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Carlos Gomes faz aniversário com futuro promissor

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Inaugurado em 1925, cine teatro andreense completa 95 anos com expectativa de reabrir em dezembro


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

15/08/2020 | 00:01


Há exatos 95 anos, na Rua Senador Flaquer, antigo número 14, na região central de Santo André, o Cine Teatro Carlos Gomes abria suas portas para a população. O prédio imponente chamava atenção e tinha à sua frente um coreto. Pode-se dizer que a cidade cresceu e se modernizou em torno do local, que passou por diversas e significativas transformações, sendo uma das mais importantes a que está em andamento e deve terminar em novembro, devolvendo ao edifício todo seu protagonismo.

Tombado como patrimônio cultural andreense, o Carlos Gomes – que recebeu esse nome em homenagem a um dos principais compositores de ópera brasileiro, autor de O Guaraní – funcionou primeiro, de 1912 até 1925, na Rua Coronel Oliveira Lima, na altura do Largo da Estátua. O espaço cultural está com portas fechadas desde 2008 por problemas estruturais.

Mas o Carlos Gomes passará este aniversário, depois de muitos outros, às mínguas, com esperança real de ver suas portas reabertas em dezembro. O local está sendo transformado pela Prefeitura andreense em espaço multiuso, polo cultural e centro de convivência. O investimento é de cerca de R$ 5 milhões, provenientes de convênio com a Caixa, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento).

De original, o local guarda apenas a boca de cena, parte da frente do palco – que serviu como cenário em 1946 para o tenor italiano Tito Schipa (1888-1965) – a madeira do telhado e a parede esquerda. O projeto de melhorias prevê a reforma, recuperação e preservação das estruturas e dos elementos protegidos pelo tombamento. 

Segundo a Prefeitura, o projeto terá conceito de praça coberta para permitir o trânsito do público. O trabalho prevê a recuperação e valorização dos elementos identificados como de interesse na preservação da memória, como é o caso das paredes internas com pintura decorativa, a boca de cena e a estrutura de madeira da cobertura.

Simone Zárate, secretária de Cultura de Santo André, explica que o local poderá receber diversos tipos de eventos, desde concerto da Orquestra Sinfônica de Santo André, por exemplo, como uma sessão de filme, exposições e espetáculos. Tanto que dentro do local os assentos serão móveis, o que dará ao equipamento espaço para receber até bailes.

Simone explica que a nova fachada “é o prédio como está, com estrutura metálica no entorno e um mezanino avançando para fora da construção com a frente de vidro”. O Carlos Gomes será espaço integrado com seu entorno, tanto que parte da Rua Senador Flaquer foi fechada para veículos e ganhou calçadão que irá integrar ao corredor comercial da Coronel Oliveira Lima. “A ideia é que seja um complexo, integrar espaço interno e externo. Será toda uma praça junto ao equipamento cultural”, diz. 

Havia agenda sendo trabalhada para a reinauguração do local, mas foi congelada por causa da pandemia da Covid-19. Simone ainda tem expectativa de reabrir o local em dezembro, mas tudo vai depender da evolução dos casos do novo coronavírus. “Ainda não sabemos como os equipamentos de cultura vão voltar”, destaca.

De qualquer forma, Simone explica que está sendo trabalhada exposição na parte de cima do equipamento que será permanente e histórica, com as mobilizações que ocorreram ao longo dos anos – pedindo cuidado e a preservação do espaço. “Na parte de baixo pensamos em uma mostra temporária com as pessoas contando suas histórias sobre aquele local”, projeta. 

Para Simone, ver o aparelho cultural aberto novamente será grande sonho realizado. “É uma alegria muito grande o espaço estar finalmente sendo reformado. O primeiro cinema que entrei foi o Carlos Gomes. Lembro do pipoqueiro, tenho várias memórias. Minha mãe, 85 anos, conta histórias de lá. É um lugar histórico”, encerra.

Moradores da região guardam lembranças de fatos marcantes no tradicional local

Em seus 95 anos, o Cine Teatro Carlos Gomes marcou a vida de várias pessoas e trouxe lembranças que nem o tempo é capaz de apagar. Que diga a escritora e poetisa andreense Rosana Banharoli, 60 anos. Nos anos 1970, ela frequentava as matinês aos domingos e foi em uma delas que aconteceu seu primeiro beijo. 

“Estava com um amigo de escola e a gente era paquera. Sentamos lado a lado, para ver o filme, e víamos os casais se beijando naquele filme romântico, não me lembro o nome. E resolvemos copiar a cena. Foi um beijo de boca fechada e ficamos mexendo o rosto para imitar os casais”, diverte-se. “Não vou mais esquecer. Ficou lembrança muito bonita”, diz.

Desde o início de sua adolescência Rosana teve apego ao local. “Tinha movimento na porta do cinema, com pessoas de mais idade passeando, se reunindo. Era muita gente, todo mundo bem arrumado”, recorda. Depois disso, ela participou nos anos 2010 de ações e passeatas em prol do Carlos Gomes.

Cineasta de Diadema, Diaulas Ullysses, 53, também acumula lembranças do local. Desde ensaios dos curtas-metragens que realizou pela ELCY (Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André) ou de quando realizou exposição do filme Bocage, o Triunfo do Amor (1997), do cineasta Djalma Limongi Batista. 

“Em junho de 2002, quando era ainda aluno de direção da ELCY, usava o espaço para ensaiar e dirigir os atores do filme Os Alvos Que Queremos Virgens. Me lembro daqueles dias de frio, com a equipe e os atores Antonio Petrin e o Mauricio Santana, pai e filho, respectivamente. Foram dias mágicos que nunca vou esquecer.

Datas e fatos de um equipamento único na região

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

O Cine Teatro Carlos Gomes é tão importante que possui várias datas referenciais e passou por situações sem igual. Uma: ao ser desativado como casa de diversões, em 1987, suas instalações na Rua Senador Flaquer foram ocupadas por uma loja de tecidos – Varejão Chaves – e por um estacionamento. Nada diferente do que ocorreu por este País e mundo afora na era dos shoppings – assistam ao filme Cinema Paradiso –, mas com um diferencial: voltou a ser cinema e teatro em 1991.

Que outro cine teatro retornou às origens? Está certo que as administrações municipais que sucederam ao primeiro mandato do prefeito Celso Daniel (1989-1992), inclusive as duas gestões seguintes do próprio Celso, relegaram o Carlos Gomes ao abandono. Mas o espaço resiste, intacto, aguardando por quem tenha sensibilidade para construir a sua história, que sintetiza a própria história andreense – e do Grande ABC – neste e no século passado.

E por que Grande ABC? Porque o majestoso Carlos Gomes atraía moradores das sete cidades, e mesmo da Zona Leste de São Paulo, que vinham a Santo André para assistir ao último lançamento, participar das reuniões do Clube Atlético Rhodia – que nele teve a primeira sede –, prestigiar audições musicais e de teatro, ombrear-se a movimentos cívicos como o da Revolução Constitucionalista de 1932.

DATAS

Cada Carnaval, cada baile, cada desfile em seu palco é uma data que marca, individual ou coletivamente, tanta gente, tantos jovens de sessões como a do amendoim. Mas três datas clássicas podem e devem ser destacadas:

>21-9-1912 – Inauguração do primeiro Cine Theatro Carlos Gomes em plena Rua Coronel Oliveira Lima, na altura do atual Largo da Estátua – e este prédio ali permanece até hoje.

15-8-1925 – Inauguração do prédio atual, à Rua Senador Flaquer, declarado de utilidade pública em dezembro de 1991.

1991< (várias datas) – Reabertura do Carlos Gomes, com a estreia da peça Nosso Cinema, de Luís Carlos de Abreu, direção de Antonio Petrin, com Sônia Guedes e Sergio Mamberti, e a exposição A Arte, o Artista e Seu Espaço, instalada no saguão do teatro; concerto pela Orquestra Sinfônica Jovem de Santo André, sob a regência do maestro Flávio Florence.

Estas são datas gloriosas. Existem outras – década a década:

1925 – Colônia italiana festeja pela primeira vez, no novo Cine Teatro Carlos Gomes, o 20 de setembro, data nacional da Itália.

1938 – Banquete de recepção ao interventor paulista, Adhemar de Barros – com uma imensa foto do político no palco.

1942 – Exibição do clássico E o Vento Levou.

1954 – Estreia nacional do filme Floradas da Serra, talvez a maior produção da primeira fase da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, e que teve a presença, em Santo André, da estrela Cacilda Becker.

1965 – Sessões com o filme Help, estrelado pelos Beatles – de filas que contornavam todo o quarteirão, até a Rua Gertrudes de Lima.

Entre os momentos tristes, a década de 1970, no auge do cine pornô e filmes do tipo kung fu e que apontaram para 1987, quando o cinema foi fechado e ocupado por atividades comerciais.

Vozes se ergueram em defesa do espaço, como a do então vereador José de Araújo, a colunista do Diário Claudete Reinhart e o arquiteto Euclydes Rocco. Um grande movimento popular foi organizado, denominado SOS Carlos Gomes, que reuniu 23 mil assinaturas pedindo a retomada do imóvel como espaço cultural.

QUARTA DATA

Integrantes do Gipem (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória) foram às ruas pela preservação do que sobrou do prédio de 1925, a sua carcaça. Sábados saudosos da coleta de assinaturas. A tristeza de ver marretas derrubando a fachada de então. A alegria de ver o Carlos Gomes integrado ao patrimônio municipal.

Deste então, aguarda-se pela quarta data gloriosa deste cinema simples, mas que marcou gerações de andreenses, quem sabe a data da sua recuperação definitiva como cinema de rua. Que gestor público terá a honra de descerrar a fita inaugural, entrando para a história? Aguardemos.



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Carlos Gomes faz aniversário com futuro promissor

Inaugurado em 1925, cine teatro andreense completa 95 anos com expectativa de reabrir em dezembro

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

15/08/2020 | 00:01


Há exatos 95 anos, na Rua Senador Flaquer, antigo número 14, na região central de Santo André, o Cine Teatro Carlos Gomes abria suas portas para a população. O prédio imponente chamava atenção e tinha à sua frente um coreto. Pode-se dizer que a cidade cresceu e se modernizou em torno do local, que passou por diversas e significativas transformações, sendo uma das mais importantes a que está em andamento e deve terminar em novembro, devolvendo ao edifício todo seu protagonismo.

Tombado como patrimônio cultural andreense, o Carlos Gomes – que recebeu esse nome em homenagem a um dos principais compositores de ópera brasileiro, autor de O Guaraní – funcionou primeiro, de 1912 até 1925, na Rua Coronel Oliveira Lima, na altura do Largo da Estátua. O espaço cultural está com portas fechadas desde 2008 por problemas estruturais.

Mas o Carlos Gomes passará este aniversário, depois de muitos outros, às mínguas, com esperança real de ver suas portas reabertas em dezembro. O local está sendo transformado pela Prefeitura andreense em espaço multiuso, polo cultural e centro de convivência. O investimento é de cerca de R$ 5 milhões, provenientes de convênio com a Caixa, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento).

De original, o local guarda apenas a boca de cena, parte da frente do palco – que serviu como cenário em 1946 para o tenor italiano Tito Schipa (1888-1965) – a madeira do telhado e a parede esquerda. O projeto de melhorias prevê a reforma, recuperação e preservação das estruturas e dos elementos protegidos pelo tombamento. 

Segundo a Prefeitura, o projeto terá conceito de praça coberta para permitir o trânsito do público. O trabalho prevê a recuperação e valorização dos elementos identificados como de interesse na preservação da memória, como é o caso das paredes internas com pintura decorativa, a boca de cena e a estrutura de madeira da cobertura.

Simone Zárate, secretária de Cultura de Santo André, explica que o local poderá receber diversos tipos de eventos, desde concerto da Orquestra Sinfônica de Santo André, por exemplo, como uma sessão de filme, exposições e espetáculos. Tanto que dentro do local os assentos serão móveis, o que dará ao equipamento espaço para receber até bailes.

Simone explica que a nova fachada “é o prédio como está, com estrutura metálica no entorno e um mezanino avançando para fora da construção com a frente de vidro”. O Carlos Gomes será espaço integrado com seu entorno, tanto que parte da Rua Senador Flaquer foi fechada para veículos e ganhou calçadão que irá integrar ao corredor comercial da Coronel Oliveira Lima. “A ideia é que seja um complexo, integrar espaço interno e externo. Será toda uma praça junto ao equipamento cultural”, diz. 

Havia agenda sendo trabalhada para a reinauguração do local, mas foi congelada por causa da pandemia da Covid-19. Simone ainda tem expectativa de reabrir o local em dezembro, mas tudo vai depender da evolução dos casos do novo coronavírus. “Ainda não sabemos como os equipamentos de cultura vão voltar”, destaca.

De qualquer forma, Simone explica que está sendo trabalhada exposição na parte de cima do equipamento que será permanente e histórica, com as mobilizações que ocorreram ao longo dos anos – pedindo cuidado e a preservação do espaço. “Na parte de baixo pensamos em uma mostra temporária com as pessoas contando suas histórias sobre aquele local”, projeta. 

Para Simone, ver o aparelho cultural aberto novamente será grande sonho realizado. “É uma alegria muito grande o espaço estar finalmente sendo reformado. O primeiro cinema que entrei foi o Carlos Gomes. Lembro do pipoqueiro, tenho várias memórias. Minha mãe, 85 anos, conta histórias de lá. É um lugar histórico”, encerra.

Moradores da região guardam lembranças de fatos marcantes no tradicional local

Em seus 95 anos, o Cine Teatro Carlos Gomes marcou a vida de várias pessoas e trouxe lembranças que nem o tempo é capaz de apagar. Que diga a escritora e poetisa andreense Rosana Banharoli, 60 anos. Nos anos 1970, ela frequentava as matinês aos domingos e foi em uma delas que aconteceu seu primeiro beijo. 

“Estava com um amigo de escola e a gente era paquera. Sentamos lado a lado, para ver o filme, e víamos os casais se beijando naquele filme romântico, não me lembro o nome. E resolvemos copiar a cena. Foi um beijo de boca fechada e ficamos mexendo o rosto para imitar os casais”, diverte-se. “Não vou mais esquecer. Ficou lembrança muito bonita”, diz.

Desde o início de sua adolescência Rosana teve apego ao local. “Tinha movimento na porta do cinema, com pessoas de mais idade passeando, se reunindo. Era muita gente, todo mundo bem arrumado”, recorda. Depois disso, ela participou nos anos 2010 de ações e passeatas em prol do Carlos Gomes.

Cineasta de Diadema, Diaulas Ullysses, 53, também acumula lembranças do local. Desde ensaios dos curtas-metragens que realizou pela ELCY (Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André) ou de quando realizou exposição do filme Bocage, o Triunfo do Amor (1997), do cineasta Djalma Limongi Batista. 

“Em junho de 2002, quando era ainda aluno de direção da ELCY, usava o espaço para ensaiar e dirigir os atores do filme Os Alvos Que Queremos Virgens. Me lembro daqueles dias de frio, com a equipe e os atores Antonio Petrin e o Mauricio Santana, pai e filho, respectivamente. Foram dias mágicos que nunca vou esquecer.

Datas e fatos de um equipamento único na região

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

O Cine Teatro Carlos Gomes é tão importante que possui várias datas referenciais e passou por situações sem igual. Uma: ao ser desativado como casa de diversões, em 1987, suas instalações na Rua Senador Flaquer foram ocupadas por uma loja de tecidos – Varejão Chaves – e por um estacionamento. Nada diferente do que ocorreu por este País e mundo afora na era dos shoppings – assistam ao filme Cinema Paradiso –, mas com um diferencial: voltou a ser cinema e teatro em 1991.

Que outro cine teatro retornou às origens? Está certo que as administrações municipais que sucederam ao primeiro mandato do prefeito Celso Daniel (1989-1992), inclusive as duas gestões seguintes do próprio Celso, relegaram o Carlos Gomes ao abandono. Mas o espaço resiste, intacto, aguardando por quem tenha sensibilidade para construir a sua história, que sintetiza a própria história andreense – e do Grande ABC – neste e no século passado.

E por que Grande ABC? Porque o majestoso Carlos Gomes atraía moradores das sete cidades, e mesmo da Zona Leste de São Paulo, que vinham a Santo André para assistir ao último lançamento, participar das reuniões do Clube Atlético Rhodia – que nele teve a primeira sede –, prestigiar audições musicais e de teatro, ombrear-se a movimentos cívicos como o da Revolução Constitucionalista de 1932.

DATAS

Cada Carnaval, cada baile, cada desfile em seu palco é uma data que marca, individual ou coletivamente, tanta gente, tantos jovens de sessões como a do amendoim. Mas três datas clássicas podem e devem ser destacadas:

>21-9-1912 – Inauguração do primeiro Cine Theatro Carlos Gomes em plena Rua Coronel Oliveira Lima, na altura do atual Largo da Estátua – e este prédio ali permanece até hoje.

15-8-1925 – Inauguração do prédio atual, à Rua Senador Flaquer, declarado de utilidade pública em dezembro de 1991.

1991< (várias datas) – Reabertura do Carlos Gomes, com a estreia da peça Nosso Cinema, de Luís Carlos de Abreu, direção de Antonio Petrin, com Sônia Guedes e Sergio Mamberti, e a exposição A Arte, o Artista e Seu Espaço, instalada no saguão do teatro; concerto pela Orquestra Sinfônica Jovem de Santo André, sob a regência do maestro Flávio Florence.

Estas são datas gloriosas. Existem outras – década a década:

1925 – Colônia italiana festeja pela primeira vez, no novo Cine Teatro Carlos Gomes, o 20 de setembro, data nacional da Itália.

1938 – Banquete de recepção ao interventor paulista, Adhemar de Barros – com uma imensa foto do político no palco.

1942 – Exibição do clássico E o Vento Levou.

1954 – Estreia nacional do filme Floradas da Serra, talvez a maior produção da primeira fase da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, e que teve a presença, em Santo André, da estrela Cacilda Becker.

1965 – Sessões com o filme Help, estrelado pelos Beatles – de filas que contornavam todo o quarteirão, até a Rua Gertrudes de Lima.

Entre os momentos tristes, a década de 1970, no auge do cine pornô e filmes do tipo kung fu e que apontaram para 1987, quando o cinema foi fechado e ocupado por atividades comerciais.

Vozes se ergueram em defesa do espaço, como a do então vereador José de Araújo, a colunista do Diário Claudete Reinhart e o arquiteto Euclydes Rocco. Um grande movimento popular foi organizado, denominado SOS Carlos Gomes, que reuniu 23 mil assinaturas pedindo a retomada do imóvel como espaço cultural.

QUARTA DATA

Integrantes do Gipem (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória) foram às ruas pela preservação do que sobrou do prédio de 1925, a sua carcaça. Sábados saudosos da coleta de assinaturas. A tristeza de ver marretas derrubando a fachada de então. A alegria de ver o Carlos Gomes integrado ao patrimônio municipal.

Deste então, aguarda-se pela quarta data gloriosa deste cinema simples, mas que marcou gerações de andreenses, quem sabe a data da sua recuperação definitiva como cinema de rua. Que gestor público terá a honra de descerrar a fita inaugural, entrando para a história? Aguardemos.

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