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Famílias se despedem das vítimas da Covid

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Hoje, Dia de Finados, cemitérios recebem visitantes que não puderam prestar homenagens


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/11/2020 | 07:00


Familiares de pelo menos 2.770 vítimas fatais da Covid-19 no Grande ABC vão ter hoje, no Dia de Finados, a oportunidade de homenagear quem perdeu a luta para a doença. É que no auge da pandemia, os velórios foram rápidos, com caixões lacrados e com número reduzido de pessoas e os sepultamentos acompanhados a distância. O reencontro será hoje, quando todo os cemitérios da região vão estar com as portas abertas para visitas , mas com algumas restrições. 

A família Oliveira é uma entre as milhares que perderam vidas para o novo coronavírus e vivenciará o feriado com aperto no coração, já que foi surpreendida com a morte dos patriarcas em um intervalo de apenas 25 dias de diferença. Manoel Gerônimo Pessoa de Oliveira, 65 anos, conhecido como Moizano, e Neuza dos Anjos de Oliveira, 70, foram acometidos pela doença no começo de abril e, em maio, ambos partiram.

Manoel, que não tinha doenças preexistentes, começou a ficar com a saúde debilitada no fim de março. Poucos dias depois, ao cair no chão desacordado, foi levado ao hospital e, de lá, saiu para o necrotério. Uma semana depois, Neuza também testou positivo para o novo coronavírus e foi, ao lado do marido, hospitalizada.

Neto do casal, Mateus do Vale Oliveira, 20, contou que, embora a avó tenha sido internada depois, morreu antes de Manoel, no dia 2 de maio. “Há quatro anos minha avó teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e, como era fumante, já fazia uso de oxigênio. Com o tempo, o problema respiratório foi se agravando. Já meu avô morreu no dia 27 de maio, depois de procedimento de intubação”, relembrou.

Mateus lamentou que o enterro foi sem velório e que não puderam ver os caixões. “Foi muito triste não poder nos despedir deles. A família está tentando se recuperar até hoje”, disse o neto, afirmando que todas as pessoas que conheciam o casal ficaram espantados com o contágio, já que os idosos não saíam de casa.

Casados havia mais de 40 anos, os moradores do Ferrazópolis, em São Bernardo, terão, hoje, as lembranças reforçadas no coração da família Oliveira. “Minha avó era do Paraná e meu avô veio do Ceará. Os dois chegaram aqui no bairro ainda crianças e eram muito queridos. Este ano está sendo muito triste”, finalizou.

Não foi diferente com a família Scalisse, já que a matriarca Maria do Carmo Fabbri Scalisse, 83, foi acometida pela Covid e perdeu a luta para a doença no último dia 27. O choque familiar, porém, ainda não terminou, já que o marido dela, Luiz Orlando Scalisse, 88, segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Filho do casal, Luis Henrique Fabbri Scalisse, 57, contou que os pais ficaram 120 dias isolados em uma propriedade agrícola da família, em Bebedouro, no Interior, e, depois deste período, pediram insistentemente à família para retornarem para a residência deles, na Chácara Inglesa, em São Bernardo. “Com problemas preexistentes, meus pais começaram a frequentar a fisioterapia, o que pode ter sido a causa do acometimento pelo novo coronavíruas”, lamentou Luiz Henrique, contando que a mãe passou uma semana intubada. “Estamos todos arrasados, sem perspectiva do que vamos fazer diante dessa tragédia familiar.”

“Minha mãe se dedicou com todo carinho à caridade, para a igreja, foi professora e todas as pessoas que a conheciam gostavam muito dela”, relembrou a filha Maria de Fatima Fabbri Scalisse, 61, enquanto contava a história de dona Maria. A nora Renata de Oliveira, 47, lamentou a data, afirmando que o Dia de Finados será “muito triste”. “A cada dia vamos ficando mais entristecidos e com mais saudade”, disse emocionada, contando que dona Maria foi a primeira amiga de sua mãe.

Segundo Renata, na quinta-feira a família organizou oração por meio de live nas redes sociais e uma pessoa do hospital levou o celular até Luiz Orlando, que acordou e pôde ouvir as preces dos filhos, o que lhe deu esperança para que ele vença a doença.

CEMITÉRIOS
Os cemitérios do Grande ABC se prepararam para receber os visitantes na data de hoje, respeitando os protocolos sanitários. Além de uso de máscara obrigatório, os espaços controlarão a quantidade de visitantes, evitando aglomerações. Além disso, foram canceladas as tradicionais missas do feriado.



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Famílias se despedem das vítimas da Covid

Hoje, Dia de Finados, cemitérios recebem visitantes que não puderam prestar homenagens

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/11/2020 | 07:00


Familiares de pelo menos 2.770 vítimas fatais da Covid-19 no Grande ABC vão ter hoje, no Dia de Finados, a oportunidade de homenagear quem perdeu a luta para a doença. É que no auge da pandemia, os velórios foram rápidos, com caixões lacrados e com número reduzido de pessoas e os sepultamentos acompanhados a distância. O reencontro será hoje, quando todo os cemitérios da região vão estar com as portas abertas para visitas , mas com algumas restrições. 

A família Oliveira é uma entre as milhares que perderam vidas para o novo coronavírus e vivenciará o feriado com aperto no coração, já que foi surpreendida com a morte dos patriarcas em um intervalo de apenas 25 dias de diferença. Manoel Gerônimo Pessoa de Oliveira, 65 anos, conhecido como Moizano, e Neuza dos Anjos de Oliveira, 70, foram acometidos pela doença no começo de abril e, em maio, ambos partiram.

Manoel, que não tinha doenças preexistentes, começou a ficar com a saúde debilitada no fim de março. Poucos dias depois, ao cair no chão desacordado, foi levado ao hospital e, de lá, saiu para o necrotério. Uma semana depois, Neuza também testou positivo para o novo coronavírus e foi, ao lado do marido, hospitalizada.

Neto do casal, Mateus do Vale Oliveira, 20, contou que, embora a avó tenha sido internada depois, morreu antes de Manoel, no dia 2 de maio. “Há quatro anos minha avó teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e, como era fumante, já fazia uso de oxigênio. Com o tempo, o problema respiratório foi se agravando. Já meu avô morreu no dia 27 de maio, depois de procedimento de intubação”, relembrou.

Mateus lamentou que o enterro foi sem velório e que não puderam ver os caixões. “Foi muito triste não poder nos despedir deles. A família está tentando se recuperar até hoje”, disse o neto, afirmando que todas as pessoas que conheciam o casal ficaram espantados com o contágio, já que os idosos não saíam de casa.

Casados havia mais de 40 anos, os moradores do Ferrazópolis, em São Bernardo, terão, hoje, as lembranças reforçadas no coração da família Oliveira. “Minha avó era do Paraná e meu avô veio do Ceará. Os dois chegaram aqui no bairro ainda crianças e eram muito queridos. Este ano está sendo muito triste”, finalizou.

Não foi diferente com a família Scalisse, já que a matriarca Maria do Carmo Fabbri Scalisse, 83, foi acometida pela Covid e perdeu a luta para a doença no último dia 27. O choque familiar, porém, ainda não terminou, já que o marido dela, Luiz Orlando Scalisse, 88, segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Filho do casal, Luis Henrique Fabbri Scalisse, 57, contou que os pais ficaram 120 dias isolados em uma propriedade agrícola da família, em Bebedouro, no Interior, e, depois deste período, pediram insistentemente à família para retornarem para a residência deles, na Chácara Inglesa, em São Bernardo. “Com problemas preexistentes, meus pais começaram a frequentar a fisioterapia, o que pode ter sido a causa do acometimento pelo novo coronavíruas”, lamentou Luiz Henrique, contando que a mãe passou uma semana intubada. “Estamos todos arrasados, sem perspectiva do que vamos fazer diante dessa tragédia familiar.”

“Minha mãe se dedicou com todo carinho à caridade, para a igreja, foi professora e todas as pessoas que a conheciam gostavam muito dela”, relembrou a filha Maria de Fatima Fabbri Scalisse, 61, enquanto contava a história de dona Maria. A nora Renata de Oliveira, 47, lamentou a data, afirmando que o Dia de Finados será “muito triste”. “A cada dia vamos ficando mais entristecidos e com mais saudade”, disse emocionada, contando que dona Maria foi a primeira amiga de sua mãe.

Segundo Renata, na quinta-feira a família organizou oração por meio de live nas redes sociais e uma pessoa do hospital levou o celular até Luiz Orlando, que acordou e pôde ouvir as preces dos filhos, o que lhe deu esperança para que ele vença a doença.

CEMITÉRIOS
Os cemitérios do Grande ABC se prepararam para receber os visitantes na data de hoje, respeitando os protocolos sanitários. Além de uso de máscara obrigatório, os espaços controlarão a quantidade de visitantes, evitando aglomerações. Além disso, foram canceladas as tradicionais missas do feriado.

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