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Na região, preços do arroz e feijão disparam

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Desde janeiro, dupla encareceu até 26,04%, enquanto que a inflação do período subiu 0,46%


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/09/2020 | 00:05


A dupla arroz e feijão é a base das refeições na mesa dos brasileiros no almoço e no jantar. Desde o início do ano, os dois insumos já encareceram até 57 vezes mais do que a inflação deste ano. O pacote de cinco quilos de arroz é encontrado nas gôndolas dos supermercados da região, em média, por R$ 18,20. E a previsão é a de que a alta continue nos próximos meses.

Desde janeiro, o preço do produto já subiu 26,04%, ou R$ 4,22. Enquanto isso, inflação oficial do País, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acumulou 0,46% até julho. E, em 12 meses, 2,31%.

O pacote de um quilo de feijão, por sua vez, custava R$ 6,63 no início do ano e, agora, chegou a R$ 8,50. A alta foi de 20,66%. Os valores integram pesquisa realizada na primeira semana deste mês pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) nos supermercados do Grande ABC. E, apesar da média de preços, é possível encontrar o pacote de arroz sendo vendido a até R$ 25,90 e, o de feijão, a R$ 9 nos supermercados.

Considerando o consumo mensal por uma família de quatro pessoas, estimado pela Craisa – três pacotes (de cinco quilos cada) de arroz e seis de feijão (um quilo) –, o desembolso. considerando o valor médio, soma R$ 105,60, um terço do novo valor do auxílio emergencial, que a partir deste mês é de R$ 300.

A pandemia do novo coronavírus estabeleceu cenário de menor oferta de arroz em âmbito internacional. Países asiáticos, que são grandes produtores, reduziram suas plantações. E o Brasil ampliou suas exportações a fim de suprir essa lacuna, mesmo com uma produção menor, já que nos últimos tempos o cultivo do campo se tornou mais voltado à soja, vedete brasileira no mercado internacional. Isso mesmo com o aumento da demanda pelo cereal também no País devido à quarentena.

“Ao contrário do feijão, o arroz é considerado uma commodity (matéria-prima que tem preço determinado pela oferta e procura internacional). Com a pandemia, a redução do produto e a alta do dólar (cotado a R$ 5,36), o custo no mercado mundial subiu”, afirmou o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá De Benedetto, ao complementar que a alta do arroz é mais preocupante, já que, historicamente, o feijão costuma ter valores maiores no inverno.

O principal problema é que não há previsão de solução no curto prazo, já que só há uma colheita de arroz por ano. A produção da safra é iniciada neste mês, mas a colheita só acontece em março, o que indica que o preço deve continuar a subir pelo menos até o fim deste ano. “O produtor que estava com arroz armazenado já começou a vender porque o preço estava bom”, disse Benedetto. Ou seja, o estoque regulador está sendo desovado.

Conforme o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta do cereal chegou a 100% em 12 meses, e a saca de 50 quilos foi a R$ 100 no Rio Grande do Sul, principal produtor do País.


Não vai faltar, garante ministra sobre cereal

A alta do arroz também vem sendo alvo de preocupação do governo federal, mas ainda sem a apresentação de medida a curto prazo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que conversou com os supermercados sobre o assunto e marcou reunião com o setor hoje.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, afirmou ontem que o governo vai trabalhar para manter o abastecimento e baixar o preço do grão. “O arroz não vai faltar. Agora ele está alto, mas nós vamos fazer ele baixar. Se Deus quiser, vamos ter uma supersafra no ano que vem.”

A situação do setor vem sendo monitorada e não há previsão de falta de produto. Conforme a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção de arroz estimada para a próxima safra (2020/2021, comercializada em março) é de 12 milhões toneladas, incremento de 7,2% em relação à safra anterior.

A reunião da equipe econômica com a Abras (Associação Brasileira de Supermercado) irá abordar a alta dos preços. Além do arroz, a farinha de trigo, açúcar, frango e carne bovina aumentaram 20% no ano. O encontro acontece depois de a Abras ter publicado alerta para a escalada de preços em razão das altas exportações, somadas ao aquecimento da demanda interna com o auxílio emergencial. Diante disso, Bolsonaro declarou: “Está subindo arroz, feijão? Só para vocês saberem, já conversei com intermediários, vou conversar logo mais com a associação de supermercados”. E completou: “Estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí... estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro.” (com Estadão Conteúdo) 



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Na região, preços do arroz e feijão disparam

Desde janeiro, dupla encareceu até 26,04%, enquanto que a inflação do período subiu 0,46%

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/09/2020 | 00:05


A dupla arroz e feijão é a base das refeições na mesa dos brasileiros no almoço e no jantar. Desde o início do ano, os dois insumos já encareceram até 57 vezes mais do que a inflação deste ano. O pacote de cinco quilos de arroz é encontrado nas gôndolas dos supermercados da região, em média, por R$ 18,20. E a previsão é a de que a alta continue nos próximos meses.

Desde janeiro, o preço do produto já subiu 26,04%, ou R$ 4,22. Enquanto isso, inflação oficial do País, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acumulou 0,46% até julho. E, em 12 meses, 2,31%.

O pacote de um quilo de feijão, por sua vez, custava R$ 6,63 no início do ano e, agora, chegou a R$ 8,50. A alta foi de 20,66%. Os valores integram pesquisa realizada na primeira semana deste mês pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) nos supermercados do Grande ABC. E, apesar da média de preços, é possível encontrar o pacote de arroz sendo vendido a até R$ 25,90 e, o de feijão, a R$ 9 nos supermercados.

Considerando o consumo mensal por uma família de quatro pessoas, estimado pela Craisa – três pacotes (de cinco quilos cada) de arroz e seis de feijão (um quilo) –, o desembolso. considerando o valor médio, soma R$ 105,60, um terço do novo valor do auxílio emergencial, que a partir deste mês é de R$ 300.

A pandemia do novo coronavírus estabeleceu cenário de menor oferta de arroz em âmbito internacional. Países asiáticos, que são grandes produtores, reduziram suas plantações. E o Brasil ampliou suas exportações a fim de suprir essa lacuna, mesmo com uma produção menor, já que nos últimos tempos o cultivo do campo se tornou mais voltado à soja, vedete brasileira no mercado internacional. Isso mesmo com o aumento da demanda pelo cereal também no País devido à quarentena.

“Ao contrário do feijão, o arroz é considerado uma commodity (matéria-prima que tem preço determinado pela oferta e procura internacional). Com a pandemia, a redução do produto e a alta do dólar (cotado a R$ 5,36), o custo no mercado mundial subiu”, afirmou o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá De Benedetto, ao complementar que a alta do arroz é mais preocupante, já que, historicamente, o feijão costuma ter valores maiores no inverno.

O principal problema é que não há previsão de solução no curto prazo, já que só há uma colheita de arroz por ano. A produção da safra é iniciada neste mês, mas a colheita só acontece em março, o que indica que o preço deve continuar a subir pelo menos até o fim deste ano. “O produtor que estava com arroz armazenado já começou a vender porque o preço estava bom”, disse Benedetto. Ou seja, o estoque regulador está sendo desovado.

Conforme o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta do cereal chegou a 100% em 12 meses, e a saca de 50 quilos foi a R$ 100 no Rio Grande do Sul, principal produtor do País.


Não vai faltar, garante ministra sobre cereal

A alta do arroz também vem sendo alvo de preocupação do governo federal, mas ainda sem a apresentação de medida a curto prazo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que conversou com os supermercados sobre o assunto e marcou reunião com o setor hoje.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, afirmou ontem que o governo vai trabalhar para manter o abastecimento e baixar o preço do grão. “O arroz não vai faltar. Agora ele está alto, mas nós vamos fazer ele baixar. Se Deus quiser, vamos ter uma supersafra no ano que vem.”

A situação do setor vem sendo monitorada e não há previsão de falta de produto. Conforme a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção de arroz estimada para a próxima safra (2020/2021, comercializada em março) é de 12 milhões toneladas, incremento de 7,2% em relação à safra anterior.

A reunião da equipe econômica com a Abras (Associação Brasileira de Supermercado) irá abordar a alta dos preços. Além do arroz, a farinha de trigo, açúcar, frango e carne bovina aumentaram 20% no ano. O encontro acontece depois de a Abras ter publicado alerta para a escalada de preços em razão das altas exportações, somadas ao aquecimento da demanda interna com o auxílio emergencial. Diante disso, Bolsonaro declarou: “Está subindo arroz, feijão? Só para vocês saberem, já conversei com intermediários, vou conversar logo mais com a associação de supermercados”. E completou: “Estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí... estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro.” (com Estadão Conteúdo) 

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