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PF: o que destrói a Amazônia é, sobretudo, grilagem e extração de madeira

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


22/10/2020 | 12:57


As atividades agropecuárias não são o principal responsável pelo desmatamento da Amazônia, afirmou nesta quinta-feira o superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Saraiva. A derrubada da floresta é feita, principalmente, para a extração ilegal de madeira e para a grilagem de terras, a cargo de uma "organização criminosa", segundo o delegado. "Não estou dizendo que o setor agrícola não tenha cota de responsabilidade no desmatamento, mas uma grande parte do desmatamento é produzida por uma organização criminosa", afirmou o superintendente da PF no Amazonas.

"O tráfico internacional de madeira é a mola mestra do desmatamento", acrescentou Saraiva, num painel durante a Semana BNDES Verde, iniciada na última segunda-feira, 19, com seminários transmitidos pela internet todos os dias até a sexta-feira, 23. "O desmatamento é feito por uma organização criminosa, com tentáculos em várias áreas da sociedade, incluindo o serviço público", completou o superintendente da PF no Amazonas.

Segundo Saraiva, investigações como as da Operação Arquimedes mostraram que servidores públicos de órgãos ambientais, incluindo estaduais, participam de esquemas de extração ilegal de madeira, dando licenças fraudulentas para a exploração de terras. Por isso, o combate ao desmatamento passa pela investigação e o enfrentamento do tráfico internacional de madeira.

O Superintendente da PF no Amazonas destacou que a observação de campo mostra que as áreas desmatadas na Amazônia não são ocupadas por produção agropecuária. Em geral, as terras ficam degradadas, após a extração de madeira para o tráfico internacional, e depois são griladas.

Para sustentar a observação, Saraiva citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontariam que, nos últimos dez anos, o rebanho bovino de Apuí (AM), município onde o desmatamento mais cresce, se manteve inalterado em torno de 140 mil cabeças. Enquanto isso, é possível encontrar, em sites nos Estados Unidos e na Europa, o ipê brasileiro a preços equivalentes aos de madeiras nativas desses locais, como o pinus.

Saraiva aproveitou para criticar a postura de países europeus, que cobram do Brasil o controle do desmatamento, mas fazem pouco pelo controle da compra de madeira ilegal. Segundo o superintendente da PF no Amazonas, enquanto a legislação da União Europeia (UE) impõe severas regras de rastreabilidade da carne bovina exportada pelo Brasil, nada cobra sobre a origem da madeira brasileira e amazônica vendida na Europa.

Desmatamento

Alexandre Saraiva também afirmou que é otimista em relação ao sucesso no combate à derrubada ilegal da floresta. "A situação é grave, mas estamos trabalhando", afirmou Saraiva no painel da Semana BNDES Verde.

Segundo o delegado, nos últimos dois anos, houve avanços nas ferramentas tecnológicas disponíveis para combater os crimes ambientais na Amazônia. Saraiva frisou que a extração de madeira em áreas de conservação é ilegal porque são terras da União, um bem público, que, além disso, "têm valor".

"Vim há dez anos para a Amazônia, como voluntário. Não tinha otimismo, mas, depois desse tempo, sou otimista, acho que vamos reverter o quadro", afirmou Saraiva.



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PF: o que destrói a Amazônia é, sobretudo, grilagem e extração de madeira


22/10/2020 | 12:57


As atividades agropecuárias não são o principal responsável pelo desmatamento da Amazônia, afirmou nesta quinta-feira o superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Saraiva. A derrubada da floresta é feita, principalmente, para a extração ilegal de madeira e para a grilagem de terras, a cargo de uma "organização criminosa", segundo o delegado. "Não estou dizendo que o setor agrícola não tenha cota de responsabilidade no desmatamento, mas uma grande parte do desmatamento é produzida por uma organização criminosa", afirmou o superintendente da PF no Amazonas.

"O tráfico internacional de madeira é a mola mestra do desmatamento", acrescentou Saraiva, num painel durante a Semana BNDES Verde, iniciada na última segunda-feira, 19, com seminários transmitidos pela internet todos os dias até a sexta-feira, 23. "O desmatamento é feito por uma organização criminosa, com tentáculos em várias áreas da sociedade, incluindo o serviço público", completou o superintendente da PF no Amazonas.

Segundo Saraiva, investigações como as da Operação Arquimedes mostraram que servidores públicos de órgãos ambientais, incluindo estaduais, participam de esquemas de extração ilegal de madeira, dando licenças fraudulentas para a exploração de terras. Por isso, o combate ao desmatamento passa pela investigação e o enfrentamento do tráfico internacional de madeira.

O Superintendente da PF no Amazonas destacou que a observação de campo mostra que as áreas desmatadas na Amazônia não são ocupadas por produção agropecuária. Em geral, as terras ficam degradadas, após a extração de madeira para o tráfico internacional, e depois são griladas.

Para sustentar a observação, Saraiva citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontariam que, nos últimos dez anos, o rebanho bovino de Apuí (AM), município onde o desmatamento mais cresce, se manteve inalterado em torno de 140 mil cabeças. Enquanto isso, é possível encontrar, em sites nos Estados Unidos e na Europa, o ipê brasileiro a preços equivalentes aos de madeiras nativas desses locais, como o pinus.

Saraiva aproveitou para criticar a postura de países europeus, que cobram do Brasil o controle do desmatamento, mas fazem pouco pelo controle da compra de madeira ilegal. Segundo o superintendente da PF no Amazonas, enquanto a legislação da União Europeia (UE) impõe severas regras de rastreabilidade da carne bovina exportada pelo Brasil, nada cobra sobre a origem da madeira brasileira e amazônica vendida na Europa.

Desmatamento

Alexandre Saraiva também afirmou que é otimista em relação ao sucesso no combate à derrubada ilegal da floresta. "A situação é grave, mas estamos trabalhando", afirmou Saraiva no painel da Semana BNDES Verde.

Segundo o delegado, nos últimos dois anos, houve avanços nas ferramentas tecnológicas disponíveis para combater os crimes ambientais na Amazônia. Saraiva frisou que a extração de madeira em áreas de conservação é ilegal porque são terras da União, um bem público, que, além disso, "têm valor".

"Vim há dez anos para a Amazônia, como voluntário. Não tinha otimismo, mas, depois desse tempo, sou otimista, acho que vamos reverter o quadro", afirmou Saraiva.

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