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'Economia pressiona governo bielo-russo'



14/08/2020 | 07:46


As manifestações contra o governo de Alexander Lukashenko são as maiores na Bielo-Rússia desde o início dos anos 90, quando ele chegou ao poder. Na avaliação de Joerg Forbrig, diretor de Europa Central e do Leste no German Marshall Fund, quanto mais os atos nas ruas durarem, menor as chances do "último ditador da Europa" continuar à frente do país.

Há uma possibilidade real de Lukashenko deixar o poder?

A possibilidade de queda é muito real. Pode ser uma questão de dias se a mobilização que estamos vendo continuar e crescer. Em algum momento, essa mobilização vai chegar a um nível e a um tamanho em que o aparato de segurança não poderá fazer mais nada. Quanto mais tempo durarem as manifestações, menores as chances de Lukashenko ficar no poder.

O que mudou para que houvesse uma oposição nas eleições e esses protestos em massa?

A Bielo-Rússia está em estagnação econômica há pelo menos dez anos. Isso primeiro afetou os moradores de pequenas cidades. São pessoas que tiveram menos educação e são mais dependentes dos empregos estatais. Elas viram seus salários estagnados, os preços subirem e algumas foram até forçadas a trabalhar fora do país. Elas apoiavam Lukashenko ou eram, digamos, passivas. Esse grupo foi mobilizado simplesmente porque sua situação econômica e social foi piorando severamente. O outro grupo impactado é parte da elite que trabalha na administração pública e nas companhias estatais. São pessoas que perceberam que o desenvolvimento econômico do país não pode ser mais assim, que precisa de reformas, e estão se mobilizando.

Que tipo de reformas econômicas são pedidas?

A Bielo-Rússia tem uma economia muito controlada pelo Estado. É uma economia quase soviética. Há indústrias que não são lucrativas. O déficit do setor estatal só pode ser compensado com subsídios da Rússia em áreas como óleo, gás, empréstimos. É um modelo que não se sustenta mais.

A pandemia ajudou a unir as pessoas contra o governo?

Lukashenko negou efetivamente a crise. Chamou de psicose. Mas as pessoas esperam muito dos serviços estatais. Então, o povo da Bielo-Rússia se sentiu abandonado. Eles ficaram desapontados porque não tiveram suporte, orientações e nem informações sobre como responder à pandemia.

Qual foi o papel da oposição nas eleições da Bielo-Rússia?

No passado, a oposição era apenas um pequeno grupo de pessoas que geralmente não convenciam muito. Neste ano, três pessoas apareceram como fortes candidatos e conseguiram mobilizar a população. E o governo percebeu isso. Dois foram presos e um exilado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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'Economia pressiona governo bielo-russo'


14/08/2020 | 07:46


As manifestações contra o governo de Alexander Lukashenko são as maiores na Bielo-Rússia desde o início dos anos 90, quando ele chegou ao poder. Na avaliação de Joerg Forbrig, diretor de Europa Central e do Leste no German Marshall Fund, quanto mais os atos nas ruas durarem, menor as chances do "último ditador da Europa" continuar à frente do país.

Há uma possibilidade real de Lukashenko deixar o poder?

A possibilidade de queda é muito real. Pode ser uma questão de dias se a mobilização que estamos vendo continuar e crescer. Em algum momento, essa mobilização vai chegar a um nível e a um tamanho em que o aparato de segurança não poderá fazer mais nada. Quanto mais tempo durarem as manifestações, menores as chances de Lukashenko ficar no poder.

O que mudou para que houvesse uma oposição nas eleições e esses protestos em massa?

A Bielo-Rússia está em estagnação econômica há pelo menos dez anos. Isso primeiro afetou os moradores de pequenas cidades. São pessoas que tiveram menos educação e são mais dependentes dos empregos estatais. Elas viram seus salários estagnados, os preços subirem e algumas foram até forçadas a trabalhar fora do país. Elas apoiavam Lukashenko ou eram, digamos, passivas. Esse grupo foi mobilizado simplesmente porque sua situação econômica e social foi piorando severamente. O outro grupo impactado é parte da elite que trabalha na administração pública e nas companhias estatais. São pessoas que perceberam que o desenvolvimento econômico do país não pode ser mais assim, que precisa de reformas, e estão se mobilizando.

Que tipo de reformas econômicas são pedidas?

A Bielo-Rússia tem uma economia muito controlada pelo Estado. É uma economia quase soviética. Há indústrias que não são lucrativas. O déficit do setor estatal só pode ser compensado com subsídios da Rússia em áreas como óleo, gás, empréstimos. É um modelo que não se sustenta mais.

A pandemia ajudou a unir as pessoas contra o governo?

Lukashenko negou efetivamente a crise. Chamou de psicose. Mas as pessoas esperam muito dos serviços estatais. Então, o povo da Bielo-Rússia se sentiu abandonado. Eles ficaram desapontados porque não tiveram suporte, orientações e nem informações sobre como responder à pandemia.

Qual foi o papel da oposição nas eleições da Bielo-Rússia?

No passado, a oposição era apenas um pequeno grupo de pessoas que geralmente não convenciam muito. Neste ano, três pessoas apareceram como fortes candidatos e conseguiram mobilizar a população. E o governo percebeu isso. Dois foram presos e um exilado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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