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Estudo da FMABC acha lesão em retina de pacientes com Covid

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Material, inédito, foi publicado recentemente em revista científica do Reino Unido e ajuda a entender o comportamento da doença


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

06/11/2020 | 00:01


A disciplina de oftalmologia do Centro Universitário Saúde ABC da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) liderou pesquisa que acaba de ser publicada pela prestigiada revista científica do Reino Unido, a BJO (British Journal of Ophthalmology), referência mundial na área de saúde ocular. Os estudos, ainda preliminares, indicam associação entre a infecção pelo coronavírus e lesões de retina em pacientes graves internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A amostra envolve 18 pessoas, avaliadas no mês de maio no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

O chefe do setor de retina da FMABC, Julio Zaki Abucham Neto, um dos orientadores do estudo, explicou que a pesquisa ajuda no entendimento da Covid e de como ela afeta não apenas os olhos e a retina, mas também outros órgãos. “Esse estudo é algo inédito, porque o que se tem até agora é avaliação de pacientes ambulatoriais, que não desenvolveram a forma grave da doença”, completou. 

Foram feitos vários estudos, inclusive com pesquisa de vírus na lágrima e de secreção conjuntival. O principal achado, e considerado ponto central do estudo, é que as alterações retinianas descobertas podem sugerir complicações semelhantes em outros órgãos do corpo humano, o que facilita a compreensão da doença e favorece a escolha de tratamento mais assertivo e eficaz.

A partir da dilatação ocular foram descobertas anormalidades em dez dos pacientes avaliados. Os principais achados foram lesões vasculares agudas da retina interna, inclusive com hemorragias e lesões de padrão isquêmico, visíveis por manchas algodonosas e palidez setorial da retina. Os exames foram feitos por câmera digital de fundo de olho e os pacientes, avaliados por dois especialistas em retina. Até então, outros estudos clínicos feitos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros investigaram manifestações oculares em pacientes com diagnóstico de Covid, mas predominantemente conduzidos após a alta. O ineditismo envolve a análise feita em pacientes durante o período de internação em UTI.

“O que observamos na retina pode ser considerado reflexo do que ocorre no resto do corpo. É aí que está a importância do exame e como nossos resultados podem ajudar a melhorar a compreensão da doença. As alterações microvasculares observadas na retina provavelmente acontecem também nos pulmões, cérebro, rins, e demais órgãos, desempenhando papel importante na gravidade da doença. Ao entendermos melhor os efeitos da Covid no organismo, conseguimos auxiliar o tratamento e o cuidado aos pacientes de maneira mais eficaz”, completou Abucham Neto.

Os resultados também sugerem que, além de danos pela atividade direta do coronavírus, o estado pró-trombótico relatado em pacientes críticos pode levar a lesões da retina, uma vez que cerca de 31% dos pacientes com quadro grave de Covid apresentam complicações dessa natureza. A trombose é causada por coágulos sanguíneos parciais ou totais em alguma veia ou artéria, fato que limita o fluxo de sangue. Os achados foram possíveis, entre outros fatores, pois a retina é um dos tecidos mais ativos metabolicamente no corpo humano e sua circulação terminal é particularmente sensível a eventos isquêmicos, caracterizados pela dificuldade de circulação do sangue. 

Estudo se firma como referência nacional

Dada a mobilização mundial de pesquisadores e cientistas acerca do tema, a relevância da pesquisa coloca o Centro Universitário da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) na vanguarda do conhecimento científico e em sintonia com as novas tecnologias responsáveis por fortalecer o combate à pandemia, explica o chefe da disciplina de oftalmologia da FMABC, Vagner Loduca. “Nosso estudo elenca a FMABC entre as entidades de ensino do Brasil e do mundo que mais se mantêm atualizadas e na fronteira do conhecimento”, completou.

 Além de Loduca, o estudo tem orientação do vice-reitor do centro universitário, Fernando Luiz Affonso Fonseca, e do chefe do setor de retina da FMABC, Julio Zaki Abucham Neto. Também assinam a pesquisa os colaboradores do setor de retina e vítreo da FMABC, Priscila Alves Nascimento e Hebert Toshiaki Sakuma, a pesquisadora do laboratório de análises clínicas da FMABC Glaucia Luciano da Veiga, além dos médicos residentes Leonardo Amarante Pereira, Larissa Caroline Mansano Soares e Luciano Rabello Netto Cirillo. O grupo de estudo também conta com colaboração do médico residente Lucas Figueiredo Lacerda e fellow (integrante) do setor de plástica ocular da FMABC,  Raíssa Figueiredo Lacerda. 

 A íntegra da pesquisa pode ser acessada pelo link https://bjo.bmj.com/content/early/2020/10/15/bjophthalmol-2020-317576.



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Estudo da FMABC acha lesão em retina de pacientes com Covid

Material, inédito, foi publicado recentemente em revista científica do Reino Unido e ajuda a entender o comportamento da doença

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

06/11/2020 | 00:01


A disciplina de oftalmologia do Centro Universitário Saúde ABC da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) liderou pesquisa que acaba de ser publicada pela prestigiada revista científica do Reino Unido, a BJO (British Journal of Ophthalmology), referência mundial na área de saúde ocular. Os estudos, ainda preliminares, indicam associação entre a infecção pelo coronavírus e lesões de retina em pacientes graves internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A amostra envolve 18 pessoas, avaliadas no mês de maio no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

O chefe do setor de retina da FMABC, Julio Zaki Abucham Neto, um dos orientadores do estudo, explicou que a pesquisa ajuda no entendimento da Covid e de como ela afeta não apenas os olhos e a retina, mas também outros órgãos. “Esse estudo é algo inédito, porque o que se tem até agora é avaliação de pacientes ambulatoriais, que não desenvolveram a forma grave da doença”, completou. 

Foram feitos vários estudos, inclusive com pesquisa de vírus na lágrima e de secreção conjuntival. O principal achado, e considerado ponto central do estudo, é que as alterações retinianas descobertas podem sugerir complicações semelhantes em outros órgãos do corpo humano, o que facilita a compreensão da doença e favorece a escolha de tratamento mais assertivo e eficaz.

A partir da dilatação ocular foram descobertas anormalidades em dez dos pacientes avaliados. Os principais achados foram lesões vasculares agudas da retina interna, inclusive com hemorragias e lesões de padrão isquêmico, visíveis por manchas algodonosas e palidez setorial da retina. Os exames foram feitos por câmera digital de fundo de olho e os pacientes, avaliados por dois especialistas em retina. Até então, outros estudos clínicos feitos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros investigaram manifestações oculares em pacientes com diagnóstico de Covid, mas predominantemente conduzidos após a alta. O ineditismo envolve a análise feita em pacientes durante o período de internação em UTI.

“O que observamos na retina pode ser considerado reflexo do que ocorre no resto do corpo. É aí que está a importância do exame e como nossos resultados podem ajudar a melhorar a compreensão da doença. As alterações microvasculares observadas na retina provavelmente acontecem também nos pulmões, cérebro, rins, e demais órgãos, desempenhando papel importante na gravidade da doença. Ao entendermos melhor os efeitos da Covid no organismo, conseguimos auxiliar o tratamento e o cuidado aos pacientes de maneira mais eficaz”, completou Abucham Neto.

Os resultados também sugerem que, além de danos pela atividade direta do coronavírus, o estado pró-trombótico relatado em pacientes críticos pode levar a lesões da retina, uma vez que cerca de 31% dos pacientes com quadro grave de Covid apresentam complicações dessa natureza. A trombose é causada por coágulos sanguíneos parciais ou totais em alguma veia ou artéria, fato que limita o fluxo de sangue. Os achados foram possíveis, entre outros fatores, pois a retina é um dos tecidos mais ativos metabolicamente no corpo humano e sua circulação terminal é particularmente sensível a eventos isquêmicos, caracterizados pela dificuldade de circulação do sangue. 

Estudo se firma como referência nacional

Dada a mobilização mundial de pesquisadores e cientistas acerca do tema, a relevância da pesquisa coloca o Centro Universitário da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) na vanguarda do conhecimento científico e em sintonia com as novas tecnologias responsáveis por fortalecer o combate à pandemia, explica o chefe da disciplina de oftalmologia da FMABC, Vagner Loduca. “Nosso estudo elenca a FMABC entre as entidades de ensino do Brasil e do mundo que mais se mantêm atualizadas e na fronteira do conhecimento”, completou.

 Além de Loduca, o estudo tem orientação do vice-reitor do centro universitário, Fernando Luiz Affonso Fonseca, e do chefe do setor de retina da FMABC, Julio Zaki Abucham Neto. Também assinam a pesquisa os colaboradores do setor de retina e vítreo da FMABC, Priscila Alves Nascimento e Hebert Toshiaki Sakuma, a pesquisadora do laboratório de análises clínicas da FMABC Glaucia Luciano da Veiga, além dos médicos residentes Leonardo Amarante Pereira, Larissa Caroline Mansano Soares e Luciano Rabello Netto Cirillo. O grupo de estudo também conta com colaboração do médico residente Lucas Figueiredo Lacerda e fellow (integrante) do setor de plástica ocular da FMABC,  Raíssa Figueiredo Lacerda. 

 A íntegra da pesquisa pode ser acessada pelo link https://bjo.bmj.com/content/early/2020/10/15/bjophthalmol-2020-317576.

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