta mentalidade, o professor aceitava pedidos para realizar oficinas de trabalho, explicando na prática as suas ideias. E sem nada cobrar por isso.

Com o jornalista Geraldo Nunes, participou, em 2002, de uma exposição de fotografias chamada São Paulo de Todos os Tempos, no City Bank Hall, na Avenida Paulista. Uma bela dobradinha que aproveitou o título de um programa de rádio que fez história e que foi também o título de um livro belíssimo do Geraldo Nunes.

PLANOS E SONHOS

Paranapiacaba era uma das paixões do professor Júlio Abe. A partir da vila ferroviária, desenvolveu exposição sobre a Trilha do Peaberu, popularizando a linha histórica que interligava os oceanos Atlântico e Pacífico, cortando a região, seguindo por São Paulo e Paraná e vencendo a América Latina.

Em 2019, Júlio Abe esteve em Paranapiacaba. Deu aula sobre o nevoeiro local como patrimônio natural e/ou como patrimônio paisagístico, defendendo o seu tombamento. Na oportunidade gravou entrevista para o DGABC TV, sintetizando 40 anos de história em que estuda a vila ferroviária do Alto da Serra e seus entornos.

Afirmou:

1 – Não tem dinheiro que consiga restaurar o funicular; as pontes de ferro estão enferrujadas, não tem jeito de recuperar; já os túneis estão perfeitos; o sistema de drenagem na serra foi refeito por volta de 1920 e está perfeito. As estações (patamares), as rodas-gigantes estão lá.

2 – Aqui na serra é o maior empreendimento tecnológico industrial inglês no século XIX. Isso ninguém tem no mundo inteiro. Uma construção feita em cinco, seis anos, o que é incrível. O Metrô, em São Paulo, cada trecho leva dez, 15 anos.

3 – Os ingleses fizeram os projetos e ofereceram as máquinas, mas os construtores de tudo isso na serra foram os alemães, portugueses, espanhóis, italianos, todos contratados diretamente na Europa, porque o Brasil só tinha escravos. Pouquíssimos escravos trabalharam aqui na serra.

A DESPEDIDA

Júlio Abe Wakahara era graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1968) e mestrado pela mesma instituição (1978), onde foi professor de comunicação visual e museologia. Presidiu o Conselho Regional de Museologia (IV Região do Estado de São Paulo). Também foi diretor da divisão de museus da prefeitura de São Paulo e do Centro Cultural São Paulo.

Ele faleceu na madrugada de sábado, aos 79 anos, acometido pela Covid 19.

Diário há meio século

Terça-feira, 24 de novembro de 1970 – ano 13, edição 1392

Teatro – Estreia amanhã (25 de novembro de 1970), no Auditório Municipal de São Caetano, a peça Medo de Vivo é Solidão, com Maricene Costa e elenco; na direção, Sebastião Milaré.
Música – Fundação das Artes de São Caetano anunciava a criação de uma orquestra sinfônica, cuja regência seria entregue ao maestro Moacyr Del Picchia. A Fundação das Artes tinha na direção o ator Milton Andrade.
 

Em 24 de novembro de...
1655 – Câmara Municipal de São Paulo aprova acordo segundo o qual integrantes das famílias Pires e Camargo deveriam ter número igual de cadeiras no Legislativo paulistano.
Nota – Rivalidade histórica entre as duas famílias, presentes também na história do Grande ABC: há a Linha Camargo, em São Bernardo, e o Ribeirão dos Pires, que dá nome ao município de Ribeirão Pires.
1920 – A firma J. Neves & Brandão, do Rio de Janeiro, anuncia projeto de abrir uma fábrica de pregos e parafusos em São Caetano.
- Pianista Guiomar Novaes realiza recital no Teatro Municipal de São Paulo.
1955 – A nascente CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo) publica anúncio nos jornais: traços de comunicação modernos de um empreendimento que muito colaboraria com o desenvolvimento da região.

Santos do Dia

- Crisógono
- Santos: Alexandre, Coloman de Cloyne, Crescenciano, Eanfleda, Felicíssimo, Firmina, Flora e Maria, Leopardino, Marino, Protásio e Romano de Blaye
- Beatos: Bálsamo, Conrado de Frisach, Inês Tsao-Kong, Joaquim Ho-Kai-Tche, Lourenço Pe-man e Tadeu de Lieu.

ANDRÉ DUNG-LAC. Líder de um grupo de 117 mártires vietnamitas. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870
 



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Ele é o pai do Museu de Rua

Júlio Abe Wakahara (São Paulo, SP, 15-1-1941 – 21-11-2020)

Ademir Medici

24/11/2020 | 07:00


Fotógrafo, arquiteto, museólogo, o professor Júlio Abe Wakahara foi o iniciador do projeto ‘Museu na Rua’, uma forma de levar as instituições voltadas à construção da memória diretamente à população, com exposições em estações de ônibus e de trens, em praças públicas, nas ruas propriamente ditas. Este projeto o trouxe várias vezes ao Grande ABC, a partir dos anos 1970.

Júlio Abe dizia: “Podem usar o meu projeto, de graça. Nem é preciso citar o meu nome. O importante é motivar as pessoas a irem aos museus”.

Com esta mentalidade, o professor aceitava pedidos para realizar oficinas de trabalho, explicando na prática as suas ideias. E sem nada cobrar por isso.

Com o jornalista Geraldo Nunes, participou, em 2002, de uma exposição de fotografias chamada São Paulo de Todos os Tempos, no City Bank Hall, na Avenida Paulista. Uma bela dobradinha que aproveitou o título de um programa de rádio que fez história e que foi também o título de um livro belíssimo do Geraldo Nunes.

PLANOS E SONHOS

Paranapiacaba era uma das paixões do professor Júlio Abe. A partir da vila ferroviária, desenvolveu exposição sobre a Trilha do Peaberu, popularizando a linha histórica que interligava os oceanos Atlântico e Pacífico, cortando a região, seguindo por São Paulo e Paraná e vencendo a América Latina.

Em 2019, Júlio Abe esteve em Paranapiacaba. Deu aula sobre o nevoeiro local como patrimônio natural e/ou como patrimônio paisagístico, defendendo o seu tombamento. Na oportunidade gravou entrevista para o DGABC TV, sintetizando 40 anos de história em que estuda a vila ferroviária do Alto da Serra e seus entornos.

Afirmou:

1 – Não tem dinheiro que consiga restaurar o funicular; as pontes de ferro estão enferrujadas, não tem jeito de recuperar; já os túneis estão perfeitos; o sistema de drenagem na serra foi refeito por volta de 1920 e está perfeito. As estações (patamares), as rodas-gigantes estão lá.

2 – Aqui na serra é o maior empreendimento tecnológico industrial inglês no século XIX. Isso ninguém tem no mundo inteiro. Uma construção feita em cinco, seis anos, o que é incrível. O Metrô, em São Paulo, cada trecho leva dez, 15 anos.

3 – Os ingleses fizeram os projetos e ofereceram as máquinas, mas os construtores de tudo isso na serra foram os alemães, portugueses, espanhóis, italianos, todos contratados diretamente na Europa, porque o Brasil só tinha escravos. Pouquíssimos escravos trabalharam aqui na serra.

A DESPEDIDA

Júlio Abe Wakahara era graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1968) e mestrado pela mesma instituição (1978), onde foi professor de comunicação visual e museologia. Presidiu o Conselho Regional de Museologia (IV Região do Estado de São Paulo). Também foi diretor da divisão de museus da prefeitura de São Paulo e do Centro Cultural São Paulo.

Ele faleceu na madrugada de sábado, aos 79 anos, acometido pela Covid 19.

Diário há meio século

Terça-feira, 24 de novembro de 1970 – ano 13, edição 1392

Teatro – Estreia amanhã (25 de novembro de 1970), no Auditório Municipal de São Caetano, a peça Medo de Vivo é Solidão, com Maricene Costa e elenco; na direção, Sebastião Milaré.
Música – Fundação das Artes de São Caetano anunciava a criação de uma orquestra sinfônica, cuja regência seria entregue ao maestro Moacyr Del Picchia. A Fundação das Artes tinha na direção o ator Milton Andrade.
 

Em 24 de novembro de...
1655 – Câmara Municipal de São Paulo aprova acordo segundo o qual integrantes das famílias Pires e Camargo deveriam ter número igual de cadeiras no Legislativo paulistano.
Nota – Rivalidade histórica entre as duas famílias, presentes também na história do Grande ABC: há a Linha Camargo, em São Bernardo, e o Ribeirão dos Pires, que dá nome ao município de Ribeirão Pires.
1920 – A firma J. Neves & Brandão, do Rio de Janeiro, anuncia projeto de abrir uma fábrica de pregos e parafusos em São Caetano.
- Pianista Guiomar Novaes realiza recital no Teatro Municipal de São Paulo.
1955 – A nascente CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo) publica anúncio nos jornais: traços de comunicação modernos de um empreendimento que muito colaboraria com o desenvolvimento da região.

Santos do Dia

- Crisógono
- Santos: Alexandre, Coloman de Cloyne, Crescenciano, Eanfleda, Felicíssimo, Firmina, Flora e Maria, Leopardino, Marino, Protásio e Romano de Blaye
- Beatos: Bálsamo, Conrado de Frisach, Inês Tsao-Kong, Joaquim Ho-Kai-Tche, Lourenço Pe-man e Tadeu de Lieu.

ANDRÉ DUNG-LAC. Líder de um grupo de 117 mártires vietnamitas. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870
 

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