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Famílias ocupam terreno abandonado no Jardim Silvina e são despejadas na sequência

Manuelle Coelho/Divulgação MLB Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerca de 200 barracos começaram a ser erguidos na manhã deste sábado, mas GCM exigiu desmonte


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

21/11/2020 | 11:31


*Atualizada ao 12h28*

Cerca de 200 famílias de bairros periféricos de São Bernardo iniciaram, na madrugada deste sábado (21), o que batizaram de Ocupação Padre Léo Comissari, em terreno no Jardim Silvina, na rua em que leva o nome do religioso, sendo barradas pela GCM (Guarda Civil Municipal) horas depois. Segundo militantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), o espaço estava abandonado e estaria sendo utilizado por fábricas de móveis como área de descarte irregular.  Os militantes lamentaram o fato da ocupação não ter ocorrido de forma totalmente pacífica, conforme afirmam ter sido negociado anteriormente, já que acusam um subtenente da corporação de agredir ocupantes e advogados.

O desmonte da área foi finalizado no fim da manhã de hoje, cercado por pelo menos cinco viaturas da Guarda Municipal. Conforme o MLB, a data escolhida para iniciar a ocupação foi em homenagem ao feriado do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado ontem, já que a maioria das famílias são de pessoas negras, sobretudo formadas por mulheres e mães solo. O movimento destacou que, com a ocupação, o terreno estaria cumprindo função social de moradia, e passaria a ser cuidado em termos de segurança, limpeza e organização do local.

De acordo com o projeto estabelecido, o espaço contaria com área coletiva para as crianças e cozinha comunitária. Para assegurar os protocolos de saúde diante da pandemia da Covid, o movimento, junto das famílias, elencou regras de prevenção e distanciamento físico, além da realização de um planejamento das habitações e do sistema de saneamento.

Coordenadora estadual do MLB, Victória Magalhães contou que parte das famílias já foram despejadas em ações públicas recentes e, diante disso, buscaram em novo espaço para se abrigaram. “São pessoas de bem, trabalhadoras, e que foram vítimas do despejo público do governo do Orlando Morando (PSDB) mais uma vez. Muitas famílias estão desempregadas e não conseguem mais pagar aluguel, principalmente agora, com a pandemia, e diante do cenário econômico do País”, explicou a ativista.

Um dos moradores, que preferiu não se identificar, defendeu a permanência das famílias no espaço. “As pessoas que hoje ocuparam aqui são trabalhadores, mulheres, mães, negras e negros, em sua maioria desempregados, fruto desse fechamento de fábricas do Grande ABC e da terceirização dos empregos”, elencou.

Parte das famílias estavam presentes em protestos, realizados em agosto e no início deste mês, ambos em frente ao Paço, pedindo por políticas públicas, direto à moradia, e buscando diálogo com o prefeito, o que afirmam não ter ocorrido. “Precisamos de um teto para proteger nossas crianças do coronavírus e, já que o governo não faz nada, decidimos ocupar esse espaço, que estava há anos abandonado”, exaltou um morador.

Em nota, o MLB afirmou que a ocupação resistirá às pressões, informando que já marcaram data para assembleia que determinará novas ações. "A cidade tem déficit habitacional de 92 mil sem tetos. Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito", finalizam.

Em resposta ao Diário, a Prefeitura de São Bernardo disse que "o terreno pertence a Junta de Assistência Social Islâmica Brasileira, com pedido recente de autorização para construção de muros no entorno. Não foram encontradas irregularidades, ou dívidas dos proprietários, junto à Administração". Além disso, a administração pública reforçou que "a limpeza urbana e coleta seletiva é feita de forma regular no entorno, por meio da secretaria de Serviços Urbanos. Apesar disso, e do trabalho de fiscalização e conscientização, o espaço tornou-se um ponto viciado de descarte irregular de lixo. A população do entorno não construiu na conservação da limpeza local."
 



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Famílias ocupam terreno abandonado no Jardim Silvina e são despejadas na sequência

Cerca de 200 barracos começaram a ser erguidos na manhã deste sábado, mas GCM exigiu desmonte

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

21/11/2020 | 11:31


*Atualizada ao 12h28*

Cerca de 200 famílias de bairros periféricos de São Bernardo iniciaram, na madrugada deste sábado (21), o que batizaram de Ocupação Padre Léo Comissari, em terreno no Jardim Silvina, na rua em que leva o nome do religioso, sendo barradas pela GCM (Guarda Civil Municipal) horas depois. Segundo militantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), o espaço estava abandonado e estaria sendo utilizado por fábricas de móveis como área de descarte irregular.  Os militantes lamentaram o fato da ocupação não ter ocorrido de forma totalmente pacífica, conforme afirmam ter sido negociado anteriormente, já que acusam um subtenente da corporação de agredir ocupantes e advogados.

O desmonte da área foi finalizado no fim da manhã de hoje, cercado por pelo menos cinco viaturas da Guarda Municipal. Conforme o MLB, a data escolhida para iniciar a ocupação foi em homenagem ao feriado do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado ontem, já que a maioria das famílias são de pessoas negras, sobretudo formadas por mulheres e mães solo. O movimento destacou que, com a ocupação, o terreno estaria cumprindo função social de moradia, e passaria a ser cuidado em termos de segurança, limpeza e organização do local.

De acordo com o projeto estabelecido, o espaço contaria com área coletiva para as crianças e cozinha comunitária. Para assegurar os protocolos de saúde diante da pandemia da Covid, o movimento, junto das famílias, elencou regras de prevenção e distanciamento físico, além da realização de um planejamento das habitações e do sistema de saneamento.

Coordenadora estadual do MLB, Victória Magalhães contou que parte das famílias já foram despejadas em ações públicas recentes e, diante disso, buscaram em novo espaço para se abrigaram. “São pessoas de bem, trabalhadoras, e que foram vítimas do despejo público do governo do Orlando Morando (PSDB) mais uma vez. Muitas famílias estão desempregadas e não conseguem mais pagar aluguel, principalmente agora, com a pandemia, e diante do cenário econômico do País”, explicou a ativista.

Um dos moradores, que preferiu não se identificar, defendeu a permanência das famílias no espaço. “As pessoas que hoje ocuparam aqui são trabalhadores, mulheres, mães, negras e negros, em sua maioria desempregados, fruto desse fechamento de fábricas do Grande ABC e da terceirização dos empregos”, elencou.

Parte das famílias estavam presentes em protestos, realizados em agosto e no início deste mês, ambos em frente ao Paço, pedindo por políticas públicas, direto à moradia, e buscando diálogo com o prefeito, o que afirmam não ter ocorrido. “Precisamos de um teto para proteger nossas crianças do coronavírus e, já que o governo não faz nada, decidimos ocupar esse espaço, que estava há anos abandonado”, exaltou um morador.

Em nota, o MLB afirmou que a ocupação resistirá às pressões, informando que já marcaram data para assembleia que determinará novas ações. "A cidade tem déficit habitacional de 92 mil sem tetos. Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito", finalizam.

Em resposta ao Diário, a Prefeitura de São Bernardo disse que "o terreno pertence a Junta de Assistência Social Islâmica Brasileira, com pedido recente de autorização para construção de muros no entorno. Não foram encontradas irregularidades, ou dívidas dos proprietários, junto à Administração". Além disso, a administração pública reforçou que "a limpeza urbana e coleta seletiva é feita de forma regular no entorno, por meio da secretaria de Serviços Urbanos. Apesar disso, e do trabalho de fiscalização e conscientização, o espaço tornou-se um ponto viciado de descarte irregular de lixo. A população do entorno não construiu na conservação da limpeza local."
 

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