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‘Chance de ingresso do Bolsonaro no PTB é muito grande’

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB


Fabio Martins
Diário do Grande ABC

22/11/2020 | 23:59


Ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson alegou que a probabilidade de retorno do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às fileiras petebistas “é muito grande” para concorrer à reeleição em 2022. Em entrevista exclusiva ao Diário, o líder da sigla falou sobre a reaproximação, disse que não precisa fazer acenos e rechaçou que a proposta passe por contrapartidas de abertura do governo. Delator do esquema conhecido como Mensalão do PT, o petebista frisou que não tem intenção de postular novamente cargo eletivo a curto prazo. “Entendo que ainda não cumpri o tempo da minha dívida com a sociedade.”

Qual a motivação de ações impetradas pelo PTB na tentativa de reverter coligações firmadas pelo País, que incluíram São Bernardo, Salvador e Fortaleza?
 

O PTB não pode se coligar com PT, PSB, PSDB e DEM. Concentrei nos lugares de maior importância. São Paulo é a caixa de ressonância, espinha dorsal do País. DEM é do (Rodrigo) Maia (presidente da Câmara Federal), é inimigo do presidente (Jair) Bolsonaro. É o cara que mais conspira contra o presidente. Essas sacudidas mais fortes se dão nesses locais porque são emblemáticos. Temos que marcar posição forte. Adotar linha coerente de discurso, que diga ao brasileiro a posição pela pátria, Deus e vida. É o discurso do Bolsonaro. Somos cristãos. E vamos lutar pelo legado cristão.

O sr. dissolveu o diretório estadual de São Paulo. Qual a análise sobre os rumos da sigla na esfera paulista daqui para frente?
 

Deixei como provisório, e a qualquer momento posso modificar. A avaliação é que São Paulo está muito mal com esse grupo. Tínhamos 14 deputados estaduais e oito federais. Elegemos dois estaduais, Campos Machado e o Roque (Barbieri). O Douglas (Garcia, ex-PSL) eu que trouxe para o PTB por relação minha, junto aos grupos conservadores. Ele está fazendo mandato espetacular, pregando desobediência civil, essa barbárie do (governador João) Doria (PSDB) de impor vacina, mesmo ainda não comprovada, que, de maneira suspeita, contratou em agosto do ano passado. A Covid chegou em fevereiro, março, com auge em abril. É negócio que precisa ser investigado. A Covid é coisa preparada pela China, por isso tem número 19. Deve ter um, dois, três, 17, 18. É coisa experimental.

Quando se deu gatilho de movimento bolsonarista no PTB?

Desde a última eleição (de 2018). O único partido que declarou apoio em segundo turno ao Messias Bolsonaro foi o PTB. Nós entendemos que ele pratica à frente do governo, na área de costumes, especialmente, o programa do PTB. Em favor da família, contra o aborto, contra a liberação das drogas, erotização das crianças, apassivamento do homem, virilização da mulher. Isso está no estatuto do PTB, está lá, antes da eleição do Bolsonaro: em abril de 2018, especificamente, quando fizemos a convenção para fazer mudanças. Foi feito evento para reescrever estatuto. Mudar aquele mapa do Brasil, em preto, vermelho e branco. Hoje é vela buja, que dá diretriz do vento ao barco. O vento é hálito de Deus. Escolhemos símbolo novo na cor verde, amarela, azul e branca. Chega de preto e vermelho. Primeiro fizemos pesquisa, grande debate interno. Deu que PTB é partido conservador.

Essa ideia, na sua visão, retornaria às raízes da fundação do PTB, na década de 1940?

Desde 1945. Tanto é fato que (ex-senador Alberto) Pasqualini diz que o PTB nasce como alternativa aos partidos comunistas e socialistas. Não precisa ser defensor do trabalhador sendo comunista. Desde quando comunista defende trabalhador? O chinês é escravocrata. Por que o mundo caminhou para lá com capital? Lá não tem definição de horário de trabalho, férias, 13º, aposentadoria. Isso quem banca é a família. O trabalhador atua 12, 14, 16 horas por dia. Se reclamar, é bala. É escravidão com opressão à própria opinião, à palavra. Nem religião pode ter. É nova revolução cultural. Quando se faz um partido autoritário, destrói valores de pátria, território, sensação de propriedade, relação com a terra. Quando partido único, opressor, destroi a nação e sentimento de pátria, cai o Estado. Assume o partido. É o Soviete Supremo. O partido diz o que é direito, errado. Como está fazendo o Supremo <CF51>(no Brasil)</CF>. Eles julgam pela capa, pelo tombo, não pelo conteúdo do processo. É assim no mundo comunista. O Supremo está dando exemplo disso. Se o acusado é Roberto Jefferson, é um tipo de interpretação à norma objetiva. A Constituição não se permite interpretar, ela é concreta. Se é outro, interpreta de outra forma. É pela capa.

O PTB entrou com ação no STF na tentativa de impedir eventual vacinação compulsória contra a Covid. Qual a sua avaliação sobre a constitucionalidade dessa decisão?
 

O PTB é o único partido que está buscando defender a população. A doutora Nise Yamaguchi é parecerista técnica da ação. É inconstitucional impor vacina. Tuberculose, hepatite, tétano, tifo, Influenza, toma quem quer. Não é imperativo. Esperamos coisa séria, não molecagem. Não confio em produto chinês. Não confio em chinês, que é trapaceiro, vilão. Negócio com chinês vai levar prejuízo sempre. Não confio em produto chinês: é quinquilharia, coisa vagabunda. Pedimos audiência pública para que ela e o doutor Anthony Wong, que é especialista em imunologia do (Hospital Albert) Einstein, possam falar aos ministros e dizer que a interação pode ser mortal, tanto a de Influenza como a de hepatite com Covid. Estamos sendo usados como ratos de laboratório.

Essas posturas particulares têm sido entendidas como aceno ao presidente Bolsonaro. Há diálogo avançado para filiação dele ao partido?
 

Já venho conversando com o presidente. Não preciso mais fazer aceno. Isso é afirmação ao povo, da conduta ideológica do PTB, muito mais que precisa crer que nós mudamos. Com relação ao ingresso do Bolsonaro, chance é muito grande. Tanto ele quanto ministros do governo. Qual o pedido do PTB ao presidente? Que ele volte. O que o PTB quer do governo? O presidente. Não permito que indiquem, em nome do partido, nem ministério, empresa, autarquia poderosa. Não quero o acessório. Quero o principal. Se aceito o acessório, perco o principal ou ao menos enfraqueço a possibilidade do principal. O que é o principal então? É a candidatura do Bolsonaro à reeleição pelo PTB em 2022.

Como o sr. avalia o cenário à Presidência para 2022?
 

Bolsonaro ganha no primeiro turno. Não tem adversário. O Doria acabou. Todo mundo viu que ele é lobista de chinês. Hoje tem vários tuítes, várias mensagens mostrando contratos de venda das empresas paulistas aos chineses. Esquece que ele não vence eleição de presidente. Está estigmatizado. (O ex-presidente) Lula é zero de chance. Vão anular as condenações? Não tem cabimento. Não creio que ele tenha chance de disputar a eleição.

O que o sr. pensa do ex-juiz Sergio Moro?
 

Ele é Macunaíma, o herói sem caráter, personagem da literatura brasileira.

Mas o sr. deu crédito à Lava Jato desde o início..
 

Eu acredito na operação. As provas são contundentes. Tem confissão dos empresários. Tanto do Marcelo Odebrecht, do pai dele (Emílio), do pessoal da OAS. Tem volume grande de provas coletadas.
 

O que levou o sr. então a ter essa avaliação do Moro?

Quis fazer política. Renunciar carreira de juiz, com toda segurança que tem, foi negócio horrível. Ele era juiz federal importante. Ele renuncia, jogou fora tudo que construiu na magistratura para ser político. Ser ministro da Justiça é cargo político. Após isso, saiu atirando no presidente, mostrando que não tinha nenhum compromisso com o governo. O compromisso é só com a biografia, currículo dele.

Qual era sua relação com Bolsonaro na época de Câmara Federal, uma vez que o sr. tinha influência e ele era considerado do baixo clero lá dentro?
 

Melhor possível, homem de caráter, simples, honesto. Foi meu liderado por dois anos. Nunca me pediu solicitação daquelas que sabemos que o deputado está pedindo para levar dinheiro. Eram 40 deputados liderados, à época. Tem deputado que chegava com pedido e eu olhava para a pauta e fazia a leitura: ‘Interesse de empreiteira’. Bolsonaro só me pedia aposentado, pensionista, aposentado militar, militar da ativa, PM, polícia federal, civil, rodoviária, penitenciária.

Por que ele saiu do PTB?

Porque o PTB votou com o PT aquele redutor, o fator previdenciário. Foi erro do PTB. Ele me falou: ‘Roberto, eu não fico no PTB’. Foi contra o PTB. Fator previdenciário reduz aposentadoria de quem chega a 35 anos de contribuição, mas não tem idade. Essa foi a razão da saída. O que vou falar de homem desse? É sério, correto, humilde. Se olhar o sapato, era coturno horroroso, terno da Renner, de R$ 300 ‘pilas’. Camisa de tergal, gravata daquela que compra no camelô, que já vem com nó e que só pendura. Cara simples.

O sr. pensa em concorrer a cargo eletivo a curto prazo?

Não tenho essa intenção. Quero presidir um grande partido, construir o PTB. Não quero concorrer a cargo eletivo. Entendo que ainda não cumpri o tempo da minha dívida com a sociedade. Errei, fiz acordo com o PT na eleição, recebi recursos de caixa dois. Fui absolvido, tempo de prisão foram dois anos. Fiz as pazes com Deus, que me salvou de três recidivas com câncer, operações. Mas acho que falta tempo para poder me reconciliar com a sociedade brasileira. E qual a maneira? Essa, como falava Jeremias na Bíblia. Com franqueza, verdade, sem medo de nada, enfrentando todos dos poderosos, com toga ou sem toga, peitando. Dizendo o que é verdade. Lembrando os limites. Essa missão que escolhi como propósito da minha vida para fazer as pazes com a sociedade.
 

Depois de passado período do escândalo conhecido como Mensalão, o sr. fala em processo de maturação até para não ser candidato. Como viu a condenação do STF no caso?

Foi justa, irretorquível, indiscutível. Só que entendo que podia ser testemunha. Porque a lei retroagiu para me acusar de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, coisas que não fiz. Recebi dinheiro de campanha. Financiamento por caixa dois. Sabia que era delito administrativo e eleitoral, mas não criminal. Foi interpretação que não afetou só a mim. Porque era lei nova, e foi aplicada penalmente e retroativamente. A Constituição diz que a lei penal não retroage para punir, só retroage para beneficiar. Mas tudo bem. Não poderia ficar impune, sozinho, sair livre daquilo tudo tendo feito estrago que fiz no PT e na esquerda nacional. Ia sobrar para mim.

RAIO X

Nome: Roberto Jefferson Monteiro Francisco

Estado civil: Casado
 

Idade: 67 anos
 

Local de nascimento: Petrópolis, no Rio de Janeiro, e mora em Comendador Levy Gasparian, no Rio
 

Formação: Direito, na Universidade Estácio de Sá
 

Time do coração: Botafogo
 

Hobby: Canto lírico e passear com sua moto Harley Davidson
 

Livro que recomenda: Memórias de Adriano, de autoria de Marguerite Yourcenar
 

Artista que marcou sua vida: Mel Gibson, que estrelou os filmes Coração Valente e Patriota
 

Profissão: Advogado criminalista
 

Onde trabalha: Escritório
 



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‘Chance de ingresso do Bolsonaro no PTB é muito grande’

Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB

Fabio Martins
Diário do Grande ABC

22/11/2020 | 23:59


Ex-deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson alegou que a probabilidade de retorno do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às fileiras petebistas “é muito grande” para concorrer à reeleição em 2022. Em entrevista exclusiva ao Diário, o líder da sigla falou sobre a reaproximação, disse que não precisa fazer acenos e rechaçou que a proposta passe por contrapartidas de abertura do governo. Delator do esquema conhecido como Mensalão do PT, o petebista frisou que não tem intenção de postular novamente cargo eletivo a curto prazo. “Entendo que ainda não cumpri o tempo da minha dívida com a sociedade.”

Qual a motivação de ações impetradas pelo PTB na tentativa de reverter coligações firmadas pelo País, que incluíram São Bernardo, Salvador e Fortaleza?
 

O PTB não pode se coligar com PT, PSB, PSDB e DEM. Concentrei nos lugares de maior importância. São Paulo é a caixa de ressonância, espinha dorsal do País. DEM é do (Rodrigo) Maia (presidente da Câmara Federal), é inimigo do presidente (Jair) Bolsonaro. É o cara que mais conspira contra o presidente. Essas sacudidas mais fortes se dão nesses locais porque são emblemáticos. Temos que marcar posição forte. Adotar linha coerente de discurso, que diga ao brasileiro a posição pela pátria, Deus e vida. É o discurso do Bolsonaro. Somos cristãos. E vamos lutar pelo legado cristão.

O sr. dissolveu o diretório estadual de São Paulo. Qual a análise sobre os rumos da sigla na esfera paulista daqui para frente?
 

Deixei como provisório, e a qualquer momento posso modificar. A avaliação é que São Paulo está muito mal com esse grupo. Tínhamos 14 deputados estaduais e oito federais. Elegemos dois estaduais, Campos Machado e o Roque (Barbieri). O Douglas (Garcia, ex-PSL) eu que trouxe para o PTB por relação minha, junto aos grupos conservadores. Ele está fazendo mandato espetacular, pregando desobediência civil, essa barbárie do (governador João) Doria (PSDB) de impor vacina, mesmo ainda não comprovada, que, de maneira suspeita, contratou em agosto do ano passado. A Covid chegou em fevereiro, março, com auge em abril. É negócio que precisa ser investigado. A Covid é coisa preparada pela China, por isso tem número 19. Deve ter um, dois, três, 17, 18. É coisa experimental.

Quando se deu gatilho de movimento bolsonarista no PTB?

Desde a última eleição (de 2018). O único partido que declarou apoio em segundo turno ao Messias Bolsonaro foi o PTB. Nós entendemos que ele pratica à frente do governo, na área de costumes, especialmente, o programa do PTB. Em favor da família, contra o aborto, contra a liberação das drogas, erotização das crianças, apassivamento do homem, virilização da mulher. Isso está no estatuto do PTB, está lá, antes da eleição do Bolsonaro: em abril de 2018, especificamente, quando fizemos a convenção para fazer mudanças. Foi feito evento para reescrever estatuto. Mudar aquele mapa do Brasil, em preto, vermelho e branco. Hoje é vela buja, que dá diretriz do vento ao barco. O vento é hálito de Deus. Escolhemos símbolo novo na cor verde, amarela, azul e branca. Chega de preto e vermelho. Primeiro fizemos pesquisa, grande debate interno. Deu que PTB é partido conservador.

Essa ideia, na sua visão, retornaria às raízes da fundação do PTB, na década de 1940?

Desde 1945. Tanto é fato que (ex-senador Alberto) Pasqualini diz que o PTB nasce como alternativa aos partidos comunistas e socialistas. Não precisa ser defensor do trabalhador sendo comunista. Desde quando comunista defende trabalhador? O chinês é escravocrata. Por que o mundo caminhou para lá com capital? Lá não tem definição de horário de trabalho, férias, 13º, aposentadoria. Isso quem banca é a família. O trabalhador atua 12, 14, 16 horas por dia. Se reclamar, é bala. É escravidão com opressão à própria opinião, à palavra. Nem religião pode ter. É nova revolução cultural. Quando se faz um partido autoritário, destrói valores de pátria, território, sensação de propriedade, relação com a terra. Quando partido único, opressor, destroi a nação e sentimento de pátria, cai o Estado. Assume o partido. É o Soviete Supremo. O partido diz o que é direito, errado. Como está fazendo o Supremo <CF51>(no Brasil)</CF>. Eles julgam pela capa, pelo tombo, não pelo conteúdo do processo. É assim no mundo comunista. O Supremo está dando exemplo disso. Se o acusado é Roberto Jefferson, é um tipo de interpretação à norma objetiva. A Constituição não se permite interpretar, ela é concreta. Se é outro, interpreta de outra forma. É pela capa.

O PTB entrou com ação no STF na tentativa de impedir eventual vacinação compulsória contra a Covid. Qual a sua avaliação sobre a constitucionalidade dessa decisão?
 

O PTB é o único partido que está buscando defender a população. A doutora Nise Yamaguchi é parecerista técnica da ação. É inconstitucional impor vacina. Tuberculose, hepatite, tétano, tifo, Influenza, toma quem quer. Não é imperativo. Esperamos coisa séria, não molecagem. Não confio em produto chinês. Não confio em chinês, que é trapaceiro, vilão. Negócio com chinês vai levar prejuízo sempre. Não confio em produto chinês: é quinquilharia, coisa vagabunda. Pedimos audiência pública para que ela e o doutor Anthony Wong, que é especialista em imunologia do (Hospital Albert) Einstein, possam falar aos ministros e dizer que a interação pode ser mortal, tanto a de Influenza como a de hepatite com Covid. Estamos sendo usados como ratos de laboratório.

Essas posturas particulares têm sido entendidas como aceno ao presidente Bolsonaro. Há diálogo avançado para filiação dele ao partido?
 

Já venho conversando com o presidente. Não preciso mais fazer aceno. Isso é afirmação ao povo, da conduta ideológica do PTB, muito mais que precisa crer que nós mudamos. Com relação ao ingresso do Bolsonaro, chance é muito grande. Tanto ele quanto ministros do governo. Qual o pedido do PTB ao presidente? Que ele volte. O que o PTB quer do governo? O presidente. Não permito que indiquem, em nome do partido, nem ministério, empresa, autarquia poderosa. Não quero o acessório. Quero o principal. Se aceito o acessório, perco o principal ou ao menos enfraqueço a possibilidade do principal. O que é o principal então? É a candidatura do Bolsonaro à reeleição pelo PTB em 2022.

Como o sr. avalia o cenário à Presidência para 2022?
 

Bolsonaro ganha no primeiro turno. Não tem adversário. O Doria acabou. Todo mundo viu que ele é lobista de chinês. Hoje tem vários tuítes, várias mensagens mostrando contratos de venda das empresas paulistas aos chineses. Esquece que ele não vence eleição de presidente. Está estigmatizado. (O ex-presidente) Lula é zero de chance. Vão anular as condenações? Não tem cabimento. Não creio que ele tenha chance de disputar a eleição.

O que o sr. pensa do ex-juiz Sergio Moro?
 

Ele é Macunaíma, o herói sem caráter, personagem da literatura brasileira.

Mas o sr. deu crédito à Lava Jato desde o início..
 

Eu acredito na operação. As provas são contundentes. Tem confissão dos empresários. Tanto do Marcelo Odebrecht, do pai dele (Emílio), do pessoal da OAS. Tem volume grande de provas coletadas.
 

O que levou o sr. então a ter essa avaliação do Moro?

Quis fazer política. Renunciar carreira de juiz, com toda segurança que tem, foi negócio horrível. Ele era juiz federal importante. Ele renuncia, jogou fora tudo que construiu na magistratura para ser político. Ser ministro da Justiça é cargo político. Após isso, saiu atirando no presidente, mostrando que não tinha nenhum compromisso com o governo. O compromisso é só com a biografia, currículo dele.

Qual era sua relação com Bolsonaro na época de Câmara Federal, uma vez que o sr. tinha influência e ele era considerado do baixo clero lá dentro?
 

Melhor possível, homem de caráter, simples, honesto. Foi meu liderado por dois anos. Nunca me pediu solicitação daquelas que sabemos que o deputado está pedindo para levar dinheiro. Eram 40 deputados liderados, à época. Tem deputado que chegava com pedido e eu olhava para a pauta e fazia a leitura: ‘Interesse de empreiteira’. Bolsonaro só me pedia aposentado, pensionista, aposentado militar, militar da ativa, PM, polícia federal, civil, rodoviária, penitenciária.

Por que ele saiu do PTB?

Porque o PTB votou com o PT aquele redutor, o fator previdenciário. Foi erro do PTB. Ele me falou: ‘Roberto, eu não fico no PTB’. Foi contra o PTB. Fator previdenciário reduz aposentadoria de quem chega a 35 anos de contribuição, mas não tem idade. Essa foi a razão da saída. O que vou falar de homem desse? É sério, correto, humilde. Se olhar o sapato, era coturno horroroso, terno da Renner, de R$ 300 ‘pilas’. Camisa de tergal, gravata daquela que compra no camelô, que já vem com nó e que só pendura. Cara simples.

O sr. pensa em concorrer a cargo eletivo a curto prazo?

Não tenho essa intenção. Quero presidir um grande partido, construir o PTB. Não quero concorrer a cargo eletivo. Entendo que ainda não cumpri o tempo da minha dívida com a sociedade. Errei, fiz acordo com o PT na eleição, recebi recursos de caixa dois. Fui absolvido, tempo de prisão foram dois anos. Fiz as pazes com Deus, que me salvou de três recidivas com câncer, operações. Mas acho que falta tempo para poder me reconciliar com a sociedade brasileira. E qual a maneira? Essa, como falava Jeremias na Bíblia. Com franqueza, verdade, sem medo de nada, enfrentando todos dos poderosos, com toga ou sem toga, peitando. Dizendo o que é verdade. Lembrando os limites. Essa missão que escolhi como propósito da minha vida para fazer as pazes com a sociedade.
 

Depois de passado período do escândalo conhecido como Mensalão, o sr. fala em processo de maturação até para não ser candidato. Como viu a condenação do STF no caso?

Foi justa, irretorquível, indiscutível. Só que entendo que podia ser testemunha. Porque a lei retroagiu para me acusar de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, coisas que não fiz. Recebi dinheiro de campanha. Financiamento por caixa dois. Sabia que era delito administrativo e eleitoral, mas não criminal. Foi interpretação que não afetou só a mim. Porque era lei nova, e foi aplicada penalmente e retroativamente. A Constituição diz que a lei penal não retroage para punir, só retroage para beneficiar. Mas tudo bem. Não poderia ficar impune, sozinho, sair livre daquilo tudo tendo feito estrago que fiz no PT e na esquerda nacional. Ia sobrar para mim.

RAIO X

Nome: Roberto Jefferson Monteiro Francisco

Estado civil: Casado
 

Idade: 67 anos
 

Local de nascimento: Petrópolis, no Rio de Janeiro, e mora em Comendador Levy Gasparian, no Rio
 

Formação: Direito, na Universidade Estácio de Sá
 

Time do coração: Botafogo
 

Hobby: Canto lírico e passear com sua moto Harley Davidson
 

Livro que recomenda: Memórias de Adriano, de autoria de Marguerite Yourcenar
 

Artista que marcou sua vida: Mel Gibson, que estrelou os filmes Coração Valente e Patriota
 

Profissão: Advogado criminalista
 

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