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Pela quinta vez, CVC descumpre prazo para divulgação de balanço

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Promessa era a de divulgar dados ontem; CVM multa em R$ 1.000 por dia de atraso


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

01/09/2020 | 00:42


Não foi desta vez que os investidores da CVC Corp tiveram acesso aos resultados auditados da empresa em 2019 e no primeiro trimestre de 2020. A companhia do setor de turismo, com sede em Santo André, descumpriu, pela quinta vez, a promessa de divulgar o seu balanço. Inclusive, como a empresa já passou do prazo legal prorrogado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em 30 de junho, desde então vem sendo aplicada multa diária de R$ 1.000 à companhia. O valor gira em torno de R$ 62 mil.

Até o fechamento desta edição, à meia-noite, nada havia sido publicado no site da empresa. Ao longo do dia, o mercado – que já estava tenso diante da expectativa para o orçamento de 2021, com o rombo de R$ 233,6 bilhões mesmo com o teto de gastos, o que interrompeu ciclo de quatro meses de alta na bolsa – havia reagido à ausência de informações da CVC e as ações tiveram o terceiro pior resultado do pregão de ontem, com queda de 4,49%, e encerraram valendo R$ 18,30. Neste ano, os papéis já desvalorizaram 58,22% – em 2 de janeiro, valiam R$ 44,71.

última vez que a companhia se manifestou sobre os seus resultados não auditados foi em 3 de agosto, quando revisou o valor de erro contábil para R$ 362,38 milhões, valor R$ 112,3 milhões maior do que a empresa previa. Em fato relevante divulgado à época, dizia: “Há indícios, não conclusivos, de que os resultados da CVC podem ter sido intencionalmente manipulados”. Com a alteração, o impacto no lucro líquido foi reduzido em 65% ante 2018, para R$ 47,1 milhões.

A pandemia do novo coronavírus acabou afetando de maneira mais intensa o setor do turismo, devido à necessidade de isolamento físico, o que atingiu em cheio a companhia, que no início de julho demitiu 200 colaboradores. O cenário, associado à disparada do dólar, cotado a R$ 5,63, piorou a situação do negócio.

“Os sucessivos adiamentos da divulgação do resultado da CVC trazem descrédito à empresa, que já tem papéis de extremo risco pela conjuntura, já que não se sabe em quanto tempo o turismo voltará a ser praticado, quando as barreiras para conter a Covid-19 serão liberadas e, portanto, se tem dúvida quanto à geração de receita e o retorno ao investidor. A retomada dependerá também de incentivos do governo”, analisa Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

Ainda assim, na sexta-feira a CVC Corp divulgou que seguia investindo para ampliar portfólio de produtos internacionais e antecipar negociações exclusivas para embarques até o fim de 2021. Entre as novidades, está a ampliação do acordo com a Best Western Hotels & Resorts com mais opções de hospedagem ao redor do mundo, inclusive a Ásia, a partir deste mês. A empresa também informou ao mercado que o processo de aumento de capital, adotado para gerar receita extra, havia chegado a R$ 295 milhões.

“Ainda é pouco para recuperar seu desempenho diante de tantas incertezas. O investidor poderá ficar receoso de manter no portfólio empresa que apresente instabilidade na apresentação de seus dados. Os especuladores podem, por outro lado, tentar obter lucros de curto prazo, uma vez que quando há movimentos bruscos de desvalorização, há tendência de que o mercado ache o ativo barato, o que contribui para o aumento da demanda”, explica Rodrigo Tavares, assessor de investimentos na Saron Investments, escritório da XP Investimentos.

Procurada, a CVC Corp não se manifestou. 



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Pela quinta vez, CVC descumpre prazo para divulgação de balanço

Promessa era a de divulgar dados ontem; CVM multa em R$ 1.000 por dia de atraso

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

01/09/2020 | 00:42


Não foi desta vez que os investidores da CVC Corp tiveram acesso aos resultados auditados da empresa em 2019 e no primeiro trimestre de 2020. A companhia do setor de turismo, com sede em Santo André, descumpriu, pela quinta vez, a promessa de divulgar o seu balanço. Inclusive, como a empresa já passou do prazo legal prorrogado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em 30 de junho, desde então vem sendo aplicada multa diária de R$ 1.000 à companhia. O valor gira em torno de R$ 62 mil.

Até o fechamento desta edição, à meia-noite, nada havia sido publicado no site da empresa. Ao longo do dia, o mercado – que já estava tenso diante da expectativa para o orçamento de 2021, com o rombo de R$ 233,6 bilhões mesmo com o teto de gastos, o que interrompeu ciclo de quatro meses de alta na bolsa – havia reagido à ausência de informações da CVC e as ações tiveram o terceiro pior resultado do pregão de ontem, com queda de 4,49%, e encerraram valendo R$ 18,30. Neste ano, os papéis já desvalorizaram 58,22% – em 2 de janeiro, valiam R$ 44,71.

última vez que a companhia se manifestou sobre os seus resultados não auditados foi em 3 de agosto, quando revisou o valor de erro contábil para R$ 362,38 milhões, valor R$ 112,3 milhões maior do que a empresa previa. Em fato relevante divulgado à época, dizia: “Há indícios, não conclusivos, de que os resultados da CVC podem ter sido intencionalmente manipulados”. Com a alteração, o impacto no lucro líquido foi reduzido em 65% ante 2018, para R$ 47,1 milhões.

A pandemia do novo coronavírus acabou afetando de maneira mais intensa o setor do turismo, devido à necessidade de isolamento físico, o que atingiu em cheio a companhia, que no início de julho demitiu 200 colaboradores. O cenário, associado à disparada do dólar, cotado a R$ 5,63, piorou a situação do negócio.

“Os sucessivos adiamentos da divulgação do resultado da CVC trazem descrédito à empresa, que já tem papéis de extremo risco pela conjuntura, já que não se sabe em quanto tempo o turismo voltará a ser praticado, quando as barreiras para conter a Covid-19 serão liberadas e, portanto, se tem dúvida quanto à geração de receita e o retorno ao investidor. A retomada dependerá também de incentivos do governo”, analisa Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

Ainda assim, na sexta-feira a CVC Corp divulgou que seguia investindo para ampliar portfólio de produtos internacionais e antecipar negociações exclusivas para embarques até o fim de 2021. Entre as novidades, está a ampliação do acordo com a Best Western Hotels & Resorts com mais opções de hospedagem ao redor do mundo, inclusive a Ásia, a partir deste mês. A empresa também informou ao mercado que o processo de aumento de capital, adotado para gerar receita extra, havia chegado a R$ 295 milhões.

“Ainda é pouco para recuperar seu desempenho diante de tantas incertezas. O investidor poderá ficar receoso de manter no portfólio empresa que apresente instabilidade na apresentação de seus dados. Os especuladores podem, por outro lado, tentar obter lucros de curto prazo, uma vez que quando há movimentos bruscos de desvalorização, há tendência de que o mercado ache o ativo barato, o que contribui para o aumento da demanda”, explica Rodrigo Tavares, assessor de investimentos na Saron Investments, escritório da XP Investimentos.

Procurada, a CVC Corp não se manifestou. 

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