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‘A Polícia Civil está se tornando mais tecnológica’

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ronaldo Tossunian, delegado seccional de São Bernardo


Bia Moço
Diário do Grande ABC

18/10/2020 | 23:59


À frente da Delegacia Seccional de São Bernardo, responsável também por São Caetano, desde janeiro de 2019, o delegado Ronaldo Tossunian, 58 anos, avalia que deixará sua marca em sua primeira passagem pela Polícia Civil do Grande ABC, tendo como legado “mais velocidade para a seccional”. Com 30 anos de profissão na Capital, revela que tem como objetivo diminuir índices criminais nas duas cidades que coordena, sobretudo os de patrimônio. E elogia os avanços na investigação e no combate intensivo ao crime organizado, frutos de mais tecnologia e investimentos na segurança pública.

Quanto tempo o senhor tem de profissão e como foi sua trajetória na Polícia Civil?

São 30 anos de profissão, todos como delegado. Me formei em direito em 1988, pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), na Capital. No finalzinho de 1989 passei em um concurso público e, desde então, estou delegado de polícia. O começo da minha carreira foi em DP (Distrito Policial) territorial de plantão, que é o caminho normal até hoje de qualquer policial, seja ele delegado ou não, todos começam, obrigatoriamente, no plantão, que é uma clínica geral, onde se consegue ver de tudo e aprender sobre a maioria dos crimes que o profissional vai encontrar em uma atividade policial. Depois fui assistente de um delegado seccional em Santo Amaro, na Capital, tive uma pequena passagem pelo Detran (Departamento de Trânsito), quando ainda era de competência da Polícia Civil, e então fui para o Deic (Departamento de Investigações Criminais) de São Paulo, onde vivi 15 anos da minha carreira. Passei pela Denarc (Delegacia de Narcóticos), depois Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), e fui seccional da delegacia de Santo Amaro, na Capital, antes de vir para cá.

Qual a sua vivência no Grande ABC?

No Grande ABC é minha primeira passagem. Tive um pouco de surpresa em trabalhar na Grande São Paulo. Pude perceber que é muito diferente se comparado à Capital. Aqui temos a proximidade entre os órgãos de segurança, como GCM (Guarda Civil Municipal), PM (Polícia  Militar) e Polícia Civil. Fora isso, temos também uma relação muito boa com o MP (Ministério Público) e o Poder Judiciário. O contato dos prefeitos com os órgãos de segurança é muito bom e produtivo. As GCMs são muito fortes e muito bem estruturadas. Esses agentes têm papel fundamental, na minha opinião. Apesar de, constitucionalmente, não terem a atribuição de repressão, eles fazem trabalho excelente. 

As duas cidades que a Seccional responde, São Bernardo e São Caetano, mantêm hoje sistema integrado de monitoramento. Como isso pode auxiliar a Polícia Civil, sobretudo nas investigações?

Nesses meus 30 anos na polícia, sempre houve a preocupação de as instituições de segurança falarem entre si. O COI (Centro de Operações Integradas) aparece aí como uma proposta de campanha do governador do PSDB, o João Doria, somado à iniciativa dos prefeitos também. Em São Bernardo, por exemplo, de um lado temos o Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar), e, do outro, o Deic, em um mesmo prédio, onde há uma intensa troca de informações. Além disso, temos reuniões periódicas entre os três seccionais e o comando da Polícia Militar, que serve para debater índices criminais e, às vezes, caso a caso também. Há trocas de informação e de preocupação.

Quais as melhoras no trabalho da Polícia Civil?

Nosso delegado geral, Ruy Ferraz Fontes, está investindo nesse combate ao crime organizado e em sistemas de tecnologia. A Polícia Civil está se tornando muito mais tecnológica. Temos muitas novas ferramentas que estão sendo úteis para investigar. A questão do reconhecimento facial, por exemplo, é um avanço que só com os olhos conseguimos identificar uma pessoa. Chegamos a esse nível de sofisticação. O que se via em primeiro mundo, em filme, hoje é possível fazer aqui, e temos isso. A Polícia Civil está se renovando, se reinventando, está cada dia melhor. Estamos evoluindo muito. A polícia agora deixa de trabalhar do criminoso para o crime, e virou técnica, trabalhando do crime para o criminoso. A delegacia eletrônica, com a pandemia, veio para ajudar a população. Foi ampliada, para que mais boletins de ocorrência possam ser feitos sem que a pessoa saia de casa. E tem esclarecido muitos casos, principalmente os de violência doméstica, em que se tem medidas imediatas. Foi um grande avanço.

A Polícia Civil está também mais focada?

O diretor do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo), Luis Augusto Castilho Storni, o subsecretário da Segurança Pública, Youssef Abou Chahin, e o delegado geral de polícia, Ruy Ferraz Fontes, têm formação investigativa. E hoje temos muito mais essa força do que em outras ocasiões. Temos uma polícia mais investigativa, que é nosso papel principal. Estamos aqui para esclarecer crimes. O que não foi possível evitar, cabe a nós levantar. Quando se tira uma quadrilha de circulação, evita que novos crimes aconteçam. Tudo é ligado, um no outro.

O Grande ABC, sobretudo São Bernardo, está se destacando por grandes apreensões de drogas. Ao que se deve esse resultado?

A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), que hoje faz parte do Deic, é uma unidade especializada em tráfico de entorpecentes e temos lá policiais que cuidam só disso. O Baep, por sua vez, quando tem uma informação, checa todas as possibilidade, e o nosso trabalho é mais investigativo, envolvendo quebra de censura telefônica etc. Quando desencadeia uma operação, é mais trabalhada e, hoje, além da Dise, que investiga o tráfico propriamente dito, temos a especializada em lavagem de dinheiro, que vai buscar as organizações crimino<CS10.3>sas. A investigação está mais refinada, não se combate efetivamente a grande apreensão, mas mexe no bolso de quem comanda o tráfico. Não é só combater o tráfico formiguinha, aquele de biqueira, mas, sim, pegar os chefes de organização. E temos tido sucesso.

Qual o principal desafio, no âmbito criminal, tanto nas duas cidades em que o senhor está à frente como no Grande ABC?

É o crime patrimonial. Homicídios temos quase que 70% de esclarecimentos. Latrocínios, que são o roubo seguido de morte, tivemos um neste ano entre São Bernardo e São Caetano. Os números, se comparados com outras regiões, são de se comemorar. Sempre falo que os cidadãos de São Bernardo e São Caetano são privilegiados.

O Diário acompanhou diversos casos de feminicídio, inclusive dois de São Bernardo nos últimos meses. Como a Polícia Civil pode trabalhar para combater os crimes de violência doméstica?

Com o advento da pandemia, tivemos um acréscimo da violência doméstica, e também de homicídios, por causa do confinamento. Mas são causas que não estão ligadas à falta de policiamento ou à falta de investigação. Como é que a polícia vai ingressar dentro da casa de alguém para evitar esse tipo de coisa? É uma discussão que a gente sempre travou, até mesmo com a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública. O que podemos dar de respostas? Uma punição exemplar. Quando cai uma questão dessa fazemos de tudo para ter o maior rigor na punição do infrator. Então punimos exemplarmente para tentar barrar um pouco isso.

Em São Caetano, com ressalva aos assaltos que ocorrem na divisa com a Capital, pouco se ouve falar em crimes. Ao que o senhor atrela esse índice?

Além de ter 15 quilômetros (quadrados) de extensão e população de 160 mil habitantes, ser uma cidade pequena e muito provinciana, existe uma GCM muito forte, quatro unidades da Polícia Civil, e a presença ostensiva da Polícia Militar. Tem também um trabalho de monitoramento integrado novo, e muito bem feito. E vejo a própria sociedade participar efetivamente. São Caetano é fora da curva. Me surpreendi quando cheguei aqui e fui pesquisar também por que é tão diferente. É uma cidade bem fechada também. As barreiras físicas dificilmente fazem o criminoso praticar o crime na cidade, e quando acontece, há resposta rápida. E tem índices ótimos. 

São Bernardo contempla um grande número de comunidades, algumas até temidas pela população. A Polícia Civil tem atuado para combater essa criminalidade, sobretudo dentro das favelas?

Incursões nessas comunidades existem sempre. Temos um pessoal aqui do GOE (Grupo de Operações Especiais), ligado também ao Deic, que sempre estão nessas grande comunidades. Não vou dizer que é exclusivo de comunidade o crime. Não é. Mas o maior índice, infelizmente, ainda está ligado às comunidades. E nunca deixamos de cumprir com rigor as visitas e mandados. Acho que o econômico está ligado à violência. Nem todo indivíduo que mora em uma comunidade é do crime, mas os bandidos se usam da comunidade para se esconder.

O senhor está há um ano e nove meses à frente da Delegacia Seccional de São Bernardo, e pela primeira vez atuando no Grande ABC. Quais principais desafios encontrou?

Eu imprimi um pouco do meu ritmo de trabalho aqui. Vim da Capital, e falo que lá, na região onde estava, em Santo Amaro, 80% são carentes. Vendo o que era São Bernardo e São Caetano, tentei  imprimir minha velocidade. Até brincava com o pessoal em reuniões, ultimamente por videoconferência, que eu não aceitaria o morno. Temos de ir para cima de qualquer tipo de crime, e dar resposta efetiva. Empreguei um pouco disso. Meu desafio foi tentar trazer maior velocidade para a Polícia Civil. Temos excelentes profissionais, que estão na região há muito tempo. A polícia lida com tempo, que é contra a gente. Aconteceu um crime, temos de dar resposta rápida. A minha marca é essa, meu desafio era trazer mais velocidade para a seccional, e fiz o pessoal se movimentar mais. Eu sou um gestor, os policiais é que estão na linha de frente. E procuro sempre dar um Norte. Somos servidores públicos. Quem é nosso patrão? É a comunidade. Devemos respeito, carinho e obrigação de investigar melhor. E tem surtido efeito. E cobro resultado. É uma tônica minha. A polícia tem que investigar e esclarecer.

Quais as projeções para o futuro?

Tinha um monte, mudado pela pandemia. Havia projetado em janeiro série de coisas para este ano, e tivemos de nos moldar ao novo mundo. Com a retomada dos serviços, temos as metas em pauta de novo, para melhorar os índices, principalmente de crime patrimonial. É nosso objetivo.



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‘A Polícia Civil está se tornando mais tecnológica’

Ronaldo Tossunian, delegado seccional de São Bernardo

Bia Moço
Diário do Grande ABC

18/10/2020 | 23:59


À frente da Delegacia Seccional de São Bernardo, responsável também por São Caetano, desde janeiro de 2019, o delegado Ronaldo Tossunian, 58 anos, avalia que deixará sua marca em sua primeira passagem pela Polícia Civil do Grande ABC, tendo como legado “mais velocidade para a seccional”. Com 30 anos de profissão na Capital, revela que tem como objetivo diminuir índices criminais nas duas cidades que coordena, sobretudo os de patrimônio. E elogia os avanços na investigação e no combate intensivo ao crime organizado, frutos de mais tecnologia e investimentos na segurança pública.

Quanto tempo o senhor tem de profissão e como foi sua trajetória na Polícia Civil?

São 30 anos de profissão, todos como delegado. Me formei em direito em 1988, pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), na Capital. No finalzinho de 1989 passei em um concurso público e, desde então, estou delegado de polícia. O começo da minha carreira foi em DP (Distrito Policial) territorial de plantão, que é o caminho normal até hoje de qualquer policial, seja ele delegado ou não, todos começam, obrigatoriamente, no plantão, que é uma clínica geral, onde se consegue ver de tudo e aprender sobre a maioria dos crimes que o profissional vai encontrar em uma atividade policial. Depois fui assistente de um delegado seccional em Santo Amaro, na Capital, tive uma pequena passagem pelo Detran (Departamento de Trânsito), quando ainda era de competência da Polícia Civil, e então fui para o Deic (Departamento de Investigações Criminais) de São Paulo, onde vivi 15 anos da minha carreira. Passei pela Denarc (Delegacia de Narcóticos), depois Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), e fui seccional da delegacia de Santo Amaro, na Capital, antes de vir para cá.

Qual a sua vivência no Grande ABC?

No Grande ABC é minha primeira passagem. Tive um pouco de surpresa em trabalhar na Grande São Paulo. Pude perceber que é muito diferente se comparado à Capital. Aqui temos a proximidade entre os órgãos de segurança, como GCM (Guarda Civil Municipal), PM (Polícia  Militar) e Polícia Civil. Fora isso, temos também uma relação muito boa com o MP (Ministério Público) e o Poder Judiciário. O contato dos prefeitos com os órgãos de segurança é muito bom e produtivo. As GCMs são muito fortes e muito bem estruturadas. Esses agentes têm papel fundamental, na minha opinião. Apesar de, constitucionalmente, não terem a atribuição de repressão, eles fazem trabalho excelente. 

As duas cidades que a Seccional responde, São Bernardo e São Caetano, mantêm hoje sistema integrado de monitoramento. Como isso pode auxiliar a Polícia Civil, sobretudo nas investigações?

Nesses meus 30 anos na polícia, sempre houve a preocupação de as instituições de segurança falarem entre si. O COI (Centro de Operações Integradas) aparece aí como uma proposta de campanha do governador do PSDB, o João Doria, somado à iniciativa dos prefeitos também. Em São Bernardo, por exemplo, de um lado temos o Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar), e, do outro, o Deic, em um mesmo prédio, onde há uma intensa troca de informações. Além disso, temos reuniões periódicas entre os três seccionais e o comando da Polícia Militar, que serve para debater índices criminais e, às vezes, caso a caso também. Há trocas de informação e de preocupação.

Quais as melhoras no trabalho da Polícia Civil?

Nosso delegado geral, Ruy Ferraz Fontes, está investindo nesse combate ao crime organizado e em sistemas de tecnologia. A Polícia Civil está se tornando muito mais tecnológica. Temos muitas novas ferramentas que estão sendo úteis para investigar. A questão do reconhecimento facial, por exemplo, é um avanço que só com os olhos conseguimos identificar uma pessoa. Chegamos a esse nível de sofisticação. O que se via em primeiro mundo, em filme, hoje é possível fazer aqui, e temos isso. A Polícia Civil está se renovando, se reinventando, está cada dia melhor. Estamos evoluindo muito. A polícia agora deixa de trabalhar do criminoso para o crime, e virou técnica, trabalhando do crime para o criminoso. A delegacia eletrônica, com a pandemia, veio para ajudar a população. Foi ampliada, para que mais boletins de ocorrência possam ser feitos sem que a pessoa saia de casa. E tem esclarecido muitos casos, principalmente os de violência doméstica, em que se tem medidas imediatas. Foi um grande avanço.

A Polícia Civil está também mais focada?

O diretor do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo), Luis Augusto Castilho Storni, o subsecretário da Segurança Pública, Youssef Abou Chahin, e o delegado geral de polícia, Ruy Ferraz Fontes, têm formação investigativa. E hoje temos muito mais essa força do que em outras ocasiões. Temos uma polícia mais investigativa, que é nosso papel principal. Estamos aqui para esclarecer crimes. O que não foi possível evitar, cabe a nós levantar. Quando se tira uma quadrilha de circulação, evita que novos crimes aconteçam. Tudo é ligado, um no outro.

O Grande ABC, sobretudo São Bernardo, está se destacando por grandes apreensões de drogas. Ao que se deve esse resultado?

A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), que hoje faz parte do Deic, é uma unidade especializada em tráfico de entorpecentes e temos lá policiais que cuidam só disso. O Baep, por sua vez, quando tem uma informação, checa todas as possibilidade, e o nosso trabalho é mais investigativo, envolvendo quebra de censura telefônica etc. Quando desencadeia uma operação, é mais trabalhada e, hoje, além da Dise, que investiga o tráfico propriamente dito, temos a especializada em lavagem de dinheiro, que vai buscar as organizações crimino<CS10.3>sas. A investigação está mais refinada, não se combate efetivamente a grande apreensão, mas mexe no bolso de quem comanda o tráfico. Não é só combater o tráfico formiguinha, aquele de biqueira, mas, sim, pegar os chefes de organização. E temos tido sucesso.

Qual o principal desafio, no âmbito criminal, tanto nas duas cidades em que o senhor está à frente como no Grande ABC?

É o crime patrimonial. Homicídios temos quase que 70% de esclarecimentos. Latrocínios, que são o roubo seguido de morte, tivemos um neste ano entre São Bernardo e São Caetano. Os números, se comparados com outras regiões, são de se comemorar. Sempre falo que os cidadãos de São Bernardo e São Caetano são privilegiados.

O Diário acompanhou diversos casos de feminicídio, inclusive dois de São Bernardo nos últimos meses. Como a Polícia Civil pode trabalhar para combater os crimes de violência doméstica?

Com o advento da pandemia, tivemos um acréscimo da violência doméstica, e também de homicídios, por causa do confinamento. Mas são causas que não estão ligadas à falta de policiamento ou à falta de investigação. Como é que a polícia vai ingressar dentro da casa de alguém para evitar esse tipo de coisa? É uma discussão que a gente sempre travou, até mesmo com a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública. O que podemos dar de respostas? Uma punição exemplar. Quando cai uma questão dessa fazemos de tudo para ter o maior rigor na punição do infrator. Então punimos exemplarmente para tentar barrar um pouco isso.

Em São Caetano, com ressalva aos assaltos que ocorrem na divisa com a Capital, pouco se ouve falar em crimes. Ao que o senhor atrela esse índice?

Além de ter 15 quilômetros (quadrados) de extensão e população de 160 mil habitantes, ser uma cidade pequena e muito provinciana, existe uma GCM muito forte, quatro unidades da Polícia Civil, e a presença ostensiva da Polícia Militar. Tem também um trabalho de monitoramento integrado novo, e muito bem feito. E vejo a própria sociedade participar efetivamente. São Caetano é fora da curva. Me surpreendi quando cheguei aqui e fui pesquisar também por que é tão diferente. É uma cidade bem fechada também. As barreiras físicas dificilmente fazem o criminoso praticar o crime na cidade, e quando acontece, há resposta rápida. E tem índices ótimos. 

São Bernardo contempla um grande número de comunidades, algumas até temidas pela população. A Polícia Civil tem atuado para combater essa criminalidade, sobretudo dentro das favelas?

Incursões nessas comunidades existem sempre. Temos um pessoal aqui do GOE (Grupo de Operações Especiais), ligado também ao Deic, que sempre estão nessas grande comunidades. Não vou dizer que é exclusivo de comunidade o crime. Não é. Mas o maior índice, infelizmente, ainda está ligado às comunidades. E nunca deixamos de cumprir com rigor as visitas e mandados. Acho que o econômico está ligado à violência. Nem todo indivíduo que mora em uma comunidade é do crime, mas os bandidos se usam da comunidade para se esconder.

O senhor está há um ano e nove meses à frente da Delegacia Seccional de São Bernardo, e pela primeira vez atuando no Grande ABC. Quais principais desafios encontrou?

Eu imprimi um pouco do meu ritmo de trabalho aqui. Vim da Capital, e falo que lá, na região onde estava, em Santo Amaro, 80% são carentes. Vendo o que era São Bernardo e São Caetano, tentei  imprimir minha velocidade. Até brincava com o pessoal em reuniões, ultimamente por videoconferência, que eu não aceitaria o morno. Temos de ir para cima de qualquer tipo de crime, e dar resposta efetiva. Empreguei um pouco disso. Meu desafio foi tentar trazer maior velocidade para a Polícia Civil. Temos excelentes profissionais, que estão na região há muito tempo. A polícia lida com tempo, que é contra a gente. Aconteceu um crime, temos de dar resposta rápida. A minha marca é essa, meu desafio era trazer mais velocidade para a seccional, e fiz o pessoal se movimentar mais. Eu sou um gestor, os policiais é que estão na linha de frente. E procuro sempre dar um Norte. Somos servidores públicos. Quem é nosso patrão? É a comunidade. Devemos respeito, carinho e obrigação de investigar melhor. E tem surtido efeito. E cobro resultado. É uma tônica minha. A polícia tem que investigar e esclarecer.

Quais as projeções para o futuro?

Tinha um monte, mudado pela pandemia. Havia projetado em janeiro série de coisas para este ano, e tivemos de nos moldar ao novo mundo. Com a retomada dos serviços, temos as metas em pauta de novo, para melhorar os índices, principalmente de crime patrimonial. É nosso objetivo.

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