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Juros: desconforto com proposta para o Renda Cidadã mantém curva pressionada



29/09/2020 | 17:48


A insistência do governo em manter a proposta de financiamento para o programa Renda Cidadã, mesmo diante da forte reação negativa do mercado, manteve os ativos domésticos pressionados nesta terça-feira, 29, com nova rodada de alta para os juros futuros. Desta vez, os contratos mais castigados foram os do miolo da curva, que concentram há meses as grandes posições vendidas dos investidores. Com a permanência do mau humor, o Tesouro acabou por colocar um lote pequeno de NTN-B no leilão, evitando assim adicionar mais pressão sobre a curva, que também já mostra aumento significativo das apostas num aperto monetário este ano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,17%, de 3,064% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 4,66%, de 4,545% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,62% (6,615% ontem) e o para janeiro de 2027, em 7,60%, de 7,624%.

"O mercado hoje é uma continuidade do que foi ontem e até que está bem comportado para o tamanho do problema", afirmou o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho. Ele explicou que por questões técnicas os vértices intermediários foram os mais penalizados. "O mercado é mais doado nesta região do janeiro de 2022 e janeiro de 2023, por isso o estrago é maior", afirmou.

Segundo o analista político da XP Investimentos, Victor Scalet, os intermediários refletiram o movimento de fundos zerando posições, principalmente nos vencimentos de janeiro de 2023 e 2025, além de algum fluxo estrangeiro. "Hoje foi um dia um pouco mais vazio. Não tem grande novidade para mexer nos preços", afirma Scalet, para quem um recuo do governo sobre o financiamento do Renda Cidadã poderia ter levado a curva a fechar e provocado alívio ao câmbio.

Pela manhã, o mercado chegou a trabalhar com a possibilidade de o governo voltar atrás ainda hoje nas propostas de uso de parte dos recursos do Fundeb e do orçamento destinado ao pagamento de precatórios, depois que o presidente Jair Bolsonaro falou em "buscar alternativas" para custear o programa. Também porque as medidas podem ser contestadas pelo Congresso e pelo Judiciário. "Alguns líderes do Congresso e o TCU já indicaram uma prévia ausência de suporte", comentaram os economistas do UBS Brasil.

Porém, ficou claro, posteriormente, que o governo pretendia levar a ideia adiante. O senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC emergencial que vai criar o Renda Cidadã e responsável pelo parecer do pacto federativo, afirmou ao Estadão/Broadcast que não vai desistir. "Não me assusto assim tão fácil", afirmou, sobre a recepção negativa do mercado e do mundo político ao modelo de financiamento.

De acordo com o Haitong Banco de Investimentos, a curva projeta 44% de probabilidade de aumento de 0,25 ponto porcentual para a taxa no Copom de outubro e entre 65% e 70% de chance de alta de 0,25 ponto no encontro de dezembro.



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Juros: desconforto com proposta para o Renda Cidadã mantém curva pressionada


29/09/2020 | 17:48


A insistência do governo em manter a proposta de financiamento para o programa Renda Cidadã, mesmo diante da forte reação negativa do mercado, manteve os ativos domésticos pressionados nesta terça-feira, 29, com nova rodada de alta para os juros futuros. Desta vez, os contratos mais castigados foram os do miolo da curva, que concentram há meses as grandes posições vendidas dos investidores. Com a permanência do mau humor, o Tesouro acabou por colocar um lote pequeno de NTN-B no leilão, evitando assim adicionar mais pressão sobre a curva, que também já mostra aumento significativo das apostas num aperto monetário este ano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,17%, de 3,064% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 4,66%, de 4,545% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,62% (6,615% ontem) e o para janeiro de 2027, em 7,60%, de 7,624%.

"O mercado hoje é uma continuidade do que foi ontem e até que está bem comportado para o tamanho do problema", afirmou o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho. Ele explicou que por questões técnicas os vértices intermediários foram os mais penalizados. "O mercado é mais doado nesta região do janeiro de 2022 e janeiro de 2023, por isso o estrago é maior", afirmou.

Segundo o analista político da XP Investimentos, Victor Scalet, os intermediários refletiram o movimento de fundos zerando posições, principalmente nos vencimentos de janeiro de 2023 e 2025, além de algum fluxo estrangeiro. "Hoje foi um dia um pouco mais vazio. Não tem grande novidade para mexer nos preços", afirma Scalet, para quem um recuo do governo sobre o financiamento do Renda Cidadã poderia ter levado a curva a fechar e provocado alívio ao câmbio.

Pela manhã, o mercado chegou a trabalhar com a possibilidade de o governo voltar atrás ainda hoje nas propostas de uso de parte dos recursos do Fundeb e do orçamento destinado ao pagamento de precatórios, depois que o presidente Jair Bolsonaro falou em "buscar alternativas" para custear o programa. Também porque as medidas podem ser contestadas pelo Congresso e pelo Judiciário. "Alguns líderes do Congresso e o TCU já indicaram uma prévia ausência de suporte", comentaram os economistas do UBS Brasil.

Porém, ficou claro, posteriormente, que o governo pretendia levar a ideia adiante. O senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC emergencial que vai criar o Renda Cidadã e responsável pelo parecer do pacto federativo, afirmou ao Estadão/Broadcast que não vai desistir. "Não me assusto assim tão fácil", afirmou, sobre a recepção negativa do mercado e do mundo político ao modelo de financiamento.

De acordo com o Haitong Banco de Investimentos, a curva projeta 44% de probabilidade de aumento de 0,25 ponto porcentual para a taxa no Copom de outubro e entre 65% e 70% de chance de alta de 0,25 ponto no encontro de dezembro.

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