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Francisco José Alves Cardoso: 'Desafio é buscar uma polícia mais atuante’

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

28/09/2020 | 06:01


Titular da Delegacia Seccional de Santo André, responsável também por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, desde janeiro de 2019, o delegado Francisco José Alves Cardoso, 63 anos, avalia que um dos desafios é trabalhar para fazer “uma polícia melhor, mais atuante e investigativa”. E que a modernização dos boletins de ocorrência eletrônicos “facilita a vida das vítimas, que muitas vezes evitam ir aos plantões para registrar a queixa, porque vão tomar canseira”. Com 39 anos de profissão e passagens anteriores pela região, ele descarta que o Grande ABC seja ponto estratégico para o tráfico de drogas.

O senhor assumiu a seccional de Santo André,que responde também por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, em janeiro de 2019. Quais foram os principais desafios até aqui?

O desafio é provocar e buscar nos policiais que aqui estão uma polícia melhor, mais atuante e investigativa. O nosso trabalho é sempre investigar. Então, procurei, dentro da minha experiência, lidar com policiais e pessoas para alcançarmos resultados, que é objetivo também dos nossos superiores. Todos têm uma experiência muito grande, sem exceção. A Polícia Civil é constituída de dirigentes experientes, e assim desenvolve bom trabalho, tem visão de polícia e de combate ao crime organizado muito grande. Aqui na seccional encontrei bons policiais, abnegados, que não têm dia nem hora, e isso é uma satisfação. Mas todas as cidades do Grande ABC têm bons policiais, e acho que é uma região privilegiada nessa questão. Buscamos também sempre dar um tratamento excelente nos plantões. Quando alguém vai ao banco, quer ser bem atendido. E por que na delegacia não é? Já briguei muito por isso. As pessoas, às vezes, não querem ir ao plantão porque vão tomar canseira, e por isso a modernização dos boletins de ocorrência eletrônicos foi tão importante, já que a pessoa pode fazer de casa, e até mais calma. Mas devo ressaltar que ir à delegacia adianta sim, e fazer ocorrência também, e isso é primordial. Tem que fazer. Cabe à polícia investigar e, sem a ocorrência, não ficamos sabendo, e isso causa até problemas na estatísticas.

Como é estar à frente de quatro cidades, e qual a diferença observada entre elas em relação à criminalidade?

Olha, em razão até da pandemia, o que se sobrepôs mais, em todas as cidades, foi o aumento da violência doméstica. Foi uma coisa que sempre existiu muito, infelizmente. No entanto, neste período, o nosso delegado geral, Ruy Ferraz Fontes, abriu a possibilidade de outras ocorrências, além das mais simples, serem feitas on-line, o que facilitou muito. No caso de violência doméstica, por exemplo, a vítima não precisa mais sair de onde está para dar queixa em uma delegacia, o que abriu novos horizontes. E tem um pessoal que fica 24 horas por dia validando os boletins, um delegado já dispara para a delegacia da área, e às vezes ele mesmo toma as providências, como é o caso de uma medida protetiva. Enfim, tudo é mais rápido. Porém, há diferenças entre as quatro cidades. Em Santo André e Mauá, que são as duas maiores, temos mais crimes e mais violência doméstica. Já em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que são menores, têm também, mas bem menos, evidentemente.

Como funciona o trabalho integrado entre as três seccionais do Grande ABC (as outras são a de São Bernardo, que responde também por São Caetano, e Diadema)?

Isso é um ponto importante. Modernidade. Temos nosso grupo no WhatsApp com os delegados seccionais e tudo que acontece, em todas as cidades, estamos sempre interagindo. Por exemplo, se temos um problema em São Bernardo ou Diadema, os delegados seccionais passam no grupo. Sempre passamos tudo um para o outro. Não só os delegados seccionais, mas as chefias estão em constante comunicação. E isso é importante. Teve lá um furto, roubo, invasão residencial, enfim, na hora isso é irradiado e a gente fica de olho em todas as cidades, usando todos os métodos de investigação para buscar e identificar o autor. Trabalho em conjunto, sempre.

E como funciona a troca de informações com a PM?

Temos excelente relacionamento com a PM. Todo mês fazemos uma reunião entre os três seccionais, o comandante do CPAM/6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6) – que responde pelo Grande ABC –, o coronel Renato Nery Machado, e seus comandantes de batalhão. Há imediatismo. E isso é importante para todos. Acontece alguma coisa, todos ficamos sabendo e trabalhamos compartilhando. Nessas reuniões, por exemplo, discutimos, além de melhorias, casos em andamento. Outra coisa é o COI (Centro de Operações Integradas), no qual temos dois policiais civis. Uma ocorrência de lá passa para nós, e para todos os órgãos de segurança, inclusive GCM (Guarda Civil Municipal). Essa pronta atividade é primordial. O trabalho conjunto é mais rápido e ágil. E isso é bom para a sociedade.

Normalmente as investigações ficam a cargo do distrito da área. Existe essa troca também para que os demais setores possam auxiliar?

Sem dúvida. Em tudo que precisa. Está aí outro dado importante. Se eu tiver qualquer problema aqui com investigação, qualquer coisa que precise revisar, ligo para o diretor e, na hora, com a experiência dele, já liga para algum órgão que poderá auxiliar. Com essa troca rápida, unindo a experiência de cada um, conseguimos resolver muitos casos. Não fica nada para amanhã, é imediato.

Que projeções o senhor faz para o futuro, não só para a seccional de Santo André, mas para toda a região?

Mais policiais, mais viaturas, mais recursos. Temos olhado isso para o Grande ABC. O futuro é justamente mais policiamento e melhorias até nas instalações.

Como é o relacionamento com as prefeituras?

É excelente e muito importante. Todos os prefeitos colaboram muito e entendem a necessidade e importância da atuação policial.

Um problema antigo de Mauá é a falta de IML (Instituto Médico-Legal). Isso prejudica o trabalho na unidade de Santo André, que atende Mauá?

Atrapalha um pouco. Mas já tem trabalho, e falo isso porque tenho acompanhado, em fazer o IML de Mauá e também de abrir concurso para novos médicos legistas. Sobrecarrega, sim, Santo André, mas isso vai ser sanado, ainda mais com a vinda de novos médicos, porque muitos foram aposentados. E temos também um médico da Secretaria de Saúde de Mauá que faz os atendimentos em casos de estupro e violência doméstica, o que ajudou a desafogar o atendimento.

O senhor comentou sobre a possibilidade de concurso público para médicos legistas. O Diário acompanha o problema na defasagem de profissionais na Polícia Civil. Já foram 680 agentes a menos. Como está agora?

O governo do Estado abriu concursos. O problema é que até abrir, finalizar as inscrições, realizar a prova, o chamamento, estágio, enfim. Tudo isso demora. E tem outra coisa, mesmo quando o chamamento é oficializado, até que o policial esteja em atividade tem etapas, porque não podemos pegar um profissional recém-saído da escola de polícia e colocar no front. Temos de estagiar e preparar. Por exemplo, temos agora policiais nessa etapa, e há um tutor acompanhando o trabalho individualmente. Mas os policiais estão vindo, os concursos estão acontecendo. Hoje o cenário está melhorando, até porque o governador João Doria (PSDB) entendeu o apelo da Polícia Civil. Os novos delegados, por exemplo, devem chegar nas delegacias do Estado em dezembro. 

Considerando as últimas apreensões de drogas, pode-se dizer que o Grande ABC é ponto estratégico no tráfico?

O que se apreendeu de drogas, e a quantidade de prisão de traficantes, foi muito grande. Mas não é um ponto de acesso nem estratégico. A droga é enraizada em outros lugares, existem muitos polos que não são aqui. Há consumo, há venda, mas o ponto forte não é o Grande ABC.

A pandemia de Covid-19 trouxe também aumento de crimes cibernéticos. Como a polícia trabalha para coibir esses ataques, e qual a orientação à população?

Quando a coisa é muito fácil, temos que nos preocupar. Se houver suspeita de um link, uma mensagem, não abra. A polícia sempre tem uma forma de pegar esses criminosos. Eles trabalham com inteligência cibernética, com a tecnologia, e nós também. Eles vão, nós vamos. E temos setores especializadíssimos nesse tipo de crime. A orientação é sempre muito cuidado, e se cair, fazer boletim de ocorrência, porque somente assim a polícia consegue investigar.

Quantos anos o senhor tem de carreira, e como foi sua trajetória até aqui?

Tenho 39 anos de profissão. Fui escrivão de polícia por oito anos no Litoral Paulista. Comecei minha carreira na delegacia de São Vicente, onde fiquei dois anos. Depois passei um ano em Itanhaém e outros cinco no 2º DP de Santos. Aí passei para delegado, e me mandaram para São Bernardo, em 1990. Fui designado para o departamento de homicídios do Grande ABC, que abrangia as sete cidades. Depois disso tive passagens pela Capital, Alphaville, São Caetano. Tive muito passado. Antes de assumir aqui estava havia dois anos no Departamento de Inteligência da Polícia Civil. Minha carreira foi quase toda no Grande ABC, com duas passagens por São Bernardo, uma em São Caetano e agora Santo André. Tenho boa vivência e bastante conhecimento da região.

Por que o senhor escolheu ser policial?

Sou filho de policial. Meu pai, José Alves Cardoso, foi investigador até 1969, quando morreu. Ele entrou na polícia em 1943 e, naquela época, era o investigador que fazia a segurança do governador. Sempre vi meu pai de terno e gravata, com aquela importância, então sempre tive esse amor e admiração pela profissão. Perdi meu pai aos 12 anos, mas frequentei a delegacia desde a gravidez da minha mãe. Me lembro que quando prestei o concurso público para escrivão de polícia, eu trabalhava na Receita Federal. Na ocasião, o presidente da banca me chamou e perguntou por que eu queria ser escrivão de polícia se lá ganhava mais, e expliquei para ele que preferia ganhar menos mas fazer algo que gosto. Policial está sempre buscando detalhes. A polícia tem macetes, é um trabalho muito emocionante. E sempre tive muito orgulho de ser.

RAIO X

Nome: Francisco José Alves Cardoso

Estado civil: Casado

Idade: 63 anos

Local de nascimento: São Paulo

Formação: Estudos sociais, direito e pós-graduação em processo penal

Hobby: Pôquer

Local predileto: Onde tenha música

Livro que recomenda: Por Dentro do Terceiro Reich, de Albert Speer

Artista que marcou sua vida: Frank Sinatra, Elvis Presley e Nelson Gonçalves

Profissão: Delegado

Onde trabalha: Delegacia Seccional de Santo André

Time do coração: São Paulo



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Francisco José Alves Cardoso: 'Desafio é buscar uma polícia mais atuante’

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

28/09/2020 | 06:01


Titular da Delegacia Seccional de Santo André, responsável também por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, desde janeiro de 2019, o delegado Francisco José Alves Cardoso, 63 anos, avalia que um dos desafios é trabalhar para fazer “uma polícia melhor, mais atuante e investigativa”. E que a modernização dos boletins de ocorrência eletrônicos “facilita a vida das vítimas, que muitas vezes evitam ir aos plantões para registrar a queixa, porque vão tomar canseira”. Com 39 anos de profissão e passagens anteriores pela região, ele descarta que o Grande ABC seja ponto estratégico para o tráfico de drogas.

O senhor assumiu a seccional de Santo André,que responde também por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, em janeiro de 2019. Quais foram os principais desafios até aqui?

O desafio é provocar e buscar nos policiais que aqui estão uma polícia melhor, mais atuante e investigativa. O nosso trabalho é sempre investigar. Então, procurei, dentro da minha experiência, lidar com policiais e pessoas para alcançarmos resultados, que é objetivo também dos nossos superiores. Todos têm uma experiência muito grande, sem exceção. A Polícia Civil é constituída de dirigentes experientes, e assim desenvolve bom trabalho, tem visão de polícia e de combate ao crime organizado muito grande. Aqui na seccional encontrei bons policiais, abnegados, que não têm dia nem hora, e isso é uma satisfação. Mas todas as cidades do Grande ABC têm bons policiais, e acho que é uma região privilegiada nessa questão. Buscamos também sempre dar um tratamento excelente nos plantões. Quando alguém vai ao banco, quer ser bem atendido. E por que na delegacia não é? Já briguei muito por isso. As pessoas, às vezes, não querem ir ao plantão porque vão tomar canseira, e por isso a modernização dos boletins de ocorrência eletrônicos foi tão importante, já que a pessoa pode fazer de casa, e até mais calma. Mas devo ressaltar que ir à delegacia adianta sim, e fazer ocorrência também, e isso é primordial. Tem que fazer. Cabe à polícia investigar e, sem a ocorrência, não ficamos sabendo, e isso causa até problemas na estatísticas.

Como é estar à frente de quatro cidades, e qual a diferença observada entre elas em relação à criminalidade?

Olha, em razão até da pandemia, o que se sobrepôs mais, em todas as cidades, foi o aumento da violência doméstica. Foi uma coisa que sempre existiu muito, infelizmente. No entanto, neste período, o nosso delegado geral, Ruy Ferraz Fontes, abriu a possibilidade de outras ocorrências, além das mais simples, serem feitas on-line, o que facilitou muito. No caso de violência doméstica, por exemplo, a vítima não precisa mais sair de onde está para dar queixa em uma delegacia, o que abriu novos horizontes. E tem um pessoal que fica 24 horas por dia validando os boletins, um delegado já dispara para a delegacia da área, e às vezes ele mesmo toma as providências, como é o caso de uma medida protetiva. Enfim, tudo é mais rápido. Porém, há diferenças entre as quatro cidades. Em Santo André e Mauá, que são as duas maiores, temos mais crimes e mais violência doméstica. Já em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que são menores, têm também, mas bem menos, evidentemente.

Como funciona o trabalho integrado entre as três seccionais do Grande ABC (as outras são a de São Bernardo, que responde também por São Caetano, e Diadema)?

Isso é um ponto importante. Modernidade. Temos nosso grupo no WhatsApp com os delegados seccionais e tudo que acontece, em todas as cidades, estamos sempre interagindo. Por exemplo, se temos um problema em São Bernardo ou Diadema, os delegados seccionais passam no grupo. Sempre passamos tudo um para o outro. Não só os delegados seccionais, mas as chefias estão em constante comunicação. E isso é importante. Teve lá um furto, roubo, invasão residencial, enfim, na hora isso é irradiado e a gente fica de olho em todas as cidades, usando todos os métodos de investigação para buscar e identificar o autor. Trabalho em conjunto, sempre.

E como funciona a troca de informações com a PM?

Temos excelente relacionamento com a PM. Todo mês fazemos uma reunião entre os três seccionais, o comandante do CPAM/6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6) – que responde pelo Grande ABC –, o coronel Renato Nery Machado, e seus comandantes de batalhão. Há imediatismo. E isso é importante para todos. Acontece alguma coisa, todos ficamos sabendo e trabalhamos compartilhando. Nessas reuniões, por exemplo, discutimos, além de melhorias, casos em andamento. Outra coisa é o COI (Centro de Operações Integradas), no qual temos dois policiais civis. Uma ocorrência de lá passa para nós, e para todos os órgãos de segurança, inclusive GCM (Guarda Civil Municipal). Essa pronta atividade é primordial. O trabalho conjunto é mais rápido e ágil. E isso é bom para a sociedade.

Normalmente as investigações ficam a cargo do distrito da área. Existe essa troca também para que os demais setores possam auxiliar?

Sem dúvida. Em tudo que precisa. Está aí outro dado importante. Se eu tiver qualquer problema aqui com investigação, qualquer coisa que precise revisar, ligo para o diretor e, na hora, com a experiência dele, já liga para algum órgão que poderá auxiliar. Com essa troca rápida, unindo a experiência de cada um, conseguimos resolver muitos casos. Não fica nada para amanhã, é imediato.

Que projeções o senhor faz para o futuro, não só para a seccional de Santo André, mas para toda a região?

Mais policiais, mais viaturas, mais recursos. Temos olhado isso para o Grande ABC. O futuro é justamente mais policiamento e melhorias até nas instalações.

Como é o relacionamento com as prefeituras?

É excelente e muito importante. Todos os prefeitos colaboram muito e entendem a necessidade e importância da atuação policial.

Um problema antigo de Mauá é a falta de IML (Instituto Médico-Legal). Isso prejudica o trabalho na unidade de Santo André, que atende Mauá?

Atrapalha um pouco. Mas já tem trabalho, e falo isso porque tenho acompanhado, em fazer o IML de Mauá e também de abrir concurso para novos médicos legistas. Sobrecarrega, sim, Santo André, mas isso vai ser sanado, ainda mais com a vinda de novos médicos, porque muitos foram aposentados. E temos também um médico da Secretaria de Saúde de Mauá que faz os atendimentos em casos de estupro e violência doméstica, o que ajudou a desafogar o atendimento.

O senhor comentou sobre a possibilidade de concurso público para médicos legistas. O Diário acompanha o problema na defasagem de profissionais na Polícia Civil. Já foram 680 agentes a menos. Como está agora?

O governo do Estado abriu concursos. O problema é que até abrir, finalizar as inscrições, realizar a prova, o chamamento, estágio, enfim. Tudo isso demora. E tem outra coisa, mesmo quando o chamamento é oficializado, até que o policial esteja em atividade tem etapas, porque não podemos pegar um profissional recém-saído da escola de polícia e colocar no front. Temos de estagiar e preparar. Por exemplo, temos agora policiais nessa etapa, e há um tutor acompanhando o trabalho individualmente. Mas os policiais estão vindo, os concursos estão acontecendo. Hoje o cenário está melhorando, até porque o governador João Doria (PSDB) entendeu o apelo da Polícia Civil. Os novos delegados, por exemplo, devem chegar nas delegacias do Estado em dezembro. 

Considerando as últimas apreensões de drogas, pode-se dizer que o Grande ABC é ponto estratégico no tráfico?

O que se apreendeu de drogas, e a quantidade de prisão de traficantes, foi muito grande. Mas não é um ponto de acesso nem estratégico. A droga é enraizada em outros lugares, existem muitos polos que não são aqui. Há consumo, há venda, mas o ponto forte não é o Grande ABC.

A pandemia de Covid-19 trouxe também aumento de crimes cibernéticos. Como a polícia trabalha para coibir esses ataques, e qual a orientação à população?

Quando a coisa é muito fácil, temos que nos preocupar. Se houver suspeita de um link, uma mensagem, não abra. A polícia sempre tem uma forma de pegar esses criminosos. Eles trabalham com inteligência cibernética, com a tecnologia, e nós também. Eles vão, nós vamos. E temos setores especializadíssimos nesse tipo de crime. A orientação é sempre muito cuidado, e se cair, fazer boletim de ocorrência, porque somente assim a polícia consegue investigar.

Quantos anos o senhor tem de carreira, e como foi sua trajetória até aqui?

Tenho 39 anos de profissão. Fui escrivão de polícia por oito anos no Litoral Paulista. Comecei minha carreira na delegacia de São Vicente, onde fiquei dois anos. Depois passei um ano em Itanhaém e outros cinco no 2º DP de Santos. Aí passei para delegado, e me mandaram para São Bernardo, em 1990. Fui designado para o departamento de homicídios do Grande ABC, que abrangia as sete cidades. Depois disso tive passagens pela Capital, Alphaville, São Caetano. Tive muito passado. Antes de assumir aqui estava havia dois anos no Departamento de Inteligência da Polícia Civil. Minha carreira foi quase toda no Grande ABC, com duas passagens por São Bernardo, uma em São Caetano e agora Santo André. Tenho boa vivência e bastante conhecimento da região.

Por que o senhor escolheu ser policial?

Sou filho de policial. Meu pai, José Alves Cardoso, foi investigador até 1969, quando morreu. Ele entrou na polícia em 1943 e, naquela época, era o investigador que fazia a segurança do governador. Sempre vi meu pai de terno e gravata, com aquela importância, então sempre tive esse amor e admiração pela profissão. Perdi meu pai aos 12 anos, mas frequentei a delegacia desde a gravidez da minha mãe. Me lembro que quando prestei o concurso público para escrivão de polícia, eu trabalhava na Receita Federal. Na ocasião, o presidente da banca me chamou e perguntou por que eu queria ser escrivão de polícia se lá ganhava mais, e expliquei para ele que preferia ganhar menos mas fazer algo que gosto. Policial está sempre buscando detalhes. A polícia tem macetes, é um trabalho muito emocionante. E sempre tive muito orgulho de ser.

RAIO X

Nome: Francisco José Alves Cardoso

Estado civil: Casado

Idade: 63 anos

Local de nascimento: São Paulo

Formação: Estudos sociais, direito e pós-graduação em processo penal

Hobby: Pôquer

Local predileto: Onde tenha música

Livro que recomenda: Por Dentro do Terceiro Reich, de Albert Speer

Artista que marcou sua vida: Frank Sinatra, Elvis Presley e Nelson Gonçalves

Profissão: Delegado

Onde trabalha: Delegacia Seccional de Santo André

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