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Bolsa: aversão a risco fica mais forte e Ibovespa tem queda quase generalizada



25/09/2020 | 11:04


A aversão a risco no mercado doméstico se intensificou pouco antes das 11h desta sexta-feira, 25, levando o Ibovespa a perder quase 1.700 pontos em relação ao fechamento da véspera (97.012,07 pontos), enquanto o dólar acelerava acima de 1%, para a faixa de R$ 5,573. Apenas duas ações subiam na Bolsa: IR Brasil RE ON (4,38%) e Suzano ON (1,17%). Às 10h48, apenas três ações subiam: IRB Brasil RE ON (4,38%), Suzano ON (1,85%) e Vale ON (0,20%).

A queda na B3 é bem mais intensa do que a vista nas bolsas americanas, diante de renovados temores relacionados às contas públicas do Brasil, enquanto o governo tenta lançar um novo programa social, em dia de agenda de indicadores sem força para influenciar os mercados. Em evento, especialistas voltaram a fazer análises desfavoráveis em relação ao fiscal do País.

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal (IFI), Felipe Salto, defendeu que um novo programa assistencial, como o Renda Brasil, tem de ser feito por meio do corte de outras despesas e não com o aumento de imposto.

Durante o seminário Regras Fiscais e Sustentabilidade, promovido pelo Insper, Salto argumentou que, se o programa for financiado com novos impostos, o teto de gastos, na prática, não cumpre seu objetivo de limitar o crescimento das despesas. "Não adianta ser pródigo em criar regras fiscais e não ser pródigo para cumpri-las", disse.

"O risco fiscal no Brasil é o que preocupa o investidor. A questão é saber como o governo vai conciliar essa gangorra: dar esse amparo e não furar o teto de gastos. Mas a decisão da Economia de prorrogar o seguro mostra a preocupação do governo em não comprometer mais as contas públicas", diz Eduardo Plastino, da mesa renda variável da Unnião Investimentos.

Notícias de novos casos de covid-19 não dão trégua e recrudescem o mau humor nos mercados internacionais, apesar de notícias positivas sobre avanço em vacinas. A farmacêutica Novavax disse que iniciou o estágio final dos testes para uma vacina experimental contra a covid-19 no Reino Unido.

O petróleo cai no exterior, mas são as bolsas europeias que exibem quedas mais fortes, acima de 1,00%, enquanto em Nova York o recuo gira em torno de 0,10%. É no continente europeu que vem o temor mais elevado ante um retrocesso na retomada econômica, devido ao espalhamento de infectados pela pandemia de coronavírus por lá. No entanto, essa preocupação envolve o mundo todo no momento em que as economias ainda tentam engatar recuperação sustentável e a principal delas - dos EUA - luta para conseguir um novo pacote fiscal para superar a crise.

Dado o impasse que se arrasta há tempos entre republicanos e democratas, Plastino, avalia que será complicado o pacote fiscal ser aprovado nos EUA em breve. Isso, diz, acaba gerando ainda mais cautela em relação ao processo de recuperação da economia global.

"Investidores estão preocupados com a retomada. Tanto França quanto Reino Unido têm apresentado taxas ruins avanço de casos de covid-19, recordes, e anunciando medidas restritivas", descreve. Hoje, a Espanha recomendou que Madrid estenda o "lockdown" a todas as regiões, após a cidade ampliar as restrições de 37 regiões para 45. Além disso, segue no radar as negociações em torno do Brexit.

Também para o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada, é difícil apostar em um desfecho positivo entre os partidos sobre uma nova ajuda às vésperas das eleições norte-americanas. De todo modo, diz em nota, este tema seguirá monitorado, podendo alterar os rumos da sessão.

"A eleição norte-americana ainda continuará gerando volatilidade. O presidente do país, Donald Trump concorre à reeleição disse que a transição do seu governo não seria passiva, que poderia complicar, mas os republicanos afirmaram que não farão interrupções em caso de vitória do democrata Joe Biden", avalia Plastino.

No entanto, o assessor de investimentos da Unnião cita que o noticiário político mais enfraquecido hoje pode ao menos limitar recuos mais expressivos na B3. Além disso, vê como positiva a prorrogação em 15 dias da aprovação do seguro-desemprego para quem foi demitido durante a pandemia de covid-19.

Às 10h36, as bolsas em Nova York caíam entre 0,10% e 0,35%, enquanto o Ibovespa tinha queda de 1,39%, aos 95.664,64 pontos, após mínima aos 95.631,74 pontos e máxima aos 97.011,80 pontos. O dólar à vista subia 1,14%, a R$ 5,573. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,33%, aos 97.012,07 pontos, com investidores tentando se agarrar à ideia de que o clamor feito por autoridades dos EUA, pedindo mais um plano de estímulo norte-americano, terá resultados.



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Bolsa: aversão a risco fica mais forte e Ibovespa tem queda quase generalizada


25/09/2020 | 11:04


A aversão a risco no mercado doméstico se intensificou pouco antes das 11h desta sexta-feira, 25, levando o Ibovespa a perder quase 1.700 pontos em relação ao fechamento da véspera (97.012,07 pontos), enquanto o dólar acelerava acima de 1%, para a faixa de R$ 5,573. Apenas duas ações subiam na Bolsa: IR Brasil RE ON (4,38%) e Suzano ON (1,17%). Às 10h48, apenas três ações subiam: IRB Brasil RE ON (4,38%), Suzano ON (1,85%) e Vale ON (0,20%).

A queda na B3 é bem mais intensa do que a vista nas bolsas americanas, diante de renovados temores relacionados às contas públicas do Brasil, enquanto o governo tenta lançar um novo programa social, em dia de agenda de indicadores sem força para influenciar os mercados. Em evento, especialistas voltaram a fazer análises desfavoráveis em relação ao fiscal do País.

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal (IFI), Felipe Salto, defendeu que um novo programa assistencial, como o Renda Brasil, tem de ser feito por meio do corte de outras despesas e não com o aumento de imposto.

Durante o seminário Regras Fiscais e Sustentabilidade, promovido pelo Insper, Salto argumentou que, se o programa for financiado com novos impostos, o teto de gastos, na prática, não cumpre seu objetivo de limitar o crescimento das despesas. "Não adianta ser pródigo em criar regras fiscais e não ser pródigo para cumpri-las", disse.

"O risco fiscal no Brasil é o que preocupa o investidor. A questão é saber como o governo vai conciliar essa gangorra: dar esse amparo e não furar o teto de gastos. Mas a decisão da Economia de prorrogar o seguro mostra a preocupação do governo em não comprometer mais as contas públicas", diz Eduardo Plastino, da mesa renda variável da Unnião Investimentos.

Notícias de novos casos de covid-19 não dão trégua e recrudescem o mau humor nos mercados internacionais, apesar de notícias positivas sobre avanço em vacinas. A farmacêutica Novavax disse que iniciou o estágio final dos testes para uma vacina experimental contra a covid-19 no Reino Unido.

O petróleo cai no exterior, mas são as bolsas europeias que exibem quedas mais fortes, acima de 1,00%, enquanto em Nova York o recuo gira em torno de 0,10%. É no continente europeu que vem o temor mais elevado ante um retrocesso na retomada econômica, devido ao espalhamento de infectados pela pandemia de coronavírus por lá. No entanto, essa preocupação envolve o mundo todo no momento em que as economias ainda tentam engatar recuperação sustentável e a principal delas - dos EUA - luta para conseguir um novo pacote fiscal para superar a crise.

Dado o impasse que se arrasta há tempos entre republicanos e democratas, Plastino, avalia que será complicado o pacote fiscal ser aprovado nos EUA em breve. Isso, diz, acaba gerando ainda mais cautela em relação ao processo de recuperação da economia global.

"Investidores estão preocupados com a retomada. Tanto França quanto Reino Unido têm apresentado taxas ruins avanço de casos de covid-19, recordes, e anunciando medidas restritivas", descreve. Hoje, a Espanha recomendou que Madrid estenda o "lockdown" a todas as regiões, após a cidade ampliar as restrições de 37 regiões para 45. Além disso, segue no radar as negociações em torno do Brexit.

Também para o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada, é difícil apostar em um desfecho positivo entre os partidos sobre uma nova ajuda às vésperas das eleições norte-americanas. De todo modo, diz em nota, este tema seguirá monitorado, podendo alterar os rumos da sessão.

"A eleição norte-americana ainda continuará gerando volatilidade. O presidente do país, Donald Trump concorre à reeleição disse que a transição do seu governo não seria passiva, que poderia complicar, mas os republicanos afirmaram que não farão interrupções em caso de vitória do democrata Joe Biden", avalia Plastino.

No entanto, o assessor de investimentos da Unnião cita que o noticiário político mais enfraquecido hoje pode ao menos limitar recuos mais expressivos na B3. Além disso, vê como positiva a prorrogação em 15 dias da aprovação do seguro-desemprego para quem foi demitido durante a pandemia de covid-19.

Às 10h36, as bolsas em Nova York caíam entre 0,10% e 0,35%, enquanto o Ibovespa tinha queda de 1,39%, aos 95.664,64 pontos, após mínima aos 95.631,74 pontos e máxima aos 97.011,80 pontos. O dólar à vista subia 1,14%, a R$ 5,573. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,33%, aos 97.012,07 pontos, com investidores tentando se agarrar à ideia de que o clamor feito por autoridades dos EUA, pedindo mais um plano de estímulo norte-americano, terá resultados.

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