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Na fronteira com o México, retórica de Trump dividiu famílias

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


11/10/2020 | 16:35


Mal parece que Nogales fica nos EUA. Com o espanhol como idioma, casas baixas protegidas por grades de ferro e notícias sobre o México nas rádios locais, a pequena cidade da fronteira guarda mais semelhanças com o país vizinho do que com os subúrbios brancos americanos.

No sul do Arizona, a região é conhecida como "Ambas Nogales", em referência à simbiose com a cidade de mesmo nome no lado mexicano. Mas, nos últimos anos, com a retórica anti-imigração de Trump e o reforço na fronteira, a vida mudou. "Éramos cidades gêmeas. Mas estamos nos tornando distantes. Esse presidente divide tudo, divide famílias", afirma Antonio Corrales, que viveu seus 48 anos na Nogales americana. "Aqui há pessoas brancas que discriminam mexicanos. Eles não gostam dos latinos. Por que eles vêm viver na fronteira se não gostam de mexicanos?"

As cidades são separadas por grades, arames e guardas de fronteira. A barreira é uma das que já existia antes de Trump defender a construção de um muro com o México. O que era uma cerca pouco fiscalizada foi mudando nos últimos 25 anos. Em 2019, arame farpado foi instalado do lado americano, que tem vigilância reforçada. "As pessoas não se importavam com a cerca antes", diz Corrales.

A discriminação e a piora na relação entre os dois lados é recorrente. A economia das duas cidades é interdependente, mas desde março viagens não essenciais estão vetadas para evitar a propagação do vírus. O centro de Nogales está abandonado. À tarde, a rua comercial fica vazia - apenas uma loja de uniformes de policiais está aberta.

A ligação entre os dois lados é tanta que há estudantes com dupla cidadania que vivem no lado mexicano, mas estudam nos EUA. Em média, 9 mil pessoas cruzavam a pé de um lado ao outro todos os dias. O número de carros é semelhante. "Leite, ovo, frango, tudo eu comprava nos EUA", conta María de Los Angeles, no lado do México, através de uma fresta da grade. Ela conversava com a irmã, que vive no lado americano. Antes da pandemia, ela cruzava a fronteira duas vezes por semana, mas reclama da dificuldade nos últimos anos. "Estão pegando pesado com os imigrantes", diz.

Dos EUA para o México, a passagem é rápida, mas o caminho oposto tem ficado cada vez mais difícil. "Há mais discriminação", afirma Corrales. Em Nogales, Trump nem faz campanha. Hillary Clinton venceu na cidade com mais de 80% dos votos.

Da eleição presidencial pouco se ouve. As placas nos canteiros pedem voto para candidatos locais. Mas a crise na fronteira reverbera em todo o Estado. "Aqui no Arizona estamos perto demais da fronteira. Sentimos o impacto de perto", afirma Rebecca Martinez, de 42 anos. Ela diz que já votou em candidatos dos dois partidos, mas agora está fechada com Biden. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Na fronteira com o México, retórica de Trump dividiu famílias


11/10/2020 | 16:35


Mal parece que Nogales fica nos EUA. Com o espanhol como idioma, casas baixas protegidas por grades de ferro e notícias sobre o México nas rádios locais, a pequena cidade da fronteira guarda mais semelhanças com o país vizinho do que com os subúrbios brancos americanos.

No sul do Arizona, a região é conhecida como "Ambas Nogales", em referência à simbiose com a cidade de mesmo nome no lado mexicano. Mas, nos últimos anos, com a retórica anti-imigração de Trump e o reforço na fronteira, a vida mudou. "Éramos cidades gêmeas. Mas estamos nos tornando distantes. Esse presidente divide tudo, divide famílias", afirma Antonio Corrales, que viveu seus 48 anos na Nogales americana. "Aqui há pessoas brancas que discriminam mexicanos. Eles não gostam dos latinos. Por que eles vêm viver na fronteira se não gostam de mexicanos?"

As cidades são separadas por grades, arames e guardas de fronteira. A barreira é uma das que já existia antes de Trump defender a construção de um muro com o México. O que era uma cerca pouco fiscalizada foi mudando nos últimos 25 anos. Em 2019, arame farpado foi instalado do lado americano, que tem vigilância reforçada. "As pessoas não se importavam com a cerca antes", diz Corrales.

A discriminação e a piora na relação entre os dois lados é recorrente. A economia das duas cidades é interdependente, mas desde março viagens não essenciais estão vetadas para evitar a propagação do vírus. O centro de Nogales está abandonado. À tarde, a rua comercial fica vazia - apenas uma loja de uniformes de policiais está aberta.

A ligação entre os dois lados é tanta que há estudantes com dupla cidadania que vivem no lado mexicano, mas estudam nos EUA. Em média, 9 mil pessoas cruzavam a pé de um lado ao outro todos os dias. O número de carros é semelhante. "Leite, ovo, frango, tudo eu comprava nos EUA", conta María de Los Angeles, no lado do México, através de uma fresta da grade. Ela conversava com a irmã, que vive no lado americano. Antes da pandemia, ela cruzava a fronteira duas vezes por semana, mas reclama da dificuldade nos últimos anos. "Estão pegando pesado com os imigrantes", diz.

Dos EUA para o México, a passagem é rápida, mas o caminho oposto tem ficado cada vez mais difícil. "Há mais discriminação", afirma Corrales. Em Nogales, Trump nem faz campanha. Hillary Clinton venceu na cidade com mais de 80% dos votos.

Da eleição presidencial pouco se ouve. As placas nos canteiros pedem voto para candidatos locais. Mas a crise na fronteira reverbera em todo o Estado. "Aqui no Arizona estamos perto demais da fronteira. Sentimos o impacto de perto", afirma Rebecca Martinez, de 42 anos. Ela diz que já votou em candidatos dos dois partidos, mas agora está fechada com Biden. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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