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Indústria da região perde 91 mil empregos em uma década

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com salário médio de R$ 4.617, setor foi o mais afetado; valor adicionado despencou 41%


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

28/10/2020 | 00:05


As indústrias do Grande ABC perderam, em uma década, 91,2 mil empregos. Desses, cerca de 60 mil, ou dois terços, foram no setor metalmecânico. Para se ter ideia do peso desse segmento, que abrange empresas fornecedoras do setor automotivo, ele é responsável por gerar 50% das vagas nas fábricas das sete cidades.

Hoje, as indústrias da região empregam 170.515 profissionais – 24% dos 713 mil trabalhadores com carteira assinada do Grande ABC até agosto de 2020. Dez anos atrás, eram 799 mil ao todo, sendo 261,8 mil no segmento fabril, ou seja, 32% do total. No período, os empregos nas fábricas diminuíram 35%.

Os dados são do Novo Caged, do Ministério da Economia, e foram compilados no estudo A crise no Meio da Crise: o Comportamento da Indústria no Grande ABC (2010/2020) do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade de Municipal de São Caetano).

A perda do emprego no ramo produtivo decorre, segundo os autores do levantamento, além das crises na economia desde 2010, incluindo a ocasionada pela pandemia do novo coronavírus neste ano (que, sozinha, eliminou 10 mil postos industriais – em todos os setores foram 37 mil), da ausência de políticas públicas voltadas ao setor no País, no Estado e na região. “A adoção do teto dos gastos públicos, os cortes nos financiamentos em pesquisa e desenvolvimento, a redução dos desembolsos do BNDES para o setor produtivo, assim como as reformas previdenciária e trabalhista tendem a aprofundar os já preocupantes números da economia do Grande ABC”, diz o estudo.

EVASÃO

A região tem visto grandes indústrias fecharem as portas ou se transferirem a outras localidades. Recentemente, a Toyota anunciou a transferência de sua sede administrativa para Sorocaba, no Interior. Mesma situação da Mangels, cuja mudança foi para Três Corações (Minas Gerais). E, no ano passado, a Ford encerrou história de 52 anos em São Bernardo. E, quando se fala nas pequenas autopeças, a situação é mais grave. Tanto por não terem acesso a ferramentas de manutenção de emprego às quais as montadoras dispõem como por não possuírem reservas financeiras e, diante da redução nos pedidos, acabarem demitindo. Tanto que Diadema, por concentrar fábricas menores, foi a cidade mais impactada, ao perder 41,5% de suas ocupações em uma década (-24,4 mil, para 35.791); Santo André enxugou 36,5% (-13 mil, para 22.580); Mauá, 34,3% (-10 mil, para 18.507) e São Bernardo, 33,6% (-34 mil, para 67.200).

Além do setor metalmecânico, que perdeu 60 mil postos nos últimos dez anos (saldo de admissões menos cortes), os ramos que mais demitiram foram borracha, fumos e couros, que eliminou 10 mil vagas, e químico, com 8.000 baixas.

“É preciso haver discussão capitaneada pelos governantes e reunindo atores como universidades e sindicatos sobre como manter as indústrias que estão aqui e atrair novas empresas do setor, que é o que agrega mais à economia e paga os maiores salários”, assinala uma dos quatro autores do estudo, Zeíra Camargo, economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O rendimento médio do trabalhador na indústria regional é de R$ 4.617, enquanto que o valor médio pago pelos outros setores, como serviços, comércio e construção civil, é de R$ 2.869. “O salário na indústria é 61% maior. E quanto mais pessoas têm melhor remuneração, mais a economia cresce, porque esse dinheiro volta sob a forma do consumo”, explica.

MENOS RIQUEZAS

Tanto que, de 2010 a 2017, conforme os últimos dados disponibilizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o VA (Valor Adicionado) da indústria do Grande ABC, que é o PIB (Produto Interno Bruto) menos os impostos, ou seja, o que efetivamente é injetado na economia, caiu quase que pela metade. O setor foi o mais prejudicado, com redução de 41%, de R$ 50,2 bilhões para R$ 29,6 bilhões. A queda no VA da região como um todo foi menos intensa, de 15%, de R$ 126,8 bilhões para R$ 107,7 bilhões – os valores foram deflacionados e atualizados para dezembro de 2019. Se em 2010 o segmento contribuía com 39,6% do VA regional, em 2017 representava somente 27,5%. Com o encolhimento do setor fabril no Grande ABC, seu peso no Estado de São Paulo também caiu, de 10,4% para 7,4%.

“É necessário, inclusive, que seja reavaliado plano diretor dos municípios, pois as indústrias estão cada vez mais inseridas em áreas residenciais ou mistas, o que por vezes inibe a expansão das operações. Há alguns anos, a Ford passou por percalço quando retomou seu terceiro turno, de madrugada, e moradores de prédios ao lado reclamaram do barulho. É algo que precisa ser solucionado para que a região continue atraindo empresas geradoras de emprego e renda”, disse Zeíra. “Notamos que o setor automobilístico, que já foi protagonista, hoje perdeu espaço. A indústria da região deve passar por reconversão, e não depender só desse segmento, nem apenas produzir máscaras e equipamentos médicos durante a pandemia. É preciso mudança definitiva. Precisamos olhar para outros setores que atendam às demandas atuais, que customizem conforme a necessidade, que desenvolvam tecnologia. Temos DNA produtor e criativo.” 



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