Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 1 de Março

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Tecnologia veio para ficar na educação pós-Covid

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Modelo híbrido com aulas a distância e presenciais deve ser adotado por todas as redes de ensino


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

09/11/2020 | 07:00


 A pandemia de Covid-19 afetou indiscriminadamente todos os setores da sociedade. No Estado de São Paulo, onde diversos segmentos já retomam as atividades, a educação ainda segue em compasso de espera. No Grande ABC, redes privadas e públicas continuam com o ensino a distância. Para os especialistas, a principal mudança ocasionada pela onda do novo coronavírus que assolou o mundo é que a tecnologia veio para ficar. Modelos híbridos, com aulas remota e presenciais, serão cada vez mais adotados por todas as redes de ensino.

Coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ítalo Curcio compara a pandemia de Covid a uma hecatombe (grande catástrofe), pior do que uma guerra. “Em uma guerra, há os indícios para início, algum prazo de evacuação. A pandemia chegou e nos pegou desprevenidos”, pontuou. “Quando a gente pergunta como será daqui para a frente, digo que não será nem como era antes e nem como está sendo agora. Seremos híbridos do que nos éramos com o que estamos vivenciando”, completou.

Curcio destacou que as instituições que já estavam adiantadas no processo de inserir a tecnologia na sua rotina, como as grandes universidades, sentiram menos este momento. “Na educação básica, no entanto, o impacto foi maior, especialmente nas redes públicas”, pontuou. O coordenador afirmou que iniciativas tomadas por algumas prefeituras e governos, como uso de canais de televisão ou criação de aplicativos para transmissão de aulas foram medidas positivas, mas que na comparação com os governos que não tiveram recursos e/ou estrutura para dar continuidade com mais vigor ao processo educacional, deve resultar em geração muito heterogênea de estudantes.

O coordenador reforçou que o modelo que mescla educação presencial e remota veio para ficar e, com o passar do tempo, vai ser ampliada a quantidade de aulas a distância, mesmo depois da pandemia. “O ensino presencial não vai desaparecer, mas haverá maior tempo de aulas remotas, com recursos cada vez mais modernizados”, afirmou. “Usaremos cada vez mais a internet e a preparação dos profissionais para isso é indispensável”, concluiu.

Co-fundador da plataforma de educação on-line Geekie e mestre em educação, Claudio Sassaki avaliou que estamos diante de um nova era da educação. Se a pandemia trouxe problemas e sofrimentos, também forçou muitas pessoas a se adaptarem mais rapidamente à nova realidade.

“O uso da tecnologia para manter a educação em um cenário adverso e inédito – pela impossibilidade de aulas presenciais – impulsionou o aprimoramento dos professores, que tiveram de se capacitar em tempo recorde. Os pais e responsáveis, por sua vez, nunca foram tão participativos; os alunos estão animados por poder usar nos estudos a tecnologia que está tão presente no cotidiano deles, mas que estava fora da escola”, citou.

Sassaki ressalta que essa nova era da educação trabalha na perspectiva do ensino híbrido. “Nesta metodologia, há momentos em que o aluno estuda sozinho, aproveitando ferramentas on-line e, em outros, a aprendizagem acontece de forma presencial, valorizando a interação entre alunos e professores”, pontuou. “Vamos ter que educar cidadãos em um mundo interconectado, redefinir o papel do educador, ensinar competências necessárias para a vida no futuro – estamos falando de habilidades socioemocionais e da capacidade de resolver problemas jamais vistos – e integrar tecnologia a processos educacionais”, finalizou o especialista.

Adaptação ao ensino remoto não é unanimidade
O Brasil está entre os países que permanece há mais tempo com as aulas suspensas em ambiente escolar e, no Grande ABC, as redes privadas e particulares ainda não tem data para retomar as atividades presenciais. A adaptação ao ensino remoto não é unanimidade entre os alunos.

Um dos filhos da fisioterapeuta Bibiana Monteiro, 43 anos, tem 9 e está no 3º ano do ensino fundamental em uma escola privada de São Bernardo. O garoto tem tido dificuldade com o aprendizado após a suspensão das aulas presenciais. Até então com boas notas, a criança passou a se desinteressar pelas atividades. “Percebo que o que está afetando ele é a falta de interação com os amigos e com a professora”, explicou Bibiana.

As aulas em ambiente doméstico também têm se revelado um desafio, já que o irmão menor acaba interferindo e o chamando para brincar, aumentando a dificuldade de concentração durante as aulas. “Optamos por atividades de reforço no contraturno escolar e como são menos crianças, ele se interessa mais, porque consegue interagir mais com a professora. No nosso caso, se houvesse retorno das atividades na escola, mesmo que duas ou três vezes na semana, avalio que ele ia se beneficiar muito”, pontuou a mãe.

No 3º ano do ensino médio, Emanuelle Galvão Candido, 17, estuda em uma escola privada de Santo André e tem se adaptado bem ao ensino remoto. “Fácil não é, mas com vestibular a poucos meses de acontecer, tive que me virar e correr atrás”, explicou. Mesmo com o foco nos estudos, a jovem reconhece que a falta de interação com os colegas é um dos fatores de dificuldade desse processo. “Embora converse pelo Whatsapp com meus amigos, sinto falta de ver os rostos deles. As vezes bate o desânimo, além da tristeza, pois esse ano seria o último que iria ver meus amigos e professores todos os dias”, completou.

Para a estudante, a possibilidade de ter que continuar com o modelo de ensino híbrido – presencial e a distância – no nível superior não é muito animador. “Apesar de já ter me acostumado, não quero mais ter aula a distância”, afirmou. “O ensino on-line deve ser uma opção, não ser obrigatório, pois é muito difícil não ter a presença física do professor e dos colegas. É complicado e é muito fácil perder o foco”, concluiu.

Redes públicas se preparam para 2021
Com a suspensão das aulas presenciais nas redes públicas e privadas do Grande ABC mantidas até o momento, as redes se preparam para as atividades do próximo ano letivo, já que as aulas de 2020, oficialmente, terminam em pouco mais de um mês. Coordenadora do Centro de Midias SP, da Secretaria de Estado da Educação, Bruna Waitman relatou que o aplicativo lançado pelo governo estadual para continuidade das aulas a distância foi concebido em meio à pandemia, mas já nasceu como uma política pública permanente.

“Vamos fortalecer o ensino híbrido, combinar atividades presenciais com a tecnologia”, pontuou. Bruna lembrou que as aulas on-line permitem visitas à museus e instituições, que presencialmente, muitos alunos não teriam condições de visitar. “São várias possibilidades que se somam à transmissão de conteúdo do professor para o aluno”, completou.

A coordenara afirmou, ainda, que o centro de mídias está em constante avaliação e aprimoramento, e que as escolas seguem com a busca ativa para acessar os alunos com alguma dificuldade de conexão. “Uma pesquisa feita pelo Datafolha indicou que 96% dos alunos estão acompanhando as aulas, seja pela TV, internet ou material impresso. Vamos continuar neste empenho de manter a atendimento educacional”, concluiu.

Nas redes municipais, de forma geral, as administrações estão mais focadas no estabelecimento de protocolos de distanciamento e higiene para evitar a disseminação da Covid-19 quando as aulas presencias voltarem. Santo André atua com grupos de estudos nas unidades escolares, coordenados pela equipe da Secretaria de Educação, a fim de discutir e estabelecer os protocolos mais adequados para cada tipo de equipamento escolar, considerando as especificidades das faixas etárias atendidas. Paralelo à isso, os docentes trabalham no planejamento em busca da melhor maneira de reestruturar e adaptar o currículo escolar para o próximo ano letivo, de maneira a garantir que os estudantes tenham acesso a todo o conteúdo fundamental, minimizando eventual defasagem gerada pelo distanciamento físico imposto no período de pandemia.

São Caetano vai promover a flexibilização do currículo de 2020 para 2021, retomando objetivos de aprendizagem e ainda reiterando o que é elementar para cada ano escolar. As formações e as atividades do horário regular e o contraturno escolar seguirão de forma remota. Os docentes trabalham também no aprimoramento de metodologia de ensino desenvolvida especificamente durante a pandemia.

Ribeirão Pires prevê, em 2021, aulas de reforço no contraturno escolar. Diadema e São Bernardo não destacaram nenhuma medida para o ano que vem especificamente sobre o aspecto educacional e Mauá e Rio Grande da Serra não responderam.

Na Capital, ensino médio já é presencial
Diferentemente do Grande ABC, onde as aulas presenciais ainda estão suspensas, a Capital já liberou que turmas do ensino médio tenham atividades nas escolas, bem como algumas atividades complementares e de acolhimento para o ensino fundamental.

No Colégio Anglo Morumbi, cerca de 50 alunos do ensino médio, 30 da educação infantil e 20 do ensino fundamental têm comparecido à unidade escolar para atividades presenciais. A diretora pedagógica Priscila Gengo relatou que essa retomada foi bastante emocionante, mesmo com os estudantes maiores. “Os alunos relataram que sentiam muita falta do contato com os colegas, com os professores”, pontuou.

A escola já vinha desde 2016 ampliando opções de atividades remotas, especialmente no ensino médio, então a adaptação não foi exatamente difícil. “A parte mais complicada foi com as crianças menores, que não estão tão acostumadas”, explicou. Neste momento de retomada, toda a escola está empenhada em testar toda a funcionalidade necessária para manutenção das aulas a distância, até pelo menos, o primeiro trimestre de 2021.

“A escola está fazendo a formação dos professores, porque existe um desafio para essa aula híbrida, como houve na hora de realizar a aula remota”, pontuou. Mestranda e pesquisadora de novas tecnologias da educação, Priscila frisou que todo o foco deve ser no ser humano.

“A tecnologia é super importante para a gente dar conta de tudo que estamos vivendo, mas a gente tem que investir muito na formação do professor que há 30 anos dá aula de um jeito, para que ele possa se reinventar”, completou.

Priscila apontou que a pandemia não trouxe apenas coisas ruins, mas também permitiu maior aproximação entre famílias e escolas, além de acelerar o processo de aplicação das tecnologias nos métodos de ensino. “O que os professores aprenderam nesses seis meses a gente já vinha tentando trabalhar há anos, então houve essa aceleração”, finalizou. <TL>AM

Educação sofre corte de R$ 1,4 bilhão
A necessidade de investimento em tecnologia para as escolas públicas em 2021 está ameaçado após o governo federal retirar R$ 1,4 bilhão do orçamento do MEC (Ministério da Educação) para o ano que vem. Projeto de lei de autoria do Executivo, aprovado na última quarta-feira, autorizou o remanejamento de recursos para os Ministérios Desenvolvimento e Infraestrutura. Desse total, R$ 1,1 bilhão será retirado do orçamento da educação básica.<EM>

Coordenadores e relatores da Comex/MEC (Comissão Externa de Acompanhamento do Ministério da Educação), frente suprapartidária formada por deputados federais e senadores, divulgaram uma nota em que expressam seu descontentamento com a perda de recursos do MEC.

Segundo a nota, a perda do orçamento programado do MEC “apresenta efeitos devastadores em políticas educacionais fundamentais e urgentes, em um contexto marcado pela pandemia do novo coronavírus e em ano que a execução do PNE (Plano Nacional de Educação) 2014-2024 encontra-se irrisória”.

De acordo com o remanejamento aprovado pelo Congresso, haverá perda de R$ 1 bilhão no programa de educação básica de qualidade. Os maiores impactos concentram-se nas ações programáticas de apoio ao desenvolvimento da educação básica (R$ 700 milhões), de produção, aquisição e distribuição de livros e materiais didáticos e pedagógicos para educação básica (R$ 298 milhões) e de fomento ao desenvolvimento e modernização dos sistemas de ensino de educação profissional e tecnológica (R$115 milhões).

“Este corte é muito grave, especialmente no momento em que Estados e municípios planejam a volta às aulas”, citou o coodenador da Comex, o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES). “Haverá necessidade de aulas de reforço, porque o deficit de aprendizagem durante a pandemia aumentou muito e naturalmente, isso torna tudo mais caro. O MEC poderia ser o grande catalisador da volta às aulas segura”, lamentou.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Tecnologia veio para ficar na educação pós-Covid

Modelo híbrido com aulas a distância e presenciais deve ser adotado por todas as redes de ensino

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

09/11/2020 | 07:00


 A pandemia de Covid-19 afetou indiscriminadamente todos os setores da sociedade. No Estado de São Paulo, onde diversos segmentos já retomam as atividades, a educação ainda segue em compasso de espera. No Grande ABC, redes privadas e públicas continuam com o ensino a distância. Para os especialistas, a principal mudança ocasionada pela onda do novo coronavírus que assolou o mundo é que a tecnologia veio para ficar. Modelos híbridos, com aulas remota e presenciais, serão cada vez mais adotados por todas as redes de ensino.

Coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ítalo Curcio compara a pandemia de Covid a uma hecatombe (grande catástrofe), pior do que uma guerra. “Em uma guerra, há os indícios para início, algum prazo de evacuação. A pandemia chegou e nos pegou desprevenidos”, pontuou. “Quando a gente pergunta como será daqui para a frente, digo que não será nem como era antes e nem como está sendo agora. Seremos híbridos do que nos éramos com o que estamos vivenciando”, completou.

Curcio destacou que as instituições que já estavam adiantadas no processo de inserir a tecnologia na sua rotina, como as grandes universidades, sentiram menos este momento. “Na educação básica, no entanto, o impacto foi maior, especialmente nas redes públicas”, pontuou. O coordenador afirmou que iniciativas tomadas por algumas prefeituras e governos, como uso de canais de televisão ou criação de aplicativos para transmissão de aulas foram medidas positivas, mas que na comparação com os governos que não tiveram recursos e/ou estrutura para dar continuidade com mais vigor ao processo educacional, deve resultar em geração muito heterogênea de estudantes.

O coordenador reforçou que o modelo que mescla educação presencial e remota veio para ficar e, com o passar do tempo, vai ser ampliada a quantidade de aulas a distância, mesmo depois da pandemia. “O ensino presencial não vai desaparecer, mas haverá maior tempo de aulas remotas, com recursos cada vez mais modernizados”, afirmou. “Usaremos cada vez mais a internet e a preparação dos profissionais para isso é indispensável”, concluiu.

Co-fundador da plataforma de educação on-line Geekie e mestre em educação, Claudio Sassaki avaliou que estamos diante de um nova era da educação. Se a pandemia trouxe problemas e sofrimentos, também forçou muitas pessoas a se adaptarem mais rapidamente à nova realidade.

“O uso da tecnologia para manter a educação em um cenário adverso e inédito – pela impossibilidade de aulas presenciais – impulsionou o aprimoramento dos professores, que tiveram de se capacitar em tempo recorde. Os pais e responsáveis, por sua vez, nunca foram tão participativos; os alunos estão animados por poder usar nos estudos a tecnologia que está tão presente no cotidiano deles, mas que estava fora da escola”, citou.

Sassaki ressalta que essa nova era da educação trabalha na perspectiva do ensino híbrido. “Nesta metodologia, há momentos em que o aluno estuda sozinho, aproveitando ferramentas on-line e, em outros, a aprendizagem acontece de forma presencial, valorizando a interação entre alunos e professores”, pontuou. “Vamos ter que educar cidadãos em um mundo interconectado, redefinir o papel do educador, ensinar competências necessárias para a vida no futuro – estamos falando de habilidades socioemocionais e da capacidade de resolver problemas jamais vistos – e integrar tecnologia a processos educacionais”, finalizou o especialista.

Adaptação ao ensino remoto não é unanimidade
O Brasil está entre os países que permanece há mais tempo com as aulas suspensas em ambiente escolar e, no Grande ABC, as redes privadas e particulares ainda não tem data para retomar as atividades presenciais. A adaptação ao ensino remoto não é unanimidade entre os alunos.

Um dos filhos da fisioterapeuta Bibiana Monteiro, 43 anos, tem 9 e está no 3º ano do ensino fundamental em uma escola privada de São Bernardo. O garoto tem tido dificuldade com o aprendizado após a suspensão das aulas presenciais. Até então com boas notas, a criança passou a se desinteressar pelas atividades. “Percebo que o que está afetando ele é a falta de interação com os amigos e com a professora”, explicou Bibiana.

As aulas em ambiente doméstico também têm se revelado um desafio, já que o irmão menor acaba interferindo e o chamando para brincar, aumentando a dificuldade de concentração durante as aulas. “Optamos por atividades de reforço no contraturno escolar e como são menos crianças, ele se interessa mais, porque consegue interagir mais com a professora. No nosso caso, se houvesse retorno das atividades na escola, mesmo que duas ou três vezes na semana, avalio que ele ia se beneficiar muito”, pontuou a mãe.

No 3º ano do ensino médio, Emanuelle Galvão Candido, 17, estuda em uma escola privada de Santo André e tem se adaptado bem ao ensino remoto. “Fácil não é, mas com vestibular a poucos meses de acontecer, tive que me virar e correr atrás”, explicou. Mesmo com o foco nos estudos, a jovem reconhece que a falta de interação com os colegas é um dos fatores de dificuldade desse processo. “Embora converse pelo Whatsapp com meus amigos, sinto falta de ver os rostos deles. As vezes bate o desânimo, além da tristeza, pois esse ano seria o último que iria ver meus amigos e professores todos os dias”, completou.

Para a estudante, a possibilidade de ter que continuar com o modelo de ensino híbrido – presencial e a distância – no nível superior não é muito animador. “Apesar de já ter me acostumado, não quero mais ter aula a distância”, afirmou. “O ensino on-line deve ser uma opção, não ser obrigatório, pois é muito difícil não ter a presença física do professor e dos colegas. É complicado e é muito fácil perder o foco”, concluiu.

Redes públicas se preparam para 2021
Com a suspensão das aulas presenciais nas redes públicas e privadas do Grande ABC mantidas até o momento, as redes se preparam para as atividades do próximo ano letivo, já que as aulas de 2020, oficialmente, terminam em pouco mais de um mês. Coordenadora do Centro de Midias SP, da Secretaria de Estado da Educação, Bruna Waitman relatou que o aplicativo lançado pelo governo estadual para continuidade das aulas a distância foi concebido em meio à pandemia, mas já nasceu como uma política pública permanente.

“Vamos fortalecer o ensino híbrido, combinar atividades presenciais com a tecnologia”, pontuou. Bruna lembrou que as aulas on-line permitem visitas à museus e instituições, que presencialmente, muitos alunos não teriam condições de visitar. “São várias possibilidades que se somam à transmissão de conteúdo do professor para o aluno”, completou.

A coordenara afirmou, ainda, que o centro de mídias está em constante avaliação e aprimoramento, e que as escolas seguem com a busca ativa para acessar os alunos com alguma dificuldade de conexão. “Uma pesquisa feita pelo Datafolha indicou que 96% dos alunos estão acompanhando as aulas, seja pela TV, internet ou material impresso. Vamos continuar neste empenho de manter a atendimento educacional”, concluiu.

Nas redes municipais, de forma geral, as administrações estão mais focadas no estabelecimento de protocolos de distanciamento e higiene para evitar a disseminação da Covid-19 quando as aulas presencias voltarem. Santo André atua com grupos de estudos nas unidades escolares, coordenados pela equipe da Secretaria de Educação, a fim de discutir e estabelecer os protocolos mais adequados para cada tipo de equipamento escolar, considerando as especificidades das faixas etárias atendidas. Paralelo à isso, os docentes trabalham no planejamento em busca da melhor maneira de reestruturar e adaptar o currículo escolar para o próximo ano letivo, de maneira a garantir que os estudantes tenham acesso a todo o conteúdo fundamental, minimizando eventual defasagem gerada pelo distanciamento físico imposto no período de pandemia.

São Caetano vai promover a flexibilização do currículo de 2020 para 2021, retomando objetivos de aprendizagem e ainda reiterando o que é elementar para cada ano escolar. As formações e as atividades do horário regular e o contraturno escolar seguirão de forma remota. Os docentes trabalham também no aprimoramento de metodologia de ensino desenvolvida especificamente durante a pandemia.

Ribeirão Pires prevê, em 2021, aulas de reforço no contraturno escolar. Diadema e São Bernardo não destacaram nenhuma medida para o ano que vem especificamente sobre o aspecto educacional e Mauá e Rio Grande da Serra não responderam.

Na Capital, ensino médio já é presencial
Diferentemente do Grande ABC, onde as aulas presenciais ainda estão suspensas, a Capital já liberou que turmas do ensino médio tenham atividades nas escolas, bem como algumas atividades complementares e de acolhimento para o ensino fundamental.

No Colégio Anglo Morumbi, cerca de 50 alunos do ensino médio, 30 da educação infantil e 20 do ensino fundamental têm comparecido à unidade escolar para atividades presenciais. A diretora pedagógica Priscila Gengo relatou que essa retomada foi bastante emocionante, mesmo com os estudantes maiores. “Os alunos relataram que sentiam muita falta do contato com os colegas, com os professores”, pontuou.

A escola já vinha desde 2016 ampliando opções de atividades remotas, especialmente no ensino médio, então a adaptação não foi exatamente difícil. “A parte mais complicada foi com as crianças menores, que não estão tão acostumadas”, explicou. Neste momento de retomada, toda a escola está empenhada em testar toda a funcionalidade necessária para manutenção das aulas a distância, até pelo menos, o primeiro trimestre de 2021.

“A escola está fazendo a formação dos professores, porque existe um desafio para essa aula híbrida, como houve na hora de realizar a aula remota”, pontuou. Mestranda e pesquisadora de novas tecnologias da educação, Priscila frisou que todo o foco deve ser no ser humano.

“A tecnologia é super importante para a gente dar conta de tudo que estamos vivendo, mas a gente tem que investir muito na formação do professor que há 30 anos dá aula de um jeito, para que ele possa se reinventar”, completou.

Priscila apontou que a pandemia não trouxe apenas coisas ruins, mas também permitiu maior aproximação entre famílias e escolas, além de acelerar o processo de aplicação das tecnologias nos métodos de ensino. “O que os professores aprenderam nesses seis meses a gente já vinha tentando trabalhar há anos, então houve essa aceleração”, finalizou. <TL>AM

Educação sofre corte de R$ 1,4 bilhão
A necessidade de investimento em tecnologia para as escolas públicas em 2021 está ameaçado após o governo federal retirar R$ 1,4 bilhão do orçamento do MEC (Ministério da Educação) para o ano que vem. Projeto de lei de autoria do Executivo, aprovado na última quarta-feira, autorizou o remanejamento de recursos para os Ministérios Desenvolvimento e Infraestrutura. Desse total, R$ 1,1 bilhão será retirado do orçamento da educação básica.<EM>

Coordenadores e relatores da Comex/MEC (Comissão Externa de Acompanhamento do Ministério da Educação), frente suprapartidária formada por deputados federais e senadores, divulgaram uma nota em que expressam seu descontentamento com a perda de recursos do MEC.

Segundo a nota, a perda do orçamento programado do MEC “apresenta efeitos devastadores em políticas educacionais fundamentais e urgentes, em um contexto marcado pela pandemia do novo coronavírus e em ano que a execução do PNE (Plano Nacional de Educação) 2014-2024 encontra-se irrisória”.

De acordo com o remanejamento aprovado pelo Congresso, haverá perda de R$ 1 bilhão no programa de educação básica de qualidade. Os maiores impactos concentram-se nas ações programáticas de apoio ao desenvolvimento da educação básica (R$ 700 milhões), de produção, aquisição e distribuição de livros e materiais didáticos e pedagógicos para educação básica (R$ 298 milhões) e de fomento ao desenvolvimento e modernização dos sistemas de ensino de educação profissional e tecnológica (R$115 milhões).

“Este corte é muito grave, especialmente no momento em que Estados e municípios planejam a volta às aulas”, citou o coodenador da Comex, o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES). “Haverá necessidade de aulas de reforço, porque o deficit de aprendizagem durante a pandemia aumentou muito e naturalmente, isso torna tudo mais caro. O MEC poderia ser o grande catalisador da volta às aulas segura”, lamentou.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;