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Saída de Saul do São Caetano marca fim do mecenato no futebol profissional

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-jogadores e dirigentes dizem que figuras como o herdeiro da Casas Bahia são raras no esporte


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

05/11/2020 | 23:59


A decisão do empresário Saul Klein de abrir mão do cargo de presidente de honra do São Caetano e romper definitivamente com a diretoria do clube, anunciada quarta-feira, foi vista por ex-jogadores do Azulão e dirigentes como fim de era que não vai se repetir no futebol.

Mais do que investidor, o herdeiro da Casas Bahia atuava como típico mecenas, doando parte do seu patrimônio para equilibrar as contas do Azulão. E foi assim que o clube do Grande ABC viveu os melhores momentos da história com os vice da Copa João Havelange (2000), do Campeonato Brasileiro (2001) e da Copa Libertadores (2002), além do título do Campeonato Paulista de 2004.

Foram milhões transferidos desde o fim da década de 1990, quando começou a relação de Saul e da Casas Bahia com o São Caetano. Os valores eram doados e lançados no balanço anual do clube. Em 2017, foram R$ 33.392.340 cedidos pelo empresário e, no ano seguinte, foram mais R$ 23.977.232. Nos últimos cinco anos, o montante chegou a R$ 80 milhões. Ainda assim, o São Caetano vive a maior crise da história e deve salários para jogadores e outros profissionais, além de várias dívidas com fornecedores. Essa inconsistência foi o que afastou o empresário do clube.

“As inconformidades alarmantes da gestão do São Caetano, alvos de processos judiciais, são objetivamente a razão do meu afastamento definitivo”, citou Saul no comunicado de despedida. O empresário, filiado ao PSD, é o vice na chapa de Fabio Palacio (PSD), que tenta se eleger prefeito de São Caetano.

Esse esquema de doações milionárias por amor ao clube sempre foi raro no futebol e, segundo profissionais que estiveram no Azulão nos tempos áureos, jamais vai acontecer outra vez. “O que o Saul fez pelo São Caetano ninguém mais vai fazer por clube nenhum. Tudo o que era prometido, era cumprido. E o São Caetano bem, fazia com que o Santo André também tentasse chegar, o Água Santa buscasse crescer. Sem ele, perde não só o Azulão, mas todo futebol da região”, avaliou Adhemar, maior artilheiro da história do Azulão com 69 gols e que esteve nos melhores momentos da história.

O ex-meia Adãozinho também defendeu o Azulão no fim da década de 1990 e início dos anos 2000 e, em dezembro de 2019, voltou ao clube como coordenador. Ele seguiu a linha do ex-companheiro. “São Caetano perde muito. Já tivemos arranca-rabo, mas o Saul sempre foi apaixonado pelo São Caetano. Acho que não vai ter mais alguém que faça o que o Saul fez pelo clube. Vai ter pessoas que vão se interessar porque a marca é forte, mas vão querer algo em troca, com certeza. O Saul nunca pediu nada do São Caetano”, garantiu Adãozinho.

Presidente do Santo André, Sidney Riquetto acompanhou toda a trajetória de Saul Klein nos bastidores do São Caetano e concorda que figuras como a dele no meio do futebol são raras. Seria muito ruim para o São Caetano (a saída do Saul). (O clube) Terá, certamente, muita dificuldade para achar outro parceiro nos mesmos moldes do que o Saul fazia. Não vejo, por outro lado, reflexo na região como um todo, porque os clubes profissionais aqui do Grande ABC têm regimes administrativos bem diferentes. Então, acredito que essa dificuldade ficaria restrita ao próprio São Caetano”, comentou.

Atletas lamentam crise profunda do clube

O defict financeiro milionário que o São Caetano acumulou nos últimos anos é reflexo da má administração. A situação é ruim há pelo menos um ano, justamente quando Saul Klein diminuiu as doações que fazia e passou a ensaiar o afastamento da diretoria, iniciando aproximação com a Ferroviária de Araraquara, clube que segue como investidor.

O ex-meia Adãozinho atuou como coordenador do Azulão no fim de 2019 e viu de perto o tamanho do rombo financeiro. Ele não soube estimar quanto o clube deve, mas garante que “são milhões”. “Para mim, tudo começou a piorar muito quando o São Caetano contratou o (Paulo) Pelaipe (gestor que estava no Flamengo), que veio com outra cabeça, queria contratar dois preparadores de goleiros, dois preparadores físicos...Falei para ele: ‘Pelaipe, aqui estamos comendo rapadura sem dente. Temos que ter os pés no chão’. Não me ouviram”, lamentou Adãozinho, que foi promovido para função de treinador e demitido após só um jogo à frente do clube, na Série A-2 desde ano.

Adãozinho chegou ao São Caetano justamente por intermédio de Saul Klein para recuperar o prestígio do clube e organizar as contas. “Quando cheguei vi muita coisa errada. Jogador que estava emprestado para outro clube e o São Caetano que pagava o salário. Tinha muita gente sobrando. Conseguimos cortar muita coisa, mas não foi suficiente para colocar a casa em ordem”, lamentou o ex-meia, que garante não ter ficado chateado com a demissão repentina. “Eu sabia que não iria ficar muito tempo como treinador, que iriam contratar alguém, mas também não achei que seria depois do primeiro jogo do campeonato. Faz parte”, disse. 

Por causa da crise financeira, parte do elenco do São Caetano entrou em greve no dia 23 de outubro e não foi para o campo no dia seguinte, quando o clube sofreu a pior derrota da história, 9 a 0 para o Pelotas-RS, no Anacleto Campanella, pela Série D do Brasileiro, com equipe formada basicamente por juvenis. Adãozinho, que mora em Bragança Paulista, disse que viria até a região comandar o time caso fosse preciso, e de graça. “Tenho uma dívida de gratidão com o São Caetano. Se o Fabinho (treinador) não aceitasse comandar o time, eu viria para exercer a função. Entendo os jogadores que fizeram a greve, mas eu teria entrado em campo”, finalizou. 



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Saída de Saul do São Caetano marca fim do mecenato no futebol profissional

Ex-jogadores e dirigentes dizem que figuras como o herdeiro da Casas Bahia são raras no esporte

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

05/11/2020 | 23:59


A decisão do empresário Saul Klein de abrir mão do cargo de presidente de honra do São Caetano e romper definitivamente com a diretoria do clube, anunciada quarta-feira, foi vista por ex-jogadores do Azulão e dirigentes como fim de era que não vai se repetir no futebol.

Mais do que investidor, o herdeiro da Casas Bahia atuava como típico mecenas, doando parte do seu patrimônio para equilibrar as contas do Azulão. E foi assim que o clube do Grande ABC viveu os melhores momentos da história com os vice da Copa João Havelange (2000), do Campeonato Brasileiro (2001) e da Copa Libertadores (2002), além do título do Campeonato Paulista de 2004.

Foram milhões transferidos desde o fim da década de 1990, quando começou a relação de Saul e da Casas Bahia com o São Caetano. Os valores eram doados e lançados no balanço anual do clube. Em 2017, foram R$ 33.392.340 cedidos pelo empresário e, no ano seguinte, foram mais R$ 23.977.232. Nos últimos cinco anos, o montante chegou a R$ 80 milhões. Ainda assim, o São Caetano vive a maior crise da história e deve salários para jogadores e outros profissionais, além de várias dívidas com fornecedores. Essa inconsistência foi o que afastou o empresário do clube.

“As inconformidades alarmantes da gestão do São Caetano, alvos de processos judiciais, são objetivamente a razão do meu afastamento definitivo”, citou Saul no comunicado de despedida. O empresário, filiado ao PSD, é o vice na chapa de Fabio Palacio (PSD), que tenta se eleger prefeito de São Caetano.

Esse esquema de doações milionárias por amor ao clube sempre foi raro no futebol e, segundo profissionais que estiveram no Azulão nos tempos áureos, jamais vai acontecer outra vez. “O que o Saul fez pelo São Caetano ninguém mais vai fazer por clube nenhum. Tudo o que era prometido, era cumprido. E o São Caetano bem, fazia com que o Santo André também tentasse chegar, o Água Santa buscasse crescer. Sem ele, perde não só o Azulão, mas todo futebol da região”, avaliou Adhemar, maior artilheiro da história do Azulão com 69 gols e que esteve nos melhores momentos da história.

O ex-meia Adãozinho também defendeu o Azulão no fim da década de 1990 e início dos anos 2000 e, em dezembro de 2019, voltou ao clube como coordenador. Ele seguiu a linha do ex-companheiro. “São Caetano perde muito. Já tivemos arranca-rabo, mas o Saul sempre foi apaixonado pelo São Caetano. Acho que não vai ter mais alguém que faça o que o Saul fez pelo clube. Vai ter pessoas que vão se interessar porque a marca é forte, mas vão querer algo em troca, com certeza. O Saul nunca pediu nada do São Caetano”, garantiu Adãozinho.

Presidente do Santo André, Sidney Riquetto acompanhou toda a trajetória de Saul Klein nos bastidores do São Caetano e concorda que figuras como a dele no meio do futebol são raras. Seria muito ruim para o São Caetano (a saída do Saul). (O clube) Terá, certamente, muita dificuldade para achar outro parceiro nos mesmos moldes do que o Saul fazia. Não vejo, por outro lado, reflexo na região como um todo, porque os clubes profissionais aqui do Grande ABC têm regimes administrativos bem diferentes. Então, acredito que essa dificuldade ficaria restrita ao próprio São Caetano”, comentou.

Atletas lamentam crise profunda do clube

O defict financeiro milionário que o São Caetano acumulou nos últimos anos é reflexo da má administração. A situação é ruim há pelo menos um ano, justamente quando Saul Klein diminuiu as doações que fazia e passou a ensaiar o afastamento da diretoria, iniciando aproximação com a Ferroviária de Araraquara, clube que segue como investidor.

O ex-meia Adãozinho atuou como coordenador do Azulão no fim de 2019 e viu de perto o tamanho do rombo financeiro. Ele não soube estimar quanto o clube deve, mas garante que “são milhões”. “Para mim, tudo começou a piorar muito quando o São Caetano contratou o (Paulo) Pelaipe (gestor que estava no Flamengo), que veio com outra cabeça, queria contratar dois preparadores de goleiros, dois preparadores físicos...Falei para ele: ‘Pelaipe, aqui estamos comendo rapadura sem dente. Temos que ter os pés no chão’. Não me ouviram”, lamentou Adãozinho, que foi promovido para função de treinador e demitido após só um jogo à frente do clube, na Série A-2 desde ano.

Adãozinho chegou ao São Caetano justamente por intermédio de Saul Klein para recuperar o prestígio do clube e organizar as contas. “Quando cheguei vi muita coisa errada. Jogador que estava emprestado para outro clube e o São Caetano que pagava o salário. Tinha muita gente sobrando. Conseguimos cortar muita coisa, mas não foi suficiente para colocar a casa em ordem”, lamentou o ex-meia, que garante não ter ficado chateado com a demissão repentina. “Eu sabia que não iria ficar muito tempo como treinador, que iriam contratar alguém, mas também não achei que seria depois do primeiro jogo do campeonato. Faz parte”, disse. 

Por causa da crise financeira, parte do elenco do São Caetano entrou em greve no dia 23 de outubro e não foi para o campo no dia seguinte, quando o clube sofreu a pior derrota da história, 9 a 0 para o Pelotas-RS, no Anacleto Campanella, pela Série D do Brasileiro, com equipe formada basicamente por juvenis. Adãozinho, que mora em Bragança Paulista, disse que viria até a região comandar o time caso fosse preciso, e de graça. “Tenho uma dívida de gratidão com o São Caetano. Se o Fabinho (treinador) não aceitasse comandar o time, eu viria para exercer a função. Entendo os jogadores que fizeram a greve, mas eu teria entrado em campo”, finalizou. 

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