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Professora escreve e leva cartas a alunos

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pamella de Almeida teve ideia para tentar motivar estudantes desanimados com o ensino a distância


Vinicius Castelli
do Diário do Grande ABC

27/09/2020 | 07:07


Costuma-se dizer que ser gentil não custa nada. Ao menos para a andreense Pamella Aline de Almeida, 25 anos, é assim. Professora de física apaixonada por literatura e por escrever, principalmente cartas, ela resolveu cuidar de seus alunos de uma forma diferente e repleta de carinho em meio à pandemia do coronavírus.

Docente nos colégios Adventista de São Caetano e São Bernardo, ela cuida de salas do 3º ano do ensino médio. Vivendo um ano atípico, como todos os professores, com aulas a distância e sem o contato próximo com os alunos, percebeu que alguns adolescentes, em certo momento do ano, começaram a demonstrar desânimo, tristeza, desinteresse e a faltar nas aulas.

Preocupada com a situação, Pamella resgatou lembranças de professores que passaram por sua vida e, tanto no ensino fundamental como médio e superior, lhe enviaram cartas, por razões diversas. Atos que lhe foram importantes e que nunca mais esqueceu.

Foi aí que a professora decidiu fazer o mesmo pelos seus alunos. “Peguei exemplos de professores que me deram algo bom e tentei reproduzir. Pensei que tinha de fazer algo. Resolvi escrever cartas para os 76 alunos. Já tinha os envelopes. Conversei com a coordenadora e disse que queria entregar pessoalmente, com todos os cuidados, é claro.”

Pamella escreveu tudo a mão, de forma individual. “Fui pensando em cada um deles, separadamente. Lembrava de detalhes, de alguma pergunta que tinham me feito, de algo engraçado, de coisas boas sobre eles. Coisas que causariam graça ou emoção. Como enxergo o potencial deles e o quanto podem ser brilhantes, sem pensar nas notas (das atividades)”, revela.

Com alguns alunos com quem tem mais liberdade falou de coisas mais específicas. “Uma que sei que gosta de astronomia, falei sobre o assunto. Uma outra que sonha em ser médica, disse que espero que um dia possa passar em uma consulta com ela”, conta.

Em meio às aulas e atividades da vida particular, ela encontrou tempo e começou. Escreveu as cartas aos alunos de São Caetano em três dias e para os de São Bernardo levou cinco. E tudo aconteceu de maneira espontânea.

Para os alunos da unidade de São Caetano precisou de um dia todo para entregar. “Peguei os endereços, fiz uma logística, pois tem gente que mora em diversas cidades, até mesmo em São Paulo. Sai de casa 6h30 e fui”.

Uma semana e meia depois foi a vez dos alunos da unidade São Bernardo. Levou mais de um dia para entregar as cartas e, desta vez, contou com a ajuda de seu pai, Juarez Trindade de Almeida, 48. Ele conduziu o automóvel e ela descia para fazer as entregas.

A carta e o reencontro com os alunos foi surpresa. Ninguém nem imaginava. Junto com as cartas, Pamella levou chocolates. “Cheguei do nada na casa deles, dizendo que tinha ido entregar um presente. Um foi contando para o outro e os últimos já estavam ansiosos esperando”, conta.

Estudante da unidade de São Caetano, Rebecca Scandura Ribeiro, 18, é uma das que recebeu o carinho da professora com surpresa e alegria. “Esse pequeno contato foi muito especial. Foi muita surpresa. Não tinha ideia. Ela estava com a carta e o chocolate. Foi uma surpresa muito boa”, diz. “Estamos no 3º ano do ensino médio, é o fechamento de um ciclo, um momento marcante. E acabamos nessa pandemia. Não estamos tendo a relação (presencial) com os professores e colegas. Temos as aulas on-line, mas não é a mesma coisa”, recorda. “Receber esse afeto de um professor, que lembra da gente, que tem esse carinho conosco, foi extremamente marcante neste ano, com tantas complicações.”

Pamella diz que o retorno dos alunos foi maravilhoso. “Não teve um que não tenha me recebido feliz. Lembro da reação de cada um deles. Pais agradecendo, tiveram as mensagens que recebi depois.  E percebi a melhora nas aulas. Acho que foi mais recompensador para mim do que para eles. Percebi o quanto estava sentindo a falta deles. Deu um aconchego vê-los e saber que está tudo bem.” 



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Professora escreve e leva cartas a alunos

Pamella de Almeida teve ideia para tentar motivar estudantes desanimados com o ensino a distância

Vinicius Castelli
do Diário do Grande ABC

27/09/2020 | 07:07


Costuma-se dizer que ser gentil não custa nada. Ao menos para a andreense Pamella Aline de Almeida, 25 anos, é assim. Professora de física apaixonada por literatura e por escrever, principalmente cartas, ela resolveu cuidar de seus alunos de uma forma diferente e repleta de carinho em meio à pandemia do coronavírus.

Docente nos colégios Adventista de São Caetano e São Bernardo, ela cuida de salas do 3º ano do ensino médio. Vivendo um ano atípico, como todos os professores, com aulas a distância e sem o contato próximo com os alunos, percebeu que alguns adolescentes, em certo momento do ano, começaram a demonstrar desânimo, tristeza, desinteresse e a faltar nas aulas.

Preocupada com a situação, Pamella resgatou lembranças de professores que passaram por sua vida e, tanto no ensino fundamental como médio e superior, lhe enviaram cartas, por razões diversas. Atos que lhe foram importantes e que nunca mais esqueceu.

Foi aí que a professora decidiu fazer o mesmo pelos seus alunos. “Peguei exemplos de professores que me deram algo bom e tentei reproduzir. Pensei que tinha de fazer algo. Resolvi escrever cartas para os 76 alunos. Já tinha os envelopes. Conversei com a coordenadora e disse que queria entregar pessoalmente, com todos os cuidados, é claro.”

Pamella escreveu tudo a mão, de forma individual. “Fui pensando em cada um deles, separadamente. Lembrava de detalhes, de alguma pergunta que tinham me feito, de algo engraçado, de coisas boas sobre eles. Coisas que causariam graça ou emoção. Como enxergo o potencial deles e o quanto podem ser brilhantes, sem pensar nas notas (das atividades)”, revela.

Com alguns alunos com quem tem mais liberdade falou de coisas mais específicas. “Uma que sei que gosta de astronomia, falei sobre o assunto. Uma outra que sonha em ser médica, disse que espero que um dia possa passar em uma consulta com ela”, conta.

Em meio às aulas e atividades da vida particular, ela encontrou tempo e começou. Escreveu as cartas aos alunos de São Caetano em três dias e para os de São Bernardo levou cinco. E tudo aconteceu de maneira espontânea.

Para os alunos da unidade de São Caetano precisou de um dia todo para entregar. “Peguei os endereços, fiz uma logística, pois tem gente que mora em diversas cidades, até mesmo em São Paulo. Sai de casa 6h30 e fui”.

Uma semana e meia depois foi a vez dos alunos da unidade São Bernardo. Levou mais de um dia para entregar as cartas e, desta vez, contou com a ajuda de seu pai, Juarez Trindade de Almeida, 48. Ele conduziu o automóvel e ela descia para fazer as entregas.

A carta e o reencontro com os alunos foi surpresa. Ninguém nem imaginava. Junto com as cartas, Pamella levou chocolates. “Cheguei do nada na casa deles, dizendo que tinha ido entregar um presente. Um foi contando para o outro e os últimos já estavam ansiosos esperando”, conta.

Estudante da unidade de São Caetano, Rebecca Scandura Ribeiro, 18, é uma das que recebeu o carinho da professora com surpresa e alegria. “Esse pequeno contato foi muito especial. Foi muita surpresa. Não tinha ideia. Ela estava com a carta e o chocolate. Foi uma surpresa muito boa”, diz. “Estamos no 3º ano do ensino médio, é o fechamento de um ciclo, um momento marcante. E acabamos nessa pandemia. Não estamos tendo a relação (presencial) com os professores e colegas. Temos as aulas on-line, mas não é a mesma coisa”, recorda. “Receber esse afeto de um professor, que lembra da gente, que tem esse carinho conosco, foi extremamente marcante neste ano, com tantas complicações.”

Pamella diz que o retorno dos alunos foi maravilhoso. “Não teve um que não tenha me recebido feliz. Lembro da reação de cada um deles. Pais agradecendo, tiveram as mensagens que recebi depois.  E percebi a melhora nas aulas. Acho que foi mais recompensador para mim do que para eles. Percebi o quanto estava sentindo a falta deles. Deu um aconchego vê-los e saber que está tudo bem.” 

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