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Na trilha da história

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em meio à Mata Atlântica, Parque Caminhos do Mar está em processo de concessão à iniciativa privada


Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

01/11/2020 | 23:59


A História do Brasil insiste em escalar as sinuosas curvas da Serra do Mar. É assim desde os tempos do Império. As mercadorias que desembarcavam em Santos, os estrangeiros que chegaram para trabalhar. Até Dom Pedro I, antes de soltar o brado de ‘Independência ou Morte’ às margens do riacho Ipiranga, percorreu suas trilhas. Lá também foi construída a primeira estrada concretada do País, justamente para facilitar o acesso do Planalto ao Litoral e vice-versa. Atualmente, parte deste acervo – com monumentos, vegetação diversa, quedas d’água e vistas de tirar o fôlego – é aberta à visitação pública, no Parque Caminhos do Mar. E um novo capítulo dessa história está em curso, com a concessão da área à iniciativa privada. O processo foi iniciado em setembro, e a data de recebimento dos envelopes com as ofertas dos interessados está marcada para quarta-feira.

“A área de uso público passará a ser gerida pela iniciativa privada, sendo o Estado de São Paulo o poder concedente. Caberá à Fundação Florestal a participação na comissão de acompanhamento e avaliação, comissão esta que atua na condução do contrato de concessão e o monitoramento de indicadores de qualidade. Com isso, espera-se a melhoria nos serviços de atendimento ao público, com a oferta de novas atividades e o investimento em melhorias estruturais com destaque para o restauro dos monumentos históricos existentes no parque”, afirma Diego Hernandes Rodrigues Laranja, 35 anos, diretor técnico da Fundação Florestal.

A concessão terá duração de 30 anos e o governo paulista estima receber R$ 19,78 milhões. Segundo a Fundação Florestal, o espaço recebeu várias visitas técnicas de interessados. A expectativa é a de que o processo seja concluído em cinco meses.

O vencedor ficará responsável pelo restauro dos monumentos tombados e por realizar a gestão da visitação ao local, além de implantar atrações e serviços, a exemplo de loja e lanchonete, bem como instalação de tirolesa e readequação do estacionamento. As trilhas deverão ser melhoradas, e a casa de visitas, reformada. Em contrapartida, poderá explorar financeiramente as atividades de ecoturismo e uso público.

“Certamente, os principais benefícios serão a melhoria dos serviços de atendimento ao público, especialmente pelo restauro dos monumentos históricos. E a possibilidade de dar aos cidadãos um espaço de qualidade na visitação pública, novos atrativos e melhoria dos existentes. Acreditamos também que com a concessão da área de uso público, será possível focar esforços e recursos nos outros programas de gestão, especialmente os programas de proteção e fiscalização, manejo e pesquisa da biodiversidade”, destaca Laranja.

Atualmente, são oferecidas duas modalidades de roteiros: o turístico, com nove quilômetros, em que o visitante sai de São Bernardo e tem duas opções, ir até o Padrão do Lorena e retornar ao ponto de partida, ou então seguir até o fim de estrada e deixar o parque pela portaria de Cubatão, nos arredores da Usina Presidente Bernardes. A outra é o roteiro esportivo, com 18 quilômetros, no qual o visitante vai até o fim do caminho, em Cubatão, e depois retorna. O ingresso custa R$ 32 e tem de ser reservado no site do parque https://ingressosparquespaulistas.com.br/parques/pesm-caminhos-do-mar/. 

DE ARREGALAR OS OLHOS

Na última semana, a equipe do Diário visitou o Parque Caminhos do Mar em dia de condições climáticas extremamente favoráveis, com tempo aberto, sol e temperatura amena. Na companhia do gestor Nilton de Oliveira Peres, 56, que deu uma aula sobre os monumentos que compõem o trajeto, vegetação e animais da mata atlântica.

“Para mim, este cenário é como uma paleta de cores na mão de um artista. A cada dia ele pinta o que quiser”, afirmou Peres, quando questionado sobre o que mais lhe impressiona no parque, onde atua há 11 anos. 

Logo no início do passeio, chamou a atenção marcas deixadas por uma anta, que diariamente atravessa o asfalto. “Teve um tempo em que ela passava por aqui junto com um filhote”, relembra o gestor. No meio da trilha, mais detalhes da vida animal na serra. Peres mostrou os sinais deixado por, possivelmente, uma jaguatirica, que escolheu o Padrão do Lorena como seu local de pernoite. 

Na maioria dos monumentos – Casa de Visitas, Pouso de Paranapiacaba, Calçada do Lorena e Rancho da Maioridade –, que em virtude da pandemia só têm visitação na parte externa, já existem nas paredes marcas de estudo para futuro restauro, que deverá ser feito pelo vencedor da concorrência.

Com o avanço do passeio, saltaram aos olhos as belezas naturais, com o ponto batizado de Curva do Uau. O local recebeu o nome em razão da interjeição de espanto esboçada pelos visitantes (“Uau…”). De lá, em dias de tempo aberto, descortina-se visual fantástico das cidades do Litoral e do mar, com navios chegando ao Porto de Santos.

TERRA DE DESCOBERTAS

Durante o ano passado, o Parque Caminhos do Mar recebeu 17 mil visitantes. Neste, apesar da pandemia do novo coronavírus, o espaço atraiu 6.000 pessoas. Dentre elas o engenheiro Toshitomo Shichijo e sua mulher Suelly. Moradores da Capital, eles estiveram no parque pela primeira vez. “É incrível que exista um lugar como este tão perto de São Paulo”, comentou.

O Caminho do Mar, entretanto, já foi descoberto pelos produtores de filmes e séries e comerciais. No local, foram geradas imagens para produções como ‘Vade Retro'''''''' e ‘13 Dias Longe do Sol, da TV Globo; ‘Pico da Neblina’, da HBO; filme de terror ‘Terapia do Medo’, Sérgio Guizé e Cléo Pires, que ainda não entrou em cartaz e comerciais de vários produtos, de carros a computadores.

São muitas histórias que se renovam. De um roteiro que merece ser descoberto, visitado e até revisitado. 



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Na trilha da história

Em meio à Mata Atlântica, Parque Caminhos do Mar está em processo de concessão à iniciativa privada

Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

01/11/2020 | 23:59


A História do Brasil insiste em escalar as sinuosas curvas da Serra do Mar. É assim desde os tempos do Império. As mercadorias que desembarcavam em Santos, os estrangeiros que chegaram para trabalhar. Até Dom Pedro I, antes de soltar o brado de ‘Independência ou Morte’ às margens do riacho Ipiranga, percorreu suas trilhas. Lá também foi construída a primeira estrada concretada do País, justamente para facilitar o acesso do Planalto ao Litoral e vice-versa. Atualmente, parte deste acervo – com monumentos, vegetação diversa, quedas d’água e vistas de tirar o fôlego – é aberta à visitação pública, no Parque Caminhos do Mar. E um novo capítulo dessa história está em curso, com a concessão da área à iniciativa privada. O processo foi iniciado em setembro, e a data de recebimento dos envelopes com as ofertas dos interessados está marcada para quarta-feira.

“A área de uso público passará a ser gerida pela iniciativa privada, sendo o Estado de São Paulo o poder concedente. Caberá à Fundação Florestal a participação na comissão de acompanhamento e avaliação, comissão esta que atua na condução do contrato de concessão e o monitoramento de indicadores de qualidade. Com isso, espera-se a melhoria nos serviços de atendimento ao público, com a oferta de novas atividades e o investimento em melhorias estruturais com destaque para o restauro dos monumentos históricos existentes no parque”, afirma Diego Hernandes Rodrigues Laranja, 35 anos, diretor técnico da Fundação Florestal.

A concessão terá duração de 30 anos e o governo paulista estima receber R$ 19,78 milhões. Segundo a Fundação Florestal, o espaço recebeu várias visitas técnicas de interessados. A expectativa é a de que o processo seja concluído em cinco meses.

O vencedor ficará responsável pelo restauro dos monumentos tombados e por realizar a gestão da visitação ao local, além de implantar atrações e serviços, a exemplo de loja e lanchonete, bem como instalação de tirolesa e readequação do estacionamento. As trilhas deverão ser melhoradas, e a casa de visitas, reformada. Em contrapartida, poderá explorar financeiramente as atividades de ecoturismo e uso público.

“Certamente, os principais benefícios serão a melhoria dos serviços de atendimento ao público, especialmente pelo restauro dos monumentos históricos. E a possibilidade de dar aos cidadãos um espaço de qualidade na visitação pública, novos atrativos e melhoria dos existentes. Acreditamos também que com a concessão da área de uso público, será possível focar esforços e recursos nos outros programas de gestão, especialmente os programas de proteção e fiscalização, manejo e pesquisa da biodiversidade”, destaca Laranja.

Atualmente, são oferecidas duas modalidades de roteiros: o turístico, com nove quilômetros, em que o visitante sai de São Bernardo e tem duas opções, ir até o Padrão do Lorena e retornar ao ponto de partida, ou então seguir até o fim de estrada e deixar o parque pela portaria de Cubatão, nos arredores da Usina Presidente Bernardes. A outra é o roteiro esportivo, com 18 quilômetros, no qual o visitante vai até o fim do caminho, em Cubatão, e depois retorna. O ingresso custa R$ 32 e tem de ser reservado no site do parque https://ingressosparquespaulistas.com.br/parques/pesm-caminhos-do-mar/. 

DE ARREGALAR OS OLHOS

Na última semana, a equipe do Diário visitou o Parque Caminhos do Mar em dia de condições climáticas extremamente favoráveis, com tempo aberto, sol e temperatura amena. Na companhia do gestor Nilton de Oliveira Peres, 56, que deu uma aula sobre os monumentos que compõem o trajeto, vegetação e animais da mata atlântica.

“Para mim, este cenário é como uma paleta de cores na mão de um artista. A cada dia ele pinta o que quiser”, afirmou Peres, quando questionado sobre o que mais lhe impressiona no parque, onde atua há 11 anos. 

Logo no início do passeio, chamou a atenção marcas deixadas por uma anta, que diariamente atravessa o asfalto. “Teve um tempo em que ela passava por aqui junto com um filhote”, relembra o gestor. No meio da trilha, mais detalhes da vida animal na serra. Peres mostrou os sinais deixado por, possivelmente, uma jaguatirica, que escolheu o Padrão do Lorena como seu local de pernoite. 

Na maioria dos monumentos – Casa de Visitas, Pouso de Paranapiacaba, Calçada do Lorena e Rancho da Maioridade –, que em virtude da pandemia só têm visitação na parte externa, já existem nas paredes marcas de estudo para futuro restauro, que deverá ser feito pelo vencedor da concorrência.

Com o avanço do passeio, saltaram aos olhos as belezas naturais, com o ponto batizado de Curva do Uau. O local recebeu o nome em razão da interjeição de espanto esboçada pelos visitantes (“Uau…”). De lá, em dias de tempo aberto, descortina-se visual fantástico das cidades do Litoral e do mar, com navios chegando ao Porto de Santos.

TERRA DE DESCOBERTAS

Durante o ano passado, o Parque Caminhos do Mar recebeu 17 mil visitantes. Neste, apesar da pandemia do novo coronavírus, o espaço atraiu 6.000 pessoas. Dentre elas o engenheiro Toshitomo Shichijo e sua mulher Suelly. Moradores da Capital, eles estiveram no parque pela primeira vez. “É incrível que exista um lugar como este tão perto de São Paulo”, comentou.

O Caminho do Mar, entretanto, já foi descoberto pelos produtores de filmes e séries e comerciais. No local, foram geradas imagens para produções como ‘Vade Retro'''''''' e ‘13 Dias Longe do Sol, da TV Globo; ‘Pico da Neblina’, da HBO; filme de terror ‘Terapia do Medo’, Sérgio Guizé e Cléo Pires, que ainda não entrou em cartaz e comerciais de vários produtos, de carros a computadores.

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