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Transexuais cobram criação de ambulatório de hormonioterapia

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Atendimento especializado é oferecido apenas na Capital; implantação regional é discutida há pelo menos 11 anos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

14/11/2020 | 23:32


Promessa antiga na região, a abertura de ambulatório de hormonioterapia a transexuais não tem data para sair do papel. A população trans e de travestis cobra a implantação de local especializado, discutido há pelo menos 11 anos, já que o serviço, oferecido apenas no CRT/Aids (Centro de Referência e Treinamento em Aids) da Capital, por meio de parceria entre os municípios e o Estado, está sobrecarregado.

Moradora de São Bernardo, Sabrina Milena, 38 anos, procurou endocrinologista em UBS (Unidade Básica de Atendimento) da cidade, para obter informações sobre hormionoterapia e foi avisada de que não teria a especialização disponível. Dessa forma, foi ao CRT, onde não há vagas. “As atendentes do CRT me disseram que não tem mais como tomar hormônios agora, já que a agenda de endocrinologista não tem vaga e a distribuição dos remédios está com o quadro completo”, lamentou.

Sabrina afirma que homens e mulheres transexuais precisam tomar hormônios e, sem acompanhamento, podem ter complicações de saúde. As doses podem ser compradas em farmácias, porém, a transexual contou que, sem exames de taxa hormonal, não pode manter a administração, por conta das reações adversas.

Para aplicação particular, o custo é de R$ 100, o que Sabrina salienta que não teria como manter. “Fui até São Paulo porque no Grande ABC não tem casa de atendimento especializado. Em São Bernardo, para conseguir encaminhamento é a maior burocracia, porque dizem que, como não sou mulher, tenho que ir até o acolhimento transexual. Mas aonde? Ninguém informa. Não tem”, reclamou.

O problema é endossado pelo presidente de honra da ABCDs (Ação Brotar Cidadania e Diversidade Sexual), Marcelo Gil. “Há discussões para instalação de ambulatórios de hormonização no Grande ABC há pelo menos 11 anos. Estamos à frente dessa discussão com as administrações municipais desde 2009, mas nunca saiu do papel”, afirmou o líder.

Gil disse que as prefeituras mantêm diálogo com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que chegou, segundo ele, a realizar projeto de implantação do ambulatório. A entidade, porém, informou que, “até o momento, não há deliberação por parte do governo do Estado para descentralizar o serviço”.

O Diário apurou com o Estado que há discussão para descentralizar o ambulatório de hormonioterapia, incluindo a região, porém, sem data certa. A Secretaria de Saúde estadual afirmou que o CRT está em funcionamento, com atendimento integral a travestis e transexuais, e que “está abastecido com os medicamentos necessários”.

Questionadas, as cidades da região informaram que disponibilizam atendimento médico ao público específico, assim como distribuição de preservativos, testagem e acompanhamento de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). São Bernardo afirmou que a aplicação de hormônio, utilizada em homens e mulheres transexuais, também está disponível, com atendimento na Policlínica Centro. 

Travesti é queimada viva em S.Bernardo

A travesti Ester Vogue, que completaria 34 anos na quarta-feira, foi queimada viva na Rua Marechal Deodoro, no Centro de São Bernardo, no último domingo. Ela engrossa a estatística da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que registra 151 mortes de travestis apenas em 2020. Na quarta-feira, a Polícia Civil identificou a autora do assassinato, mas por causa do Código Eleitoral, mesmo indiciada, ela, que também é travesti, não pôde ser presa. Por segurança, apenas suas iniciais de nome civil e idade foram divulgadas: D.M.A., 32 anos.

O código proíbe a reclusão de qualquer cidadão que tenha título de eleitor ativo no período de cinco dias antes das eleições até 48 horas após a votação do primeiro turno, que ocorre hoje. Mesmo que a autora confessa, natural de Pernambuco, tenha declarado à polícia que não exerceria seu direito de voto, a lei não permite que fique sob cárcere.

Segundo o delegado titular do 1º DP (Centro) de São Bernardo, Alberto José Mesquita Alves, os investigadores chegaram à autora após diligência local. A travesti que confessou o assassinato estava com a mão queimada e, em seu depoimento, deu detalhes da briga, motivada, segundo ela, porque a vítima a teria roubado na noite anterior ao fato.

Ester, que estava em processo de transição sexual, chegou a ser socorrida morreu na terça-feira com 45% do corpo queimado. A família da jovem lamentou a morte, sobretudo porque Ester teria se mudado para São Bernardo no início do ano, vinda de Carapicuíba, para realizar o sonho e ter um salão de cabeleireiro. A irmã, Ananda de Jesus, 27, disse que a família aceitou desde cedo a identidade de gênero de Ester e que se surpreendeu com a notícia de que ela teria sido queimada. “Meu irmão era muito tranquilo, não tinha briga com ninguém. Desde pequeno era na dele. Estamos péssimos.”

 A vítima foi enterrada quinta-feira em Carapicuíba, no dia de seu aniversário. A jovem era ligada à Casa Neon Cunha, que atende a população LGBTQIA+ em São Bernardo. “Por causa do abandono, da perseguição e falta de tato da sociedade, muitos travestis perdem a vida. É lamentável”, disse Symmy Larrat, gestora de projetos da entidade.

 Também em São Bernardo, na madrugada de ontem, a travesti Yasmim Freitas Ferrari, 29, foi agredida na Avenida Lucas Nogueira Garcez. “Passaram duas vezes me xingando e eu atirei uma pedra. Foi quando dois homens e uma mulher saíram do carro e me agrediram. Estou toda cortada.” Segundo ela, não foi a primeira vez que isso acontece. “Tenho medo de morrer. Mas não tenho o que fazer.”

 (Colaborou Miriam Gimenes)



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Transexuais cobram criação de ambulatório de hormonioterapia

Atendimento especializado é oferecido apenas na Capital; implantação regional é discutida há pelo menos 11 anos

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

14/11/2020 | 23:32


Promessa antiga na região, a abertura de ambulatório de hormonioterapia a transexuais não tem data para sair do papel. A população trans e de travestis cobra a implantação de local especializado, discutido há pelo menos 11 anos, já que o serviço, oferecido apenas no CRT/Aids (Centro de Referência e Treinamento em Aids) da Capital, por meio de parceria entre os municípios e o Estado, está sobrecarregado.

Moradora de São Bernardo, Sabrina Milena, 38 anos, procurou endocrinologista em UBS (Unidade Básica de Atendimento) da cidade, para obter informações sobre hormionoterapia e foi avisada de que não teria a especialização disponível. Dessa forma, foi ao CRT, onde não há vagas. “As atendentes do CRT me disseram que não tem mais como tomar hormônios agora, já que a agenda de endocrinologista não tem vaga e a distribuição dos remédios está com o quadro completo”, lamentou.

Sabrina afirma que homens e mulheres transexuais precisam tomar hormônios e, sem acompanhamento, podem ter complicações de saúde. As doses podem ser compradas em farmácias, porém, a transexual contou que, sem exames de taxa hormonal, não pode manter a administração, por conta das reações adversas.

Para aplicação particular, o custo é de R$ 100, o que Sabrina salienta que não teria como manter. “Fui até São Paulo porque no Grande ABC não tem casa de atendimento especializado. Em São Bernardo, para conseguir encaminhamento é a maior burocracia, porque dizem que, como não sou mulher, tenho que ir até o acolhimento transexual. Mas aonde? Ninguém informa. Não tem”, reclamou.

O problema é endossado pelo presidente de honra da ABCDs (Ação Brotar Cidadania e Diversidade Sexual), Marcelo Gil. “Há discussões para instalação de ambulatórios de hormonização no Grande ABC há pelo menos 11 anos. Estamos à frente dessa discussão com as administrações municipais desde 2009, mas nunca saiu do papel”, afirmou o líder.

Gil disse que as prefeituras mantêm diálogo com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que chegou, segundo ele, a realizar projeto de implantação do ambulatório. A entidade, porém, informou que, “até o momento, não há deliberação por parte do governo do Estado para descentralizar o serviço”.

O Diário apurou com o Estado que há discussão para descentralizar o ambulatório de hormonioterapia, incluindo a região, porém, sem data certa. A Secretaria de Saúde estadual afirmou que o CRT está em funcionamento, com atendimento integral a travestis e transexuais, e que “está abastecido com os medicamentos necessários”.

Questionadas, as cidades da região informaram que disponibilizam atendimento médico ao público específico, assim como distribuição de preservativos, testagem e acompanhamento de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). São Bernardo afirmou que a aplicação de hormônio, utilizada em homens e mulheres transexuais, também está disponível, com atendimento na Policlínica Centro. 

Travesti é queimada viva em S.Bernardo

A travesti Ester Vogue, que completaria 34 anos na quarta-feira, foi queimada viva na Rua Marechal Deodoro, no Centro de São Bernardo, no último domingo. Ela engrossa a estatística da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que registra 151 mortes de travestis apenas em 2020. Na quarta-feira, a Polícia Civil identificou a autora do assassinato, mas por causa do Código Eleitoral, mesmo indiciada, ela, que também é travesti, não pôde ser presa. Por segurança, apenas suas iniciais de nome civil e idade foram divulgadas: D.M.A., 32 anos.

O código proíbe a reclusão de qualquer cidadão que tenha título de eleitor ativo no período de cinco dias antes das eleições até 48 horas após a votação do primeiro turno, que ocorre hoje. Mesmo que a autora confessa, natural de Pernambuco, tenha declarado à polícia que não exerceria seu direito de voto, a lei não permite que fique sob cárcere.

Segundo o delegado titular do 1º DP (Centro) de São Bernardo, Alberto José Mesquita Alves, os investigadores chegaram à autora após diligência local. A travesti que confessou o assassinato estava com a mão queimada e, em seu depoimento, deu detalhes da briga, motivada, segundo ela, porque a vítima a teria roubado na noite anterior ao fato.

Ester, que estava em processo de transição sexual, chegou a ser socorrida morreu na terça-feira com 45% do corpo queimado. A família da jovem lamentou a morte, sobretudo porque Ester teria se mudado para São Bernardo no início do ano, vinda de Carapicuíba, para realizar o sonho e ter um salão de cabeleireiro. A irmã, Ananda de Jesus, 27, disse que a família aceitou desde cedo a identidade de gênero de Ester e que se surpreendeu com a notícia de que ela teria sido queimada. “Meu irmão era muito tranquilo, não tinha briga com ninguém. Desde pequeno era na dele. Estamos péssimos.”

 A vítima foi enterrada quinta-feira em Carapicuíba, no dia de seu aniversário. A jovem era ligada à Casa Neon Cunha, que atende a população LGBTQIA+ em São Bernardo. “Por causa do abandono, da perseguição e falta de tato da sociedade, muitos travestis perdem a vida. É lamentável”, disse Symmy Larrat, gestora de projetos da entidade.

 Também em São Bernardo, na madrugada de ontem, a travesti Yasmim Freitas Ferrari, 29, foi agredida na Avenida Lucas Nogueira Garcez. “Passaram duas vezes me xingando e eu atirei uma pedra. Foi quando dois homens e uma mulher saíram do carro e me agrediram. Estou toda cortada.” Segundo ela, não foi a primeira vez que isso acontece. “Tenho medo de morrer. Mas não tenho o que fazer.”

 (Colaborou Miriam Gimenes)

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