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Dólar cai 6% na semana com possível vitória de Biden e termina em R$ 5,39

Marcelo Cassal/Ag.Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


06/11/2020 | 18:55


A expectativa de vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos derrubou o dólar esta semana no mundo e também no Brasil. No exterior, o dólar caiu ao menor patamar desde agosto ante divisas fortes. No mercado doméstico, acumulou queda de 6% na semana, a maior desde maio. Com isso, a valorização anual do dólar baixou para 34%, ainda deixando a moeda brasileira entre os piores desempenhos este ano, junto com peso argentino e lira turca.

Nesta sexta-feira, além do exterior favorável, a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de voltar com a agenda de reformas já na semana que vem ajudou a retirar pressão do câmbio, fazendo o dólar cair abaixo de R$ 5,40, o que não acontecia desde 22 de setembro.

O dólar terminou a sexta-feira em R$ 5,3937, em queda de 2,74%. No mercado futuro, o dólar para liquidação em dezembro fechou em R$ 5,3700, em queda de 2,93%.

Com a apuração ainda em andamento nos Estados Unidos, a notícia mais cedo de que Biden liderava em dois Estados essenciais na atual disputa, Pensilvânia e Georgia, animou os mercados. "O real conseguiu se apreciar fortemente contra o dólar nesta semana, em linha com outras moedas emergentes", observa a analista de mercados emergentes do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger.

Ela ressalta que este movimento de valorização das divisas de emergentes é dominado por um sentimento geral dos mercados com a possível vitória de Biden, mais do que questões domésticas.

No Brasil, a analista do Commerzbank menciona que o relacionamento de Jair Bolsonaro é muito mais próximo a Donald Trump. Assim, Biden na Casa Branca pode não necessariamente ser benefício para o Brasil, pois ele pode pressionar em questões como o clima e meio ambiente.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de um Congresso dividido em Washington ajuda a reduzir o temor de um governo democrata clássico, ou seja, que pressiona por alta de impostos para empresas e busca mudanças regulatórias, além de tornar a agenda ambiental menos ambiciosa. No cenário do banco alemão, Biden vencendo é negativo para o dólar e positivo para ativos de risco.

"As perdas do dólar se aceleraram hoje no mundo", destaca o analista sênior de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo, ressaltando que a divisa dos EUA atingiu picos de baixa ante euro, iene, dólar canadense, dólar australiano e divisas dos emergentes. Assim, o relatório de emprego de outubro, o payroll, surpreendeu, com criação de vagas acima do previsto, mas acabou ficando em segundo plano, com Wall Street monitorando mais de perto as telas de apuração.

No mercado brasileiro, declarações de Maia e Guedes agradaram.

"Estão emergindo de volta as reformas", disse o ministro no período da tarde, em evento do Itaú, ressaltando que pretende "derrubar" a dívida pública.

Já Maia prometeu retomar a agenda na próxima semana e que, se houver interesse do governo, pode votar a reforma tributária "rapidamente".



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Dólar cai 6% na semana com possível vitória de Biden e termina em R$ 5,39


06/11/2020 | 18:55


A expectativa de vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos derrubou o dólar esta semana no mundo e também no Brasil. No exterior, o dólar caiu ao menor patamar desde agosto ante divisas fortes. No mercado doméstico, acumulou queda de 6% na semana, a maior desde maio. Com isso, a valorização anual do dólar baixou para 34%, ainda deixando a moeda brasileira entre os piores desempenhos este ano, junto com peso argentino e lira turca.

Nesta sexta-feira, além do exterior favorável, a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de voltar com a agenda de reformas já na semana que vem ajudou a retirar pressão do câmbio, fazendo o dólar cair abaixo de R$ 5,40, o que não acontecia desde 22 de setembro.

O dólar terminou a sexta-feira em R$ 5,3937, em queda de 2,74%. No mercado futuro, o dólar para liquidação em dezembro fechou em R$ 5,3700, em queda de 2,93%.

Com a apuração ainda em andamento nos Estados Unidos, a notícia mais cedo de que Biden liderava em dois Estados essenciais na atual disputa, Pensilvânia e Georgia, animou os mercados. "O real conseguiu se apreciar fortemente contra o dólar nesta semana, em linha com outras moedas emergentes", observa a analista de mercados emergentes do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger.

Ela ressalta que este movimento de valorização das divisas de emergentes é dominado por um sentimento geral dos mercados com a possível vitória de Biden, mais do que questões domésticas.

No Brasil, a analista do Commerzbank menciona que o relacionamento de Jair Bolsonaro é muito mais próximo a Donald Trump. Assim, Biden na Casa Branca pode não necessariamente ser benefício para o Brasil, pois ele pode pressionar em questões como o clima e meio ambiente.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de um Congresso dividido em Washington ajuda a reduzir o temor de um governo democrata clássico, ou seja, que pressiona por alta de impostos para empresas e busca mudanças regulatórias, além de tornar a agenda ambiental menos ambiciosa. No cenário do banco alemão, Biden vencendo é negativo para o dólar e positivo para ativos de risco.

"As perdas do dólar se aceleraram hoje no mundo", destaca o analista sênior de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo, ressaltando que a divisa dos EUA atingiu picos de baixa ante euro, iene, dólar canadense, dólar australiano e divisas dos emergentes. Assim, o relatório de emprego de outubro, o payroll, surpreendeu, com criação de vagas acima do previsto, mas acabou ficando em segundo plano, com Wall Street monitorando mais de perto as telas de apuração.

No mercado brasileiro, declarações de Maia e Guedes agradaram.

"Estão emergindo de volta as reformas", disse o ministro no período da tarde, em evento do Itaú, ressaltando que pretende "derrubar" a dívida pública.

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