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Na crise, cabos eleitorais buscam alívio nas contas

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Impactados pela pandemia, trabalhadores de eleição ganham até R$ 2.000, mas encaram dificuldades


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

13/11/2020 | 00:17


Com esperança de receber algum dinheiro em meio à crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, cabos eleitorais enfrentam sol e chuva. O bico, ainda que necessite contrato, se tornou ainda mais importante dada a dificuldade de se receber o auxílio emergencial do governo federal – o valor começou com R$ 600, foi para R$ 300 e termina no mês que vem.

A equipe do Diário percorreu as cidades do Grande ABC e conversou com alguns dos trabalhadores da eleição, que informaram receber entre R$ 700 e R$ 2.000 para segurar bandeiras, entregar panfletos e até pedalar pelas ruas dos municípios levando o nome dos postulantes a cargos públicos.

É o caso de Vânia Sueli Santos Lourenço, 62 anos, que trabalha das 8h às 17h empunhando uma bandeira de um candidato a vereador que concorre à reeleição em Santo André. Debaixo de sol forte, ela reclama do calor, mas demonstra levar a atuação com seriedade, uma vez que declarou que não costuma faltar ou alegar qualquer problema para ficar as oito horas no local.

“Quando está muito sol, a gente procura uma sombra. É um dinheiro que me ajuda muito, já que moro com dois filhos e um neto. Pago algumas contas, faço despesa”, contou a moradora do Parque Guaraciaba. Ainda que fiel ao trabalho, a mulher mostra não defender nenhuma agremiação política ou qualquer candidato. “Acabo trabalhando para levar algum dinheiro para casa. Já fiz esse tipo de serviço para diversos partidos e candidatos”, declarou Vânia, que relatou receber R$ 1.080 pelo serviço. Próximo às 13h no dia 29 e com sol a pino, a cabo eleitoral ainda não tinha almoçado.

Na Praça 22 de Novembro, no Centro de Mauá, dezenas de cabos eleitorais agitam as bandeiras de seus candidatos. Em época de eleição, o local fica tomado de pessoas que buscam votos para seus políticos favoritos – ou para os que as contrataram para isso. Uma dessas pessoas é Estevam Marques, 34, que, desempregado, enxergou no bico a possibilidade de receber algum dinheiro próximo ao fim do ano. Morador do Jardim Itapark, Marques segura a placa de um candidato a vereador das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira.

“Eu vendia autopeças, mas, com a pandemia, meu contrato foi cortado. Fiquei desempregado. Lá, eu recebia pouco mais de R$ 1.500 por mês. Quando perdi o emprego, consegui receber o auxílio emergencial do governo, mas agora a parcela é de apenas R$ 300, que não dá para nada”, declarou. Segurando a placa, Marques receberá R$ 1.045 por 30 dias. “A verdade é que eu odeio política nem votei na última eleição”, esbravejou. “É difícil ficar aqui debaixo de sol, de chuva. Ninguém tem dó. Estou aqui para receber meu dinheiro e tentar não passar o fim de ano sem nada.”

A Justiça Eleitoral modificou a maneira de como é feita a contratação dos cabos eleitorais para esta eleição. Além de limitar o número de contratados por cargo e por tamanho da cidade, o candidato deve realizar espécie de contrato com valor a ser remunerado. Qualquer quantia que não seja oficialmente contabilizada – ou entrar por fora, como diz o jargão político – pode ser considerada crime de caixa dois.

“Vou pegar o dinheiro e pretendo voltar a fazer minhas operações na Bolsa de Valores”, afirmou Armando Fábio Chezze Neto, 30 anos, morador do Jardim Nazareth em São Bernardo. Descansando em um banco na Praça da Igreja Matriz, no Centro da cidade, Neto tinha acabado de retornar de um percurso de dois quilômetros que fez em cima de um triciclo estilizado com a placa de um candidato a vereador. Por dia, o cabo eleitoral relatou que chega a pedalar aproximadamente 15 quilômetros pelas ruas do Centro de São Bernardo.

“Vou receber algo em torno de R$ 2.000. Às vezes é cansativo, mas acho que vale a pena para quem estava parado. A pandemia me impediu de atuar com as ações na Bolsa, então tive que procurar outra coisa para fazer”, disse. “Logo isso acaba, aí volto a fazer o que gosto”, emendou.  



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Na crise, cabos eleitorais buscam alívio nas contas

Impactados pela pandemia, trabalhadores de eleição ganham até R$ 2.000, mas encaram dificuldades

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

13/11/2020 | 00:17


Com esperança de receber algum dinheiro em meio à crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, cabos eleitorais enfrentam sol e chuva. O bico, ainda que necessite contrato, se tornou ainda mais importante dada a dificuldade de se receber o auxílio emergencial do governo federal – o valor começou com R$ 600, foi para R$ 300 e termina no mês que vem.

A equipe do Diário percorreu as cidades do Grande ABC e conversou com alguns dos trabalhadores da eleição, que informaram receber entre R$ 700 e R$ 2.000 para segurar bandeiras, entregar panfletos e até pedalar pelas ruas dos municípios levando o nome dos postulantes a cargos públicos.

É o caso de Vânia Sueli Santos Lourenço, 62 anos, que trabalha das 8h às 17h empunhando uma bandeira de um candidato a vereador que concorre à reeleição em Santo André. Debaixo de sol forte, ela reclama do calor, mas demonstra levar a atuação com seriedade, uma vez que declarou que não costuma faltar ou alegar qualquer problema para ficar as oito horas no local.

“Quando está muito sol, a gente procura uma sombra. É um dinheiro que me ajuda muito, já que moro com dois filhos e um neto. Pago algumas contas, faço despesa”, contou a moradora do Parque Guaraciaba. Ainda que fiel ao trabalho, a mulher mostra não defender nenhuma agremiação política ou qualquer candidato. “Acabo trabalhando para levar algum dinheiro para casa. Já fiz esse tipo de serviço para diversos partidos e candidatos”, declarou Vânia, que relatou receber R$ 1.080 pelo serviço. Próximo às 13h no dia 29 e com sol a pino, a cabo eleitoral ainda não tinha almoçado.

Na Praça 22 de Novembro, no Centro de Mauá, dezenas de cabos eleitorais agitam as bandeiras de seus candidatos. Em época de eleição, o local fica tomado de pessoas que buscam votos para seus políticos favoritos – ou para os que as contrataram para isso. Uma dessas pessoas é Estevam Marques, 34, que, desempregado, enxergou no bico a possibilidade de receber algum dinheiro próximo ao fim do ano. Morador do Jardim Itapark, Marques segura a placa de um candidato a vereador das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira.

“Eu vendia autopeças, mas, com a pandemia, meu contrato foi cortado. Fiquei desempregado. Lá, eu recebia pouco mais de R$ 1.500 por mês. Quando perdi o emprego, consegui receber o auxílio emergencial do governo, mas agora a parcela é de apenas R$ 300, que não dá para nada”, declarou. Segurando a placa, Marques receberá R$ 1.045 por 30 dias. “A verdade é que eu odeio política nem votei na última eleição”, esbravejou. “É difícil ficar aqui debaixo de sol, de chuva. Ninguém tem dó. Estou aqui para receber meu dinheiro e tentar não passar o fim de ano sem nada.”

A Justiça Eleitoral modificou a maneira de como é feita a contratação dos cabos eleitorais para esta eleição. Além de limitar o número de contratados por cargo e por tamanho da cidade, o candidato deve realizar espécie de contrato com valor a ser remunerado. Qualquer quantia que não seja oficialmente contabilizada – ou entrar por fora, como diz o jargão político – pode ser considerada crime de caixa dois.

“Vou pegar o dinheiro e pretendo voltar a fazer minhas operações na Bolsa de Valores”, afirmou Armando Fábio Chezze Neto, 30 anos, morador do Jardim Nazareth em São Bernardo. Descansando em um banco na Praça da Igreja Matriz, no Centro da cidade, Neto tinha acabado de retornar de um percurso de dois quilômetros que fez em cima de um triciclo estilizado com a placa de um candidato a vereador. Por dia, o cabo eleitoral relatou que chega a pedalar aproximadamente 15 quilômetros pelas ruas do Centro de São Bernardo.

“Vou receber algo em torno de R$ 2.000. Às vezes é cansativo, mas acho que vale a pena para quem estava parado. A pandemia me impediu de atuar com as ações na Bolsa, então tive que procurar outra coisa para fazer”, disse. “Logo isso acaba, aí volto a fazer o que gosto”, emendou.  

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