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Grande ABC tem 164 áreas de risco sujeitas a deslizamentos

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Segundo Defesa Civil do Estado, situações mais complicadas estão em São Bernardo e Mauá


Yasmim Assagra
Do Diário do Grande ABC

28/10/2020 | 08:29


 A quatro dias do início da Operação Chuvas de Verão, implantada pela Defesa Civil estadual – que vigorará até 31 de março –, profissionais começaram análises em alguns pontos críticos do Grande ABC, principalmente em Mauá e São Bernardo. São 30 áreas de riscos em cada uma das cidades e, em todo Grande ABC, são pelo menos 164 setores considerados de risco para alagamentos e deslizamentos. O monitoramento consiste na tentativa de evitar tragédias como as observadas nos últimos anos.

De acordo com o diretor da Defesa Civil do Estado, tenente-coronel da PM (Polícia Militar) Henguel Ricardo Pereira, os pontos analisados levam em consideração números da última operação (de 2019 para 2020). Apesar de Diadema ter mais pontos, com 47, as áreas de Mauá e São Bernardo são as que mais preocupam as autoridades por possuírem “relevo acentuado”, segundo Pereira. Santo André tem 38 setores de atenção, seguida de Rio Grande da Serra, com 12, e São Caetano, com sete. Ribeirão Pires não aparece na lista.

“O sistema da Defesa Civil (estadual) é diretamente ligado aos municipais, já que os municípios também possuem o controle destes locais. O (Grande) ABC possui cinturão de relevo bem acentuado, principalmente Mauá, com áreas preocupantes pelos bairros do Zaíra”, detalha. Em São Bernardo, a Vila São Pedro e Ferrazópolis são locais mais perigosos. 

 Os profissionais da Defesa Civil monitoram, diariamente, a quantidade de chuva prevista, além de possíveis alterações no solo. “Contamos com o auxílio de plataformas que medem quanto chove em cada região. Através deste volume e o tempo coletado, temos a estimativa dos milímetros que choveu. Geralmente, com 80 milímetros já é um alerta”, detalha o diretor da Defesa Civil. São pelo menos 70 pluviômetros espalhados pela região. 

“Infelizmente, a maioria desses pontos costuma ter moradias e, entre a chuva e o vento, a probabilidade de possível deslizamento é grande. Após analisarmos as chuvas no local, os profissionais realizam vistoria e, se necessário, retiramos as famílias. Nós não colocamos em risco a vida destas pessoas”, garante Henguel. 

De acordo com as prefeituras, as equipes da Defesa Civil municipais estão sendo treinadas por profissionais da pasta estadual. Além disso, já iniciaram também ações de conscientização na cidade, principalmente com relação às sujeiras em bocas de lobos e galerias de águas pluviais. São Bernardo e Santo André dizem que fazem monitoramento pluviométrico visando observar feições de instabilidade. São Caetano ressaltou as câmeras que monitoram níveis dos rios que cortam a cidade.

ÚLTIMA OPERAÇÃO

 De acordo com relatório divulgado pela Defesa Civil, a operação realizada entre 2019 e 2020 teve números melhores do que a anterior. No total, 110 pessoas ficaram desalojadas por causa de possíveis deslizamentos. Na operação anterior, foram 1.797. Com relação ao registro de moradores feridos, foram apenas três na operação do fim do ano passado, contra 13 do ano anterior. 

MORADORES LIGAM SINAL DE ALERTA E RELATAM ANGÚSTIA

 Mesmo nos períodos em que a chuva não castiga tanto, os reflexos de tragédias do passado ainda torturam os moradores que precisam viver em áreas sujeitas a deslizamentos ou alagamentos pela região. Em um dos pontos analisados pela Defesa Civil do Estado, moradores do Jardim Zaíra 6, em Mauá, se preocupam com a situação do local. 

 Em fevereiro de 2019, na Rua Ane Altomar, mãe e casal de filhos foram surpreendidos por desmoronamento. Na época, a mãe, Talita dos Santos Silva, 35 anos, foi resgatada com vida, mas em estado grave, porém, os filhos, os irmãos Maria Heloísa dos Santos, 1 ano, e Miguel dos Santos, 9, foram encontrados sem vida após a tragédia. 

 Atualmente, ao lado do local, a desempregada Elisângela Aparecida, 43, mora com a amiga, a dona de casa Daniele Rodrigues, 23, e seus filhos, Enzo, 7, e Arthur, 7. Enzo é deficiente físico e Elisângela não esconde a preocupação quando começa a chover. “A gente não dorme. Qualquer barulho diferente, já ficamos em alerta, já preparo os meninos e qualquer coisa, tentamos pedir ajuda ou correr. É uma insegurança sem fim”, lamenta a moradora. 

 Elisângela comenta que, se caso acontecer de interditarem a casa, eles não têm para onde ir. “O jeito é rezar e pedir que, por enquanto, isso não aconteça. Mas se for inevitável, a busca será por família ou por amigos para essa acolhida”, comenta. 

 Em São Bernardo, na Rua da Bica, na Vila São Pedro, o cenário é muito parecido com o de Mauá e também sofreu com deslizamentos em 2019. “Se uma árvore lá de cima cair, acerta duas ou três casas. Agora, se uma casa lá de cima, com um ou dois andares, despencar, sinceramente não sei o que pode acontecer. Só nos resta rezar e pedir para que nada nos aconteça”, comenta Estevan Simplício, 58, que mora no local há mais de 30 anos e atualmente trabalha com reciclagem.

 Em 2019, dez pessoas perderam a vida na região vítimas de enchentes ou escorregamento de terra.



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Grande ABC tem 164 áreas de risco sujeitas a deslizamentos

Segundo Defesa Civil do Estado, situações mais complicadas estão em São Bernardo e Mauá

Yasmim Assagra
Do Diário do Grande ABC

28/10/2020 | 08:29


 A quatro dias do início da Operação Chuvas de Verão, implantada pela Defesa Civil estadual – que vigorará até 31 de março –, profissionais começaram análises em alguns pontos críticos do Grande ABC, principalmente em Mauá e São Bernardo. São 30 áreas de riscos em cada uma das cidades e, em todo Grande ABC, são pelo menos 164 setores considerados de risco para alagamentos e deslizamentos. O monitoramento consiste na tentativa de evitar tragédias como as observadas nos últimos anos.

De acordo com o diretor da Defesa Civil do Estado, tenente-coronel da PM (Polícia Militar) Henguel Ricardo Pereira, os pontos analisados levam em consideração números da última operação (de 2019 para 2020). Apesar de Diadema ter mais pontos, com 47, as áreas de Mauá e São Bernardo são as que mais preocupam as autoridades por possuírem “relevo acentuado”, segundo Pereira. Santo André tem 38 setores de atenção, seguida de Rio Grande da Serra, com 12, e São Caetano, com sete. Ribeirão Pires não aparece na lista.

“O sistema da Defesa Civil (estadual) é diretamente ligado aos municipais, já que os municípios também possuem o controle destes locais. O (Grande) ABC possui cinturão de relevo bem acentuado, principalmente Mauá, com áreas preocupantes pelos bairros do Zaíra”, detalha. Em São Bernardo, a Vila São Pedro e Ferrazópolis são locais mais perigosos. 

 Os profissionais da Defesa Civil monitoram, diariamente, a quantidade de chuva prevista, além de possíveis alterações no solo. “Contamos com o auxílio de plataformas que medem quanto chove em cada região. Através deste volume e o tempo coletado, temos a estimativa dos milímetros que choveu. Geralmente, com 80 milímetros já é um alerta”, detalha o diretor da Defesa Civil. São pelo menos 70 pluviômetros espalhados pela região. 

“Infelizmente, a maioria desses pontos costuma ter moradias e, entre a chuva e o vento, a probabilidade de possível deslizamento é grande. Após analisarmos as chuvas no local, os profissionais realizam vistoria e, se necessário, retiramos as famílias. Nós não colocamos em risco a vida destas pessoas”, garante Henguel. 

De acordo com as prefeituras, as equipes da Defesa Civil municipais estão sendo treinadas por profissionais da pasta estadual. Além disso, já iniciaram também ações de conscientização na cidade, principalmente com relação às sujeiras em bocas de lobos e galerias de águas pluviais. São Bernardo e Santo André dizem que fazem monitoramento pluviométrico visando observar feições de instabilidade. São Caetano ressaltou as câmeras que monitoram níveis dos rios que cortam a cidade.

ÚLTIMA OPERAÇÃO

 De acordo com relatório divulgado pela Defesa Civil, a operação realizada entre 2019 e 2020 teve números melhores do que a anterior. No total, 110 pessoas ficaram desalojadas por causa de possíveis deslizamentos. Na operação anterior, foram 1.797. Com relação ao registro de moradores feridos, foram apenas três na operação do fim do ano passado, contra 13 do ano anterior. 

MORADORES LIGAM SINAL DE ALERTA E RELATAM ANGÚSTIA

 Mesmo nos períodos em que a chuva não castiga tanto, os reflexos de tragédias do passado ainda torturam os moradores que precisam viver em áreas sujeitas a deslizamentos ou alagamentos pela região. Em um dos pontos analisados pela Defesa Civil do Estado, moradores do Jardim Zaíra 6, em Mauá, se preocupam com a situação do local. 

 Em fevereiro de 2019, na Rua Ane Altomar, mãe e casal de filhos foram surpreendidos por desmoronamento. Na época, a mãe, Talita dos Santos Silva, 35 anos, foi resgatada com vida, mas em estado grave, porém, os filhos, os irmãos Maria Heloísa dos Santos, 1 ano, e Miguel dos Santos, 9, foram encontrados sem vida após a tragédia. 

 Atualmente, ao lado do local, a desempregada Elisângela Aparecida, 43, mora com a amiga, a dona de casa Daniele Rodrigues, 23, e seus filhos, Enzo, 7, e Arthur, 7. Enzo é deficiente físico e Elisângela não esconde a preocupação quando começa a chover. “A gente não dorme. Qualquer barulho diferente, já ficamos em alerta, já preparo os meninos e qualquer coisa, tentamos pedir ajuda ou correr. É uma insegurança sem fim”, lamenta a moradora. 

 Elisângela comenta que, se caso acontecer de interditarem a casa, eles não têm para onde ir. “O jeito é rezar e pedir que, por enquanto, isso não aconteça. Mas se for inevitável, a busca será por família ou por amigos para essa acolhida”, comenta. 

 Em São Bernardo, na Rua da Bica, na Vila São Pedro, o cenário é muito parecido com o de Mauá e também sofreu com deslizamentos em 2019. “Se uma árvore lá de cima cair, acerta duas ou três casas. Agora, se uma casa lá de cima, com um ou dois andares, despencar, sinceramente não sei o que pode acontecer. Só nos resta rezar e pedir para que nada nos aconteça”, comenta Estevan Simplício, 58, que mora no local há mais de 30 anos e atualmente trabalha com reciclagem.

 Em 2019, dez pessoas perderam a vida na região vítimas de enchentes ou escorregamento de terra.

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