Barrados Para Luiz Fernando, capitão é o culpado pela confusão com torcedores na final da Série A-2 do Campeonato Paulista

O presidente do São Bernardo, Luiz Fernando Teixeira, criticou duramente ontem o capitão Faro, comandante da Polícia Militar no segundo jogo da final da Série A-2 do Campeonato Paulista, contra o União Barbarense, sábado, no Estádio 1º de Maio. Segundo o dirigente, o oficial não estava preparado para a decisão.
Minutos depois do início da partida, a Polícia Militar mandou fechar os portões, proibindo a entrada de ao menos 2.000 pessoas (leia abaixo a versão da Polícia Militar). No entanto, o clube alega que existiam vários lugares vazios no estádio, fotografados por assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhou o confronto.
"Estavam nos camarotes os presidentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin) e da FPF (Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero), que me aconselharam a registrar os lugares vazios. Foi o que fizemos", destacou Teixeira. "Ao fim da partida, fui abordado por torcedores que informaram que a polícia abusou da força e jogou gás de pimenta em famílias", relatou.
O presidente salientou que explanou sua revolta ao comandante. "O comando demonstrou total despreparo. Ele botou os pés pelas mãos. Já recebemos jogos maiores aqui e nada aconteceu. Sempre tivemos número grande de torcedores e a polícia agiu de forma profissional", disse.
Teixeira garantiu que vai tomar medidas cabíveis contra o Estado. Ainda na tarde de ontem, o departamento jurídico do clube realizou boletim de ocorrência na Polícia Civil e, nesta semana, vai entrar com representação na corregedoria da Polícia Militar, além de notificar ao comando da corporação.
Sobre a torcida, o clube prometeu devolver o dinheiro aos que apresentarem o ingresso com o canhoto, segunda-feira, na sede da agremiação - Rua Benedito Luiz Rodrigues, 277, Nova Petrópolis - em horário comercial. O dirigente salientou que esses torcedores terão direito a assistir a todos os jogos gratuitamente da Copa Paulista, que começa em julho.
"Vamos entrar com processo contra o Estado porque tomamos prejuízo. Torcedores nos criticando nas redes sociais, prometendo nos processar até por danos morais. Sei que o processo será moroso, mas não podemos engolir isso a seco", garantiu o dirigente.
Teixeira também garantiu que não houve distribuição maior de ingressos do que o permitido. Segundo ele, a polícia liberou 13,4 mil bilhetes e foram apenas esses os emitidos. "Nos postos de vendas, colocamos 2.000 ingressos e distribuímos 11 mil para as empresas parceiras. Outros 400 foram entregues ao União Barbarense, devido ao acordo que fizemos. Podemos provar tranquilamente", explicou.
MOTIVAÇÃO POLÍTICA?
Teixeira preferiu não cravar que a confusão foi resultado de briga política em ano de eleição municipal. O clube recebe apoio do prefeito Luiz Marinho, do PT, enquanto que a Polícia Militar é comandada pelo Estado, governado por Geraldo Alckmin (PSDB). Marinho e Alex Manente (PPS), que tem apoio do tucano, são candidatos na eleição em São Bernardo.
"Logo após o jogo, pensei em motivação política, mas não tenho elementos suficientes para dizer que foi encomendado. Até pode ter sido para tirar o brilho da partida, mas não há como provar", frisou o presidente.
Tenente nega despreparo e culpa atraso de torcedores
O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar - responsável por Santo André e São Bernardo -, tenente-coronel José Belantoni Filho, negou ontem despreparo do capitão Faro e culpou os torcedores, que chegaram ao estádio quase no horário de início do jogo, pelo tumulto. Ele também destacou que não foi proibida a entrada das pessoas.
"O problema foi que todo mundo chegou em cima da hora e o pessoal não obedecia as filas. Quando começou o duelo, os torcedores quiseram entrar ao mesmo tempo, forçando para passar sem revista, vindo com violência. Então, o capitão foi obrigado a fechar os portões, mas para organizar as filas", explicou o tenente-coronel.
Segundo Belantoni, os portões foram abertos, mas a revista é demorada. "Tínhamos um jogo que era decisão, além da presença do (ex) presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maioria das vezes nada vai acontecer, mas trabalhamos como se pudesse acontecer. Temos que ter cautela maior", justificou.
Ele negou a ordem de fechar o portão porque o estádio estaria lotado. "Tivemos que conter quem estava fora, mas quem permaneceu esperando conseguiu entrar", garantiu o tenente-coronel. "Não houve despreparo, mas os torcedores que vão normalmente aos jogos sabem como funciona. O problema é que veio muita gente apenas para assistir à final."
Sobre as ações do clube contra a Polícia Militar, Belantoni destacou que a agremiação está no seu direito porque "representa seus torcedores", mas ressaltou: "Se houve alguma omissão ou exagero, será apurado. Mas trabalhamos dentro da legalidade, e não no ‘ouvir dizer'. Todo o policiamento foi filmado e fotografado", garantiu. TS
Dois atletas são emprestados; lista de dispensas inclui capitão
O presidente Luiz Fernando Teixeira também revelou novidades na definição do elenco com o pensamento no Paulista de 2013. Além do meia Bady, que acertou com o Boa Esporte-MG, o zagueiro Márcio Garcia e o atacante Ricardinho deixaram o clube e vão defender o Juventude, do técnico Luís Carlos Martins, ex-São Bernardo, e CRB-AL, respectivamente. Os três, que foram emprestados, retornam na próxima temporada.
Os próximos a se afastar do clube no segundo semestre serão o goleiro Wilson Júnior, o lateral-direito Régis e o zagueiro Max - todos com contrato até meados de 2013. Os atacantes Ney Mineiro e Raul e o lateral-direito Thiago Gasparino também estão em negociação com outros clubes.
O atacante Danielzinho, artilheiro da equipe na Série A-2, está na mira de algumas agremiações. Além de São Caetano e Marítimo (Portugal), times da Alemanha, Coréia do Sul e Japão querem contar com o atleta.
"Ainda existe uma equipe da Capital que está observando o jogador, mas não há nada de oficial. Outro time da Série A do Brasileiro queria contar com o atleta, mas este clube deve lutar para não cair e normalmente não paga", revelou Teixeira.
SURPRESAS
O cartola aproveitou para revelar as dispensas. Entre eles, estão o capitão Renato Peixe e o meia Léo, ambos titulares. Os volantes Marcelo Godri e Flávio, o zagueiro Júlio César, o lateral-esquerdo Júlio Santos e o atacante Fernando Gaúcho completam a lista.
O número pode aumentar porque o zagueiro Tiago Gasparetto, os volantes Dudu e Dirceu e o meia Leandro Gobatto ainda não acertaram a renovação. TS
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