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Pagamento do 13º salário injeta R$ 3,2 bi na região

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Impactado pela pandemia de Covid-19 e pelo fechamento da Ford, montante é 5,88% menor do que o pago em 2019


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/11/2020 | 00:06


O pagamento do 13º salário é esperado pelos trabalhadores formais como um alívio para as contas no fim do ano, ainda mais em 2020, quando a economia foi nocauteada pela pandemia do novo coronavírus. Neste ano, a gratificação natalina dos trabalhadores formais vai injetar R$ 3,2 bilhões na economia do Grande ABC, o que representa uma queda de 5,88% em relação ao ano passado, quando o montante chegou a R$ 3,4 bilhões.

Os números são de estimativa elaborada pela subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), que foram divulgados ontem. A pesquisa levam em consideração dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregado) e da Previdência Social.

Deste total, a maioria (R$ 2,3 bilhões) será paga aos trabalhadores com carteira de trabalho assinada e, R$ 932,2 milhões, aos beneficiários da Previdência Social, aposentados e pensionistas, que neste ano receberam a gratificação adiantada no primeiro semestre.

Ao todo, 1,228 milhão de pessoas recebem o benefício na região neste ano, sendo 729,7 mil trabalhadores formais e 498,5 mil aposentados e pensionistas. Os empregados com carteira assinada receberão média de R$ 2.900 mensais, valor que representa menos do que a metade (49,12%) da média paga aos metalúrgicos de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, representados pelo SMABC, de R$ 5.903 (leia mais abaixo).

O montante total injetado na economia regional, de R$ 3,2 bilhões – considerando o valor nominal, sem a aplicação da inflação do período – é o menor valor desde 2017, e interrompe trajetória de crescimento do 13º salário.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero afirmou que os resultados são reflexo do aumento do desemprego e da informalidade. “A massa salarial realmente vai ser menor, em razão do desemprego e dos acordos salariais que geraram reduções (apesar de o 13º de quem teve redução de salário e jornada ser pago integralmente, o empregado com contrato de trabalho suspenso receberá quantia proporcional ao trabalhado no ano)”, explicou. “No caso do Grande ABC, a questão do fechamento da Ford é mais um ingrediente. O nível de emprego, assim como a média salarial, eram mais altos há um ano”, completou.

METALÚRGICOS

Os 68.504 trabalhadores metalúrgicos da base do sindicato receberão média de R$ 5.903, o que totaliza aporte de R$ 404,4 milhões no total, cifra 6% menor do que no ano passado, quando a categoria recebeu R$ 429,8 milhões.

O diretor executivo do sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, avaliou que os números são expressivos, apesar do fechamento da fábrica da Ford em 30 de outubro do ano passado (os ex-trabalhadores da montadora norte-americana ainda tiveram acesso à gratificação), em São Bernardo, e da consequente diminuição da base. “Neste ano, passamos por muitas dificuldades e, mesmo assim, conseguimos preservar o 13º salário”, disse ele. ao destacar que a maioria dos trabalhadores em regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho, ferramenta utilizada por montadoras da região para fazer frente à queda na produção) conseguiram manter valor de 100% da gratificação natalina por meio de acordos individuais – senão, a queda seria ainda maior.

O levantamento aponta que as cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema participam com 88,1% dos recursos a serem pagos aos trabalhadores formais, aposentados e pensionistas.

O Grande ABC é responsável 1,5% de todo 13º salário pago no País, estimado em R$ 215,6 bilhões para 2020.


Trabalhadores devem utilizar gratificação para pagar contas

A gratificação natalina costuma ser responsável pela compra das ceias e dos presentes para amigos e familiares, mas em ano de crise econômica derivada da pandemia, o valor a mais deve ser utilizado para pagar contas. O diretor executivo do SMABC, Aroaldo Oliveira da Silva afirmou que o salário adicional fará toda diferença ao trabalhador. “Acredito que a maioria vai tentar reequilibrar as finanças. Muitos tiveram redução salarial e o 13º é a oportunidade de ir voltando à normalidade, ajustando as contas que ficaram no meio do caminho. Com essa crise, o trabalhador não tem sobra mensal e sente muito forte esse impacto da redução.”

O sindicalista destacou que, por causa da situação, também há uma apreensão em entrar em financiamentos. “No próximo ano, não está nada claro o que vai acontecer. Vamos continuar negociando com as empresas, mas cada uma tem sua particularidade. Vemos, por parte do governo, tentativa de flexibilizar os direitos, que vem desde o início da reforma trabalhista (há três anos), disse. “Agora, o trabalhador pensa duas vezes antes de entrar no financiamento a longo prazo e isso é ruim para a roda da economia, mas todo mundo vai pelo menos fazer uma ceia junto com a família, porque foi um ano bem difícil”, complementou.
 



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Pagamento do 13º salário injeta R$ 3,2 bi na região

Impactado pela pandemia de Covid-19 e pelo fechamento da Ford, montante é 5,88% menor do que o pago em 2019

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/11/2020 | 00:06


O pagamento do 13º salário é esperado pelos trabalhadores formais como um alívio para as contas no fim do ano, ainda mais em 2020, quando a economia foi nocauteada pela pandemia do novo coronavírus. Neste ano, a gratificação natalina dos trabalhadores formais vai injetar R$ 3,2 bilhões na economia do Grande ABC, o que representa uma queda de 5,88% em relação ao ano passado, quando o montante chegou a R$ 3,4 bilhões.

Os números são de estimativa elaborada pela subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), que foram divulgados ontem. A pesquisa levam em consideração dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregado) e da Previdência Social.

Deste total, a maioria (R$ 2,3 bilhões) será paga aos trabalhadores com carteira de trabalho assinada e, R$ 932,2 milhões, aos beneficiários da Previdência Social, aposentados e pensionistas, que neste ano receberam a gratificação adiantada no primeiro semestre.

Ao todo, 1,228 milhão de pessoas recebem o benefício na região neste ano, sendo 729,7 mil trabalhadores formais e 498,5 mil aposentados e pensionistas. Os empregados com carteira assinada receberão média de R$ 2.900 mensais, valor que representa menos do que a metade (49,12%) da média paga aos metalúrgicos de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, representados pelo SMABC, de R$ 5.903 (leia mais abaixo).

O montante total injetado na economia regional, de R$ 3,2 bilhões – considerando o valor nominal, sem a aplicação da inflação do período – é o menor valor desde 2017, e interrompe trajetória de crescimento do 13º salário.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero afirmou que os resultados são reflexo do aumento do desemprego e da informalidade. “A massa salarial realmente vai ser menor, em razão do desemprego e dos acordos salariais que geraram reduções (apesar de o 13º de quem teve redução de salário e jornada ser pago integralmente, o empregado com contrato de trabalho suspenso receberá quantia proporcional ao trabalhado no ano)”, explicou. “No caso do Grande ABC, a questão do fechamento da Ford é mais um ingrediente. O nível de emprego, assim como a média salarial, eram mais altos há um ano”, completou.

METALÚRGICOS

Os 68.504 trabalhadores metalúrgicos da base do sindicato receberão média de R$ 5.903, o que totaliza aporte de R$ 404,4 milhões no total, cifra 6% menor do que no ano passado, quando a categoria recebeu R$ 429,8 milhões.

O diretor executivo do sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, avaliou que os números são expressivos, apesar do fechamento da fábrica da Ford em 30 de outubro do ano passado (os ex-trabalhadores da montadora norte-americana ainda tiveram acesso à gratificação), em São Bernardo, e da consequente diminuição da base. “Neste ano, passamos por muitas dificuldades e, mesmo assim, conseguimos preservar o 13º salário”, disse ele. ao destacar que a maioria dos trabalhadores em regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho, ferramenta utilizada por montadoras da região para fazer frente à queda na produção) conseguiram manter valor de 100% da gratificação natalina por meio de acordos individuais – senão, a queda seria ainda maior.

O levantamento aponta que as cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema participam com 88,1% dos recursos a serem pagos aos trabalhadores formais, aposentados e pensionistas.

O Grande ABC é responsável 1,5% de todo 13º salário pago no País, estimado em R$ 215,6 bilhões para 2020.


Trabalhadores devem utilizar gratificação para pagar contas

A gratificação natalina costuma ser responsável pela compra das ceias e dos presentes para amigos e familiares, mas em ano de crise econômica derivada da pandemia, o valor a mais deve ser utilizado para pagar contas. O diretor executivo do SMABC, Aroaldo Oliveira da Silva afirmou que o salário adicional fará toda diferença ao trabalhador. “Acredito que a maioria vai tentar reequilibrar as finanças. Muitos tiveram redução salarial e o 13º é a oportunidade de ir voltando à normalidade, ajustando as contas que ficaram no meio do caminho. Com essa crise, o trabalhador não tem sobra mensal e sente muito forte esse impacto da redução.”

O sindicalista destacou que, por causa da situação, também há uma apreensão em entrar em financiamentos. “No próximo ano, não está nada claro o que vai acontecer. Vamos continuar negociando com as empresas, mas cada uma tem sua particularidade. Vemos, por parte do governo, tentativa de flexibilizar os direitos, que vem desde o início da reforma trabalhista (há três anos), disse. “Agora, o trabalhador pensa duas vezes antes de entrar no financiamento a longo prazo e isso é ruim para a roda da economia, mas todo mundo vai pelo menos fazer uma ceia junto com a família, porque foi um ano bem difícil”, complementou.
 

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