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Andreense ‘salva’ televisores do lixo
e ajuda a preservar a memória da TV

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Desde os anos 1980 ele resgata aparelhos que teriam como destino o lixo e amplia seu museu particular


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

30/08/2020 | 00:01


 O dia 18 de setembro de 1950 foi marcado por momento histórico no Brasil. Naquela data ocorria a primeira exibição oficial televisiva no País, com a inauguração da TV Tupi. Era o começo de uma trajetória que está prestes a completar 70 anos, e cujo os passos do avanço tecnológico dos aparelhos que colocam as imagens dentro das casas, de diversas marcas e origens, estão preservados em Santo André .

Apaixonado por TV, Alceu Massini, 62 anos, tem na coleção cerca de 1.300 televisores, coloridos e em preto e branco. Seu foco são aparelhos fabricados no Brasil, mas ele também salvou do lixo peças norte-americanas e japonesas, por exemplo. Tudo está guardado em espaço de 400 metros quadrados em sua casa, no bairro Santa Terezinha, mas esse museu não é aberto à visitação. 

Outro espaço que contava a história da TV no Brasil por meio de fotos e aparelhos era a Cidade da TV Brasileira, exposição temática na Cidade da Criança, em São Bernardo, que foi desativada.

A paixão de Massini por colecionar esses aparelhos teve início em 1982, quando encontrou em um quartinho fechado na casa de seu avô o aparelho em que ele assistia, quando criança, a diversos programas junto com os avós, Victor Antonio Queijo e Alexandrina Amélia Queijo. “Vivia na casa deles. Saía da escola, passava lá e a TV no horário das 18h era da criançada”, recorda.

Massini conta que, quando se deparou com aquele aparelho, modelo de 1956 da marca Invictus, quase não acreditou. “Nem meu avô lembrava mais dele”, diz. Naquele momento sua infância veio à tona e ele decidiu resgatar aquela TV e restaurá-la.

Sem formação em eletrônica, levou o televisor em algumas oficinas técnicas da região, mas nenhuma se dispôs a arrumar o aparelho. Começou a ler a respeito e, depois de alguns choques, fez a Invictus voltar a funcionar. “Foi uma grande emoção”, lembra. O modelo, primeiro de sua coleção, funciona até hoje. 

“Os técnicos me diziam para jogar fora aquele televisor. Foi quando pensei em quantos aparelhos estariam esquecidos nas garagens das pessoas”, conta. Massini assumiu a missão de tentar salvar do lixo quantas TVs pudesse. 

Ele pegava seu carro e saía vasculhando as ruas em busca de televisores antes que fossem para o lixo. A coleção foi crescendo, com caçadas pela rua, doações e compras em feiras de antiguidades. “Comecei com televisores dos anos 1950, depois 1960, e assim por diante, até mais ou menos 2015, quando os aparelhos de tubo pararam de sair”, diz. 

Mas ele tem também aparelhos até mais antigos, norte-americanos, do fim dos anos 1940. “A televisão começou a ser fabricada no Brasil em 1952, dois anos depois da primeira transmissão, com a Invictus, que ficava em São Paulo”, explica. 

Para ele, o televisor mais querido que tem é o que era de seus avós, claro. Entre os mais raros, estão alguns exemplares brasileiros da Semp, dos anos 1950. Televisores da brasileira Empire também ilustram o espaço, assim como um Zenith portátil de 1955 e uma Philco ano 1969, curvilínea.

Uma das maiores loucuras que fez por um televisor foi fazer uma viagem até Bom Jardim de Minas, em Minas Gerais, a 388 quilômetros de Santo André. “Fui e voltei no mesmo dia e peguei um modelo General Eletric de 1950”, celebra. “De dois anos para cá, salvei mais de 100 TVs”, afirma. Uma das aquisições mais recentes é um modelo portátil da Invictus, de 1964.

Sua coleção já ilustrou exposições, como a Hebe Eterna, de Hebe Camargo, que ficou em cartaz em São Paulo, e filmes como Bingo – O Rei das Manhãs, por exemplo. 

Ele explica que, quando se fala da história mundial da televisão, o Brasil tem papel importante. “A TV surgiu na Inglaterra, em experiência simultânea com os Estados Unidos. O Brasil foi o terceiro país a ter TV. O Canadá foi ter só em 1953”, explica o agora especialista. “Desses 70 anos de TV no Brasil, tenho toda a história aqui em casa”, celebra.



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