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Silenciosa, diabete provoca 10 mil amputações de membros neste ano

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estimativa é a de que a região tenha 251 mil moradores que são portadores da enfermidade


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

14/11/2020 | 00:01


No Dia Mundial de Combate a Diabete, celebrado hoje, especialistas alertam para o risco de amputação de membros, especialmente os inferiores, resultado tanto do descontrole da doença quanto de consequência de úlceras. Estima-se que a enfermidade acometa 9% da população, o que representa cerca de 251 mil moradores do Grande ABC. Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas 10.546 amputações de membros inferiores em decorrência de diabete este ano. Todo portador da doença tem menor sensibilidade nos pés, por isso é preciso redobrar a atenção e evitar qualquer situação que possa ocasionar em ferimentos e lesões.

Diretora da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé), Tania Mann explica que a amputação de membros inferiores ainda é frequente. “No mundo, estima-se que a cada 20 segundos ocorra uma amputação em decorrência do diabete”, afirmou. “É preciso falar sobre isso para que as pessoas se conscientizem dos riscos e adotem as medidas necessárias”, completou.

A forma mais eficaz de evitar as amputações, alerta a especialista, é evitar as chamadas úlceras, ferimentos que por causa dos problemas de cicatrização e de consolidação óssea comum aos diabéticos, demoram para cicatrizar e viram porta de entrada para infecções. Controle da glicemia, alimentação adequada e pobre em açúcar e carboidrato, além da prática de atividades físicas, estão entre as medidas recomendadas, além de evitar práticas que possam ferir os pés.

“A boa alimentação também vai garantir níveis adequados de vitaminas A, C, D e zinco, importantes no processo de cicatrização”, destacou Tania. “É preciso também que os diabéticos usem calçados específicos para a sua condição e é recomendado o uso de meias brancas, para que, ao menor sinal de sangramento, seja possível notar e procurar ajuda médica”, completou. A diretora afirmou que os diabéticos têm 25% de chance de desenvolverem úlceras e 40% de chance de que, mesmo depois de curada, essa úlcera volte a abrir em um período de um ano – em 60% dos casos isso acontece em três anos.

Apesar dos números absolutos serem baixos na comparação com a população total de diabéticos – 10.546 amputações de membros inferiores, em um universo estimado de 19 milhões de portadores da doença no Brasil (9% de população de 211,7 milhões) – , a professora de endocrinologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Maria Angela Zaccarelli Marino lembrou que qualquer caso deveria ser evitado e que a dificuldade de cicatrização está ligada à problemas vasculares.

Segundo a docente, um dos primeiros indícios de má vascularização (ausência de sangue) nos membros é a cor arroxeada, seguida de um esbranquiçamento da pele dos pés, mãos e dedos. “Deve ser sinal de alerta. A dor nos pés, com o paciente em repouso, também é um sinal que deve ser observado com atenção”, completou.

Maria Angela lembrou que o diabético precisa de um acompanhamento clínico constante e a atenção básica tem papel importante para isso. “Exames clínicos simples, pelo menos a cada três ou quatro meses, podem identificar qualquer alteração mais importante e que mereça ser investigada”, finalizou.

S.Bernardo e S.Caetano têm 137 amputados desde janeiro

Entre as cidades do Grande ABC, apenas São Bernardo e São Caetano dispõem de estatísticas sobre amputações em decorrência da diabete. Em São Bernardo, de janeiro a outubro, foram 125 no total. No município, a diabete é doença tratada pelas linhas de cuidados, instituídas na rede básica de saúde, com atendimento permanente durante todo o ano. Em São Caetano, no mesmo período, foram registrados 12 casos, sendo sete de membros inferiores. 

Em Diadema, a Prefeitura informou que os bancos de dados existentes não permitem a tabulação da quantidade de amputações em decorrência de diabete por período de realização. Que os cuidados aos doentes é central e prioritário em todas as 20 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município, que realizam grupos de orientação e oferta de acompanhamento individual continuado dos pacientes de diabete e outras doenças crônicas, durante todo o ano.

Mauá e Ribeirão Pires também não contam com o levantamento, e a Prefeitura de Ribeirão destacou que casos graves de diabete são encaminhados para acompanhamento e tratamento em unidades de referência para o município – Ames (Ambulatórios Médicos de Especialidades ) Santo André e Mauá e que o encaminhamento de casos graves que exijam amputação de membros são feitos, portanto, por estas unidades. As outras cidades não responderam. 

Doença é fator de risco para a Covid

A diabete é fator de risco associado às formas mais graves da Covid-19. Endocrinologista cooperado da Unimed-BH Paulo Augusto Miranda explica que é importante que as pessoas procurem reforçar hábitos e práticas saudáveis e mantenham o acompanhamento médico regular. 

“Sabemos que o controle da diabete e da obesidade pode fazer a diferença em relação ao agravamento ou não de doenças infecciosas como a Covid-19”, pontuou.

No Estado de São Paulo, a diabete é a segunda principal doença preexistente associada às mortes ocasionados pelo novo coronavírus. Até ontem, o Estado registrava 40.202 óbitos, sendo que em 43,2% dos casos o paciente era diabético. Cardiopatia responde por 59,9% das mortes, doenças neurológicas 10,9%, renal 9,5% e pneumopatia, 8,3%. Outros fatores identificados são obesidade (8,2%), imunodepressão (5,5%), asma (3%), doenças hepáticas (2,1%) e hematológica (1,7%), síndrome de Down (0,5%), puerpério (0,1%) e gestação (0,1%). 

Crônica e silenciosa, a diabete é uma doença caracterizada pelo aumento da taxa de açúcar (ou glicose) no sangue. Essa elevação pode acontecer devido a problemas no pâncreas ou na ação da insulina, que é um dos hormônios produzido por essa glândula. 

“A função da insulina é fazer com que a glicose entre nas células e possa ser aproveitada a fim de gerar energia para o corpo. A falta dessa insulina ou um defeito em sua ação resulta, portanto, no acúmulo de glicose no sangue, é o que chamamos de hiperglicemia”, detalhou Miranda.



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Silenciosa, diabete provoca 10 mil amputações de membros neste ano

Estimativa é a de que a região tenha 251 mil moradores que são portadores da enfermidade

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

14/11/2020 | 00:01


No Dia Mundial de Combate a Diabete, celebrado hoje, especialistas alertam para o risco de amputação de membros, especialmente os inferiores, resultado tanto do descontrole da doença quanto de consequência de úlceras. Estima-se que a enfermidade acometa 9% da população, o que representa cerca de 251 mil moradores do Grande ABC. Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas 10.546 amputações de membros inferiores em decorrência de diabete este ano. Todo portador da doença tem menor sensibilidade nos pés, por isso é preciso redobrar a atenção e evitar qualquer situação que possa ocasionar em ferimentos e lesões.

Diretora da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé), Tania Mann explica que a amputação de membros inferiores ainda é frequente. “No mundo, estima-se que a cada 20 segundos ocorra uma amputação em decorrência do diabete”, afirmou. “É preciso falar sobre isso para que as pessoas se conscientizem dos riscos e adotem as medidas necessárias”, completou.

A forma mais eficaz de evitar as amputações, alerta a especialista, é evitar as chamadas úlceras, ferimentos que por causa dos problemas de cicatrização e de consolidação óssea comum aos diabéticos, demoram para cicatrizar e viram porta de entrada para infecções. Controle da glicemia, alimentação adequada e pobre em açúcar e carboidrato, além da prática de atividades físicas, estão entre as medidas recomendadas, além de evitar práticas que possam ferir os pés.

“A boa alimentação também vai garantir níveis adequados de vitaminas A, C, D e zinco, importantes no processo de cicatrização”, destacou Tania. “É preciso também que os diabéticos usem calçados específicos para a sua condição e é recomendado o uso de meias brancas, para que, ao menor sinal de sangramento, seja possível notar e procurar ajuda médica”, completou. A diretora afirmou que os diabéticos têm 25% de chance de desenvolverem úlceras e 40% de chance de que, mesmo depois de curada, essa úlcera volte a abrir em um período de um ano – em 60% dos casos isso acontece em três anos.

Apesar dos números absolutos serem baixos na comparação com a população total de diabéticos – 10.546 amputações de membros inferiores, em um universo estimado de 19 milhões de portadores da doença no Brasil (9% de população de 211,7 milhões) – , a professora de endocrinologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Maria Angela Zaccarelli Marino lembrou que qualquer caso deveria ser evitado e que a dificuldade de cicatrização está ligada à problemas vasculares.

Segundo a docente, um dos primeiros indícios de má vascularização (ausência de sangue) nos membros é a cor arroxeada, seguida de um esbranquiçamento da pele dos pés, mãos e dedos. “Deve ser sinal de alerta. A dor nos pés, com o paciente em repouso, também é um sinal que deve ser observado com atenção”, completou.

Maria Angela lembrou que o diabético precisa de um acompanhamento clínico constante e a atenção básica tem papel importante para isso. “Exames clínicos simples, pelo menos a cada três ou quatro meses, podem identificar qualquer alteração mais importante e que mereça ser investigada”, finalizou.

S.Bernardo e S.Caetano têm 137 amputados desde janeiro

Entre as cidades do Grande ABC, apenas São Bernardo e São Caetano dispõem de estatísticas sobre amputações em decorrência da diabete. Em São Bernardo, de janeiro a outubro, foram 125 no total. No município, a diabete é doença tratada pelas linhas de cuidados, instituídas na rede básica de saúde, com atendimento permanente durante todo o ano. Em São Caetano, no mesmo período, foram registrados 12 casos, sendo sete de membros inferiores. 

Em Diadema, a Prefeitura informou que os bancos de dados existentes não permitem a tabulação da quantidade de amputações em decorrência de diabete por período de realização. Que os cuidados aos doentes é central e prioritário em todas as 20 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município, que realizam grupos de orientação e oferta de acompanhamento individual continuado dos pacientes de diabete e outras doenças crônicas, durante todo o ano.

Mauá e Ribeirão Pires também não contam com o levantamento, e a Prefeitura de Ribeirão destacou que casos graves de diabete são encaminhados para acompanhamento e tratamento em unidades de referência para o município – Ames (Ambulatórios Médicos de Especialidades ) Santo André e Mauá e que o encaminhamento de casos graves que exijam amputação de membros são feitos, portanto, por estas unidades. As outras cidades não responderam. 

Doença é fator de risco para a Covid

A diabete é fator de risco associado às formas mais graves da Covid-19. Endocrinologista cooperado da Unimed-BH Paulo Augusto Miranda explica que é importante que as pessoas procurem reforçar hábitos e práticas saudáveis e mantenham o acompanhamento médico regular. 

“Sabemos que o controle da diabete e da obesidade pode fazer a diferença em relação ao agravamento ou não de doenças infecciosas como a Covid-19”, pontuou.

No Estado de São Paulo, a diabete é a segunda principal doença preexistente associada às mortes ocasionados pelo novo coronavírus. Até ontem, o Estado registrava 40.202 óbitos, sendo que em 43,2% dos casos o paciente era diabético. Cardiopatia responde por 59,9% das mortes, doenças neurológicas 10,9%, renal 9,5% e pneumopatia, 8,3%. Outros fatores identificados são obesidade (8,2%), imunodepressão (5,5%), asma (3%), doenças hepáticas (2,1%) e hematológica (1,7%), síndrome de Down (0,5%), puerpério (0,1%) e gestação (0,1%). 

Crônica e silenciosa, a diabete é uma doença caracterizada pelo aumento da taxa de açúcar (ou glicose) no sangue. Essa elevação pode acontecer devido a problemas no pâncreas ou na ação da insulina, que é um dos hormônios produzido por essa glândula. 

“A função da insulina é fazer com que a glicose entre nas células e possa ser aproveitada a fim de gerar energia para o corpo. A falta dessa insulina ou um defeito em sua ação resulta, portanto, no acúmulo de glicose no sangue, é o que chamamos de hiperglicemia”, detalhou Miranda.

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