Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 5 de Março

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Política

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

Mulheres, negras e vices

Montagem/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Morgana, de Sto.André, Jacque, de Ribeirão, e Paula, em Rio Grande, levam às urnas debate contra o racismo


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

06/09/2020 | 23:59


Parte da classe política do Grande ABC abriu voz e espaço para mulheres negras na composição das campanhas majoritárias na esteira do crescimento do movimento antirracista pelo mundo – em especial nos Estados Unidos, que vive verdadeira ebulição no tema desde a morte de George Floyd, em maio, após ser sufocado por policial branco.

Na última semana, três pré-candidatos a prefeito no Grande ABC anunciaram companheiras de chapa com o mesmo perfil. A vereadora Bete Siraque (PT) terá ao seu lado Morgana Ribeiro (PCdoB) na corrida eleitoral em Santo André. Felipe Magalhães (PT) aposta na união com Jacque Cipriany (PT) em Ribeirão Pires. E o também vereador Akira Auriani (PSB) escolheu Paula Alves (Rede) na dobrada em Rio Grande da Serra.

Aos 31 anos, Morgana foi apresentada pelo PCdoB à cúpula do PT no último fim de semana. Filiada à UBM (União Brasileira de Mulheres) e ao Unegro (União dos Negros pela Igualdade), ela faz questão de dizer ser feminista. Mora na periferia de Santo André – no bairro Cidade São Jorge. Foi lá que, durante a juventude, passou a conhecer outros movimentos sociais e o rap, estilo musical que nasceu junto à cultura negra.

“Estamos assistindo a muitas mortes de pessoas negras, não só no Brasil, como nos Estados Unidos. Vivemos um período marcado pelo conservadorismo, o que está legitimando pessoas a se identificarem com pautas racistas”, declarou Morgana, filiada ao PCdoB desde 2011.

“Independentemente do que fazemos, devemos ter em mente que nós, negros, sempre estivemos militando, levantando nossas bandeiras”, afirmou a pré-candidata andreense. “Estamos prontas para ocupar os espaços. Somos maioria no País, como mulheres e como negros.” Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. O mesmo IBGE mostra que 56,2% dos brasileiros se declaram pretos (9,4%) ou pardos (46,8%).

Quem também cultiva admiração pelo rap e pela cultura do hip hop é a advogada Jacque Cipriany, 38, moradora do bairro Ouro Fino, em Ribeirão Pires. Divorciada e mãe de gêmeas de 9 anos, ela é especializada em direito cível e criminal. Mas sua paixão é o rap.

“Pelas rimas que eu escrevo acabo externando e entendendo minhas dores”, afirmou. A advogada sustentou que a falta de políticas públicas voltadas especificamente para a comunidade negra “ainda escancara e sangra feridas que são denunciadas há muito tempo”. Na visão de Jacque, a mulher sempre construiu, dentro das estruturas partidárias, alternativas para os diversos problemas enfrentados, como racismo, machismo e falta de representatividade. “Meu nome é fruto da militância negra dentro do PT, que sempre discute esse assunto. Mas há de se pontuar que os problemas que nossa comunidade enfrenta não se encerram com a candidatura de pessoas negras.”

Paula Caroline Souza, 33, é empreendedora social e vive na Vila Santa Tereza, em Rio Grande da Serra. Ela alegou que há muita responsabilidade em carregar a possibilidade de se tornar vice-prefeita da cidade. “Há uma insatisfação por parte da sociedade de achar que a política é lugar de poucos. Mas eu represento essas famílias, que moram, vivem na cidade e que acreditam na possibilidade de mudança”, apontou a pré-candidata. Paula defende a bandeira de melhor educação, que, na visão da empreendedora, é uma ferramenta para mostrar alternativas positivas para os estudantes. “Queremos ter uma gestão próxima à população e que seja sem rótulos. Alguns dele
s nos afastam da política.”

Mestre e doutor em história econômica e integrante do Neabi (Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros) da UFABC (Universidade Federal do ABC), Ramatis Jacino comentou que o fato de três mulheres negras serem alçadas a nomes de destaque na política do Grande ABC significa uma “grande vitória” do movimento negro em busca de uma sociedade igualitária.

“O fato de a questão racial estar latente em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, pode ter influenciado essas escolhas. Mas devemos lembrar da luta histórica da população negra também. É importante que se diga que os principais aliados (da comunidade negra) dentro da política são os partidos e movimentos de esquerda”, avaliou. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Mulheres, negras e vices

Morgana, de Sto.André, Jacque, de Ribeirão, e Paula, em Rio Grande, levam às urnas debate contra o racismo

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

06/09/2020 | 23:59


Parte da classe política do Grande ABC abriu voz e espaço para mulheres negras na composição das campanhas majoritárias na esteira do crescimento do movimento antirracista pelo mundo – em especial nos Estados Unidos, que vive verdadeira ebulição no tema desde a morte de George Floyd, em maio, após ser sufocado por policial branco.

Na última semana, três pré-candidatos a prefeito no Grande ABC anunciaram companheiras de chapa com o mesmo perfil. A vereadora Bete Siraque (PT) terá ao seu lado Morgana Ribeiro (PCdoB) na corrida eleitoral em Santo André. Felipe Magalhães (PT) aposta na união com Jacque Cipriany (PT) em Ribeirão Pires. E o também vereador Akira Auriani (PSB) escolheu Paula Alves (Rede) na dobrada em Rio Grande da Serra.

Aos 31 anos, Morgana foi apresentada pelo PCdoB à cúpula do PT no último fim de semana. Filiada à UBM (União Brasileira de Mulheres) e ao Unegro (União dos Negros pela Igualdade), ela faz questão de dizer ser feminista. Mora na periferia de Santo André – no bairro Cidade São Jorge. Foi lá que, durante a juventude, passou a conhecer outros movimentos sociais e o rap, estilo musical que nasceu junto à cultura negra.

“Estamos assistindo a muitas mortes de pessoas negras, não só no Brasil, como nos Estados Unidos. Vivemos um período marcado pelo conservadorismo, o que está legitimando pessoas a se identificarem com pautas racistas”, declarou Morgana, filiada ao PCdoB desde 2011.

“Independentemente do que fazemos, devemos ter em mente que nós, negros, sempre estivemos militando, levantando nossas bandeiras”, afirmou a pré-candidata andreense. “Estamos prontas para ocupar os espaços. Somos maioria no País, como mulheres e como negros.” Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. O mesmo IBGE mostra que 56,2% dos brasileiros se declaram pretos (9,4%) ou pardos (46,8%).

Quem também cultiva admiração pelo rap e pela cultura do hip hop é a advogada Jacque Cipriany, 38, moradora do bairro Ouro Fino, em Ribeirão Pires. Divorciada e mãe de gêmeas de 9 anos, ela é especializada em direito cível e criminal. Mas sua paixão é o rap.

“Pelas rimas que eu escrevo acabo externando e entendendo minhas dores”, afirmou. A advogada sustentou que a falta de políticas públicas voltadas especificamente para a comunidade negra “ainda escancara e sangra feridas que são denunciadas há muito tempo”. Na visão de Jacque, a mulher sempre construiu, dentro das estruturas partidárias, alternativas para os diversos problemas enfrentados, como racismo, machismo e falta de representatividade. “Meu nome é fruto da militância negra dentro do PT, que sempre discute esse assunto. Mas há de se pontuar que os problemas que nossa comunidade enfrenta não se encerram com a candidatura de pessoas negras.”

Paula Caroline Souza, 33, é empreendedora social e vive na Vila Santa Tereza, em Rio Grande da Serra. Ela alegou que há muita responsabilidade em carregar a possibilidade de se tornar vice-prefeita da cidade. “Há uma insatisfação por parte da sociedade de achar que a política é lugar de poucos. Mas eu represento essas famílias, que moram, vivem na cidade e que acreditam na possibilidade de mudança”, apontou a pré-candidata. Paula defende a bandeira de melhor educação, que, na visão da empreendedora, é uma ferramenta para mostrar alternativas positivas para os estudantes. “Queremos ter uma gestão próxima à população e que seja sem rótulos. Alguns dele
s nos afastam da política.”

Mestre e doutor em história econômica e integrante do Neabi (Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros) da UFABC (Universidade Federal do ABC), Ramatis Jacino comentou que o fato de três mulheres negras serem alçadas a nomes de destaque na política do Grande ABC significa uma “grande vitória” do movimento negro em busca de uma sociedade igualitária.

“O fato de a questão racial estar latente em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, pode ter influenciado essas escolhas. Mas devemos lembrar da luta histórica da população negra também. É importante que se diga que os principais aliados (da comunidade negra) dentro da política são os partidos e movimentos de esquerda”, avaliou. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;